3.2 Segmentation par mod`eles d´eformables
3.2.3 Forces ext´erieures dans les mod`eles d´eformables
Para o psicólogo social Robert Zajonc (apud BROTTO, 2003, p. 38), uma atitude cooperativa é aquela em que “o que A faz é, simultaneamente, benéfico para ele e para B, e o que B faz é, simultaneamente, benéfico para ambos”. Já uma atitude competitiva é quando “o que A faz, é no seu próprio benefício, mas em detrimento de B, e quando B faz em seu benefício, mas, em detrimento de A”.
Mead (1961), ao estudar diferentes tipos de sociedades, destacou que a cooperação é o ato de se trabalhar em conjunto para alcançar um único objetivo. E a competição uma ação em que a pessoa busca ganhar o que a outra está tentado obter no mesmo momento. Além disso, esses processos de relações sociais são determinados pela estrutura social estabelecida na sociedade em que as ações dos indivíduos em um grupo resultam das interações e das atitudes praticadas entre eles. Assim, os contextos cooperativos favorecem a expressão de comportamentos pró-sociais enquanto contextos competitivos conduzem a manifestação de comportamentos antissociais.
Diante dessas relações sociais, percebe-se que a competição é um processo que as ações são tomadas isoladamente e os benefícios são destinados apenas para alguns. Além disso, nesse tipo de jogar, os jogadores acabam sendo excluídos durante as jogadas e sofrem por não terem sido capazes de serem os melhores. Toda essa angústia provoca um sentimento de inferioridade no indivíduo que será visto como fracassado, sentindo-se como tal. Em consequência disso, ele não irá se arriscar em determinadas situações da vida por causa do medo de errar ou ficará apenas de observador das jogadas, com o propósito de apreender as técnicas vencedoras para poder aplicá-las posteriormente. Enfim, continuar-se-á a sequência de ganhadores-perdedores, fomentando a desunião que uns pisam nos outros na luta para seguir em frente.
Será que isso é sadio? Considera-se que não. As ações competitivas podem provocar atitudes desagradáveis, como, por exemplo, a desonestidade, a agressividade excessiva, o egoísmo para o alcance dos objetivos a qualquer custo. Mas pode até trazer sentimentos agradáveis e alguns aspectos relevantes se bem encaminhada, como, por exemplo, a superação de limites em busca de melhorias, o respeito pelo adversário, um desempenho maior que não se conseguiria atingir sem o confronto com o outro, porém são pequenas as suas vantagens. Já com a cooperação é possível obter vários benefícios, visto que ela ensina a comunicação, a confiança e o respeito mútuo entre os membros por eles trabalharem coletivamente à medida que as relações estabelecidas entre os jogadores e o contexto forem favoráveis nesse sentido.
Essas contribuições podem ser corroboradas pelos estudos realizados por Morton Deutsch5 na área da psicologia social sobre competição e cooperação que fornecem uma série de evidências relacionadas aos comportamentos de pequenos grupos diante de resoluções de problemas. No quadro abaixo, está um resumo do trabalho realizado por Deutsch, que pode ser verificado em Brotto (2003, p. 45).
Quadro 2 – Situação cooperativa versus situação competitiva
Situação cooperativa Situação competitiva
Percebem que o atingimento de seus objetivos, é, em parte, consequência da ação dos outros membros.
Percebem que o atingimento de seus objetivos, é incompatível com a obtenção dos objetivos dos demais.
São mais sensíveis às solicitações dos outros. São menos sensíveis às solicitações dos outros.
Ajudam-se mutuamente com frequência. Ajudam-se mutuamente com menor frequência.
Há maior homogeneidade na quantidade de contribuições e participações.
Há menor homogeneidade na quantidade de contribuições e participações.
A produtividade em termos qualitativos é maior. A produtividade em termos qualitativos é menor. A especialização de atividades é maior. A especialização de atividades é menor.
Fonte: Quadro extraído do livro de Brotto (2003, p. 45).
Percebe-se que a cooperação e a competição são processos distintos e, segundo esse autor, o primeiro se caracteriza em um contexto de interação social em que as pessoas conseguem se ajudar mutuamente e as ações dos outros favorecem o alcance de um objetivo maior. Em relação à competição, há uma busca mútua de objetivos em que o objetivo individual torna-se mais importante do que dos demais, levando os jogadores a se distanciarem uns dos outros.
Para Palmieri e Branco (2004), essas interações sociais estão relacionadas ao sistema da motivação social do sujeito que envolve orientações para valores e crenças a partir das experiências vividas em que se atribui um significado subjetivo e pessoal. Assim, as pessoas acabam participando ativamente na promoção de padrões de interação como a competição, o individualismo e a cooperação dependendo da disposição motivacional e do contexto em que
5 Morton Deutsch é um dos profissionais mais conceituados do mundo sobre o estudo do conflito, possuindo
uma carreira de mais de 50 anos na área da pesquisa. É professor emérito de Psicologia Social e Educação da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. Criou o Centro Internacional para a Definição da Cooperação e do Conflito (ICCCR) na Faculdade de Educação dessa universidade. Disponível em:
estão inseridas. Desse modo, tanto as ações cooperativas quanto as competitivas vão depender de o contexto ser favorável e dos processos estabelecidos entre os indivíduos.
Assim, torna-se imprescindível incentivar, cada vez mais, a prática cooperativa na educação através dos jogos, com o propósito de os indivíduos desenvolverem atitudes essenciais para um bom convívio social. Essas atitudes são descritas por Brown (1994) e Soler (2006):
a) empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro;
b) cooperação: capacidade de se trabalhar em conjunto, visando uma meta comum; c) estima: capacidade de demonstrar e verificar a importância do outro;
d) comunicação: é a relação através do diálogo: a troca de conhecimentos, sentimentos, problemas, estima e perspectivas.
O poder desse exercício reside no favorecimento da alegria, da simplicidade, da autoconfiança e da solidariedade, pois a preocupação com o fracasso ou com o sucesso é eliminada do resultado final. O valor dado à processualidade é extremamente importante para o aprendizado do ser humano de modo que cada passo dado é considerado. Em consequência disso, as pessoas se divertem sem o medo de serem excluídas pelos colegas, expressando livremente os seus potenciais criativos. Portanto, aprendem a maior lição da vida, que é respeitar os seus semelhantes e a si mesmo.
E, em consonância com essas ideias, Orlick (1989, p. 182) destaca que a importância da cooperação está na geração de novas motivações, novos valores, nas atitudes e capacidades. Caso a qualidade de vida futura e a nossa sobrevivência depender da cooperação, “[...] todos pereceremos se não estivermos aptos a cooperar, a ajudar uns aos outros, a sermos abertos e honestos, a nos preocuparmos com os outros, com as novas gerações futuras”. Apesar dessas afirmativas, deve-se ponderar que as atitudes cooperativas sejam mais complexas e difíceis de serem realizadas. Contudo, elas são de extrema importância para a vida das pessoas, porque há uma busca de melhoria nas relações sociais e no trabalho com valores.
Isso não significa que a competição é ruim e os jogos que estimulam essas relações devem ser abolidos e eliminados do cotidiano das pessoas, já que é preciso saber lidar com essa relação e todos os sentimentos envolvidos nela para se compreender este mundo competitivo hoje em dia. Entretanto, deve-se oferecer opções de escolhas para que as pessoas e, em especial, as crianças entrem em contato com realidades distintas e experimentem diversas formas de se jogar. Assim, permitir que elas conheçam a visão do jogar cooperativo, conforme Marcos Almeida (2011a), representa elas vivenciarem, descobrirem, construírem, estarem juntas, recriarem e tornarem-se mais humanizadas por meio de uma relação transformadora e dinâmica.
Em virtude dos fatos, torna-se interessante que essas experiências tenham início na fase da educação infantil, pois é o momento de formação do sujeito que será visto no próximo capítulo.