• Aucun résultat trouvé

Operators, Assignments, and Comparisons

Dans le document Beginning JSP, JSF and Tomcat (Page 39-42)

Oduvaldo Vianna Filho, também conhecido como Vianninha, apesar da morte prematura em 1974 com apenas 38 anos de idade, entrou para a história da arte brasileira como um de nossos principais dramaturgos. Escreveu com brilhantismo obras para teatro, televisão e cinema. Textos como Chapetuba Futebol Clube, Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar

o Bicho Come ou ainda Rasga Coração, por exemplo, são merecidamente sempre destacados

em qualquer antologia que se faça sobre o teatro brasileiro moderno. Além de dramaturgo Vianninha, (assim chamado pela classe artística para diferenciá-lo de seu pai - outro dramaturgo e intelectual de destaque) foi ator, ensaísta, ativista político e agitador cultural. Teve ainda destacada importância como artista intensamente engajado nos movimentos de esquerda, de vida e obra marcadas pelas lutas políticas e ideais sociais.

Atuante e fundador do TPE - Teatro Paulista de Estudantes, grupo amador de teatro criado em 1954 sob orientação do PCB - Partido Comunista Brasileiro, e que se fundiria em 1956 ao emblemático Teatro de Arena. Na década de 60, após sua mudança para o Rio de Janeiro, participa de apresentações teatrais em sindicatos, escolas e favelas com a peça de sua autoria, A Mais-Valia Vai Acabar Seu Edgar, comprometida com os movimentos operários de esquerda e como conseqüência desse trabalho participa da fundação daquele que seria um dos mais importantes pólos culturais de ação e formação de intelectuais engajados nas lutas libertárias da época, o CPC - Centro Popular de Cultura da UNE - União Nacional

dos Estudantes, cuja sede e teatro foram invadidos e incendiados após o golpe militar de

1964. ―Sem o Vianninha não teria havido o CPC. Ele foi a alma do negócio.‖ Carlos Estevan Martins (apud RIDENTI, 2000, p.104)

Com o fim do CPC imposto pela Ditadura Militar, junto a outros ex-cepetistas cria um novo movimento de resistência com o objetivo de atingir ideologicamente a classe média. Formado pelo chamado Grupo dos Oito - Vianninha, Paulo Pontes, Ferreira Gullar, Thereza Aragão, Armando Costa, Denoy de Oliveira, João das Neves e Pechin Plá nascia o

show dramático-musical do Teatro Opinião, conforme nos apresenta Jeanette Ferreira da

Costa através do Projeto Acervo da FUNARTE:

Os personagens falavam de seus conflitos sociais e discorriam sobre os problemas do país. O elenco, composto por Nara Leão – depois substituída por Maria Bethânia –, o sambista Zé Kéti e o cantador maranhense João do Vale, contou com a direção de Augusto Boal. O show foi montado com muito sacrifício, no "shopping dos antiquários", na Rua Siqueira Campos (Copacabana), no espaço antigamente ocupado pelo Arena de

São Paulo. Opinião foi saudado pela imprensa como o acontecimento cultural mais importante do teatro brasileiro naquele ano. Uma verdadeira catarse. O espetáculo se constituiria em divisor de águas, como detonador da resistência cultural ao regime de exceção. Em seguida, o grupo montaria Liberdade, liberdade (1965), de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, tendo à frente do elenco Paulo Autran, Teresa Rachel e Vianninha.

Conforme já citado nos dois primeiros capítulos dessa pesquisa, através das obras de Roberto Schwarz (2000) e Marcelo Ridenti (2000), durante o regime militar a presença produtiva na indústria cultural de intelectuais e artistas de esquerda refratários ao regime foi sempre observada constatando-se mesmo certa adesão por parte de alguns desses nomes ou no mínimo um caminho possível de convivência pacífica com a ordem estabelecida. Vianninha fazia parte desse grupo e estava entre aqueles que acreditavam na comunicação de massa como uma ocupação estratégica, como mais uma possibilidade da prática de suas convicções ideológicas.

Convidado a trabalhar na TV Globo, passaria a sofrer pressões das patrulhas ideológicas, que consideravam que o artista capitulara diante das tentações do sistema. Mas Vianninha responde: ―Recusar-se a trabalhar em televisão em pleno século XX é, no mínimo, burrice‖. (Jeanette Ferreira da Costa, op. cit)

Desde o início dos anos 70, apesar de suas convicções políticas, Vianninha era contratado da Rede Globo, onde escrevia especiais e seriados. Um deles, de 1973, em co- autoria com Armando Costa, nos moldes dos sitcoms norte-americanos, A Grande Família era o grande sucesso da época e, até hoje, sua nova versão adaptada constitui-se num dos grandes líderes de audiência da mesma Rede Globo. Entre seus casos especiais de sucesso, a adaptação de Medeia de Eurípedes, que posteriormente pretendia transformar em peça teatral, projeto interrompido por seu falecimento e para o qual havia convidado Paulo Pontes como coautor. Sobre o parceiro Vianninha declararia Paulo Pontes no artigo Vianna in Memoriam, publicado na revista Ele & Ela, em sua edição de abril de 1976:

[...] toda a vastíssima produção cultural saída desse período particularmente feliz da cultura brasileira, quando a melhor energia criadora do país se unia aos interesses sociais mais legítimos do povo, recebeu, de alguma forma, o sopro da inteligência criadora de Oduvaldo Vianna Filho. Eram dezenas de peças, peças curtas, filmes, espetáculos de rua, shows, debates e conferências nascidos da perspectiva de que o intelectual do país

subdesenvolvido tem que refletir e criar sobre as condições reais da existência do povo. E, sem dúvida, Vianna foi o grande arquiteto dessa perspectiva, em sua geração, pensando e criando, discutindo e organizando, prevendo e estimulando.

De muito gorda a porca já não anda (Cálice!) De muito usada a faca já não corta Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)

Essa palavra presa na garganta

Trecho da canção Cálice de Chico Buarque e Gilberto Gil

3.4 - Entre a perseguição e o heroísmo, a opção de Chico Buarque

Dans le document Beginning JSP, JSF and Tomcat (Page 39-42)