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3.5 Calcul des propagations avec le mod`ele de Dijkstra bas´ee sur

3.5.2 Algorithme de calcul de la probabilit´e de propagation

No artigo escrito por Nag, Hambrick e Chen (2007) (2º da seleção), os autores embarcam no esforço de criar uma definição para gestão estratégica, derivado da percepção de que, apesar de desfrutar de relativo sucesso, esse campo de estudos é fragmentado e não tem uma identidade coerente. Sem questionar a dimensão de geopolítica do conhecimento, com base no pressuposto universalista de que um campo de estudos é uma comunidade de acadêmicos que compartilha uma identidade e uma linguagem comum, os autores utilizam uma metodologia de duas etapas no seu intento.

No primeiro estudo, de definição indutiva, foram selecionados vários artigos de três publicações de alto fator de impacto (Academy of Management Journal,

Academy of Management Review e Administrative Science Quarterly) e enviados para

uma seleção de acadêmicos, vinculados à divisão Business Policy and Strategy da instituição Academy of Management. A partir do título e do resumo, os respondentes indicaram o quanto cada um dos artigos poderia ser caracterizado como pertencente ao

65 campo de GE. Os artigos com maior pontuação passaram por processos de computer

aided text analysis (CATA) e regressão. que permitiram a identificação de um léxico

distintivo do campo do conhecimento, que foi articulada pelos autores na definição: “The field of strategic management deals with (a) the major intended and emergent initiatives (b) taken by general managers on behalf of owners, (c) involving utilization of resources (d) to enhance the performance (e) of firms (f) in their external environments” (NAG; HAMBRICK; CHEN, 2007, p. 942).

A seguir, na segunda etapa, de definição dedutiva, visando a explorar as fronteiras do campo com outros adjacentes, foram enviados questionários para autores

boundary spanners¸ que publicaram tanto no Strategic Management Journal quanto em leading journals estadunidenses e ingleses das áreas de economia, sociologia, marketing

e gestão. As respostas também passaram por processos de CATA e corroboraram com os seis itens elencados na definição indutiva, adicionando um sétimo elemento, organização interna (da firma), para englobar léxicos, como: estrutura, processos, implementação e rotina que emergiram na etapa.

Sob a ótica da geopolítica do conhecimento, apesar de algumas ressalvas feitas, o protocolo de pesquisa, adotado pelos pesquisadores, reproduz a lógica de reforço às publicações centrais no mundo do management, na medida em que se limita aos autores ligados ao Academy of Management e alguns dos journals mainstream publicados em língua inglesa. Interpretações, como a apresentada, servem como um artefato na gestão da geopolítica do conhecimento, que prioriza e reforça a perpectiva americanocêntrica. Ao serem excluídos autores e publicações do resto do mundo, em especial, no exercício de lapidação de uma definição para o campo, visões e alternativas são excluídos, gerando, como produto, mais um elemento para a geopolítica do conhecimento, que reforça a universalidade cientificista ocidentalista, aderente às forças da globalização neoliberal. Essa questão já foi levantada por autores vinculados à área de estudos organizacionais que enfrentam dificuldades sistemáticas para fazer parte do campo de GE: “is strategy only validated in the United States?” (CLEGG et al., 2011, p. 8). Clegg et al. (2011) citam um exercício semelhante realizado por Furrer, Thomas e Goussevskaia (2008), em que foram analisados todos os artigos publicados nos journals

Academy of Management Review, Academy of Management Journal, Administrative Science Quarterly e o Strategic Management Journal, entre 1980 e 2005 (mais uma vez

nota-se a presença exclusiva de periódicos americanos), que totalizaram 2.125. Eles foram codificados em 26 palavras-chave, e as conclusões do estudo apontam que: 1)

66 “performance” foi a palavra chave mais frequente, mostrando a preocupação dos pesquisadores em estratégia com quão bem a companhia desempenhou; 2) o segundo termo mais frequente foi “modelagem ambiental”, compreendendo tópicos que lidam com a interação entre a firma e o ambiente; 3) a terceira mais frequente menção foi “capacidades”, que incluíram sua aplicação estratégica; e 4) em quarto lugar foi encontrado o termo “organização”, que envolvia questões relacionadas a implementação, mudança, aprendizado e estrutura.

Para os autores, a aparência paradigmática do resultado de ambos os exercícios não representa paradigma do campo de GE, no significado do famoso historiador da ciência Thomas Kuhn (2012; original de 1962), ou seja, um relativo acordo unânime nas questões centrais do campo de conhecimento, exposto em livros- texto. Primeiramente, ambos foram baseados em artigos científicos, ao invés de livros- texto no campo, o que leva ao irônico resultado de, na listagem dos autores mais influentes de Furrer, Thomas e Goussevskaia (2008), Micheal Porter não ter sido encontrado nas 37 primeiras posições. Essa diferença fica mais evidente na comparação com o estudo bibliométrico de Ramos-Rodríguez e Ruíz-Navarro (2004), que verificou que 18, dos 20 trabalhos mais citados no SMJ, eram livros, e que Micheal Porter é o autor mais expressivo.

Em segundo lugar, a aparência paradigmática também é decorrente da pequena amostra de journals americanos: “Obviously, given the global dominance of English-language research in the United States, the skewed statistical sampling is not surprising. But it is skewed. Is is in no way a representative sample” (CLEGG et al., 2011, p. 11). Para os autores, se a amostra incorporasse perpectivas européias, seria mais significativa e a representação paradigmática mudaria. Enquanto tais exercícios americanocêntricos indicam uma conceitualização de campo unificado, autores europeus como David Seidl (2007) sugerem que, na literatura européia, o campo de estratégia é ramificado em uma série de discursos relativamente autônomos. Muitos deles são bem mais próximos ao campo de Estudos Organizacionais e são muito mais influencidos pela sociologia do que a economia da organização industrial. Por fim, alguns desses discursos têm semelhanças entre si e com esses amostrados apenas com artigos americanos, enquanto outros parecem bastante distantes.

A pesquisa de Nag, Hambrick e Chen (2007) vai um pouco adiante ao explorar demarcações entre a GE e os campos de estudos adjacentes de economia, sociologia e marketing. A apresentação desses resultados tende a reforçar a visão

67 economicista central do campo, em especial ao criar uma fronteira com a sociologia. Os resultados apontam que a tendência central de estratégia se foca em lógicas de racionalidade, superioridade técnica e aptidão econômica; enquanto a sociologia prioriza aspectos da organização propelidos socialmente, como status, poder, cultura, contágio e identidade. A performance organizacional sob essa perpectiva abrange legitimidade e sobrevivência, e não apenas retorno aos acionistas. Tal interpretação fortalece a tendência economicista denunciada por Gintis e Khurana (2007) e marginaliza abordagens sociológicas.

Quanto à fronteira com a economia, a pesquisa identificou que tal campo tende a priorizar o raciocínio e modelagem dedutiva, estudando a firma como “efeitos fixos”, enquanto o strategic management se dedica às idiosincrasias no nível da firma, com a preocupação de gerar insights práticos. Por fim, quanto ao marketing - sem uma justificativa convincente a respeito de sua inclusão como área do conhecimento com nível de importância aos campos de sociologia e economia e a correspondente inclusão do campo da ciência política – os respondentes indicaram que esse campo tende a ser mais orientado às especificidades, um tanto mais operacional, ao se dedicar às questões, como: compreensão do consumidor, proposição de valor e canais de distribuição; questões que o campo de GE tende a ver de forma mais remota e simplista.

Clegg et al. (2011) ressaltam que é necessário cuidado em interpretar reinvindicações por um consenso paradigmático. Os autores ressaltam os métodos utilizados para construir o campo, as decisões de amostragem e as exclusões que tais decisões aparentemente “neutras” implicam. Por fim, citam o exercício de Cummings e Daellenbach (2009), que analisaram todos os 2.366 artigos publicados até o fim de 2013, no journal Long Range Planning, e consideram sua conclusão como uma boa

proxy para a definição de estratégia, incorporando as preocupações com processos e

práticas, além de criatividade e inovação:

Combining our key word data from LRP titles and abstracts enables us to interpret strategic management’s most constant (and so perhaps its fundamental) themes, as processes and practices relating to the

corporate whole, the organizing of resources and how the corporation

responds to or manages change. Thinking more broadly, one could add to this set responses to or decisions about technology and other related environmental issues, and a recognition of the importance of

creative or innovative developments. (CUMMINGS;

68 O histórico sobre o conhecimento em gestão, elaborado por Kiechel III (2012), afirma, explicitamente, que foi no mundo anglófono onde se publicou grande parte do conhecimento em gestão. Pensadores não-americanos que alcançaram o status de “gurus” tipicamente dedicaram boa parte da carreira a uma universidade, em que a língua principal é inglesa ou empresa de consultoria. As únicas contribuições de outras nações são o legado de Henri Fayol e os avanços japoneses na temática da qualidade.

Para o autor, por ora, de outras partes do mundo são ouvidos apenas as vozes de CEOs de empresas que alcançaram sucesso. Com o tempo, espera-se que surjam perspectivas de outras nações através da academia e das práticas das grandes consultorias. A expectativa do autor é que essas contribuições ao management partam, não somente do conhecimento local, mas como uma resposta local ao conhecimento gerado no centro, reproduzindo a lógica da colonialidade epistêmica: “Expect to see more ideas bubbling up through at least two channels as heretofore Western notions of management spread. The first is the academy. […] Second, consulting firms such as McKinsey and the Boston Consulting Group […]” (KIECHEL III, 2012, p. 69).

Por fim, outro mecanismo de reforço às publicações centrais a um campo de conhecimento é a citação. Em toda a amostra, é salutar a concentração dos artigos citados das principais publicações de management e áreas adjacentes como economia, sociologia e finanças. A valorização dessas citações acaba por reforçar a ordem geopolítica do conhecimento ao tornar o mainstream pouco acessível para o conhecimento produzido fora do centro ocidentalista.

O tema “Geopolítica do Conhecimento” nos permite verificar como a prevalência da perspectiva estadunidense no conteúdo mainstream de GE é construída e reforçada por meio da literatura acadêmida de GE. O poder geopolítico de instituições e publicações acadêmicas desse país permite a confecção de definições importantes para o campo sem quaisquer considerações quanto a outras realidades, sendo posteriormente difundidas globalmente com o caráter cientificista de “verdade universal”.