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Les points clés de l’indexation et de la recherche d’objets 3D

2.2 L’indexation et la recherche appliquées aux objets 3D

2.2.4 Les points clés de l’indexation et de la recherche d’objets 3D

O desenvolvimento das forças produtivas permitido pelas engrenagens do modo de produção capitalista propiciou a sofisticação e diversificação das formas de comunicação entre os homens/mulheres. Nesse contexto, a televisão se destaca como um dos mecanismos de comunicação que mais tem se desenvolvido com as novas tecnologias. Enquanto os jornais impressos se tornam obsoletos ou perdem a força, em um mundo marcado pela comunicação “digital”, pela presença multifacetada da internet, a Televisão confirma sua posição no “centro da sala”, conquista cada vez mais centralidade da vida das pessoas, além de ganhar “as ruas” com o apoio da telefonia móvel.

Como observa Souza (2010, p. 2), vivemos imersos em uma sociedade em que, cada vez mais, são criados aparatos eletrônicos conectados às telecomunicações que dinamizam os processos e provocam mudanças em todas as áreas da vida social; nas relações pessoais e profissionais de homens e mulheres. Conforme o autor, “tornou-se obsoleto, nos dias de hoje, falar e, principalmente usar, cartas, máquinas de escrever, vinil e outras antiguidades que foram substituídas por email ou scraps, computador, cd, ipod”.

Essas inovações importantes para o processo de acumulação capitalista ao promoverem a mercantilização das esferas da vida social através do apelo ao consumo pelas vias da publicidade, ao disponibilizarem, no mercado, produtos com performances diversas e ampliadas.

Podemos dizer que as novas tecnologias da informação e da comunicação desempenham papel importante, com efeitos sobre as relações sociais, passando a inquirir e questionar o papel do Estado e das organizações sociais na regulação de seu uso e apropriação. O incentivo do Estado ao desenvolvimento, expansão e utilização das tecnologias da informação ao sabor dos imperativos do mercado tem sido confrontado com questionamentos oriundos de organizações sociais que militam pela democratização da mídia e pela ética no trato e difusão de informações, imagens, etc.

2.2.1 A informação mercadoria: a sociedade capitalista e a mercantilização das dimensões da vida social

A emergência e consolidação do capitalismo promoveram a mercantilização das diversas dimensões da vida social, ao mesmo tempo em que se processaram transformações nas relações sociais. Assim, à medida que o capitalismo avança e se desenvolve são elaboradas novas formas de disseminação dos valores ideológicos que o fundamentam. Nesse processo os mecanismos e as vias de comunicação ganham valor. Estes integram o complexo e vasto universo da cultura e se inter-relacionam com as distintas esferas da vida social atuando na reprodução das relações sociais.

Inserida na totalidade da vida social e não isenta das determinações do real, a produção cultural é gradativamente transformada em objeto de consumo, plenamente convertida em mercadoria. Magalhães comentando as ideias de Cevasco, (2001, p. 31) entende a cultura como,

[...] constitutiva de um processo social, é um modo de produção de significados e valores mais básico[s] para o funcionamento da sociedade do que a noção de uma esfera separada. São esses significados e valores que organizam a vida comum (CEVASCO, 2003, 110-112 apud MAGALHAES, s/d, p. 03).

Com efeito, a cultura produz mediante o trabalho criador, obras de pensamento e obras de arte que capturam a experiência do mundo dando-lhe um sentido, interpretando-o, criticando-o, transformando-o. Na sociedade de classes, na qual a exploração, a dominação e a desigualdade constituem traço característico, a cultura passa a refletir sua racionalidade, metamorfoseada em passatempo, em entretenimento, veiculada por vezes, através de uma tela de televisão (CHAUI, 2006).

A mercantilização da cultura e de suas expressões faz surgir à indústria cultural. Como provoca Fadul (2002, p. 4), trata-se de uma indústria muito especial, que produz “[...] não uma mercadoria qualquer, mas sim uma mercadoria que possui um valor simbólico muito grande”. A produção da indústria cultural objetiva homogeinizar os conflitos sociais, promover o consenso e controle dos sujeitos sociais.

Enquanto produtos da indústria cultural, os meios de comunicação, em especial a televisão, contribuem para a mercantilização da vida social. O apelo ao consumo nas publicidades fomenta criação de novas necessidades no cotidiano. O fetiche da mercadoria (Marx, 1996) se faz cada vez mais presente, assim como a manipulação e a alienação produzidas pelo modo de produção capitalista e reforçadas pelos meios de comunicação.

Com efeito, a necessidade lucrativa do capital, exige ampliação da esfera do consumo. Assim, conforme Coutinho (2010), a possibilidade de consumir, carece de mecanismos manipuladores dos desejos dos homens/mulheres. Estrategicamente, a propaganda comercial é orientada para incentivar e criar necessidades de consumo que, do ponto de vista racional, não se colocam como prementes ou incontornáveis para os indivíduos. Segundo Chauí (2006), em tempos de imediatismo e descartabilidade, a propaganda deixa de apresentar um produto propriamente dito e passa a assegurar desejos. Para a autora (idem), a propaganda comercial passa a vender imagens e signos ao invés de mercadorias. Assim, ao adquirir determinado produto uma pessoa satisfaz um desejo (harmonia, tranqüilidade) ao invés de uma necessidade.

Não queremos dizer com isso, que os indivíduos assimilem passivamente os conteúdos publicitários. Por certo, existem resistências às formas hegemônicas de

pensamento. Obviamente, a luta de ideias e de projetos sociais travada no âmbito da sociedade possibilitam condições objetivas e subjetivas para o exercício do pensamento crítico, assim como, para criação de formas alternativas de comunicação. Entretanto, não se pode negligenciar o peso da ideologia dominante fincada nas estruturas sociais de reprodução.

Neste sentido, consideramos indispensável explicitar as contradições existentes nos meios de comunicação de massa. Sob esse prisma, podemos pensar a mídia dialeticamente, estabelecendo relações entre as dimensões estruturais e ideológicas que a conformam e fundamentam. Nessa lógica, negamos as visões mecanicistas baseadas na aparência e no senso comum.

Conforme Silva (1982), os meios de comunicação também são perpassados por contradições presentes na totalidade social. Eles não estão isentos das expressões das lutas de classe – são desenvolvidos, administrados e objetivados por pessoas, com valores e concepções distintas –, nesse sentido, embora prevaleçam o controle e o comando dos interesses e valores das classes dominantes, podemos identificar em seus produtos, por exemplo, abordagens de assuntos de interesse da sociedade.

Assim, a mídia tem incluído em suas produções, situações vivenciadas no cotidiano social que, à medida que são expostas, podem representar avanços no que se refere ao enfrentamento de preconceitos, discriminações e violências. Essas raras brechas podem ser visualizadas em alguns conteúdos midiáticos que possibilitam entendê-la não apenas como espaço de criação de consensos, mas também como espaço contraditório.

Nessa lógica, a mídia se configura não somente como mecanismo de construção de consensos e padrões, mas, também, como instrumento, pautado na ótica do diálogo desigual que a fundamenta, o qual possibilita a reflexão sobre os conflitos sociais, ainda com limites impostos na composição da produção midiática (NOVA, 2000). Como explica a autora,

Este diálogo desigual é marcado pela unidirecionalidade da comunicação praticada, mas consolidado na possibilidade de variadas leituras, o que termina por relativizar o controle da mídia, não permitindo o engessamento e a simples manipulação das vontades e opiniões (NOVA, 2000, p. 24).

Partindo de tais premissas, podemos afirmar que a mídia constitui instrumento tanto de construção da hegemonia (burguesa conservadora), criando modelos e padrões que devem ser desejados e seguidos por todos/as, como, a partir da construção de novos formatos e estruturas midiáticas, pode apontar alternativas para a construção de uma contra-hegemonia, de uma nova forma de pensar e agir, apesar dos limites impostos pela ordem societária vigente.

A tecnologia e a ampliação da internet, sem dúvida, inclusive em países como o Brasil, possibilitam às camadas populares, maior acesso aos bens culturais. Por exemplo, muitas vezes, discos, livros e filmes podem ser acessados completos em sites na internet. O acesso possível não significa efetiva utilização destes meios, dadas às condições materiais de milhares de famílias É evidente ainda que, a disponibilização desses elementos culturais (por si só) não corresponde a uma apropriação crítica e/ou a elevação da consciência das classes oprimidas. A reelaboração dos processos culturais e a construção de alternativas à cultura hegemônica constitui um percurso complexo e implica mudanças mais profundas nas estruturas sociais.

No Brasil, as empresas de comunicação são predominantemente comerciais. Deste modo, são regidas pela lógica mercantil, pelos interesses do capital. As emissoras de televisão, veículo de comunicação de massa surgido nos anos de 1950, figuram dentre os mais poderosos dispositivo de difusão de valores que sustentam a sociedade do consumo. O crescimento e o aprimoramento da televisão tornam-se recurso estratégico para a expansão do capitalismo em nosso país, atuando como agente de reprodução de capital. A inovação (imagem e som) proporcionada pela TV tem tido importância singular para a comercialização de produtos, estimulando o consumismo através de espaços publicitários. Como destaca Liedke (2007, p. 06), a “prova disto é que o crescimento das redes de televisão esteve associado à formação dos grandes centros urbanos, criando-se emissoras conforme a concentração populacional” oriunda dos processos de industrialização e de desenvolvimento das forças produtivas.

Em sua gênese a televisão já apresenta a intenção de tornar-se produto de consumo de massa. Podemos inclusive considerá-la como uma das mercadorias típicas do padrão fordista de produção ao lado dos automóveis. Inicialmente, é

apresentada ao conjunto da classe trabalhadora nas praças públicas20. Posteriormente, com incentivo do Estado, a produção em larga escala possibilita reduzir o valor de comercialização e, progressivamente ampliar o consumo até sua inserção em praticamente todos os lares brasileiros.

Ao longo das últimas décadas, a televisão se aprimora e se renova. Nessa primeira década do século XXI, aglutina diversas tecnologias e assume centralidade ainda maior no dia-a-dia dos/as brasileiros/as. Porém, a propriedade de equipamentos e o direito de explorar este meio de comunicação estão concentrados nas mãos de poucas famílias e grupos empresariais, constituindo um verdadeiro império produtor e monopolizador de informações.

A concentração de propriedade, a propriedade cruzada dos veículos de comunicação e a mercantilização da informação são características das indústrias de mídia em diversos países do mundo. No Brasil, essa característica impõe sérios limites à socialização de informações críticas, à democratização e ao controle social da comunicação.

Portanto, se por um lado à mídia, em particular a televisão se reveste de uma áurea democrática por possibilitar o contato com diferentes povos e culturas; eliminar barreiras geográficas; permitir conexões regionais e globais, por outro lado, ampliam o poder de grupos manipuladores da informação mediante a formação de oligopólios (SIMIONATO, 2003).

No Brasil, em grande medida, o poder de manipulação dos meios de comunicação dar-se pela concentração de propriedade, propriedade cruzada, escassa legislação, e ainda pela omissão do Estado no estabelecimento de marcos regulatórios para a comunicação do país.

2.2.2. Privatização do público e a defesa da regulamentação e democratização da comunicação no Brasil

A Declaração dos Direitos Humanos21anuncia que “todos [e todas] têm direito a liberdade de expressão e de opinião. Esse direito inclui a liberdade [...] de receber

20

Apenas as famílias mais abastadas tinham aparelho de televisão em suas casas. 21

e transmitir informações e ideias através de qualquer meio”. Porém, como afirma Veloso (2005), esse direito tem sido historicamente negado pela formação de grandes grupos empresariais. Assim, as corporações midiáticas impulsionam o mercado (marketing comercial) e, consequentemente legitimam o atual modelo hegemônico de sociedade. Enfatiza a autora (op. cit., p. 39),

A perpetuação das relações de poder por meio da lógica cultural e econômica que move a imprensa desfavorece a apropriação dos meios pela população, destituída de recursos para competir com o poderio das grandes corporações. Nem mesmo as mídias independentes e comunitárias dispõem de recursos capazes de fazer frente ao conglomerado privado.

Como afirma Fonseca (2005, p. 01), nas últimas décadas, vem ocorrendo uma acentuada transformação “nos sistemas de organização institucionais das indústrias culturais, levando a uma onda de concentração de propriedade e capital”, a exemplo do que ocorre em outros setores da economia, ou seja, a crescente formação de oligopólios midiáticos, com fusões de grandes redes de comunicação e a racionalização da administração das empresas.

Para Sales,

No Brasil, salta aos olhos a concentração dos meios de comunicação nas mãos de empresários, dublê de políticos, e de algumas poucas famílias poderosas, os quais fazem desse oficio um negócio lucrativo, muitas vezes em detrimento do papel social e público que deveria ser a sua marca maior (2007, p. 99).

No Brasil, a concentração de propriedade dos veículos de comunicação contraria o artigo 220, parágrafo 5º da Constituição Federal de 1988, cujo conteúdo estabelece que os veículos de comunicação do país não podem ser de forma direta ou indireta, objeto de oligopólios22 (BRASIL, 2006). Todavia, o cenário observado revela uma crescente monopolização dos mass media nas mãos de algumas poucas famílias e grupos empresariais.

Segundo Lima (2004), no Brasil, oito grupos familiares do setor de rádio e televisão dominam estes meios de comunicação, a saber: nacionais: famílias Marinho (Globo); Saad (Bandeirantes) e Abravanel (SBT) regionais: famílias Sirostky

22“Há 20 anos, 50 corporações dominavam o mercado de mídia nos EUA. Eram 23 no inicio da década passada. Hoje são cinco”. Folha de São Paulo, 27 de julho de 2003, p. A2. In. VELOSO. Ana. 2006.

(RBS); Daou (TV Amazonas); Jereissati (TV Verdes Mares); Zahran (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul); Câmara (TV Anhanguera). Ainda conforme o autor, dessas oito famílias apenas duas (Saad e Abravanel) não são afiliadas às organizações Globo23.

Segundo Liedtke (2007, p. 434), as organizações midiáticas no país se desenvolveram a partir de “intimidades com o poder”, com políticas públicas de comunicação e distribuição de concessões de radiodifusão utilizadas com critérios políticos, reduzindo a participação da sociedade civil. A isto se soma a crescente desregulamentação do setor, a tendência internacional do neoliberalismo e da mundialização do capital, proporcionando a acentuada concentração de propriedade sobre meios de comunicação.

Para Lima (2004, p. 53), o Estado brasileiro,

[...] patrocinou a desregulamentação que permitiu a privatização das comunicações e a entrada de capital estrangeiro na telefonia, na TV e na radiodifusão, "é também por ação ou omissão do Estado que a legislação (ou a ausência dela) continua a permitir que boa parte da nossa radiodifusão e de nossa imprensa seja controlada por grupos familiares, esteja vinculada a elites políticas regionais e locais.

Como salienta o entrevistado, Pasquim, militante de organização social que luta pelo direito a comunicação e integrante do Intervozes,

A gente vive um cenário de desregumentação praticamente plena, porque tem umas leis que tratam da comunicação, mas elas não tratam da questão como um todo e, muitas vezes elas são contraditórias entre si. Isso impõe uma série de irregularidades que cada vez mais contribui para a concentração dos meios de comunicação na mão de poucas famílias.

Embora, haja divergências entre grupos familiares, estes pertencem à mesma classe social, têm os mesmos interesses políticos e econômicos. E assim, com poucas pessoas controlando os veículos de comunicação do país, ocorre a monopolização e ampla veiculação dos valores e ideologias das elites dominantes.

23

A Rede de Globo de Comunicações dispõe de um verdadeiro império midiático. A família Marinho é proprietária de sites na internet, canais abertos e fechados de televisão (Globo, Globo News,Viva, Futura, SportTV, SportTV2, SportTV3), jornal impresso (O Globo), produtoras de filmes, novelas, propaganda e musical (SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda.), emissoras de rádio (Globo AM, CBM AM), editora (Editora Globo). Além de produção de figurinos e comercializar produtos veiculados na programação (Globo Marcas).

De acordo com Salles (2008, p. 54),

Esse monopólio midiático atua em todos os setores da sociedade. Desde política e economia, passando pela cultura e pelo entretenimento, até chegar nas questões internacionais, ciência e turismo, entre outros. Suas intervenções nunca são neutras ou imparciais, como alguns sustentam. Como as corporações de mídia estão organizadas enquanto empresas, elas também buscam o lucro acima de tudo – para si e para as empresas associadas. Essa característica, por si só, inviabiliza a busca do equilíbrio e, mais além, torna-se determinante na elaboração das mensagens (objetivas e subjetivas) que projeta.

O autor chama a atenção para o jogo de interesses que permeiam as empresas de mídia. Tais interesses tanto orientam a programação, como os conteúdos de suas pautas. Contudo, devemos salientar que a própria dinâmica do real impõe elementos condicionantes à formulação dos conteúdos transmitidos. Assim, nos veículos de comunicação, mesmo que predomine uma determinada visão de mundo, podemos identificar narrativas, análises e questionamentos que explicitam problemáticas importantes para o conjunto da sociedade.

Podemos citar, por exemplo, as tramas novelescas que tem abordado a violência doméstica e contribuindo (observados os limites) na visibilidade e publicização da problemática. Segundo matéria veiculada pelo site UOL, em 2008 o número de denúncias de violência doméstica aumentou ao ser abordado pela novela “A favorita” 24

. A Central de Atendimento à Mulher registrou 269 mil denúncias,

relatos de violência e pedidos de informação em todo o país. A procura pelo serviço aumentou 32% se comparada com 2007. Não podemos afirmar que o aumento das denúncias deve-se unicamente a novela, certamente outros fatores influenciaram as mulheres a procurar ajuda e informações. Porém, o poder de alcance da televisão na sociedade pode potencializar a transmissão e socialização de informações importantes para o conjunto da sociedade.

Podemos afirmar, no entanto, que os meios de comunicação de massa (rádio, televisão, internet entre outros) tiveram/têm o papel significativo na formação da identidade social e cultural brasileira. Ajudaram a construir um Brasil “verde e amarelo”, de um “povo solidário”. O país do futebol e do carnaval, de mulheres e

24

A novela abordou a história das agressões de Léo (Jackson Antunes) a Catarina (Lilia Cabral). Foi ao ar em 2008 no horário das 21h.

paisagens bonitas e exuberantes... A televisão, particularmente no período ditatorial, contribuiu para a criação de uma imagem de um país nacionalista, relativamente homogêneo, de belas paisagens e pouca desigualdade social.

Os meios de comunicação assumem, portanto, a função de unificar ideologicamente uma identidade coletiva cada vez mais fragmentada, tentando apagar, camuflar as diferenças étnico-raciais e de gênero e as desigualdades sociais. De um lado, possibilitam a criação de elementos simbólicos que subsidiam a construção de significados, valores e práticas de grupos ou classes sociais, do outro, indicam e veiculam imagens, discursos e representações que buscam dar coesão aos estratos que formam a totalidade social. Majoritariamente, as corporações de mídia tentam reduzir ao máximo as contestações de segmentos organizados da sociedade.

De fato, esses canais são elaborados a partir de necessidades efetivas de conter as lutas e os movimentos das classes subalternas. São, portanto, necessários para conservar uma identidade “ideológica de todo um bloco social, [...] que não é homogêneo, mas marcado por profundas contradições de classe” (GRUPPI, 1978, p. 69-70). Nesse sentido, explicitamente, observamos a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, à exploração da violência frequentemente relacionadas às classes oprimidas, o apelo ao consumo como fonte de satisfação pessoal.

A estreita ligação das concessões de radiodifusão no Brasil com políticos e partidos políticos, possibilita que sejam numerosos os parlamentares detentores concessões ou, sejam sócios de veículos de comunicação. Segundo o site “DonosdaMidia”25

, 270 parlamentares, em todo país, são sócios de 324 veículos de comunicação, veja o gráfico a seguir. No Rio Grande do Norte, grande parte dos políticos são donos ou sócios de canais abertos de televisão e emissoras de rádio26.

25 Fonte: site “donos da mídia” – www.donosdamidia.com.br . O site resultado de um projeto que mapeou os sistemas e mercados de comunicação no Brasil. Projeto iniciado em 1978, contou com a participação de 350 pesquisadores. Em 2002 foi criado o sitio na internet denominado “donos da mídia” onde estão disponibilizados dados atualizados sobre a comunicação no país.

26

TV Ponta Negra (Família Souza; Micarla de Souza, prefeita de Natal); InterTV Cabugi ( Família Alves; Carlos Eduardo Alves, deputado Federal); TV Tropical Natal (Família Maia; Agripino Maia, senador).

GRAFICO 1 - DISTRIBUIÇÃO VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO POR CARGOS