EXTERIEURS AUX MATHEMATIQUES, ET DES CONDITIONS POUR DES MODIFICATIONS EVENTUELLES
I. Etude de quelques dispositifs didactiques apparus dans le système éducatif français à partir de 1999 et de leurs réceptions
2. Les Travaux Personnels Encadrés comme interrogation sur les formes didactiques a. La définition du dispositif et les questions émergeantes
Hillman (2011) aponta que uma visão psicológica da psicopatologia “deve começar considerando-a como uma dentre as muitas possibilidades da alma” (p. 172). Como já explicitado anteriormente, existem tantos arquétipos quanto podem ser as experiências humanas, portanto, as experiências de ser saudável, adoecer, estar ferido, curar, ficar louco, salvar, ser salvo, morrer são também expressões arquetípicas.
Embora o adoecer possa pertencer à medicina, sua fantasia pertence à alma, que pode apresentar doenças na fantasia, nos medos ou em sintomas sem quaisquer evidências ou realidades médicas. Mesmo quando a fantasia pode conectar-se com doenças reais naquilo que chamamos de psicossomática, a fantasia em si não pode ser encarada com literalismos médicos (Hillman, 2011, p. 173).
Jung foi também um fenomenológico e concebia o homem como um ser biopsicosocial. De acordo com a sua teoria, a libido, enquanto energia psíquica, se manifesta através de vários canais de expressão como o moral, biológico, sexual, psíquico, profissional, espiritual, familiar, social, artístico. Portanto, saudável e normal é o indivíduo que transita relativamente bem em todas as áreas da vida, ou seja, que tenha a flexibilidade de distribuir, expressar e aplicar sua energia psíquica nos diferentes aspectos da vida.
Normal é a pessoa que simplesmente consegue viver, quaisquer que sejam as
circunstâncias, contanto que lhe sejam garantidas as condições mínimas de vida. Mas muitos não o conseguem; por isso não existem muitas pessoas normais. O que comumente entendemos por “homem normal” é, na realidade, o homem ideal, portador de uma feliz mistura de caráter - o que é raríssimo (Jung, 2004, p. 47).
É inevitável que neste trabalho se fale sobre o normal e o patológico, saúde e doença. A idéia médica de saúde, geralmente é concebida como funcionamento correto, bem-estar físico, solidez de estrutura, ausência de morbidade, ausência de desordem ou de incapacidade, etc. Esta idéia de saúde é utópica e não dá lugar para as realidades da saúde humana, que incluem desordens, desequilíbrios, dores e sofrimentos (Hillman, 1993, p. 150).
A palavra normal deriva do grego norma, a qual se trata de um esquadro de carpinteiro, uma ferramenta com um ângulo reto utilizada para enquadrar as coisas e estabelecer retidão. A concepção de normal baseia-se nos fundamentos estatísticos: o que excede ou falta desvia-se da norma, sendo, pois, anormal. Os desvios são relativos
aos limites estabelecidos da normalidade, e da amplitude da mediana da curva. A noção de normal funde-se com a de saudável de maneira indiscriminável, tanto na acepção médica quanto no senso comum (Canguilhem, 2000).
Na concepção de Hillman (1993), a noção de “saúde” atrelada à de “normal”: Apenas provê a base para o preconceito patológico e as prescrições regressivas da psiquiatria moderna, os anódinos, antidepressivos, tranqüilizantes e distrações. O sofrimento pertence de tal maneira à condição humana podemos dizer que é mais “normal” do que o é a saúde ideal, ou digamos, o sofrimento é a saúde normal. Em condições complexas, a definição de doença é tão vaga como o é a de saúde. Esta vaguidade é ainda mais evidenciada quando se valoriza o lado subjetivo, a queixa. Pode haver pronunciada quando se dá mais valor ao lado subjetivo, à queixa. Pode haver evidência patológica objetiva e nenhuma queixa, bem como queixa sem evidencia patológica. O dentro e o fora podem apresentar sinais e bem diferentes. (...) O sofrimento é necessário para um aumento de consciência e para o desenvolvimento da personalidade (p.152).
Já para Jung (2007), “a doença é uma variação do normal (p. 357), e acrescenta que a questão do indivíduo normal é muito relativa, pois uma aparente normalidade pode resguardar, de forma latente, um transtorno psíquico e que pessoas com tais disposições não são poucas e estão em toda parte. Considera, inclusive, que o interesse pelo tema da psicologia e psicopatologia pode indicar esta propensão, o que não o excluí, na qualidade de médico psiquiatra e ainda porque declarou “que toda psicologia - inclusive a minha - tem o caráter de uma confissão subjetiva” (1989, p. 325). Esta condição pode representar o mito do curador ferido.
Existem pessoas, aparentemente normais, que não apresentam sintomas neuróticos específicos, e que até se vangloriam de sua normalidade (muitas vezes trata-se dos próprios médicos e educadores, exemplos de boa educação), que têm opiniões e hábitos de vida extremamente normais, mas cuja normalidade é uma compensação artificial de uma psicose latente (oculta). Os próprios interessados não desconfiam do seu estado. Seu pressentimento talvez só se exprima indiretamente pelo fato de demonstrarem um interesse acentuado pela psicologia e pela psiquiatria, sendo atraídos por essas coisas, como a mariposa pela luz. Como a técnica analítica aciona o inconsciente e o traz à luz do dia, ela destrói nestes casos a compensação salutar, e o inconsciente irrompe em forma de fantasias que não podem mais ser contidas; acarretando conseqüentemente estados de excitação. Elas podem conduzir, eventualmente, direto à doença mental, ou, antes que isso aconteça, provocar o suicídio. Estas psicoses latentes, infelizmente, não são tão raras como pode parecer (Jung, 2004, p.108).
A descoberta do inconsciente representou o reconhecimento evidente e inegável da sua dinâmica como uma atividade autônoma e como fator operativo, e muitas vezes imperativo, da psique:
É certo que parte do nosso material comprobatório provém de observações clínicas. Por causa disso muitos críticos dizem que o inconsciente e suas manifestações pertencem ao campo da psicopatologia na condição de sintomas neuróticos e psicóticos, e que eles não ocorrem em estado psíquico normal. Mas já foi comprovado há muito tempo que os fenômenos neuróticos não são produto exclusivo de doença. São antes e basicamente acontecimentos normais, patologicamente exagerados e, por isso, mais evidentes do que os paralelos normais. Podemos, de fato, observar em indivíduos normais um conjunto de sintomas histéricos, em forma reduzida, e que devido à sua pouca ênfase, passam despercebido (Jung, 1998, p. 201).
Segundo Jung (2008) mudanças na personalidade ocorrem devido a fatores externos, que podem influenciar de forma direta ou predispor a elas, mas podem também proceder de motivações internas e subjetivas, segundo crenças e convicções pessoais e neste caso, os fatores externos têm pouca implicação. Tais mudanças podem sobrevir ainda involuntariamente, através processos inconscientes. Nas mudanças patológicas da personalidade, estes processos inconscientes têm papel preponderante e geral. Por isso, afirma o autor, no campo da psiquiatria, o fator etiológico essencial é a predisposição patológica herdada ou adquirida. A predisposição herdada trata-se de fatores genéticos, portanto prescinde de aprofundamento. No entanto, a predisposição adquirida merece uma abordagem mais ampla.