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Le péril jaune !

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CAPÍTULO 2 - OBJECTIVOS E METODOLOGIA

Neste capítulo irão ser abordados, de forma sucinta, os objetivos estabelecidos bem como a metodologia adotada para o presente trabalho.

Tratando-se de um estudo de caso é dado algum destaque a este método realçando as suas principais características.

2.1. Objetivos

Para a realização do estágio do presente relatório foram estabelecidos dois tipos de objetivos, os gerais e os específicos que são seguidamente desenvolvidos.

2.1.1. Objetivos gerais

O estágio de natureza profissional realizado na IGDN teve dois objetivos gerais. O primeiro consistiu em dar continuidade à formação académica e profissional da estagiária e à sua execução em ambiente real, de modo a permitir o desenvolvimento e o enriquecimento dos conhecimentos obtidos, relacionados com as técnicas e métodos necessários ao desempenho da atividade de auditoria, a serem aplicados num futuro próximo, dentro da instituição onde a mesma está inserida - quadros do Exército Português.

O segundo objetivo, relacionado com a elaboração do presente trabalho escrito, visou apresentar as principais atividades desenvolvidas durante o estágio e as conclusões obtidas, nas quatro auditorias em que a estagiária teve oportunidade de participar em diferentes entidades, bem como as principais competências profissionais e pessoais adquiridas.

2.1.1. Objetivos específicos

Para concretização dos objetivos gerais referidos, foram definidos objetivos de carácter mais específico, os quais visavam:

 deter o saber aprofundado sobre a missão, atribuições, competências e atividades prosseguidas pela IGDN, nos termos do enquadramento legal em vigor;

 conhecer o conceito chave de auditoria e a sua tipologia, tendo por base o Modelo de Avaliação de Riscos, as características e perfil do auditor, os valores, princípios e normas de conduta e os diferentes níveis de responsabilidades dos interlocutores;

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61  caracterizar o enquadramento normativo do sistema de controlo na

administração pública de acordo com legislação em vigor;

 ter um conhecimento adequado da metodologia de avaliação de risco (conceitos e âmbito), identificação, avaliação, tratamento e monitorização dos processos de gestão do risco;

 deter o domínio das técnicas e metodologias de amostragem, organização de dossiers e avaliação da prova em auditoria;

 conhecer os níveis de responsabilização dos intervenientes no processo de auditoria, no que respeita aos procedimentos a adotar, tramitação processual e formas de participação às organizações competentes;

 conhecer os instrumentos de comunicação existentes entre auditor e auditado;  elaborar um relatório de auditoria e inspeção de acordo com as normas da

IGDN e demais normas nacionais e internacionais em vigor.

2.2. Metodologia

Tendo em consideração os objetivos definidos no ponto anterior, a metodologia seguida para realização do estágio e elaboração do relatório escrito foi a investigação qualitativa, resultante da aprendizagem a partir da experiência no local de trabalho e do método do estudo de caso para a caracterização e compreensão da organização acolhedora do estágio.

Segundo Yin (2015) o estudo de caso é um método de pesquisa que pode ser utilizado quando se pretende obter respostas a questões de “como” ou “porque”, para quando existe pouco controlo sobre eventos por parte do investigador, quando o foco principal é sobre fenómenos contemporâneos inseridos no contexto da vida real e quando existir necessidade de lidar com condições contextuais pertinentes ao estudo para o caso.

Considera Schramm (1971, apud Yin, 2015) que este método procura esclarecer uma decisão ou um conjunto de decisões, o motivo da sua aplicação, a forma da sua implementação e os seus resultados.

No entanto, refere ainda Yin (2015), que para desenvolvimento deste método é necessária a existência de um projeto de pesquisa, e que o seu propósito é procurar evitar que as evidências obtidas não permitam obter conclusões sobre as questões iniciais levantadas.

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62 Assim sendo, conforme citado por Philiber, et al. (1980, apud Yin, 2015), o projeto de pesquisa deverá abarcar o levantamento das questões que se seguem, e deve-se cingir a cinco componentes especialmente importantes:

Tabela 2.1 - Questões e componentes de pesquisa do método de estudo de caso

QUESTÕES COMPONENTES

Quais as questões que vão ser alvo de

estudo; Questões do estudo;

Quais os dados relevantes; Proposições se houver;

Quais os dados a recolher; Unidade(s) de análise;

Como analisar os resultados. A lógica que une os dados às proposições;

E os critérios para interpretar as

confirmações.

Fonte: Elaboração própria, adaptado de Yin (2015)

A fim de desenvolver estas cinco componentes, é necessário iniciar a formulação e desenvolvimento de uma teoria antes do levantamento de dados, uma vez que ajudará na generalização dos resultados do estudo de caso.

No entanto, ainda segundo Yin (2015) é importante o pesquisador perceber desde o início o propósito da investigação do estudo de caso, ou seja, é necessário perceber as questões, fazer julgamentos e demonstrar inteligência durante a fase de recolha de dados. Refere ainda a necessidade de este ter a capacidade de:

 fazer boas perguntas;

 saber ouvir sem se deixar levar pelas suas próprias ideologias ou preconceitos;  ser adaptável e flexível para conseguir perceber quando situações novas

possam ser vistas como oportunidades e não ameaças;  ter uma clara noção dos assuntos que estão a ser estudados;

 ser imparcial em relação a ideias preconcebidas, ter mente aberta, ser sensível e atento a provas contraditórias.

Para adquirir as evidências necessárias ao seu estudo de caso, o pesquisador pode obtê-las através de documentos, registos em arquivo, entrevistas, observações diretas, observação do participante e artefactos físicos.

Segundo Benbasat, et al. (1987), as características do método estudo de caso podem ser descritas, de forma resumida, de acordo com a tabela que se segue:

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Tabela 2.2 - Características do método de estudo de caso

 A examinação do fenómeno é efetuada no seu ambiente natural;

 A recolha dos dados é feita através de diversos meios;

 Poucas ou somente uma entidade (pessoa, grupo ou organização) é examinada;

 Este método é mais adequado para a exploração, classificação e desenvolvimento de hipóteses para obtenção do conhecimento;

 O pesquisador deve ser recetivo à exploração;

 Entre manipulação e controlo experimental não existe ligação;

 A obtenção dos resultados depende da capacidade de integração do pesquisador;

 Caso o pesquisador desenvolva novas hipóteses, pode ocorrer mudança de escolha dos locais e dos métodos de recolha de informação;

 O método é utilizado para o estudo das questões de “porque” e “como” e o seu foco é nos acontecimentos atuais.

Fonte: Elaboração própria, adaptado de Benbasat, et al. (1987)

Já o método de pesquisa qualitativo tem como fonte principal os dados, pelo que o pesquisador tem necessidade de desenvolver um trabalho de campo mais intensivo e de ter um contato direto com o ambiente e objetos de estudo em questão (Prodanov & Freitas, 2013).

Estes autores consideram ainda que neste método os dados obtidos são descritivos e retratam o maior número possível de elementos estudados. Preocupa-se mais com o processo do que com o produto e não existe a necessidade de comprovar hipóteses previamente estabelecidas na análise dos dados adquiridos, não implicando no entanto a eliminação da existência de um quadro teórico que direcione a obtenção, análise e interpretação dos dados.

Os dados qualitativos são considerados por Goldenberg (2004) como situações específicas. São dados não padronizáveis, o que obriga à flexibilidade e criatividade por parte do pesquisador aquando da recolha e análise dos dados. Uma boa pesquisa depende da sensibilidade, intuição e experiência do pesquisador.

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64 Assim sendo, e de uma forma resumida, poder-se-á dizer que o método qualitativo:

Tabela 2.3 - Método de pesquisa qualitativa Foco de Pesquisa Qualidade (natureza e essência).

Metas de Investigação Entendimento, descrição, descoberta, generalização e

hipótese.

Amostra Pequena e não representativa.

Obtenção de dados Pesquisador é o principal interveniente (entrevista,

observação).

Modo de Análise Indutivo por parte do pesquisador.

Fonte: Elaboração própria, adaptado de Prodanov & Freitas (2013)

Relativamente à metodologia adotada e para tornar possível responder aos objetivos indicados no ponto 2.1 do presente capítulo, foram definidas diferentes fases e métodos de investigação para o desenvolvimento do estágio. Assim,

 na primeira fase foram analisados os fundamentos teóricos de auditoria e os fundamentos normativos. Estes, baseados sobretudo nas Normas Internacionais de Auditoria Pública, as ISSAI e em outras normas profissionais de auditoria aplicáveis. Foi ainda estudada a legislação legal e regulamentar aplicável à IGDN e foi dedicada especial atenção aos indicadores de desempenho, relacionados com o enquadramento da IGDN;

 a segunda fase consistiu na participação em auditorias, e outras ações de controlo e na elaboração de um relatório preliminar de auditoria;

 na terceira fase foram elaboradas as considerações relativas à relevância da auditoria realizada e à perspetiva ao nível das competências adquiridas, do trabalho desenvolvido e dos principais procedimentos realizados.

Durante as três fases acima, a recolha dos dados foi baseada nos seguintes métodos de investigação:

 análise documental - livros e outras materiais relevantes para o estudo, tais como Leis, Decretos-Lei, normas profissionais de auditoria e outros documentos;

 obtenção de informação específica e detalhada sobre a atividade da IGDN, riscos inerentes, objetivos, sistema de controlo interno, entre outros.

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