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B.2 La prolifération cellulaire et la formation de neuroblastes

A quarta tendência apontada, por Bertoni (1995), para a formação de professores de Matemática, trata da formação do professor pesquisador, da pesquisa feita pelo professor da educação básica, da pesquisa sobre a prática de sala de aula. Aqui, não estamos tratando da pesquisa acadêmica, mas da pesquisa como questionamento e da pesquisa como autocrítica do fazer didático- pedagógico da sala de aula feito pelo professor. O que dizem os educadores matemáticos e outros sobre a pesquisa de professor da Matemática? Será que a pesquisa que o professor faz sobre suas práticas de sala de aula contribui para mudar ou orientar novas ações pelo professor? Contribui para a qualidade de sua aula? Acredita-se que sim, mas não se constitui em um fazer simples. Requer preparação, formação, experiência de formadores, estrutura de pesquisa e planos de ação que envolvam os licenciandos.

Partindo da complexidade que envolve a pesquisa do professor, Campos; D’Ambrósio, B. (1992), dão-nos uma visão disso. Em uma pesquisa feita com seis licenciandos em Matemática da PUC/SP, focando situações de pesquisa, constatam que os licenciandos não mudam sua prática só pela exposição a métodos e a teoria da Educação Matemática. Para eles, faz-se necessário seu envolvimento e dos professores em experiências reais com alunos reais, em uma situação de investigação em buscar significados,interpretar e propor soluções.

A tendência tem um alto potencial de integração teórico-prática (durante a formação inicial) e requer um auxílio interdisciplinar à elaboração de respostas a muitos dos problemas que surgem. Ao engendrar essa possibilidade em uma situação de sala de aula, o professor é capaz de elaborar, formar e atingir seu trabalho, formando seu aluno como sujeito do processo pedagógico e dos processos sociais para inventar o futuro e valorizar o professor, como produtor de conhecimentos sobre suas práticas e saber agir sobre elas, conforme destaca Dickel (1998, p. 33-34). Para esta autora, a pesquisa no contexto da escola pública torna-se a possibilidade de [...] o professor toma para a si o direito pela

direção de seu trabalho, comprometendo-se com a busca de uma sociedade justa

[...].

A partir da análise de um programa de formação de professores desenvolvido na Universidade de Indiana – Estados Unidos e em uma situação de sala de aula, D’Ambrosio, U., & D’Ambrosio, B., (2002), indicam que a disposição do professor para ouvir os alunos é o elemento fundamental que caracteriza o professor pesquisador. Por meio de sua pesquisa, os alunos têm nova compreensão da Matemática e da realidade de uma sala de aula, sobre a sua prática pedagógica, sobre a Matemática em si ou sobre a aprendizagem matemática.

Para Fiorentini et al (2002, p. 159), como já dito anteriormente, a pesquisa do professor da escola básica pode significar que a sistematização de

conhecimentos produzidos a partir da prática profissional que pode trazer contribuições relevantes para uma formação inicial mais articulada com as realidades escolares. Para os autores, investigar a própria prática é um desafio

tanto para o professor da escola como ao professor formador de professores.

O desafio, formar o professor pesquisador, torna-se ainda maior quando se trata das condições disponíveis para fazer pesquisa. Nas próprias universidades, como lugar institucional de formação de professores, as dificuldades são várias, comprometendo a formação inicial do licenciando. Na escola, as dificuldades avolumam-se. Da pesquisa de professor, faz parte o indagar com outros olhos,

questionar, criticar. Mesmo assim, dela não se deve abrir mão, pois pode contribuir para alterar o que os licenciandos sabem sobre o ensino, sobre o ser professor de Matemática, sobre a evolução dos conteúdos matemáticos ensinados. Qual é o ponto central na formação e no trabalho do professor51. O desenvolvimento profissional docente passa por isso também52.

A pesquisa de professor pode estar ganhando novo fôlego baseada na tendência do desenvolvimento profissional em um contexto de grupo colaborativo. Esta importância foi evidenciada pelas pesquisadoras Lytle e Cochram-Smith (1999), conforme André (2004). Existem fortes evidências de que essa tendência poderá contribuir significativamente com a formação de um novo perfil profissional para o professor de Matemática, pois possibilita troca de experiência e refletir sobre as práticas do grupo, como foi evidenciado pelas pesquisas de Nacarato (2003).

A pesquisa de professor pode reorientar o trabalho da sala de aula, promovendo a dignidade do professor que produz seus próprios conhecimentos sobre suas práticas e sobre elas saberá agir. O professor que pesquisa sua prática, é questionador e capaz de refletir sobre sua formação e seu trabalho. O desafio que se coloca aqui, passa pelas condições não tão favoráveis dos cursos de formação de professor capaz de indignar-se, questionar-se sobre seu papel, e suas condições de trabalho. Como esperar que o professor seja pesquisador de sua prática, se durante sua formação ele não foi colocado diante de situações inquietantes? Além disso, são raros os cursos que dispõem de condições para isso e quando o curso intitula-se “formar pela pesquisa”, faltam condições estruturais, professores experientes, e as escolas não apresentam condições melhores.

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51

Para mais informação ver Antônio MIGUEL em seu artigo As pontencialidades pedagógicas da História da Matemática em questão: argumentos reforçadores e questionadores. In: Zetetité – CEMPEM – v. 5 – nº 8 – jul/dez. de 1997; FRANKENSTEIN, M. Various uses of History in teaching critcalmatemathematical literacy. In: Meeting of the intenacional study group on relations between history e pedagogy of matematics. HPM – Blumennau/Brazil, 25-27 july de 1994.

52 Para Aeboe (1984; Struik, (1985); D’Ambrosio (1996), Aaboe (1984); Sousa (2003), a pesquisa do

professor a respeito do conteúdo de Matemática tem importante função no formação de professores e ensino/aprendizagem da Matemática. Estudar História da Matemática permite conhecer e compreender a organização e avaliar o que é Matemática, qual seu objeto de estudo, suas origens, sua função social e científica e, até mesmo político-ideológica.

Em síntese, ser professor pesquisador, ser crítico, ser autônomo, ser capaz de trabalhar com a resolução de problemas, com a História da Matemática ou informática torna o ser professor uma profissão bastante carregada de afazeres. Muitas vezes ser um bom professor de Matemática como sendo aquele que sabe ensinar o conteúdo, e o aluno consegue aprender, podemos dizer que já é uma situação boa diante das dificuldades que se encontra no ensino da Matemática no Brasil e em alguns países. Não nos damos por satisfeitos com isso, pois formar bem o professor de Matemática passa antes pelo compromisso assumido e posto em prática pelos cursos de formação de formar com qualidade. Ele traz o perfil do profissional que irá formar. Se é bem visto pelos educadores matemáticos que o professor faça pesquisa sobre sua prática, prover os cursos e as escolas com condições para isso é necessidade básica.

A seguir, os dados do quadro abaixo ajudam a visualizar as concepções a respeito do conceito de pesquisa de professor, presente neste trabalho.

Quadro nº 3.1. Síntese das concepções sobre pesquisa de professor.

A pesquisa precisa está próxima das atividades dos professores, da vida diária do professor e da escola, na tentativa de promover, assim, a desmistificação de pesquisa e de pesquisador como algo que se coloca acima dos seres normais. Para as autoras, a pesquisa é uma atividade humana e que traz consigo, inevitavelmente, a carga de valores, preferências, interesses que orientam o pesquisador. O pesquisador irá trabalhar a construção de conhecimento tendo de seu lado, sua individualidade agindo, também. No trabalho de sala de aula, isso também acontece. Por isso, é importante que o professor saiba ouvir para agir e poder decidir suas ações na escola. [...] muita discussão e questionamento incidiram sobre o assunto. (LÜDKE & ANDRE, 1986)

Pesquisa pode significar condição de consciência crítica e cabe como componente necessário de toda proposta emancipatória. É preciso Construir a necessidade de construir caminhos, não receitas que tendem a destruir o desafio de construção. [...] Predomina entre nós a atitude do imitador, que copia, reproduz e faz prova. Deveria impor-se a atitude de aprender pela elaboração própria, substituindo a curiosidade de escutar pela de produzir. (DEMO, 1996)

A pesquisa com propósito didático de mediar o preparo de professores para que venham a ter uma atuação docente eficaz em sala de aula. Nesse sentido distingue- se da pesquisa científica, que visa sobretudo à produção de novos conhecimentos e deve satisfazer critérios específicos de objetividade, originalidade, validade e de legitimidade perante a comunidade científica. A pesquisa com propósito didático deve propiciar o acesso aos conhecimentos científicos e levar o aluno-professor a assumir um papel ativo no seu próprio processo de formação, incorporando uma postura investigativa que acompanhe sua prática profissional. (ANDRÉ, 1997, 2006)

A pesquisa é um instrumento de reflexão coletiva sobre a prática. (GERALDI et al.,1998)

Fazendo pesquisa, o professor é capaz de elaborar formas de atingir o seu trabalho e o aluno, de modo a reconstruí-lo como sujeitos dos processos pedagógico e social, capazes de produzir um projeto que inclui as pessoas. (DICKEL, 1998)

A pesquisa pode ser uma possibilidade para a universidade desenvolver trabalhos em parceira com a escola pública, por meio de pesquisa colaborativa. (GARRIDO, 2000) A pesquisa do professor da escola básica pode significar que a sistematização de conhecimentos produzidos a partir da prática profissional pode trazer contribuições relevantes para uma formação inicial mais articulada com as realidades escolares. (FIORENTINI et al., 2002)

A pesquisa valoriza o professor como investigador de sua prática no contexto das reformas curriculares, onde o professor é comparado a um artista, que melhora sua arte, experimentando e examinando criticamente, buscando a melhor combinação de notas e sons. (STENHOUSE, 2003)

A pesquisa na prática docente precisa ser alimentada por meios que possibilitem ao professor pesquisar sua própria prática e a possibilidade de agregar conhecimentos que promovam o desenvolvimento da pesquisa. (GATTI, 2004)

Elliott (2005) amplia as propostas de Stenhouse, sugere a investigação-ação como possibilidade da reflexão para melhorar a prática.

A pesquisa na formação docente favorece a proliferação de práticas pedagógicas eficazes. Como profissional crítico, o professor pesquisador torna-se apto a comparar métodos de ensino, refutar teoria e produzir novos conhecimentos. (NUNES, 2008). A pesquisa pode tira o professor do lugar comum de um mero técnico que precisa um punhado regras para dar aulas. A pesquisa pode orientar o professor na organização de seu trabalho, no planejamento da aula, tornando-a mais dinâmica e investigativa.

A constituição da identidade profissional docente será tratada no capítulo seguinte.

C

apítulo

4

O professor de Matemática e a constituição da identidade

profissional

O senhor... mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Verdade maior. Isso me alegra montão.

(João Guimarães Rosa – 1908-1967)

A formação é essencial na construção das identidades profissionais porque facilita a incorporação de saberes que estruturam, simultaneamente, a relação com o trabalho e a carreira profissional

(Claude Dubar, 1998, p. 51)

A discussão sobre a identidade profissional do professor vem ganhando espaço no meio acadêmico, onde já é visível o crescente interesse pela publicação de diversos textos decorrentes de pesquisas, como Gatti (1997); Pimenta (1997); Pontes et al (2003); Guimarães (2004), que trazem a identidade profissional docente como ponto focal. As licenciaturas trabalham com a formação de professores e aí incluída a construção de uma identidade profissional docente, que ocorre ao longo do curso, ao vivenciar a profissão, envolver-se com os colegas, com os professores e com as disciplinas. Esta construção precisa ser consciente, intencional por parte do aluno e do professor. O despertar para a profissão docente começa nos cursos de formação, quando o aluno vai adotando a maneira de ser e estar na profissão, ou seja, vai construindo sua identidade profissional docente.

Analisar a formação docente nos cursos de formação de professores, considerando o Projeto de Licenciaturas Parceladas e o ensino pela pesquisa, faz-se necessário porque enxergamos aí o espaço de objetivação do processo de formação e de constituição da identidade profissional do professor. A escola é o outro lugar (lugar de trabalho) onde o professor irá continuar se envolvendo em sucessivos processos relacionais que contribuem para constituição de sua identidade profissional, pois é lá onde o professor se avalia como tal a partir de seus pares e de seu fazer reconhecido por ele e pelos alunos. Por isso, consideramos que Dubar (1997a; 1997b; 1998) fornecerá o apoio teórico para compreender o processo de constituição identitária profissional docente que não se encerra na formação inicial. Mas, o que é identidade profissional? Como o professor constrói sua identidade profissional? O que contribui para a constituição de sua identidade profissional?