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Segundo o ponto de vista metodológico e de acordo com Huberman e Miles (1991) a investigação em causa identifica-se com um estudo de caso único, intra-site e com um estudo de caso múlti- plo, inter-site.

Estudo de caso único porque fará a análise de fenómenos circunscritos a um pequeno grupo, isto é, o grupo que, no seu todo, é formado pelos alunos do Curso de Licenciatura de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Estudo de caso múltiplo, porque cada um dos oito subgrupos em que o grupo de alunos-professores foi dividido e já referido no ponto 4.1 do Capítulo III, poderá ser considerado como um caso que poderá reforçar a generalização da análise.

Um estudo de caso é o estudo pormenorizado de uma situ- ação bem definida, em que cada caso, embora semelhante a outros, tem sempre um carácter único, que forma uma unidade dentro de um sistema, residindo o interesse do estudo no que ele apresenta de singular. Pode não ser representativo de um universo determinado e o seu interesse pode não ser o da generalização, mas será o da inves- tigação sistemática de uma situação específica.

Para León e Montero (1993) o estudo de caso não per- mite estabelecer relações nem generalização, mas pode apresentar informaçıes de uma importância tal que obriguem a colocar novas hipóteses não consideradas, levando a uma revisão de conhecimentos que pareciam firmes.

Almeida e Pinto (1995, p. 95) dizem que “O (...) - estudo de casos ou análise intensiva – “consiste no exame intensivo, tanto em amplitude como em profundidade, e utilizando todas as técnicas disponíveis, de uma amostra particular, seleccionada de acordo com determinado objectivo (...), de um fenómeno social, ordenando os dados resultantes de forma a preservar o carácter unitário da amostra, tudo isto com a finalidade última de obter uma ampla compreensão do fenómeno na sua totalidade”. Uma característica do método é “(...) a intensidade que tem a ver com a multiplicidade das facetas a explorar na análise da unidade de investigação e com a profundidade do estudo (...). Outra característica é a flexibilidade do método, que se traduz numa selecção e utilização normalmente mais livres e amplas (...)”. Uma outra característica tem a ver com a “(...) grande quantidade de material informativo recolhido sobre a unidade de análise (...)”.

A análise e relacionação dos dados torna-se assim bastante difícil e exigente.

Yin (1986) refere que o estudo de caso é uma investigação empírica que investiga fenómenos contempor‚neos dentro do contexto da vida real, quando as fronteiras entre os fenómenos e os contextos não são claramente evidentes, e em que são usadas múltiplas fontes de informação de provas.

Stake (1987) define estudo de caso como uma investiga- ção intensiva em que a responsabilidade recai sobre o investigador, pois é dele que depende a interpretação e a compreensão do que se estuda.

Para Pacheco (1995, p. 75) “(...) são características do estudo de caso a totalidade, a particularidade, a realidade, a participação, a negociação, a confidencialidade e a acessibilidade”. Contudo, ele representa uma parte mínima de uma totalidade e tem uma limitada possibilidade de generalizar.

Para o Autor (ibidem, p. 212) “A investigação longitudi- nal caracteriza-se pelo estudo das mesmas situações em pessoas ou pessoas em distintos momentos (...)”, sendo um estudo feito numa perspectiva sincrónica comparativa com casos contextuais e numa perspectiva diacrónica em anos consecutivos.

O estudo será feito em contextos diferentes, dado que cada uma das escolas cooperantes, onde se realizará o trabalho de análise e reflexão do Estudo do Meio Social, apresentará realidades sócio- culturais distintas, mas permitirá identificar alguns aspectos comuns que irão aumentar o conhecimento sobre o que se pretenderá estudar, comparando situaçıes e evidenciando alguns contrastes.

A dimensão temporal do estudo abrangerá dois anos lectivos, 1998/1999 e 1999/2000, perspectivando-se o trabalho segundo uma técnica evolutivo-longitudinal, com análises qualitativo-comparativas e sempre que possível serão utilizados, se relevantes, tratamentos quantitativos.

Nóvoa (1992a, pp. 20-21) constrói uma matriz com “(...) nove tipos de estudos, que não devem ser encarados como “categorias

exclusivas”, mas apenas como uma forma de compreender os aspectos que são objecto de uma maior atenção”.

De acordo com esta matriz, este trabalho situar-se-á próximo da abordagem número 2, ou seja, próximo de uma abordagem com “Objectivos essencialmente teóricos, relacionados com a investiga- ção versus práticas (dos professores)”, que no presente caso serão os alunos-professores do 3º e 4o anos do Curso de Licenciatura de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

dagem estará na problemática do Estudo do Meio Social e versará fundamentalmente os grandes vectores, dificuldades ou facilidades da abordagem do Estudo do Meio Social, enquanto alunos-professores da Prática Pedagógica de Ensino do Meio Social, em formação na Escola Superior de Educação de Bragança.

O grupo em estudo, constituído por vinte e três alunos será dividido em oito subgrupos que realizarão o seu trabalho em diferen- tes escolas cooperantes que se localizarão na cidade de Bragança, tal como já foi referido no ponto 4.2 do Capítulo III.

Assim, os subgrupos:

- SAM1, SAM2, SAM3 e SAM4 realizarão o seu trabalho na Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico do Bairro da Mãe de Água;

- SAE5 e SAE6 na Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico do Bairro da Estacada e;

- SAB7 e SAB8 na Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico do Bairro das Beatas.

Todos os subgrupos serão constituídos por três elementos cada um, à excepção de SAE5 que será formado apenas por dois elementos.

Focalizando a atenção sobre os oito subgrupos, pretender-se- á fazer uma análise pormenorizada do Estudo do Meio Social desen- volvido pelos alunos-professores do 3º ano do Curso de Licenciatura de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico, no 1º semestre do ano lectivo de 1998/1999 e uma reflexão sobre o trabalho realizado pelos mesmos alunos-professores, no 4º ano do referido curso, feita no 1º semestre do ano lectivo de 1999/2000.

Ao passar para o problema da definição de objectivos es- pecíficos do estudo, não poderão deixar de ser formuladas algumas questões sobre a pesquisa que se pretende fazer, questões que, segundo Huberman e Miles (1991), nos irão permitir operacionalizar o quadro conceptual e explicitar as hipóteses deduzidas do mesmo.

As questões que presidirão à investigação em curso foram definidas nos pontos 4 do Capítulo I, como consequência dos objec- tivos gerais definidos no ponto 5 do mesmo Capítulo e na sequência dos quais será possível enunciar os objectivos específicos. Estes, tal como os objectivos gerais, serão atingidos através do trabalho reali- zado pelos alunos-professores que se proporão:

- Descrever formas de identificação de problemas sociais concretos da realidade envolvente;

- Deduzir a importância desses problemas para a Comunidade Local;

- Diferenciar estratégias centradas na utilização de recursos endógenos;

- Debater a forma como está elaborado o programa de Estudo do Meio Social;

- Comprovar a relação entre a participação/conteúdos programáticos abordados/resolução de problemas sociais locais;

- Discutir formas de envolver os diferentes protagonistas sociais, desenvolvendo atitudes de responsabilidade e sentido crítico perante o Meio Social;

- Diferenciar formas de participação em actividades de re- solução de problemas sociais locais;

- Inferir a relação dinâmica da Escola - protagonistas sociais - resolução de problemas sociais locais;

- Criticar as soluções encontradas a fim de poder resolver problemas sociais locais;

- Concluir da importância do Estudo do Meio Social na formação integral dos alunos.

As hipóteses suscitadas por esta investigação foram apre- sentadas no ponto 7 do Capítulo I, como consequência de uma com- provação estatística que tentará evitar a subjectividade e os juízos de valor inerentes à descoberta dos significados atribuídos por todos os intervenientes neste estudo.

Para a concretização do estudo em causa será utilizada uma metodologia qualitativa de estudo de caso de análise de uma situação, o que permitirá, como refere Merriam (1988) um estudo particular, descritivo, heurístico e indutivo dos diferentes processos interactivos que interagiram nos oito subgrupos de alunos-professores.

Esta metodologia possibilitará estudar a unidade de análise como processo utilizado para analisar o Estudo do Meio Social pelos diferentes subgrupos e permitirá, através dos instrumentos de recolha de dados, reunir elementos que possibilitarão a concretização dos objectivos deste estudo, acima referidos.