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CHAPITRE IV. Bilan de la phytoremédiation

IV.2. Phytoaccumulation des métaux

Foi no final dos anos 40, na euforia do período pós-guerra, quando os Estados Unidos da América despertaram para o problema de saúde pública emergente que eram as DCV, que surgiram os grandes estudos epidemiológicos em cardiologia, estudos estes que mudaram o rumo em termos de prevenção e de onde emergiu o conceito hoje banalizado de “factor de risco cardiovascular”.

O estudo de Framingham ou Framingham Heart Study constituiu o primeiro grande marco histórico no âmbito da cardiologia preventiva, e ainda hoje está em curso, tendo dado origem a mais de 1900 artigos científicos publicados até ao ano 2008. Após a segunda guerra mundial, foi constatado que as DCV eram não só a primeira causa de morte nos Estados Unidos da América (EUA, mas também que estas tinham diminuído drasticamente na Europa, que tinha passado pelas privações alimentares associadas ao período bélico.

Perante este facto, o U.S. Public Heart Service assumiu em 1948 a responsabilidade do projecto “Framingham Heart Study”, cujo objectivo principal seria relacionar uma população com dimensão suficiente e sem história cardiovascular prévia, com os principais factores e características associadas à patologia cardiovascular, durante um período de tempo prolongado. O Dr. Thomas Dawber foi nomeado em 1949 director do projecto que seria o primeiro a abordar um problema crónico de saúde de forma sistemática. Desde essa data foi acompanhado pelo Dr. William Kannel, que veio a ssumir a sua direcção em 1966. A pequena cidade de Framingham, no estado de Massachussets, foi a escolhida para a realização do estudo (Dawber et al, 1951; Martins e Silva, 2006).

Constituío-se uma coorte, que recrutou 2/3 da população adulta da cidade de Framingham, num total de 5.209 indivíduos entre 30 e 62 anos de idade, que foram seguidos por toda a vida. Dos dados de seguimento prospectivo dessa população surgiram inúmeras evidências, que formaram as bases para a caracterização dos factores de risco cardiovascular (Dawber e Kannel, 1966). Assim este estudo avaliou, durante mais de 50 anos, a pressão arterial, o tabagismo, o perfil lipídico e outras características dos indivíduos seguidos, bem como as suas causas de morte e de doença (Wilson et al, 1998).

No início da década de 60, já tinham sido identificados os principais factores de risco cardiovasculares, com destaque para o tabagismo, a hipertensão, a hipercolesterolémia, a obesidade, a diabetes e a inactividade física. Passou assim a ser possível afirmar que a DIC resultava da adopção de estilos de vida pouco saudáveis (Martins e Silva, 2006). Os dados recolhidos foram também utilizados para calcular o risco absoluto de ocorrência de eventos coronários, fatais e não fatais a 10 anos, e de DCV a 10 anos (Wilson et al, 1998; D‟Agostino et al, 2008). Um segundo estudo epidemiológico na área da cardiologia preventiva que tem de ser obrigatóriamente referido neste ponto, é o “Seven Country Study”. Este estudo, liderado por Ancel Keys, um dos pioneiros na epidemiologia das doenças cardiovasculares, decorreu em sete países de três continentes e recolheu dados de 1958 a 1964. Englobou mais de 12000 homens de meia-idade residentes em Itália, Grécia, antiga Jugoslávia, Holanda, Finlândia, Japão e Estados Unidos, e pretendeu

demonstrar a repercussão nociva de dietas hiperlipídicas na saúde, em particular no desencadeamento do enfarte do miocárdio (Martins e Silva, 2006).

Este estudo, em que foram realizados follow-ups aos 5, 10 e 25 anos, confirmou a existência de uma correlação directa entre a cardiopatia isquémica, a colesterolémia e o consumo de gorduras saturadas. Foi ainda evidenciado que a dieta do tipo mediterrânica reduzia a ocorrência de DIC, ao contrário da dieta de tipo ocidental (Verschuren et al, 1995).

Dois estudos de grande abrangência têm também que ser aqui referidos – o Estudo INTERHEART e o estudo MONICA. Estes foram estudos que envolveram um elevado número de países e várias regiões do mundo, e confirmaram a importância dos factores de risco tradicionais previamente identificados.

O estudo INTERHEART decorreu de 1999 a 2003 e consistiu num estudo caso- controlo, com o objectivo principal de avaliar a relação entre os diversos factores de risco e a doença coronária, e clarificar se existiam variações entre as regiões do mundo e diferentes etnias. Incluiu 262 centros, em 52 países dos cinco continentes, onde pacientes com enfarte agudo do miocárdio (EAM) nas primeiras 24 horas foram comparados com outros doentes (em meio hospitalar e ambulatório) que constituíram o grupo controlo.

Nesta avaliação, nove factores de risco explicaram mais de 90% do risco de sofrer um EAM. De modo surpreendente, o tabagismo e a dislipidémia explicaram mais de dois terços deste risco. Factores psicossociais, obesidade central, diabetes e hipertensão arterial foram também significativamente associados, embora com algumas diferenças relativas nas diferentes regiões do mundo estudadas. Estas associações foram registadas em ambos os sexos, em indivíduos jovens e mais velhos, em todas as regiões do mundo e confirmaram que mudanças ao nível dos estilos de vida permitiram evitar a maioria dos EAM prematuros (Yusuf et al, 2004, Teo et al, 2006; Iqbal et al, 2008, McQueen et al, 2008;).

O estudo MONICA (Monitor Trends in Cardiovascular Disease), cuja realização foi coordenada pela OMS, englobou 38 regiões de 21 países, a maioria dos quais europeus. Decorreu nas décadas de 80 e 90, e teve o intuito de avaliar a repercussão de novas terapêuticas e da evolução dos factores de risco nos eventos

coronários. Foram assim realizados três estudos observacionais transversais sequencialmente ao longo de 10 anos, incluindo indivíduos dos dois sexos, com idades compreendidas entre os 35 e os 64 anos, num total de cerca de 138.000 indivíduos (Bothig, 1989).

Este estudo evidenciou uma diminuição dos valores médios séricos do colesterol total, e uma tendência para a diminuição da prevalência do tabagismo no sexo masculino e da hipertensão arterial na maioria das populações. A prevalência e incidência da doença coronária também diminuíram. Ao contrário, verificou-se um aumento da prevalência da obesidade (Kuulasmaa et al; 2000; Gostynski et al, 2004; Tunstall-Pedoe et al, 2006).