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  O  Estabelecimento  Prisional  Especial  de  Tires  (EPET)  localiza‐se  na  região  de  Lisboa, mais propriamente no concelho de Cascais. 

  Foi  criado  em  1953,  com  a  designação  de  Cadeia  Central  de  Mulheres  e  entregue  à  congregação  de  Nossa  Senhora  da  Caridade  do  Bom  Pastor,  por  acordo  celebrado com o Ministério da Justiça, acordo esse que terminou em 22 de Setembro  de 1980, data a partir da qual a sua administração transitou da tutela religiosa para a  leiga. 

  Tradicionalmente,  este  Estabelecimento  sempre  se  destinou  a  mulheres,  com  excepção para o período entre Dezembro de 1984 e Abril de 1989, em que comportou  também  reclusos  do  sexo  masculino  centralizados  num  único  pavilhão.  Este  sector  manteve‐se em funcionamento até ao encerramento da “Cadeia das Mónicas” quando  as  mulheres  que  ali  se  encontravam  foram  transferidas  para  este  estabelecimento  prisional, que voltou a ser, nessa altura, exclusivamente feminino. 

71    Situado numa quinta de 34 hectares, o Estabelecimento Prisional de Tires tem  uma estrutura descentralizada, sendo composto, actualmente, por vários pavilhões:       a)  Três  pavilhões  de  Regime  Fechado  –  o  pavilhão  1,  destinado  a  reclusas 

preventivas; o pavilhão 2, destinado a reclusas condenadas; e o pavilhão 3  destinado à população masculina em situação de prisão preventiva, o que  acontece desde 9/10/2002); 

b)  Um  pavilhão  para  alojamento  de  reclusas  em  Regime  Aberto  (RAVI  e  RAVE);  c) Um espaço terapêutico autónomo para recuperação de toxicodependentes  e que também acolhe outras reclusas com necessidades de acompanhamento  individualizado – a “Unidade Livre de Drogas”;  d) O espaço “Casa das Mães”, destinado a reclusas em período de gestação  e com filhos até aos três anos de idade – estando também estas separadas  em  alas:  preventivas,  condenadas  e  RAVI  –  e  uma  Creche,  destinada  aos  filhos das reclusas que tenham mais de seis meses de idade e que funciona  em período diurno, de 2.ª a 6.ª feira. 

  O Estabelecimento Prisional dispõe de Serviços Clínicos, em instalações próprias,  com  um  quarto  de  internamento  na  “Casa  das  Mães”.  Em  Julho  de  2009  mudou  a  empresa adjudicatária dos serviços clínicos, tendo tido que haver adaptação e adopção de  novos  procedimentos  em  conformidade  com  Manual  para  a  Prestação  de  Cuidados  de  Saúde.  Procedeu‐se  a  alterações  consideradas  importantes,  designadamente  na  toma  observada directa, alargamento do horário de enfermagem até às 21 horas, alargamento  da carga horária de medicina e especialidades. A especialidade de pediatria é assegurada  por  uma  médica  voluntária.  Também  em  2009  se  iniciou  uma  nova  metodologia  de  marcação de consultas médicas (com excepção das 1ªs consultas e urgências) através de  inscrição prévia subscrita pelo recluso e depositada em local criado para o efeito. As  solicitações são, diariamente, recolhidas pelos técnicos de enfermagem que de seguida  promovem  ao  seu  registo,  em  modelo  próprio  constante  no  Manual  de  Procedimentos, e, igualmente, procedem ao agendamento do acto clínico. Prepara‐se,  ainda,  a  parceria  a  estabelecer  com  a  Liga  Portuguesa  contra  o  Cancro  (LPCC),  e 

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Instituto  Português  de  Oncologia  (IPO),  no  tocante  ao  projecto  de  sensibilização  e  rastreio do cancro do colo do útero e, ao abrigo do Plano de Luta contra a Tuberculose  (PNT), promovem‐se rastreios periódicos de toda a população prisional e funcionários  pelo  CDT  (Centro  de  Diagnóstico  Pulmonar)  da  Região  de  Saúde  de  Lisboa  e  Vale  do  Tejo.  Implementou‐se,  em  2009,  o  plano  de  contingência  da  gripe  A  e  realizaram‐se  sessões de informação destinadas a toda a população prisional neste contexto. 

  No  tocante  ao  ensino  do  sector  feminino,  este  realiza‐se  em  parceria  com  a  Escola Secundária Sebastião e Silva, de Oeiras. O EP organiza ainda cursos de formação  diversos, como é o caso do curso de educação e formação de organização de eventos.    Como  actividades  extracurriculares,  existem  formações  relacionadas  com  português para estrangeiras alfabetização e novas tecnologias, bem como o projecto de  validação de competências profissionais. 

  A  formação  profissional  proporcionada  às  reclusas  é  promovida  pelo  Centro  Protocolar  de  Justiça,  na  áreas  da  jardinagem  e  espaços  verdes  e  de  ajudante  de  cozinha.  

  Ao nível laboral, as reclusas distribuem‐se pelos seguintes sectores: manutenção,  oficinas internas (lavandaria e tapetes de Arraiolos), jardinagem e empresas. 

  Existem, ainda, um Salão de Exposições e Espectáculos, um Campo Desportivo  para  a  prática  de  Futebol  de  Salão  e  recintos  desportivos  polivalentes  em  todos  os  pavilhões, com excepção dos de Regime Aberto e instalações de trabalho (lavandaria,  manutenção e empresas do exterior). 

  O  EPET  estabeleceu,  ainda,  vários  protocolos  com  diversas  Associações  de  voluntariado, tendo implementados alguns projectos como, por exemplo, os seguintes:  a)  “Recomeçar”  –  orientado  para  o  desenvolvimento  pessoal  e  cívico;  b)  “Relação  Materno‐infantil” – reportagem fotográfica das crianças da Casas das Mães; c) terapias  expressivas Biodanza e dançoterapia; e d) apoio às refeições na creche. Têm também  implementado  programas  de  desenvolvimento  de  treino  de  competências  pessoais  e  sociais, bem assim como treino de competências parentais, ora em articulação com a  Casa  da  Criança  –  que  desenvolveu  um  programa  destinado  às  mães  cujos  filhos  se  encontram na Casa de Acolhimento Temporário ‐ ora para as reclusas com filhos no EP. 

73  Têm‐se  organizado  também  acções  de  Sensibilização  e  Informação  sobre  “Micro  crédito” e “Recolha Selectiva de Lixo”. 

  Os reclusos tinham, também, acesso a aulas de educação física, num protocolo  com a escola Matilde Rosa Araújo  mas, a partir de Outubro de 2009,  e uma vez que  não foi aprovada, pelo Ministério da Educação, a continuidade das aulas de educação  física, a prática desportiva, nas modalidades de futsal, ginástica e jogos, começou a ser  orientada  por  uma  guarda  prisional,  detentora  de  formação  específica  e  atleta  federada. 

  No  âmbito  das  actividades  de  promoção  à  leitura,  música  e  debates,  existem  sessões  quinzenais  de  leitura,  na  Casa  das  Mães,  ao  abrigo  do  protocolo  com  a  Fundação Gil, realizando‐se, pontualmente, sessões quinzenais de leitura – a “Hora do  Conto”  –  e  concursos  de  poesia  pontuais.  Promovem‐se,  também,  workshops  sobre  teatro e sessões de cinema a que se seguem debates temáticos. 

  Como  noutros  estabelecimentos  prisionais,  é  hábito  comemorar‐se  o  “Dia  Internacional da Mulher”, o “Dia Mundial da Árvore”, o “Dia Internacional da Criança”,  bem como a época Pascal, o dia de S. Martinho, o encerramento do ano lectivo, para  além de se organizarem festas de Natal destinadas às crianças e população prisional.    Promovem‐se  ainda  actividades  integradoras  no  âmbito  dos  cursos  de  formação  profissional  de  dupla  certificação  bem  como  exposições  de  pintura  e  trabalhos de informática e actividades lectivas. 

  As  reclusas  participam  também  em  exposições  de  artesanato  com  produtos  tradicionais – tapetes de Arraiolos e teares / tecelagem.