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Partie II Pi´ egeage dipolaire 75

Chapitre 8 Perspectives 161

B.2 Profondeur de pi`ege

Legenda: 1ª sessão de biblioterapia

L

A primeira sessão de biblioterapia foi realizada numa sala de aula, uma vez que a sala de estudo na biblioteca se encontrava ocupada. Trata-se de uma sala pequena sem condições para desenvolvermos a actividade. Devido às características da turma, houve a preocupação de as colocar o mais à vontade possível, não querendo que elas sentissem que estavam a ter uma aula formal, mas sim uma hora diferente de leitura orientada e, sobretudo, de lazer e diversão, para assim as conseguir cativar a permanecerem na sala voluntariamente. Trata-se de um grupo de meninas com uma auto-estima muito baixa, com uma grande falta de atenção e concentração, de motivação e interesse para aprenderem e trabalharem. Na opinião da Directora de Turma a animadora das sessões deve ter o cuidado de se resguardar para se proteger de futuros problemas.

No início da sessão, a animadora questionou o grupo sobre a sua preferência de se sentarem no chão numa manta ou se queriam continuar sentadas nas cadeiras. A maioria gostou da ideia e ajudaram a desviar as mesas e a colocar a manta no chão, com excepção da aluna I que recusou de

imediato, alegando que não gostava de se sentar no chão (sentou-se em cima de uma mesa). Passado pouco tempo, as alunas B e A optaram por fazer-lhe companhia.

Iniciaram-se as apresentações, esclarecendo de imediato que não se tratava de uma aula formal, mas simplesmente uma hora de leitura orientada, explicando-lhes um pouco sobre o que era a biblioterapia. Para as descontrair referiu-se que não iriam ser avaliadas. Foi-lhes explicado que a animadora estava a realizar um trabalho de investigação para ser apresentado na universidade. Ninguém fez perguntas, não se mostrando minimamente interessadas em saber algo mais sobre a investigação.

Para a apresentação ser mais interactiva, foi pedido ao grupo para se juntarem, duas a duas. Como seria de esperar um dos grupos teria que ser composto por três. Dentro do grupo, cada uma iria tentar saber o mais possível da sua colega, para depois apresentá-la, sendo uma maneira de todas se ficarem a conhecer um pouco melhor e também para a animadora as começar a conhecer melhor.

Passados cinco minutos iniciaram-se as apresentações. Foi um momento interessante porque como elas já se conheciam tinham sempre determinados comentários a acrescentar.

Depois das apresentações, de forma natural pediram para ver o telemóvel. A animadora autorizou, na esperança que nas próximas sessões não o voltassem a fazer. Foi-lhes dito que não poderiam realizar chamadas e que tinham apenas um minuto para verem as mensagens. Embora a maioria das jovens estivesse o resto da sessão com o telemóvel ligado junto delas, tal facto não interferiu negativamente na sessão, pelo contrário, elas estavam mais libertas. Não realizaram nenhuma chamada nem receberam nenhum sinal de chamada ou mensagem (um dos seus problemas, referido pela Directora de Turma, é que elas são completamente viciadas no telemóvel, não devendo permitir o seu uso durante as sessões).

Como algumas das alunas disseram que gostavam de ler, a animadora perguntou o que já tinham lido. Apenas referiram a “Lua de Joana”, livro de leitura obrigatória na disciplina de Português. Referiram que estavam a ler o livro e que estavam a gostar. A excepção estava na aluna A que ainda não tinha começado a ler, nem sequer o tinha adquirido.

A animadora inquiriu-as sobre o que “o que acham da Literatura Juvenil,

indicada para a sua faixa etária, que retratavam determinados problemas dos adolescentes e que poderiam esclarecer algumas das suas dúvidas”. Disseram

simplesmente que “não conheciam”. Também as questionou sobre a frequência da Biblioteca Escolar e se conheciam os livros lá existentes. Responderam que iam com regularidade à biblioteca mas para jogar no computador ou ir ao

mensager conversar com amigos. Quanto aos livros, desconheciam o lugar

aonde se encontrava Literatura Juvenil. Por vezes iam ver a prateleira das novidades, mas referiram que “não temos tempo para ler”. Apenas a aluna E disse que “gosta de ler diários e que já tinha ido requisitar alguns à biblioteca”. A maioria referiu que os livros eram “uma seca, que tinham mais do que

fazer…”

Como o perfil de cada uma já tinha sido analisado e estudado pela animadora, esta escolheu um livro infantil para iniciar a leitura, com uma ilustração convidativa e divertida: “A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça” do alemão Werener Holzwarth e Wolf Elbruch, um livro de fácil e rápida leitura, de estilo policial: há um crime, uma vítima, vários interrogatórios e dois detectives. No fim... uma pequena e justa "vingança". Trata-se de um livro infantil mas do agrado de todas as faixas etárias.

A história foi contada visualizando as ilustrações. Foi um sucesso porque as jovens descontraíram-se e riram-se imenso.

Perante esta mudança de atitude voltamos a questioná-las sobre o prazer da leitura. Em uníssono responderam que continuavam a achar que a maioria “são uma seca”.

Esta pequena história teve apenas como objectivo iniciar as sessões de biblioterapia de uma forma agradável e divertida. E, para de alguma forma, ajudar a desmistificar a “seca” que são os livros.

Para se iniciar a terapia através da leitura, foram escolhidos alguns livros da colecção “Os livros secretos WITCH”, livros recomendados a partir dos 10 anos de idade, de leitura rápida e fácil mas com um conteúdo educativo onde são relatadas as aventuras de cinco adolescentes: Will, Irma, Taranee, Cornélia e Hay Lin. Amigas inseparáveis e cheias de poderes especiais, discutem os temas peculiares dessa fase da vida das meninas. A colecção foi desenvolvida com o apoio de psicólogos especialistas em pré-adolescência,

com o objectivo de fixar valores essenciais e auxiliar na formação de personalidades equilibradas, sensatas e esclarecidas.

Nesta sessão apenas foi apresentado um dos livros da colecção das WITCH.

Referiram que não conheciam os livros das “WITCH”, e que conheciam apenas as “WITCH” da televisão, pois já tinham visto alguns filmes no Canal 2.

Foi apresentado um dos seus livros: “100 bruxarias para conquistar rapazes”, - “Querem ler?” – perguntou a animadora. Responderam todas afirmativamente uma vez que o as estimulava, porque adoram namorar. E quando o livro lhes foi apresentado, perguntaram se o poderiam levar para casa ou onde o poderiam comprar.

Ao som do toque de saída, todas ajudaram a arrumar rapidamente a sala e perguntaram o dia do próximo encontro. Em coro afirmaram que a sessão: “tinha sido muito “fixe” e estavam ansiosas por ler o livro… o tempo

tinha passado muito rápido!”.

Nesta sessão deu para analisar os seus hábitos de leitura. Embora algumas delas tivessem dito que gostavam de ler, quando questionadas sobre o que lêem acabaram por referir que não tinham por hábito frequentarem a Biblioteca Escolar para requisitarem/lerem livros.

Poderemos então concluir que embora gostem de ler, não conhecem a Literatura Juvenil, não lêem com regularidade, nem se preocupam em procurar livros com assuntos relacionados com os seus interesses. Com excepção da professora de Português, não têm mais ninguém que lhes oriente e dê a conhecer livros que vão de encontro aos seus gostos. Ao ser-lhes apresentado os livros das “WITCH” todas se entusiasmaram com a leitura.

2º ENCONTRO – 11.10.2007 (9.30h/10.15h) - Sala de aula