Chapitre 3 : présentation des Résultats
3.6 Modifications suggérées au cadre d’action
No tópico anterior, vimos que a indicação dos autores que elaborariam os cadernos de LPT foi feita pela equipe curricular de Língua Portuguesa, da qual Rozeli Frasca faz parte. Na primeira entrevista, ao indagarmos sobre o contexto de proposição da elaboração dos cadernos e sobre a formação da equipe, os entrevistados informaram que a Fundação Vanzolini entrou em contato com Ana Luiza Garcia para propor o trabalho, pois ela já havia participado de outros programas da SEE, como o Ensino Médio em Rede, e já tinha elaborado outros materiais para a Fundação. Ana Luiza Garcia convidou, então, os professores Egon Rangel, Regina e Neide para comporem a equipe, e os currículos dos quatro integrantes foram analisados pela SEE e aprovados.
Além da indicação dos nomes, conforme já destacamos, a equipe da CENP solicitou que os autores dos cadernos de LPT utilizassem livros dos acervos enviados às escolas. Mais outros dois pedidos foram feitos por Ghisleine Trigo e pela Secretaria: a remissão a questões trabalhadas em outros cadernos do currículo paulista da área de Linguagens e o trabalho com gêneros variados.
E1 – Fragmento 1
Ana Luiza Garcia – Também, quando a Ghisleine nos chamou na reunião inicial, o pedido era o de que neste material nós remetêssemos e fizéssemos referência a questões que estivessem em outros volumes do São Paulo Faz Escola, o de Língua Portuguesa, Artes, lembra?
Egon Rangel – Da área de Linguagens.
Ana Luiza Garcia – Isso, da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, ou seja, além de fazer esse material, a gente leu todo o material de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do São Paulo Faz Escola, buscando pontos em comum.
Fragmento 2
Ana Luiza Garcia – E agora eu me lembrei, (...) era também uma demanda da Secretaria: “Ah, a gente precisa trabalhar com os gêneros variados, quais são os gêneros que...”. Na hora de escolher o acervo isso pesou também, aí é que entraria bastante essa discussão, a partir dessa necessidade de apontar quais são os gêneros, quais não são, a variedade, a variação dos gêneros. (...)
Egon Rangel – Até a distribuição dos títulos por série teve essa preocupação também, porque era preciso saber, por exemplo, que tipo de assunto era tratado em cada momento para saber se era oportuna ou não a leitura daquele título naquele momento e naquela abordagem.
No primeiro fragmento, Egon Rangel informa que a equipe elaboradora, para fazer a remissão às questões presentes em outros volumes, procedeu à leitura de “todo o material de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do São Paulo Faz Escola”111. No
segundo fragmento, por sua vez, Ana Luiza Garcia esclarece que a seleção do acervo- base levou em conta o pedido da SEE de que fossem trabalhados “gêneros variados”, e Egon Rangel complementou dizendo que isso foi levado em consideração no momento em que foram distribuídas as obras nos dois volumes do caderno.
Na segunda entrevista, também indagamos a Rozeli Frasca sobre o papel da CENP na elaboração do material de LPT:
Renata Asbahr – Qual foi o papel da equipe da CGEB nessa elaboração? Porque foi uma equipe contratada, uma equipe externa, o Egon Rangel, a Neide, a Ana Luiza Garcia [que elaboraram os
Cadernos de LPT].
111 Para exemplificar o procedimento de busca de “pontos em comum” nos outros cadernos, Ana Luiza Garcia citou o trabalho com histórias em quadrinho, que remetia a tópicos do caderno de Arte. Na oficina sobre cordel, por sua vez, falava-se sobre variação linguística, mas “não havia quase nada sobre variação linguística nos cadernos”. A referência a outros materiais do São Paulo Faz Escola – em especial aos cadernos de Português e aos de Arte do ciclo 2 – aparece muito nos boxes dos cadernos de LPT.
Rozeli Frasca– Mas o roteiro da produção desse material, o que a
gente esperava que tivesse ali em termos de obras, de autores, de temáticas e de rotina de trabalho para o professor, isso foi colocado pela equipe de Língua Portuguesa.
(...)
Nós tivemos algumas reuniões com eles para definir quais seriam as obras que eles trabalhariam para esses projetos de leitura, que autores a gente privilegiaria, porque (...) a gente tem que definir essas coisas, alguém tem que escolher. Então, foi numa conversa em reuniões com esses autores que a gente decidiu quais seriam as obras, quais seriam as temáticas, o que a gente esperava desses projetos de leitura. O diálogo foi muito fácil, muito bem resolvido, porque essas pessoas também foram indicadas pela equipe, embora tenha sido a Fundação Vanzolini que fez a contratação, porque administrativamente eles estavam encarregados disso, mas a indicação dos nomes, da metodologia que poderíamos usar, isso tudo foi discutido, foi tudo conversado e partia de um direcionamento que a equipe já tinha com o trabalho na formação do leitor de literatura.
(...)
Nós tínhamos um direcionamento, mas tudo isso era conversado e negociado nas reuniões. Não houve uma imposição, eles não tinham uma lista de obrigações a cumprir não. Foi tudo conversado, negociado, e eles tiveram liberdade de produção praticamente completa.
De acordo com a entrevistada, coube à CENP “o roteiro da produção” dos cadernos de LPT, indicando a metodologia, as obras, os autores e as temáticas esperadas nos projetos de leitura que seriam desenvolvidos. Esses elementos foram discutidos em reuniões com os autores, num diálogo “fácil” e “bem resolvido”. Houve um direcionamento da equipe curricular – o trabalho com a “formação do leitor de literatura” –, mas isso foi “negociado”, sem haver imposições. Egon Rangel Rangel e Ana Luiza Garcia Garcia também afirmaram que houve independência dos autores em relação à SEE, havendo apenas duas restrições em relação a dois textos, um poema de Mário Quintana e um conto de Murilo Rubião. Tais restrições serão abordadas no subitem 4.2.5.