• Aucun résultat trouvé

4.4 Approche bas´ee sur l’algorithme glouton

4.4.2 Processus de classification

O terceiro artigo, de D’Aveni, Dagnino e Smith (2010), chama a atenção por mostrar como a rentabilidade empresarial é estudada, independentemente de questões mais amplas relacionadas ao capitalismo. Disrupções importantes da sociedade contemporânea são tratadas como algo exterior e dissociadas da atividade empresarial, como fica ressaltado no trecho: “With disruptions coming not just from first moving innovators and competitors, but from terrorism, the fall of empires, global warming, fraud, and malfeasance, one might truly subscribe to the old German saying that ‘men plan and God laughs’” (D’AVENI; DAGNINO; SMITH, 2010, p. 1373). O texto de Drnevich e Kriauciunas (2011) (quarto artigo) segue a mesma linha. No exercício positivista, foi modelada estatisticamente a relação entre capacidades ordinárias, capacidades dinâmicas e desempenho, sendo o ambiente externo sintetizado na variável

72 moderadora environmental dynamism, que restringe ou eleva a performance. Tal postura é tema de críticas, como a de FROUD et al. (2006):

The preoccupation of classical strategy with the product market continues to the present day in strategy literature that is unreflective about company and industry stories, over-reliant on confirming examples and vignettes and amnesiac about the unexpected transition from exemplary corporate success to failure. (FROUD et al., 2006, p. 5)

Na aplicação do framework na literatura em GE, nota-se a ausência da discussão sobre instituições que formam os mercados nos países centrais, indo de encontro à hipótese do pouco interesse de pesquisadores pelo caráter institucional e sociopolítico dos mercados devido à mercadização (FARIA, 2009), retratando-os inadequadamente, na medida em que são ocultando também suas dimensões ideológicas e de governança (LEVY, 2008). A perspectiva de estratégia em international business de Peng, Wang e Jiang (2008) foi a exceção.

Segundo os autores, parece razoável as industry- and resource-views of the

firm terem ignorado as instituições que formam o contexto da competição, por terem

sido pesquisadas inicialmente nos EUA, onde “may seem reasonable to assume a relatively stable, market-based institutional framework” (PENG; WANG; JIANG, 2008, p. 921). A partir do pressuposto de que, mesmo em “economias desenvolvidas”, as escolhas estratégicas são uma reflexão das interações das organizações e seus gerentes com o ambiente intitucional a sua volta, os autores propõem que as instituições devem somar-se aos fatores da indústria e aos recursos internos da organização para formar o tripé estratégico da firma, que determina suas escolhas e, como consequência delas, sua performance.

Para eles, as pesquisas, referentes às economias emergentes, impulsionam e proveem oportunidades para a pesquisa institucionalista, por serem palco de mudanças mais abrangentes e fundamentais nas regras formais e informais, entretanto, consideram justo colocar que qualquer país está sempre em alguma mudança institucional, vide os acontecimentos decorrentes do 11 de setembro e do escândalo da Enron nos EUA, e dos atentados à bomba, em Londres, em julho de 2015. A perspectiva de estratégia empresarial internacional, crossborder, facilita a visualização do papel das instituições e

73 como elas atuam sobre a competição, inclusive nos países centrais, por permitir uma comparação entre as regras formais e informais vigentes nos diferentes países.

Entretanto, uma interpretação, baseada na perspectiva da geopolítica do conhecimento, inspirada em Mignolo (2003), permite elencar a associação das instituições aos emergentes como um nuance da hierarquização na literatura de GE. As instituições, ou regras formais e informais, que compõem o contexto americano de competição, são o padrão, invisível à literatura mainstream de GE, e as suas diferentes formas encontradas em países emergentes, essas sim são “instituições”.

Essa percepção é corroborada no texto de D’Aveni, Dagnino e Smith (2010), que apresenta uma edição especial do SMJ sobre vantagens competitivas temporárias. Apesar de apresentar extensa revisão bibliográfica sobre o tema, a única menção às instituições, é feita na apresentação do artigo de Hermelo e Vassolo (2010), que as estuda no contexto latino-americano.

Ainda no artigo de Peng, Wang e Jiang (2008), são articulados alguns exemplos das influências institucionais sobre a estratégia das empresas, dentre os quais: 1) a atuação da legislação antidumping como barreira à entrada para empresas em paises do exterior, mais eficaz do que na competição doméstica, tendo ampla utilização, tanto nos EUA e Europa quanto em países emergentes; 2) em contrapartida ao sucesso indiano, na área de tecnologia da informação, surgiram barreiras à atuação das empresas indianas, tanto as formais, como leis em alguns estados americanos impedindo empresas indianas de conseguirem contratos oficiais, quanto as informais, como a demanda por medidas protecionistas por parte de políticos, jornalistas, sindicalistas e pessoas que perderam o emprego; 3) ao mesmo tempo, aparentemente invisíveis, estão vigentes políticas que incentivam a realização de investimentos diretos no exterior. Ao explorar mais um exemplo, o autor corrobora a máxima de Levy (2008), de que não existem mercados livres:

In China, at present executives at competing firms can legally sit down, discuss pricing, and carve up markets – a practice that has been labeled by US antitrust laws as ‘collusion’ and outlawed for over 100 years. Imagine the shock these Chinese executives may generate when they venture abroad and approach competitors in the United States to discuss pricing. They would be prosecuted by US antitrust authorities if they did that. Another example lies in the area of antidumping. Many Chinese firms are surprised that their low-cost strategies, following the playbook often from translated Western textbooks

74 stemming from industry- and resource-based views (such as Porter, 1980), are labeled ‘illegal’ and ‘unfair’ dumping in the very countries whose scholars have preached about the virtues of ‘free market’ competition. In reality, even in developed economies, ‘free markets’ are a myth – markets are not necessarily ‘free’. (PENG; WANG; JIANG, 2008, p. 931).

Na articulação das contribuições do artigo, os autores destacam uma gama de áreas de pesquisa convergentes com a proposição da Institution-based view (IBV) de estratégia. Primeiramente, concorda com o clamor de Leung et al. (2005) e Redding (2005) acerca da necessidade de descrições mais densas sobre o contexto, incluindo aí cultura e instituições, que envolve a estratégia e o desempenho da firma. Em segundo lugar, em uma perspectiva teórica mais ampla, a IBV tem complementaridade com a pesquisa em custos de transação e internalização, que jogam luz sobre, respectivamente, os microaspectos das instituições, afetando o comportamento individual e corporativo, e macroaspectos como legislação e regulação. Por fim, cita a nascente pesquisa em coevolução (LEWIN; VOLBERDA, 1999), preocupada com a evolução simultânea das organizações e seus ambientes, ou seja, também preocupada com as transições institucionais e ambientais. É ainda citada como a pesquisa em estratégias políticas, que tem mostrado como uma parte das firmas ativamente busca moldar as “regras do jogo” em seu favor (RING et al., 2005).

O artigo de Dahan et al. (2010) (oitavo da amostra) contem uma proposição, semelhante a de Porter e Kramer (2011) (artigo de número seis), argumentando em favor da colaboração das multinacionais com ONGs, com potencial de gerar valor econômico e social. Entretanto, enquanto Porter e Kramer (2011) argumentam que a criação de valor social e econômico é importante para a legitimação das corporações e do capitalismo, que está em risco, o objetivo de Dahan et al. (2010) é o acesso das multinacionais aos mercados emergentes, e a questão da legimidade é menor e localizada: “An overarching goal on the part of many of the corporate partners is the desire to attain sociallegitimacy in markets where foreign multinationals are often viewed with suspicion and skepticism” (DAHAN et al., 2010, p. 335).

O objetivo do texto é articular uma receita para o avanço das corporações nos “mercados emergentes”, e, nesse caso, são consideradas dimensões do mercado adicionais à econômica. A prescrição envolve três diferentes níveis de relacionamento com ONGs na criação de um modelo de negócios, que através da combinação de

75 recursos para alcançar criação de valor econômica e social, levam a maiores receitas e maior capilaridade das multinacionais. As ONGs podem oferecer às corporações recursos como conhecimento e expertise do mercado, valor da marca, confiança de consumidores e gatekeepers, legitimidade com líderes da sociedade civil e do governo, relacionamento com fornecedores locais e globais e acesso às redes de distribuição. Faz parte da receita o estabelecimento de relações mais complexas com populações específicas dos países emergentes, e consequentemente um maior entricheiramento de tentáculos das corporações em sociedades cada vez mais distantes dos headquarters europeus e americanos:

Notwithstanding these challenges, we believe corporate-NGO partnerships hold great promise for companies seeking to break free from conventional constraints in adapting existing business models and developing new ones. By reaching out across sectors, well beyond their typical range of partners and collaborators, companies can find avenues to overcome institutional constraints, pursue opportunities of which they would otherwise be unaware, and approach problems in ways beyond their current capabilities and vision. (DAHAN et al., 2010, p. 339).

Considerando que não existem “mercados livres”, concepções simplificadas desse ambiente acabam por reproduzir a tese da mercadização, que por sua vez contribui para a retórica que atende ao preceito neoliberal de liberdade de circulação de bens, serviços e capitais. Por outro lado, concepções de mercado que ignoram dimensões sociológicas como poder, política e cultura acabam sendo um retrato equivocado, incapaz de explicitar os atores sociais que nele interagem e as dinâmicas históricas que os formaram, sendo incapaz de explicar a performance das organizações especialmente em economias emergentes.