PARTIE V. ACTIVITE DE LESIEUR CRISTAL
II. A PPARTENANCE DE L ESIEUR C RISTAL AU PERIMETRE SOFIPROTEOL
Após a identificação dos ativos e dos seus atributos de sustentação estratégica, procedeu-se a categorização dentro da tipologia proposta por Feinsterseifer e Wilk (2005), de acordo com o nível de compartilhamento, bem como apontou-se o grau de desenvolvimento do ativo, conforme apresentado no Quadro 13.
Quadro 13 – Categorização e classificação dos ATE identificados no SIAL
(continua)
Ativo Categoria Grau de
Desenvolvimento
Fator de Sustentação Estratégica
Implicação Estratégica
Cultura/Tradição Sistêmico Em desenvolvimento Valorável Paridade Competitiva Bem estar animal Sistêmico Em desenvolvimento Valorável Paridade
Competitiva Pastagens
Cultivadas Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Marca para o
produto Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Propaganda do
produto Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Produção
sustentável Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Localização dos
fornecedores Sistêmico Desenvolvido Valorável
Paridade Competitiva Inovações
Tecnológicas Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Canais de
distribuição Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Conhecimentos
Tácitos Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva
(conclusão)
Ativo Categoria Grau de
Desenvolvimento Fator de Sustentação Estratégica Implicação Estratégica Agilidade para administrar informações
Sistêmico Em desenvolvimento Valorável Paridade
Competitiva Reputação da
Associação Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Planejamento
Estratégico Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Instituições de
ensino e Pesquisa Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Legislação para a
atividade Sistêmico Em desenvolvimento Valorável
Paridade Competitiva Clima Sistêmico Desenvolvido Valorável, inimitabilidade Paridade
Competitiva Genética do gado Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, dificuldade de imitar pela dependência de caminho e co- especialização
Paridade Competitiva
Alimentação
complementar Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, dificuldade de imitar pela dependência de caminho e co- especialização
Paridade Competitiva Pastagens Nativas Sistêmico Em desenvolvimento Valorável, inimitabilidade Paridade
Competitiva Qualidade do
produto Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, dificuldade de imitar pela dependência de caminho e co- especialização
Paridade Competitiva
Certificação BPA Singular Em desenvolvimento
Valorável, raridade pelo circunstância histórica única - pioneirismo
Vantagem Competitiva Temporária Rastreabilidade Sistêmico Desenvolvido
Valorável, raridade pela complexidade social e custoso de imitar ligado à dependência de caminho
Vantagem Competitiva sustentável Associação entre os
agentes Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, raridade, dependência de caminho e co-especialização Vantagem Competitiva sustentável Confiança entre os
produtores Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, raridade, dependência de caminho e co-especialização Vantagem Competitiva sustentável
Aprendizagem Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, raridade pela complexidade social, difícil de imitar pela dependência de caminho e assimetria das informações Vantagem Competitiva sustentável Organização da cadeia pela APROCCIMA Sistêmico Em desenvolvimento
Valorável, raro, difícil de imitar pela dependência de caminho e
complexidade
Vantagem Competitiva sustentável
Dentre os 26 ativos territoriais estratégicos identificados, constatou-se que apenas o ativo certificação BPA foi considerado singular pelos entrevistados (Figura 12). Todos os demais foram categorizados como sistêmicos, isto é, produzem efeitos sobre todos os produtores (Figura 13).
A categoria dos sistêmicos preconiza que estes ativos não influenciam a competição entre os participantes do arranjo, mas entre arranjos ou empresas externas ao arranjo (FENSTERSEIFER; WILK, 2005). Estes ativos geralmente são frutos da dependência de caminho, da não-codificação do conhecimento coletivo que decorre da herança natural, próprias de trajetória e especialização do arranjo, podendo ser compartilhados por todos os produtores, e que colabora para a diferenciação do arranjo, pois impactam no desempenho de todos os participantes e contribuem para a construção da competitividade da região (FENSTERSEIFER; WILK, 2005; ZEN; FENSTERSEIFER; PRÉVOT, 2009).
Assim, os ativos entendidos como sistêmicos pelos entrevistados foram: cultura e tradição, bem estar animal, genética do gado, pastagens cultivadas e nativas, qualidade, marca e propaganda do produto, produção sustentável, localização dos fornecedores, inovações tecnológicas, canais de distribuição, reputação da associação, agilidade para administrar informações, planejamento estratégico, clima, alimentação complementar, conhecimentos tácitos, instituições de ensino e pesquisa, legislação, rastreabilidade, associação entre os agentes, confiança entre os produtores, aprendizagem e organização da cadeia pela associação, pois são ativos que todos os produtores compartilham.
Provavelmente a categorização destes ativos como sistêmicos por parte dos entrevistados surgiu em razão da relação associativista entre os produtores e o fato de que todos, de uma forma geral, trabalham em “prol” do arranjo, independentemente do tamanho da sua propriedade e/ou sua escala de produção. Este entendimento fica evidente na fala do Entrevistado 1: “Eles (ativos) produzem efeitos em todos os produtores, mas a velocidade e o efeito, ele é particularizado de acordo com o indivíduo... está à disposição”.
Os ativos singulares levam a diferenças de performance entre os produtores que estão inseridos dentro do arranjo. No entanto, estes ativos singulares quando são explorados competitivamente no interesse coletivo e em defesa da posição da APROCCIMA no mercado, acabam por atuar em benefício do arranjo em geral (FENSTERSEIFER; WILK, 2005).
Desta forma, ativos como: as pastagens cultivadas e naturais, o bem estar animal, a rastreabilidade, a alimentação complementar oferecida ao gado, a produção sustentável, as inovações tecnológicas, a localização dos fornecedores, poderiam ser entendidos como
singulares, pois são próprios de cada produtor e estão vinculados a sua propriedade, frutos da trajetória, história familiar, aquisições, entre outros.
A categoria dos restritos referem-se àqueles ativos que não pertencem a nenhum produtor de modo individual, sendo acessados somente por aqueles produtores do arranjo que estão aptos, devido a suas condições prévias de recursos ou conhecimentos complementares, dentre outros (FENSTERSEIFER; WILK, 2005), a adotar as condutas requeridas pela APROCCIMA, para fazer parte desse grupo estratégico que existe dentro do arranjo.
Desta forma, fim de alcançar a “padronização” do produto por eles produzido, por exemplo, pode-se entender que o ativo certificação BPA enquadra-se nesta categoria, pois o produtor precisa primeiramente realizar os cursos e adequar suas instalações para obter este atestado, sendo que nem todos no grupo possuem o registro ainda.
Figura 12 – Ativos sigulares
Figura 13 – Ativos sistêmicos
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Com relação aos ativos clima, localização dos fornecedores e rastreabilidade, estes já se encontram desenvolvidos na percepção dos participantes (Figura 14). Os demais situam-se em estágio de desenvolvimento, provavelmente por se referirem a ativos que requerem o comprometimento dos produtores para as constantes atualizações que refletem as demandas do mercado (Figura 15).
Zen, Fensterseifer e Prévot (2009) defendem que é a combinação dos ativos singulares, sistêmico e de acesso restrito, com seus diferentes níveis de atuação para o desenvolvimento de estratégias, que serão os provedores da vantagem competitiva sustentável para o arranjo.
Figura 14 – Ativos desenvolvidos
Figura 15 – Ativos em desenvolvimento