• Aucun résultat trouvé

bookshop’s Folder Structure

Dans le document Beginning JSP, JSF and Tomcat (Page 74-81)

More on E-bookshop

E- bookshop’s Folder Structure

Em 1975, ao lado da cantora Maria Bethânia, Chico realizava com grande sucesso uma longa temporada de shows no Rio de Janeiro cujo resultado gravado ao vivo daria origem ao disco Chico e Bethânia e nesse mesmo período recebe o convite do teatrólogo Paulo Pontes para levar a frente o projeto da adaptação teatral de Medeia. Inicialmente o projeto seria realizado por Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes, porém, em função da morte de Vianninha, não se concluíra.

A postura de Oduvaldo Vianna Filho de procurar agir dentro do sistema econômico que se apresentava dominante, na busca de espaço para a defesa de valores ideológicos em favor dos menos favorecidos e contra o sistema autoritário vigente no país, ao que tudo indica, se assemelhava a dos autores de Gota D’Água e, mais ainda, consistia em uma das preocupações políticas defendidas ao longo da carreira artística de Paulo Pontes, cujo resultado seria revelado artisticamente através de Gota D’Água e de sua concepção.

Vicente de Paula Holanda Pontes – Paulo Pontes, um paraibano de Campina Grande, nascido em 1940, morreria vítima de um câncer, um ano após a estreia de Gota

D’Água, seu último trabalho, mais precisamente em 27 de dezembro de 1976. Autor de

apenas poucas peças teatrais, entre as quais Check-Up, Doutor Fausto da Silva e ainda o grande êxito do teatro brasileiro de 1972, a comédia Um Edifício Chamado 200. Destacou-se ainda pelo trabalho no grupo de dramaturgia da TV Tupi do Rio de Janeiro, da TV Globo, onde assina os episódios de A Grande Família, após a morte do parceiro Vianninha, pela criação de adaptações e traduções teatrais e pela criação de roteiros musicais de sucesso como

Paulo começou sua carreira teatral no Teatro de Estudante da Paraíba, mas foi no rádio em que seu trabalho ganhou notoriedade, escrevendo, produzindo e apresentando seus programas radiofônicos. Em 1962, na Rádio Tabajara de João Pessoa, um de seus humorísticos, grande líder de audiência que retratava o cotidiano de uma humilde família brasileira, impressionou Oduvaldo Vianna Filho, que estava na capital paraibana numa turnê do grupo Teatro de Arena. Vianninha propôs a Paulo Pontes que se mudasse para o Rio de Janeiro para escrever para teatro. Desde então, tornaram-se grande amigos e companheiros em suas trajetórias profissionais.

Talvez mais do que como dramaturgo, Paulo destacava-se como um dos mais hábeis articuladores da cena cultural do final dos anos 60, tendo participado, por exemplo, do argumento básico de Se Correr o bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come de Oduvaldo Vianna Filho e de Ferreira Gullar e A Saída, Onde Fica a Saída? de Antônio Carlos Fontoura, Ferreira Gullar e Armando Costa.

Autodidata e profundamente dedicado à criação de uma dramaturgia nacional que falasse do povo brasileiro e que atingisse às camadas populares, Paulo Pontes, que viveu os últimos 8 anos de sua vida com a grande dama do teatro nacional, Bibi Ferreira, era reconhecido como uma das personalidades mais cultas e influentes dos palcos brasileiros, tendo desempenhado um papel importantíssimo no nosso teatro pelo seu posicionamento crítico e por sua capacidade de unir a classe teatral em torno de ideias e projetos. ―Um conscientizador‖ assim, o jornalista e crítico teatral Yan Michalski (1976) definiu o papel especial que Paulo Pontes desempenhou no teatro nacional:

Antes de mais nada, ele foi uma das mais lúcidas cabeças que pensaram e atuaram em nosso meio no decorrer dessas últimas décadas. Em numerosas entrevistas, artigos, ensaios, conferências e debates ele deixou registrada uma reflexão obstinada, corajosa, equilibrada e brilhantemente formulada sobre os caminhos que o fenômeno teatral vem percorrendo no Brasil e outros que ele poderia e deveria empenhar-se em conquistar.

Esse papel de pensador e crítico de grande influência sobre os rumos da arte teatral no Brasil atribuído a Pontes não se constituía numa opinião isolada de alguns, mas ao contrário, como nos demonstrou a pesquisa, representava uma opinião unânime dos artistas de teatro da época.

Fato raro e tocante, publicado no Caderno B do Jornal do Brasil de 29 de dezembro de 1976, comprova bem esse apreço e respeito da classe artística do qual Paulo

Pontes foi merecedor. Na noite de sua morte, uma homenagem em cena aberta lhe seria prestada em todas as casas de espetáculo do Rio de Janeiro com a leitura do seguinte texto antes do início das apresentações:

Senhoras e senhores, boa noite. Nós somos artistas de teatro, e ao longo do tempo temos nos acostumado a representar diante de quaisquer condições. Mas hoje é um dia particularmente triste para nós e para todo o teatro brasileiro, porque é o dia que marca o sepultamento de um dos mais expressivos nomes de nossa arte.

Paulo Pontes – que os senhores certamente conhecerão como um dos autores de Gota D‘água – era, além de um dramaturgo talentoso, uma das pessoas que melhor pensaram o fenômeno cultural brasileiro. Sua influência se espalhou por todos nós, já que exercia uma liderança natural, graças a sua poderosa inteligência e rara lucidez.

Como autor, moveu-se, com a mesma categoria, da tragédia ao musical, do drama à comédia, do texto de televisão ao sketch de revista – e em todas essas atividades, além de ensaísta e conferencista, expressou sempre a preocupação de colocar o povo brasileiro no centro dos acontecimentos – pois Paulinho amava o teatro e amava o povo, que sonhou livre no exercício de suas potencialidades.

Lutou pela liberdade de expressão, por uma cultura nacional e popular, pela regulamentação de nossa profissão, e foi incansável em todas essas atividades, onde ocupou, sempre, um lugar de destaque. Também lutou para que os teatros permanecessem sempre abertos, acima de quaisquer pressões ou dificuldades; e por isso não cancelaremos o espetáculo desta noite.

Mas pedimos que essa platéia represente agora todo aquele imenso público que sempre prestigiou os espetáculos pelos quais Paulo espalhou seu talento e que se una à nossa dor, dedicando conosco um instante de silêncio em homenagem à memória de nosso companheiro.

Dans le document Beginning JSP, JSF and Tomcat (Page 74-81)