Possible, actuel et événement selon le réalisme scientifique
Thèse 4 : Les théories acceptées par la communauté des scientifiques sont vraies (ou
2. La détermination concrète des probabilités 3 Le statut des probabilités
1.2.5 Le processus de la mesure dans la description classique du monde
GEOLOGIA LOCAL
4.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este capítulo traz informações litoestruturais, estratigráficas e de petrografia macroscópica coletadas durante os trabalhos de campo realizados nas bordas sudeste e sudoeste do Complexo Metamórfico do Bação. Todos os dados referentes à porção Norte da Serra da Piedade, na borda do Complexo Belo Horizonte, foram extraídos do Trabalho de Conclusão de Curso de Fonseca (2013), incluindo as ilustrações. Não foram realizados trabalhos de campo nessa região, no entanto, utilizamos uma amostra (SPD-08) deste TCC para a modelagem do metamorfismo, no intuito de se comparar os valores de P-T entre as duas regiões.
4.2 – DOMO DO BAÇÃO
4.2.1 – Borda SudesteNa porção a sudeste do domo do Bação, um pouco ao centro do mesmo (Figura 1.2), em uma antiga pedreira localizada dentro do Hotel Fazenda Retiro das Rochas, próximo ao distrito de Cachoeira do Campo, Ouro Preto, coletaram-se amostras de granada anfibolito que se encontram inseridos nos gnaisses e migmatitos pertencentes ao embasamento Arqueano do Complexo Metamórfico do Bação.
O Complexo Metamórfico do Bação
Os gnaisses da pedreira mencionada são bandados, sendo as bandas leucocráticas constituídas por plagioclásio, mica branca e quartzo, e as bandas mesocráticas compostas predominantemente por biotita e pouco plagioclásio (Figura 4.1). A rocha apresenta textura granoblástica e lepidoblástica, em algumas porções encontra-se intensamente deformada, sendo possível observar dobras e indícios de migmatização nas partes leucocráticas. A foliação dos gnaisses apresenta direção geral NE/SW, quase verticalizada, mergulhando para NW.
Localmente, estes gnaisses e migmatitos são cortados por corpos de granitoides, de assembleia mineral composta predominantemente por feldspato potássico, com quantidades menores de biotita e quartzo. Estes corpos são de granulação mais grossa que as litologias em seu entorno (Figura 4.2).
Os corpos de granada anfibolito são de ocorrência restrita e encontram-se intrudidos em gnaisses e migmatitos (Figura 4.3). A foliação principal (Sn) tem direção geral NE/SW, com mergulho quase verticalizado para NW, da mesma maneira com os corpos gnaíssicos. A textura da rocha é porfiroblástica com matriz granonematoblástica, de assembleia mineral composta por
anfibólio, plagioclásio, granada, biotita e quartzo (Figura 4.4). Os granada anfibolitos serão descritos detalhadamente no capítulo 5 – Descrição Petrográfica.
Figura 4.1: Foliação gnáissica bem marcada por bandas leucocráticas (porções esbranquiçadas) e mesocráticas (porções acinzentadas).
Figura 4.2: (A) e (B) - Corpos de granitoides (coloração esbranquiçada) cortando a foliação gnáissica (coloração acizentada).
Figura 4.3: Corpo de granada anfibolito em solo derivado de rocha gnáissica. As linhas tracejadas em amarelo na foto estão delimitando veios de quartzo que cortam a rocha paralelamente a foliação (Sn) sem deformá-la.
Figura 4.4: Amostra de mão de granada anfibolito, borda sudeste do domo do Bação. Detalhe para porfiroblasto de granada, contornado pela linha tracejada de cor vermelha.
4.2.2 – Borda Sudoeste
Na porção a sudoeste do domo, próximo ao distrito de São Gonçalo do Bação, coletaram- se granada xistos e granada anfibolitos, pertencentes ao Grupo Nova Lima, que estão em contato com as rochas do embasamento cristalino do Complexo do Bação (Domo do Bação) (Figuras 1.2 e 4.5).
Figura 4.5: (A) Vista do Domo do Bação, com destaque para as rochas deste Complexo (contorno em rosa claro) e para o Supergrupo Rio das Velhas (contorno em verde escuro). O círculo em vermelho contorna a área onde foi feito perfil A-A’. (B) Zoom da foto A. Mostrando a localização do distrito de São Gonçalo do Bação. Os dois pontos em branco indicam o inicio e o fim do perfil. (C) Linha em azul representa a linha férrea. Fonte: Google Earth (Acesso em 10/11/2015).
Caminhou-se ao longo do perfil A-A’ (Figuras 4.5B, 4.5C) de direção aproximadamente norte-sul (N-S), ao longo de uma linha férrea, no intuito de observar os litotipos presentes e as mudanças no grau do metamorfismo ao longo deste perfil (Figuras 4.5 e 4.6). As figuras 4.5C e 4.6 mostram como as unidades estão dispostas ao longo deste perfil. Ao norte, afloram os
perfil, ocorre a zona de fácies anfibolito, anteriormente interpretada como de metamorfismo de contato, nesta estão aflorantes os granada anfibolitos e granada xistos do Grupo Nova Lima, que são o alvo de investigação do presente estudo. Por fim, na porção sul do perfil tem-se os xistos do Grupo Nova Lima metamorfizados em fácies xisto verde.
Figura 4.6: (A) Foto panorâmica de parte do perfil percorrido. As linhas tracejadas em verde delimitam os corpos de granada anfibolito, entre eles têm-se os granada xistos, Grupo Nova Lima. As linhas tracejadas de cor amarela mostram a foliação Sn quase verticalizada. A linha em vermelho delimita o contato entre as rochas do embasamento com as rochas supracrustais. Dobra em z está representada na porção esquerda do perfil. Coordenada inicial e final do perfil A-A’ (Início: 658637 E, 7746237 N; final: 662607 E, 7746665 N). (B) Perfil geológico esquemático das litologias observadas em campo.
O Complexo Metamórfico do Bação
O início do perfil (Figura 4.6), caminhando de norte (A) em direção ao sul (A’), é marcado por gnaisses, migmatitos e metagranitoides pertencentes ao embasamento metamórfico do Complexo do Bação. Os gnaisses apresentam foliação de direção geral NW/SE, quase
verticalizada, com mergulho para SW (Figura 4.7B). O bandamento gnáissico é definido por bandas leucocráticas e mesocráticas, as primeiras compostas predominantemente por plagioclásio e conteúdos menores de quartzo, as segundas, por biotita e quantidades menores de plagioclásio. A textura da rocha pode ser definida como granolepidoblástica. Em algumas porções mais félsicas destes gnaisses foram observados pequenos indícios de fusão parcial, que deram origem aos corpos de migmatitos.
No contato entre as rochas do embasamento com as supracrustais do Supergrupo Rio das Velhas tem-se um metagranitoide constituído basicamente por feldspatos, biotita e quartzo. A foliação principal (Sn), assim como nos gnaisses, é praticamente verticalizada, estando paralela às rochas supracrustais do Grupo Nova Lima. Em algumas porções, o metagranitoide já foi bastante alterado pelo intemperismo e como consequência a rocha adquiriu uma coloração esbranquiçada, devido à alteração dos feldspatos em argilominerais.
Supergrupo Rio das Velhas – Grupo Nova Lima
Sobreposta às rochas gnáissicas e granitoides do embasamento cristalino estão dispostas as rochas supracrustais do Grupo Nova Lima, Supergrupo Rio das Velhas, pertencentes à zona de fácies anfibolito citada acima (Figuras 4.5C e 4.6). Na área, estas rochas são representadas pela intercalação entre granada xistos e granada anfibolitos.
Os granada xistos apresentam textura porfiroblástica com matriz variando de granolepidoblástica a granonematoblástica, de granulação média a grossa. A assembleia mineral é composta por biotita, anfibólio, plagioclásio, granada e quartzo. Os porfiroblastos de granada variam de milimétricos a centimétricos, chegando a 2 cm de tamanho (Figuras 4.8A e B).
Os granada anfibolitos apresentam textura porfiroblástica de matriz granonematoblástica granulação média a grossa (Figura 4.9). A associação mineralógica é composta basicamente por anfibólio, plagioclásio, granada, biotita e quartzo. O tamanho dos porfiroblastos de granada varia entre 1 e 2 cm.
A foliação tanto dos granada xistos quanto dos granada anfibolitos apresenta direção principal NE/SW, de mergulho alto para SE, quase verticalizado. Os granada xistos e os granada anfibolitos serão descritos detalhadamente no capítulo 5 – Descrição Petrográfica.
Logo após as intercalações de xistos e granada anfibolitos (Figura 4.6), afloram os sericita - biotita-clorita xistos do Grupo Nova Lima, já no domínio da fácies xisto verde. A textura destes xistos pode ser definida como lepidoblástica, dada pela orientação dos filossilicatos (sericita, biotita e clorita). Minerais opacos e quartzo também estão presentes, sendo este último responsável por níveis granoblásticos discretos. A foliação destes xistos possui direção geral
oposto as demais rochas observadas ao longo do perfil. Na maioria das vezes, encontram-se em avançado estágio de pedogênese, dando origem a solos de cores vermelha, roxa, ocre e branca, sendo estas cores, com exceção da última, resultado da alteração dos minerais ferromagnesianos. A associação mineralógica clorita + sericita + biotita é típica de fácies xisto verde.
A zona em fácies anfibolito descrita acima corresponde a uma faixa muito tectonizada e nesta constatou-se a presença de uma falha entre as rochas supracrustais de fácies anfibolito (granada xistos e granada anfibolitos) e as rochas de fácies xisto verde (xistos do Grupo Nova Lima). Observaram-se também, dobras perturbando a foliação principal dos granada xistos (Figura 4.7A), o que permitiu determinar que o sentido do movimento foi sinistral, e que a falha é normal. Este movimento está associado ao soerguimento do embasamento, onde o bloco da lapa (representado pela junção rochas do embasamento + granada anfibolitos + granada xistos) foi soerguido, enquanto que, o bloco capa (representado pelos
sericita - biotita-clorita
) desceu.Figura 4.7: (A) Dobra indicando movimento sinistral em granada xisto pertencente do Grupo Nova Lima. Estas dobras formaram-se durante o soerguimento do embasamento. Foto tirada próximo ao desenho da dobra em Z da figura 4.6A. (B) Foliação verticalizada em gnaisse do Complexo do Bação.
4.3 – DOMO BELO HORIZONTE
Na porção norte da Serra da Piedade, nos arredores do distrito de Ravena, Sabará, estão expostos corpos de granada anfibolitos do Grupo Nova Lima, que se encontram na borda do Domo Belo Horizonte (Figura 1.2). Todas as informações expostas abaixo, incluindo figuras, foram retiradas de Fonseca (2013).
Figura 4.8: (A) e (B) Amostras de mão de granada xistos. Em (A) têm-se porfiroblasto de granada contornado pela linha tracejada de cor vermelha. Plagioclásio é o mineral de cor branca indicado pela seta e opacos os de cor preta. Em (B) pode-se observar a foliação bem desenvolvida do xisto, dada pela orientação preferencial de anfibólio, de cor cinza, e biotita, de cor marrom.
Figura 4.9: Amostra de mão de granada anfibolito da borda sudoeste do Domo do Bação. Detalhe para porfiroblasto de granada (contornado em vermelho) na porção inferior esquerda da figura.
4.3.1 – Borda do Domo Belo Horizonte O Complexo Belo Horizonte
O embasamento cristalino do Complexo Belo Horizonte, assim como no Complexo do Bação, é constituído por gnaisses, migmatitos e metagranitoides, a grande a maioria deles intemperizados. Quando próximo as rochas supracrustais, apesar de raros, encontram-se afloramentos preservados de metagranitoides com assembleia mineral formada por quartzo, feldspato, muscovita e biotita. A foliação da rocha apresenta direção geral NE/SW e mergulho médio de 40° para NW.
definida como granoblástica, por vezes granolepidoblástica, de granulação média a grossa. Devido ao baixo volume de fusão parcial, associados à presença de estruturas dobradas, e preservação do bandamento gnáissico, os migmatitos foram classificados por Fonseca (2013) como metatexitos (Figura 4.10A). O leucossoma, de aspecto ígneo, é formado por feldspato e pouca biotita (Figura 4.10B). Os melanossomas são foliados e ricos em biotita que estão alinhadas preferencialmente segundo a foliação da rocha.
Figura 4.10: Em (A) Bandamento preservado em migmatito do Complexo Belo Horizonte. (B) Leucossoma de composição quartzo-feldspática, com feições ígneas. Fotos retiradas de Fonseca (2013).
Supergrupo Rio das Velhas – Grupo Nova Lima
Os corpos de granada anfibolitos ocorrem concordantes à sericita-clorita xistos, têm forma de lentes, orientação NE/SW, afloram em pontos isolados, principalmente em encostas e ao longo de drenagens, onde se encontram amostras da rocha fresca. Os granada anfibolitos possuem textura granoblástica a nematoblástica, de granulação média a grossa e são compostos por hornblenda, plagioclásio e granada (Figura 4.11).
Os xistos apresentam assembleia mineral composta por clorita, sericita, quartzo, turmalina e estaurolita. A textura da rocha é granolepidoblástica de granulação fina a média. Ambas litologias possuem foliação bem desenvolvida com direção geral para NE/SW, com mergulho de 78° para SE. Os granada anfibolitos serão descritos detalhadamente no capítulo 5 – Descrição Petrográfica.
O contato entre as rochas do Complexo Belo Horizonte com as rochas do Supergrupo Rio das Velhas é de natureza tectônica, dado pelo cavalgamento do embasamento sobre as supracrustais. O cavalgamento foi observado somente em alguns locais e não foram encontrados indicadores cinemáticos. A região foi afetada por deformação dúctil, com foliação milonítica observada nas rochas do embasamento.
Figura 4.11: Granada anfibolito, destaque porfiroblasto de granada contornado pela linha tracejada em vermelho. Foto retiradas de Fonseca (2013).