• Aucun résultat trouvé

The provision of hydration and nutrition should be regarded as an ordinary part of medical and nursing care and as such to be morally obligatory. In recent years the

Dans le document Td corrigé e con il pdf (Page 107-113)

Um ponto fundamental da elaboração pecheuxtiana sobre o conceito de discurso é a importância atribuída à ideologia. De acordo com os estudos pecheuxtianos, o discurso é considerado como a materialidade específica da ideologia e a língua como materialidade específica do discurso. Segundo Orlandi (1999), a ideologia é “ a condição para a constituição do sujeito e dos sentidos” (ORLANDI, 1999, p.46).

Para pensar sobre a ideologia neste trabalho, valho-me das considerações de Althusser (1980), abordadas em sua obra Ideologia e aparelhos ideológicos de

Estado. Para o autor, “a ideologia representa a relação imaginária dos indivíduos com

suas condições reais de existência.” (AUTHUSSER, 1980, p. 77), ou seja, ela se configura na maneira como o homem vive suas relações baseadas nas suas condições de existência. Althusser postula que a ideologia possui uma existência material que pode ser reproduzida através de ações cotidianas ou rituais cotidianos como uma missa, uma oração, uma sala de aula, dentre outros. Sendo assim, compreende-se, então, que ideologia é atemporal, ou seja, ela é ahistórica, na medida em que determina modos de viver, existir e significar o mundo para o indivídulo. A existência da ideologia só é possível por causa do sujeito e para os sujeitos, isto é,

uma de suas funções é transformar o indivíduo concreto em sujeito através da interpelação. O autor defende, ainda, que a interpelação é o processo pelo qual os indivíduos se transformam em sujeitos da ideologia.

À medida que a ideologia é ahistórica, compreende-se que o processo de interpelação de indivíduos em sujeitos está sempre acontecendo. Como forma de exemplificar esse processo de interpelação ideológica, Althusser (1980) refere-se às nossas ações cotidianas. Um aperto de mão, por exemplo, é uma ação que transforma o indivíduo em sujeito, pois é o momento em que mostramos que reconhecemos alguém do nosso convívio e também tomamos conhecimento que esse alguém também nos reconheceu. No caso do objeto de estudo dessa pesquisa, por exemplo, conseguir fazer uso de uma determinada expressão em língua inglesa é uma ação que pode transformar o aluno em sujeito por ter sido compreendido a partir da língua do outro. A interpelação, portanto, é o reconhecimento do outro e de si enquanto sujeito em posições específicas que permitem determinadas ações. Os estudos authusserianos defendem que todos os indivíduos são recrutados pela ideologia através da interpelação. Vale ressaltar que esse processo não ocorre apenas em momentos específicos, pois somos interpelados a todo o momento.

A noção de ideologia é, portanto, relevante para esta pesquisa pelo fato desta constituir a base na qual cada indivíduo operacionaliza processos de significação do mundo e de si mesmo. Embora não me filie inteiramente à ideia de que o sujeito é ideológico unicamente, pois ele também é constituído na clivagem operada pelo inconsciente e pela visão da linguagem, concordo com os trabalhos althusserianos no que diz respeito a que todas as práticas discursivas são possíveis por meio da ideologia.

Orlandi (1999) explica que, na AD, o significado dado à noção de ideologia a partir da consideração de linguagem é um aspecto muito relevante, pois diz respeito a uma definição discursiva de ideologia como “a condição para a constituição do sujeito e dos sentidos” Orlandi (1999, p.46), na medida em que o homem é levado a buscar o sentido das palavras e das coisas diante de qualquer objeto simbólico. Em outras palavras, a autora afirma que não há sentido sem interpretação, logo, não há sentido sem ideologia. É impossível, então, não termos contato com a ideologia nas nossas vidas, pois não há como um individuo não interpretar. Orlandi (1999, p. 47) afirma

que assim considerada “a ideologia não é ocultação, mas função da relação necessária entre linguagem e mundo”.

Para a AD, a linguagem só é linguagem por se inscrever na história e por funcionar como uma mediação entre o homem e a realidade natural e social. Nas palavras de Orlandi (1999, p.15), “essa mediação, que é o discurso, torna possível tanto a permanência e a continuidade quanto o deslocamento e a transformação do homem e da realidade em que ele vive”. A autora continua e afirma que a linguagem não é transparente nem neutra, mas carregada de um conteúdo simbólico, ou seja, é por meio da linguagem que nos confrontamos cotidianamente com o mundo, com os outros sujeitos, com os sentidos e também com a história. Assim, a ideologia nos constitui no atravessamento com o inconsciente, sendo os discursos que produzimos uma forma de materializarmos a ideologia.

Orlandi (2008, p. 5) conclui que “a linguagem é a materialidade do discurso, e o discurso, se define como materialidade específica da ideologia”. Concernente ao desdobramento dessa filiação para pensar o conceito de sujeito e a problematização cerne deste trabalho, o sujeito, no uso da linguagem, atribui sentido na relação da língua com sua exterioridade a partir da sua posição ideológica, resultando na produção do seu dizer. Pode-se afirmar, que não há discurso sem sujeito, bem como não há sujeito sem ideologia devido à sua natureza social e ideológica.

Os estudos pecheuxtianos nos mostram que o sujeito do discurso não diz respeito a um individuo, mas sim a uma posição no discurso, ou seja, o individuo que é cindido pelo inconsciente e interpelado pela ideologia é, então, convocado a ser sujeito e ocupa seu lugar no emaranhado de discursos. O papel da interpelação é colocar o sujeito diante do histórico e do simbólico e o determina “ao regular o que se pode e deve ser dito por meio da ilusão necessária do sujeito como origem de seu dizer” (P CHEU , 2009a). A ideologia, portanto, está presente nas formações discursivas por meio das formações ideológicas, e essa regulação se dá por meio da inscrição do sujeito em formações discursivas (FD).

Dans le document Td corrigé e con il pdf (Page 107-113)

Outline

Documents relatifs