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De acordo com o RCNEI (BRASIL, 2002b), conhecer as características, as potencialidades e reconhecer os limites é muito importante para o desenvolvimento da identidade e da conquista da autonomia dos sujeitos. A capacidade de terem confiança em si mesmo e o fato de se sentirem aceitos, ouvidos, cuidados e amados oferece segurança para a formação pessoal e social. E a possibilidade de assumirem pequenas responsabilidades e

efetuarem escolhas favorece o desenvolvimento da autoestima. Dessa forma, a etapa da educação infantil deve ser um espaço de favorecimento desse desenvolvimento pelo fato de favorecer os processos de socialização entre os sujeitos.

Essa fase escolar se constitui de um momento muito especial para as crianças, pois elas começam a entrar em contato com outras da mesma faixa etária, com costumes e hábitos diferentes, fazendo dessa diversidade um campo privilegiado de aprendizagens e de desenvolvimento da identidade e da autonomia que está relacionado à formação pessoal e social.

Para o RCNEI (BRASIL, 2002b), os conteúdos a serem abordados nesse eixo de trabalho se apresentam relacionados às áreas de construção de vínculos, construção da identidade e autonomia, a expressão da sexualidade, aprendizagem (imitação, brincar e oposição), linguagem e apropriação da imagem corporal.

Na faixa etária de zero a três anos, os conteúdos a serem trabalhados se referem à questão da comunicação e da expressão de desejos, necessidades, preferências em brincadeiras e outras atividades. Também ao fato do reconhecimento progressivo do corpo, o respeito às regras simples de convívio social e a iniciativa para pedir ajuda. Além disso, aborda-se o interesse pelas brincadeiras e pela exploração de diferentes brinquedos, a curiosidade em experimentar novos alimentos e comer sem ajuda. Finalizando, também se explora a escolha de brinquedos, objetos e espaços para brincar; a participação em brincadeiras de “esconder e achar” e em brincadeiras de imitação, etc. (BRASIL, 2002b).

Com as crianças maiores, os conteúdos vão se aprofundando e trabalha-se com a expressão, a manifestação e o controle de suas necessidades, os desejos e os sentimentos em situações cotidianas. Também há a iniciativa para resolver pequenos problemas do cotidiano e a participação em situações de brincadeiras em que elas escolhem os parceiros, os objetos, os temas, etc. Além da valorização do diálogo como forma de lidar com os conflitos, a participação na realização de pequenas tarefas do cotidiano envolvendo ações de cooperação, solidariedade e ajuda na relação com os outros; o respeito às características pessoais relacionados ao gênero, etnia, peso, estatura, etc.

Nessa faixa etária, mencionada acima, dá-se ênfase ainda no respeito e na valorização da cultura de seu grupo e de outros; no conhecimento, no respeito e na utilização de regras de convívio social; na valorização dos cuidados dos materiais individuais e coletivos. E, por fim, nos procedimentos relacionados à alimentação, higiene, cuidado e prevenção de acidentes.

O RCNEI (BRASIL, 2002b) salienta que a orientação didática para se explorar a identificação e o reconhecimento do próprio nome e de outros colegas é se utilizando de

brincadeiras e jogos que podem ser construídos, como o bingo, jogo da memória e dominó, nos quais se modificam as letras e as imagens pelo nome dos alunos.

Outra proposta pedagógica é dar oportunidade de escolha e de autogoverno para as crianças nas atividades, propiciando o desenvolvimento de um senso de responsabilidade e de progressiva autonomia. Assim, deixar os materiais pedagógicos e outros objetos à disposição para que possam utilizá-los sem a interferência do adulto e criar situações de ajuda com o intuito de realizar trocas interessantes e promover a integração entre eles (BRASIL, 2002b).

Além da integração, existe a interação que pode ser favorecida pelo intercâmbio de ideias, pontos de vistas nas brincadeiras, nos jogos espontâneos e nas conversas. E, como a cooperação é uma modalidade de interação, consolida-se como uma possibilidade nesta faixa etária, que pode ser desenvolvida pelas atividades em grupo em que cada criança exerce um papel para a realização de uma tarefa em comum (BRASIL, 2002b).

Percebendo a cooperação como um caminho de interação entre as crianças, os jogos cooperativos se tornariam mais uma opção para se trabalhar em grupo, favorecendo o estímulo ao sentimento de pertencimento de grupo e a criação de boas relações entre os participantes, dependendo das trocas estabelecidas entre eles.

Durante essas interações, há também o aspecto da oposição que significa afirmar os seus desejos e seus pontos de vista que podem ser contrários um dos outros. Na manifestação desse fato, ocorrem disputas, conflitos e discussões entre as crianças que, conforme as ideias de Corsaro (2011), fazem parte da cultura de pares delas. No entanto, o que significa essa cultura? Para esse autor, a cultura de pares se refere ao conjunto de atividades, valores, interesses, rotinas que os pequenos geram e partilham na interação entre seus colegas. Esses pares não expressam o sentido de duplas e sim de parceiros.

Nessa cultura infantil, há momentos de alegrias e diversão, como também de desentendimentos. Assim, elas acabam disputando brinquedos, brigam por um lugar ou objeto, mordem ou empurram o colega por causa de uma ideia etc. E nas relações de amizades que se manifestam frequentemente conflitos entre si, o que é um pouco contrário (CORSARO, 2011). Contudo, nos estudos da infância sobre esses conflitos nas interações destacados por Goodwin (1990 apud CORSARO 2011, p. 182), “percebemos que tais conflitos geralmente servem para fortalecer as alianças interpessoais e organizar os grupos sociais”. Desse modo, os conflitos estão presentes nas relações sociais e são importantes para o desenvolvimento da criança, pois, segundo Corsaro (2011), auxiliam na afirmação de valores dos grupos sociais, desenvolvimento individual e demonstração de si. Além disso, uma ótima oportunidade da afirmação do eu, diferenciando-se do outro. Embora seja difícil administrar os conflitos, o educador precisa

realizar uma boa mediação para que esses desentendimentos não virem agressões e problemas maiores, e sim uma forma de aprendizagem em conjunto.

Voltando ao RCNEI (2002b), outra proposta que tem papel de destaque na promoção desse eixo de trabalho e que pode ser articulado com outros é o brincar. Esse exercício é fundamental para a formação do sujeito, pois auxilia no desenvolvimento das capacidades, como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação, além de amadurecer as capacidades de socialização por meio da interação e da experimentação de regras e de papéis sociais.

Ao brincar de faz de conta, as crianças imaginam, representam e comunicam sensações e sentimentos de forma peculiar de que uma coisa pode ser outra, que uma pessoa pode ser um personagem etc. Assim, aprendem mais sobre a relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro, vivenciam a elaboração e negociação de regras de convivência.

Na dimensão do brincar, as brincadeiras dirigidas também são recursos didáticos para se abordar a questão do reconhecimento do próprio corpo, do outro e a imitação. Além disso, as brincadeiras musicais que estimulam os cuidados pessoais, higiene e prevenção de acidentes.

Todos esses eixos de currículo na educação infantil só são possíveis de serem trabalhados com a atuação eficiente do professor em sua prática pedagógica ao favorecer os meios para que os educandos consigam se apropriar dos conhecimentos ao seu redor. Além disso, para que os jogos, em especial, os cooperativos possam fazer parte do espaço da sala de aula, é essencial que o educador seja um facilitador.

5.3 O PAPEL DO PROFESSOR NA PROMOÇÃO DE ESPAÇOS COOPERATIVOS DE