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Introduction partielle

II- 1-2 Les principaux agents de la dynamique sur la grande côte

A expansão verificada nos últimos anos em relação a detecção e caracterização de novos patógenos mediante o emprego de métodos moleculares, como por exemplo no caso dos agentes etiológicos das erliquioses e piroplasmoses, sugere que a mesma expansão do conhecimento deva se verificar com relação a outros agentes infecciosos. Os resultados obtidos sinalizaram a exposição dos animais à maior parte dos patógenos investigados, sendo indicativos de que muitos destes agentes circulam nas populações de felídeos selvagens de vida livre e em situação de cativeiro no Brasil. O conhecimento sobre doenças infecciosas em felídeos neotropicais é escasso, e freqüentemente os animais cativos são acometidos por enfermidades de causa não elucidada (observação pessoal). Portanto, é de se supor que os patógenos detectados direta ou indiretamente neste estudo, alguns pela primeira vez, contribuam nos quadros não diagnosticados de morbidade e/ou mortalidade das populações de felídeos selvagens no País.

Os agentes pesquisados para os felídeos de cativeiro também são mantidos em espécies abundantes, representadas pelos carnívoros domésticos. Ao contrário dos demais felídeos, a população mundial de gatos e cães domésticos tem aumentado, sendo encontrados em todos os ambientes onde há ocupação humana. No Brasil, também estão ampla e numerosamente distribuídos, presentes em ambientes urbanos, comunidades rurais, áreas adjacentes a parques e reservas naturais. Zoológicos e outras instituições que mantêm animais em cativeiro, além da presença gatos domésticos e, lidam com um fator de complicação adicional: a coexistência de espécies provenientes das mais diversas localidades geográficas, o que aumenta ainda mais o risco de transmissão interespecífica de patógenos.

Um ponto importante que requer consideração ao se interpretar os resultados são as janelas de sensibilidade para cada uma das infecções estudadas e de acordo com os testes utilizados. Um teste negativo não corresponde necessariamente à ausência de exposição aos patógenos investigados. Os ensaios sorológicos podem fornecer resultados negativos se as amostras forem colhidas em estágios muito iniciais da infecção, antes do desenvolvimento de anticorpos específicos ou quando as cargas virais são muito baixas. Para ensaios diretos como PCR, resultados negativos são esperados no caso da ausência de vírus no sangue ou nas fezes, presença de vírus em um outro compartimento do corpo ou ainda após a completa recuperação da infecção. A combinação entre exames físicos, sorologia e PCR para cada animal amostrado, em um programa contínuo de monitoramento, seria a melhor solução para

maximizar estas janelas de sensibilidade em cada um dos animais amostrados e determinar a existência ou ausência de cada um dos patógenos investigados em todas as regiões geográficas e zoológicos avaliados.

O estabelecimento de laboratórios e de meios diagnósticos adequados abrirá perspectivas para estudos de fisiopatologia das doenças e os patógenos específicos poderão ser analisados sob o ponto de vista estrutural e funcional.

O monitoramento destas infecções constitui importante ferramenta de manejo para populações ameaçadas (DASZAK et al., 2000; MUNSON, 2000; MURRAY et al., 1999), e a conservação de felídeos selvagens requer uma abordagem integrada e multidisciplinar, em que :

a) translocações natureza-natureza, natureza-zoológicos, zoológicos- zoológicos, reintroduções zoológicos-natureza, que deveriam ter base científica para acessar os riscos de se introduzir doenças em áreas previamente indenes;

b) determinação das prevalências das infecções ao longo das áreas de ocorrência das espécies de felídeos;

c) identificação dos patógenos, seus potenciais hospedeiros e vetores;

d) integração destes estudos com padrões de comportamento e ecológicos para acessar os impactos destas infecções em populações de felídeos de vida livre;

e) investigação da ocorrência de infecções em animais domésticos, principalmente cães e gatos, incluindo os cães treinados utilizados nas capturas;

f) sistematização das colheitas de amostras de material biológico, reduzindo custos e otimizando esforços;

g) ênfase na importância das medidas preventivas tradicionais ao alojar e manejar felídeos ou amostras biológicas de felídeos de forma a evitar a disseminação iatrogênica e zoonótica de patógenos;

h) adoção de medidas de prevenção de disseminação de agentes infecciosos ao lidar com felídeos infectados com os agentes pesquisados, controlando vetores e adotando medidas de segregação.

6 CONCLUSÕES

1) populações de felídeos selvagens no Brasil estão expostas aos agentes virais: FHV 1, FCV, FPV, FCoV, FeLV e lentivírus felinos; aos agentes bacterianos: Bartonella henselae, Ehrlichia canis e os hemoplasmas Mycoplasma haemofelis, ‘Candidatus Mycoplasma haemominutum’; assim como aos protozoários piroplasmas Cytauxzoon sp;

2) carnívoros domésticos representam risco de transmissão interespecífica dos patógenos (agentes virais FHV 1, FCV, FPV, FCoV, FeLV, FIV; agentes bacterianos Bartonella henselae, Ehrlichia canis, hemoplasmas Mycoplasma haemofelis e ‘Candidatus Mycoplasma haemominutum’; assim como Cytauxzoon sp) para felídeos selvagens em vida livre ou em situação de cativeiro; da mesma forma felídeos selvagens podem constituir fontes de infecção de tais patógenos para carnívoros domésticos;

3) contribuem nos quadros não diagnosticados de morbidade e/ou mortalidade das populações de felídeos selvagens no País: os agentes virais FHV 1, FCV, FPV, FCoV; os agentes bacterianos: Bartonella henselae, hemoplasmas (Mycoplasma haemofelis e ‘Candidatus Mycoplasma haemominutum’), Ehrlichia canis ou agentes antigenicamente relacionados e o piroplasma Cytauxzoon sp;

4) as populações de felídeos selvagens no País podem ser reservatórios de Bartonella henselae, constituindo risco para transmissão de zoonoses;

5) testes sorológicos indiretos e testes de detecção direta de patógenos TaqMan® são adequados para compor o repertório de técnicas em laboratórios de referência no País, para investigação de enfermidades infecciosas em animais selvagens, de maneira que:

a) agentes etiológicos sejam investigados laboratorialmente em tempo hábil para tratamento e/ou segregação em casos de enfermidades em que sinais clínicos compatíveis estejam presentes;

b) sejam adotados em protocolos preventivos para o manejo de felídeos selvagens no País, em procedimentos/situações tais como translocações, quarentenas, manutenção e monitoramento de felídeos selvagens;

c) Potenciais vetores, como pulgas e carrapatos, devem ser identificados e analisados para a presença de agentes dos gêneros Bartonella, Ehrlichia e Anaplasma;

6) este é o primeiro relato de anticorpos para Ehrlichia canis ou agentes relacionados em suçuaranas ou pumas (Puma concolor);

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