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N OS DIFFÉRENTES CONTRIBUTIONS

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7 Le projet REVERIE

8.1 N OS DIFFÉRENTES CONTRIBUTIONS

Como já foi posto, a licenciatura em Ciências Sociais da UFMA é implantada em 1999 como uma modalidade opcional e complementar ao bacharelado. Silva, R. (2007, p. 29) aponta que:

A justificativa apresentada para a implantação da Licenciatura no curso é que esta seria uma necessidade considerada por professores e alunos, visando atender à crescente demanda da disciplina Sociologia no currículo do 2º grau (Ensino Médio) e Magistério (Ensino Superior), constituindo um importante campo de atuação para o profissional das Ciências Sociais, além de possibilitar um maior intercâmbio entre a universidade e os demais níveis de ensino.

Cumpre ressaltar que o contexto histórico no qual é proposto essa modalidade sucede à promulgação da LDB de 1996, que estabelecia em seu artigo 36 a necessidade do educando demonstrar, ao final do ensino médio, o “domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania”. Ainda que não estivesse clara a ideia de disciplina, tampouco a sua obrigatoriedade, “leis estaduais ou recomendações das secretarias estaduais de educação firmaram a adoção da disciplina como obrigatória em ao menos uma série/ano do ensino médio, em diversos Estados brasileiros” (JINKINGS, 2007, p. 123). Admite-se que esse cenário colaborou para a implantação dessa modalidade no curso de Ciências Sociais da UFMA, porquanto a partir daquele momento já se vislumbrava – ainda que em um horizonte cinzento – um novo espaço de atuação para o cientista social, como se observa no depoimento de uma professora do curso, ao lembrar que: “[...] nós criamos uma licenciatura por questões de mercado de trabalho, vamos reconhecer isso! Não é por achar que a boa formação do professor; é mercado. Por que a gente não pode desconhecer que um dos principais mercados é dar aula de Sociologia no segundo grau” (entrevista com a professora C, realizada em maio de 2015).

Percebe-se, dessa forma, que a criação dessa modalidade esteve relacionada mais ao contexto socioeconômico e político-educacional do que a uma proposta específica de formação de professores de Sociologia, o que se reflete no fato da estrutura curricular da licenciatura ter alicerçado-se na matriz do bacharelado, pois, como predito, a ideia era apenas acrescentar a esta

matriz algumas disciplinas pedagógicas, que constituir-se-iam na modalidade licenciatura e em mais um diploma para os alunos. Desse modo, “a estrutura do currículo sofreu pequenas alterações, sendo basicamente acrescida das disciplinas específicas da formação pedagógica e da criação do campo de estágio” (COELHO, 2011, p. 307).

A matriz curricular do bacharelado implantada em 1996 (em anexo) era composta por 37 disciplinas, estágio supervisionado (90 horas) e TCC – todos esses componentes obrigatórios, além de 135 horas de estágio e 30 horas de prática desportiva (ambos componentes opcionais), perfazendo uma carga horária obrigatória de 2.460 horas, integralizáveis em 150 créditos. A área de Sociologia era a que dispunha de mais disciplinas no currículo (nove no total: Sociologia I, II, III e IV; Sociologia Rural; Sociologia Urbana; Sociologia Contemporânea; Sociologia do Desenvolvimento; e Sociologia do Trabalho), seguida pelas áreas de Antropologia, com sete (Antropologia I, II, III e IV, Etnologia Brasileira I e II e Antropologia Urbana), e Ciência Política, com cinco disciplinas (Ciência Política I, II, III e IV e Análise da Política Brasileira). Além dessas, o DESOC também ofertava três disciplinas metodológicas (Introdução à Metodologia das Ciências Sociais e Métodos e Técnicas de Pesquisa em Ciências Sociais I e II) e outras quatro de conteúdos diversos, a saber: História das Ciências Sociais no Brasil; Educação e Sociedade; Família, Sociedade e Direito do Menor; e Cultura Brasileira. Completavam os componentes curriculares outras nove disciplinas demandadas a outros departamentos: História Econômica Política e Social I e II (Departamento de História); Filosofia (Departamento de Filosofia); Introdução à Economia; Economia e Sociedade (Departamento de Economia); Geografia Humana e Econômica (Departamento de Geografia); Estatística Aplicada às Ciências Sociais (Departamento de Matemática); Psicologia Social (Departamento de Psicologia); e Planejamento Social (Departamento de Serviço Social).

Para compor a licenciatura acrescentou-se à matriz do bacharelado os seguintes componentes curriculares (todos obrigatórios): Sociologia da Educação; Didática I e II; Psicologia da Educação I e II; Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1º e 2º graus; Filosofia da Educação; Prática desportiva (30 horas); Prática de ensino (estágio curricular supervisionado) de 315 horas; e Estágio supervisionado II – bacharelado (135 horas)45. As setes disciplinas pedagógicas que foram incluídas no currículo do curso eram demandadas aos Departamentos de

45 Há de se destacar que estágio supervisionado II e Prática desportiva aparecem na matriz como componentes curriculares obrigatórios, algo que não ocorria na matriz do bacharelado.

Educação (DEED) I e II, inclusive a disciplina Sociologia da Educação, ministrada por algum professor do DEED II, algo que evidencia o modelo “3+1”, no qual as disciplinas didático- pedagógicas eram ofertadas pelos institutos ou faculdades de Educação.

Desse modo, percebe-se que até àquele momento o curso de Ciências Sociais prezava por uma formação interdisciplinar, na medida em que requeria disciplinas a outros oito departamentos da universidade. Assim, ao optar por cursar as duas modalidades os alunos deveriam cumprir uma carga horária de 3.360 horas e 180 créditos, como podemos observar no quadro abaixo.

Quadro 1 – Matriz curricular do curso de Ciências Sociais da UFMA – licenciatura plena e bacharelado (1999)

Per. Disciplina CH/Cred.* Pré-requisito

História Econômica Política e

Social I 60/4 Filosofia 60/4 Antropologia I 60/4 Sociologia I 60/4 Ciência Política I 60/4 2º Introdução à Economia 60/4

História Econômica Política e Social II

60/4 História Econ. Pol. e Social I

Antropologia II 60/4 Antropologia I

Sociologia II 60/4 Sociologia I

Ciência Política II 60/4 Ciência Política I

Sociologia da Educação 60/4

Geografia Humana e Econômica 60/4

IMCS** 60/6

Antropologia III 60/4 Antropologia II

Sociologia III 60/4 Sociologia II

Ciência Política III 60/4 Ciência Política II

Estatística Aplicada às Ciências

Sociais 60/4

Psicologia Social 60/4

Antropologia IV 60/4 Antropologia III

Sociologia IV 60/4 Sociologia III

Ciência Política IV 60/4 Ciência Política III História das Ciências Sociais no

Brasil

5º Sociologia Rural 60/4 Sociologia II Etnologia Brasileira I 60/4 Antropologia II

Sociologia Urbana 60/4 Sociologia II

Antropologia Urbana 60/4 Antropologia II

Economia e Sociedade 60/4

Didática I 60/4

MTPCS I*** 60/4

Etnologia Brasileira II 60/4 Etnologia Brasileira I Análise da Política Brasileira 60/4 Ciência Política II Sociologia Contemporânea 60/4 Sociologia IV

Didática II 60/4

Psicologia da Educação I 60/4

Cultura Brasileira 60/4 Antropologia II

Educação e Sociedade 60/4 MTPCS II 60/4 Sociologia do Trabalho 60/4 Estágio supervisionado I – bacharelado 90/2 8º Estrutura e funcionamento do ensino de 1º e 2º graus 60/4

Psicologia da Educação II 60/4 Psicologia da Educação I

Filosofia da Educação 60/4 Filosofia

Planejamento Social 60/4

Sociologia do Desenvolvimento 60/4 Família, Sociedade e Direito do

Menor 60/4 Sociologia II Estágio supervisionado II – bacharelado 135/0 9º Prática Desportiva 30/2

Prática de ensino (estágio curr. superv.)

315/0

Monografia 150/0

Total 45 disciplinas + Estágio superv.

bachar. e Licenc. + Monografia 3.360/180

Fonte: Coordenação do curso de Ciências Sociais da UFMA

* Carga Horária/Créditos; ** Introdução à Metodologia das Ciências Sociais; *** Métodos e Técnicas de Pesquisa em Ciências Sociais.

Observa-se que essa composição curricular ainda se caracterizava pelos modelos de racionalidade técnica e “3+1”, pois as disciplinas didático-pedagógicas – assim como as de

formação prática – eram ofertadas na parte final do curso, somente depois que o aluno já tivesse cumprido (quase) todas as disciplinas teóricas (OLIVEIRA, R., 2012). Ademais, o currículo do curso configurava-se por uma organização, qualitativamente, de caráter generalista, isto é, mesmo o DESOC ofertando 28 disciplinas, incluindo a formação epistemo-metodológica e nas três áreas do curso (além dos estágios supervisionados), os licenciandos também adquiriam conhecimentos das áreas de História, Filosofia, Economia, Geografia, Matemática, Psicologia, Serviço Social e Pedagogia/Educação.

Até àquele momento, era possível notar maior predomínio das áreas de Sociologia e Antropologia na matriz curricular, sobretudo da primeira, pois além das nove disciplinas supracitadas, se se considerar as disciplinas de Educação e Sociedade e Família, Sociedade e Direito do Menor como componentes da área, esta somava quase 50% do total dos componentes curriculares das três principais áreas do curso.

Esse cenário confirma as considerações de Oliveira, M. (2015), que observou a existência de muito espaço e tempo dedicado ao ensino da teoria sociológica em alguns cursos de Ciências Sociais de universidades públicas brasileiras – analisando particularmente as matrizes curriculares desses cursos das seguintes instituições: USP, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), UFSC e UFPR. O autor indica que “são praticamente quatro semestres em que o estudo da teoria sociológica reina majoritariamente, ocupando praticamente 75% do tempo da formação se somarmos as disciplinas teóricas das três áreas”, o que conduz a uma formação que de maneira geral, “se não é excessivamente teórica, é fortemente acadêmica” (OLIVEIRA, M., 2015, p. 106-107, 101).

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