Com base na metodologia Macbeth irão ser determinados os fatores de harmonização de cada competência funcional (CF) em cada área funcional (AF).
Nas sessões de facilitação desenvolvidas com o grupo de atores, foi obtido o consenso na definição em cada competência e área funcional de dois pontos fixos em cada escala (intervalo de escala), ou seja, dos níveis fictícios de referência de desempenho “mínimo aceitável” e “excelente”, necessários para efetuar a ponderação de cada competência, segundo cada área funcional. No Quadro 4 apresentam-se estes níveis para a área funcional AF01 (Direção Técnica) e competência funcional CF01-2. Liderança e Direção.
Quadro 4. Níveis fictícios de referência (“mínimo aceitável” e “excelente”) na
competência CF01-2. Liderança e Direção (AF01 – Direção Técnica).
Nível máximo ou Bom (Desempenho Excelente) Nível mínimo ou Neutro (Desempenho Aceitável)
AF01 (DTc) AF01 (DTc)
Dirige as diferentes atividades de forma adequada e lidera a equipa com empenho [, mantendo uma postura de escuta ativa e de motivação ]; supervisa e controla a execução das atividades, garantindo eficácia e eficiência; e colabora de forma adequada na determinação da política estratégica e financeira da Instituição.
Dirige as diferentes atividades de forma adequada e lidera a equipa com empenho; supervisa e controla a execução das atividades, garantindo eficácia e eficiência; e colabora de forma adequada na determinação da política estratégica e financeira da Instituição.
Fonte: Thomaz (2014).
Com os níveis de referência fictícios definidos para todas as competências funcionais em todas as áreas funcionais, foi possível passar à determinação dos fatores de harmonização de escala das competências.
Com o apoio do software M-Macbeth, o facilitador apresenta o procedimento ao grupo, fornecendo uma folha onde se encontram as competências dessa área funcional e respetivas definições dos níveis fictícios de referência “mínimo aceitável” e “excelente” e ainda a escala semântica Macbeth de diferença de atratividade, conforme mostrado na Figura 19.
AMITEI
CF01-1 - Relações Interpessoais com Familiares
dos Utentes CF01-2 - Liderança e Direção CF01-3 - Resolução de Problemas e Tomada de Decisão CF01-4 - Planeamento e Coordenação CF01-5 - Organização Funcional e Execução CF01-6 - Conhecimento Técnico e Prático e Investigação
Comunica de forma adequada [ e transmite confiança ] aos familiares dos utentes, respeitando a individualidade destes.
Dirige as diferentes atividades de forma adequada e lidera a equipa com empenho [, mantendo uma postura de escuta ativa e de motivação ]; supervisa e controla a execução das atividades, garantindo eficácia e eficiência; e colabora de forma adequada na determinação da política estratégica e financeira da Instituição.
Resolve problemas, com oportunidade e de forma adequada, coloca a solução em prática, assumindo a responsabilidade pela decisão tomada, no âmbito do seu perfil funcional [, sendo capaz de delegar tarefas, de forma adequada e com supervisão, mantendo a responsabilidade das ações/decisões por eles tomadas (AF01) ].
[ Planeia, em termos gerais, ] coordena e avalia as atividades de acordo com a planificação efetuada, de uma forma técnica e funcionalmente adequada.
Organiza as atividades do serviço de acordo com o Plano Estratégico da Instituição [, ordenando e dispondo adequadamente os meios para a sua execução, de forma a alcançar os objetivos propostos ] e executa com empenho e iniciativa as atividades planificadas, cumprindo a legislação e diretivas aplicáveis, no âmbito do seu perfil funcional.
[ Estuda e investiga de forma a manter-se constantemente atualizado, ] compreende os conceitos-chave e situações alvo e a sua relação (saber) e aplica-os (saber-fazer) de forma correta, adequada e com rigor profissional, no âmbito do seu perfil funcional.
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Comunica de forma adequada com os familiares dos utentes, respeitando a individualidade destes.
Dirige as diferentes atividades de forma adequada e lidera a equipa com empenho; supervisa e controla a execução das atividades, garantindo eficácia e eficiência; e colabora de forma adequada na determinação da política estratégica e financeira da Instituição.
Resolve problemas, com oportunidade e de forma adequada, e coloca a solução em prática, assumindo a responsabilidade pela decisão tomada, no âmbito do seu perfil funcional.
Coordena e avalia as atividades de acordo com a planificação efetuada, de uma forma técnica e funcionalmente adequada.
Organiza as atividades do serviço de acordo com o Plano Estratégico da Instituição e executa com empenho e iniciativa as atividades planificadas, cumprindo a legislação e diretivas aplicáveis, no âmbito do seu perfil funcional.
Compreende os conceitos- chave e situações alvo e a sua relação (saber) e aplica-os (saber-fazer) de forma correta, adequada e com rigor profissional, no âmbito do seu perfil funcional.
AF01 - DTc - Direção Técnica
COMPETÊNCIAS FUNCIONAIS - CFxx-x - NÍVEIS FICTÍCIOS DE REFERÊNCIA
Figura 19. Níveis fictícios de referência para a AF01 – Direção Técnica.
Com base nessa informação e considerando, agora, que: (i) todas as competências, para a área funcional em análise, se encontram no nível fictício de referência “mínimo aceitável”; e (ii) só se pode mexer numa única competência; questiona-se o grupo sobre qual a competência que consideram com o intervalo (salto) mais relevante ao passar de “mínimo aceitável” para “excelente”. De salientar que o grupo se deve manter focado nos intervalos e não na designação (‘nome’) das competências. Após escolhida pelo grupo a competência com o intervalo mais relevante, este é questionado sobre qual a diferença de atratividade, na escala semântica Macbeth, que considera existir entre esses dois níveis fictícios de referência.
O procedimento prossegue até que se tenha respondido à coluna [tudo inf.], do lado direito da matriz de julgamentos, para todas as competências. De seguida, são efetuados os procedimentos necessários à garantia de consistência das respostas e determinado o primeiro histograma de pesos. O grupo é então submetido a um questionamento que irá verificar se os valores obtidos para os pesos das competências são compreendidos e o seu significado entendido. Desta discussão poderão os valores obtidos serem ajustados dentro dos limites permitidos, face à apreciação semântica efetuada, ou poderá efetuar-se uma nova apreciação na matriz, caso o ajuste se situe fora dos limites permitidos. No final, obtém-se o consenso do grupo para um conjunto de valores finais para os fatores de harmonização de escala (pesos) das competências.
Na Figura 20 mostra-se o procedimento para a área AF01 – Direção Técnica.
Figura 20. M-Macbeth. Determinação dos fatores de harmonização de escala para a
Área Funcional AF01 – Direção Técnica. Fonte: Adaptado de Thomaz (2014).
Os conjuntos de fatores de harmonização de escala obtidos para as diversas áreas funcionais foram também objeto de discussão com o grupo, para a sua validação e interpretação no modelo e para a sua consistência conceptual entre as diferentes áreas funcionais, tendo sido obtido o consenso do grupo.
Com base nestes dados já é possível uma avaliação global funcional, ou seja, que considere as competências funcionais aplicáveis à área funcional em questão.
No entanto, para uma análise das avaliações globais de desempenho, não chega somente a avaliação funcional, pois esta não reflete a avaliação do desempenho pretendida, ou seja, pretende-se que a avaliação seja global, incluindo as competências do modelo funcional, mas também as do modelo transversal.
Para isso, torna-se necessário, considerando que estes dois modelos foram desenvolvidos em 2 momentos, obter os fatores que permitam integrar estes dois modelos, transversal e funcional, num só, coerente com uma avaliação global do desempenho.