Chapitre 4 : Discussion
4.1 Ensemble de contraintes liées
4.1.1 Dynamique partenariale
Conforme salientamos nos dois últimos tópicos, foi solicitada aos autores contratados a elaboração de projetos de leitura sobre obras do acervo das salas de leitura e bibliotecas das escolas estaduais. O acervo escolhido foi o módulo Tecendo/Hora da Leitura, do PNLD 2006. Mas por que razão foi escolhido esse acervo? Segundo os dois entrevistados da primeira entrevista, a SEE enviou-lhes diversos acervos (nas palavras
de Ana Luiza Garcia, “eles mandaram livros e livros e livros que deveriam estar disponíveis”) e, dentre eles, foi selecionado um acervo para o qual existiriam, nas escolas, dez ou vinte exemplares de cada livro:
Ana Luiza Garcia (...) Quando nós começamos a examinar os
acervos, eles mandaram livros e livros e livros que deveriam estar disponíveis.
Egon Rangel – Era muita coisa.
Ana Luiza Garcia – Aí a gente topou com esse acervo para o qual existia, eu não me lembro até hoje, se eram dez ou vinte exemplares de cada livro que deveria ter na escola. E isso é o que nos motivou na escolha desse acervo, o fato de haver mais de um exemplar na escola.
Na sequência da entrevista, questionou-se sobre o acervo pertencer ao projeto anterior, a HL:
Renata Asbahr – (...) O que me chamou a atenção é que era um acervo para outro projeto, o projeto Hora da Leitura (...) então eu tinha ficado com a impressão de que tinha sido (...) uma encomenda, talvez para a Hora da Leitura, mas aí a Hora da Leitura acabou e acabou ficando para [LPT].
Egon Rangel – Não, foi meio que... Eu me lembro que essa coisa “pegou” também na nossa decisão de ser um acervo que já tivesse sido usado por outro projeto, porque era mais seguro que tivesse os livros na escola.
Ana Luiza Garcia – Que tivesse o livro na escola, que era o que mais interessava, porque, como vai entrar na grade, o professor vai trabalhar na sala de aula e, com o número de alunos que tem na sala de aula, com um livro só não dá, não é? [Mas] a Secretaria não sabia responder pra gente se os livros de fato estavam na escola ou não, mas era pra ter dez títulos de cada, dez exemplares de cada título, então no mínimo três ou quatro teria na escola. (...) A escolha foi determinada por isso, pelo número de exemplares que a gente julgava que haveria nas salas de aula, porque em todo o trabalho é pressuposto que o aluno está com o livro na mão, sempre.
Para Egon Rangel, o fato de o acervo ter sido criado para um projeto anterior foi um fator decisivo para a escolha, pois isso asseguraria a presença dos livros na escola. Ana Luiza Garcia pontua que a disponibilidade das obras “era o que mais interessava”, pois “em todo o trabalho é pressuposto que o aluno está com o livro na mão”. A SEE, entretanto, não soube informar se os livros estavam disponíveis na escola112.
112 Egon Rangel e Ana Luiza Garcia informaram que, na primeira versão da introdução do caderno, constava o dado de que haveria, na escola, mais de um exemplar de cada livro do acervo, mas foi solicitada a retirada dessa informação, com a justificativa de que o acervo havia sido enviado há algum tempo e não se poderia garantir a existência desses livros em todas as unidades escolares.
Conforme vimos no capítulo anterior, o padrão de envio do módulo “Tecendo/Hora da Leitura” foi de um exemplar por escola, ou seja, apenas um exemplar de cada obra foi distribuído. A ausência, nas escolas, das obras trabalhadas nas oficinas é, a nosso ver, um empecilho para o uso dos cadernos de LPT. Tendo em vista a necessidade de ter o livro em mãos para a realização das oficinas propostas, acreditamos que seria mais adequada a utilização dos livros do projeto Apoio ao Saber, pois todos os alunos, ao menos em tese, receberam dois kits com três livros, um em 2009 e outro em 2010, antes da publicação dos cadernos. Egon Rangel e Ana Luiza Garcia, entretanto, não conheciam esse projeto: “a gente não teve essa informação de que havia um kit que todos os alunos tivessem em mão, essa informação não”.
Na segunda entrevista, Rozeli Frasca confirma a justificativa para a escolha do acervo dada na primeira entrevista: “a gente (...) privilegiou [o acervo do PNLD], porque essas obras tinham ido para a escola”. Em relação à quantidade de livros que estariam disponíveis, ela revelou que a equipe curricular não tem acesso às informações da “parte logística”, mas, quando não há livros em quantidade suficiente, é possível elaborar um projeto descentralizado:
Rozeli Frasca– Toda vez que a rede relata que não tem o acervo em número suficiente para os alunos poderem trabalhar em sala com o professor, a gente aconselha que a escola faça um projeto, porque a Secretaria oferece anualmente oportunidades para os projetos descentralizados. Então a orientação é essa, que a escola faça um projeto descentralizado, que o professor especifique bem como vai ser esse trabalho com a obra que ele escolher e aí ele tem a oportunidade de comprar de acordo com a necessidade. E são livros que vão para a mão do aluno, a gente orienta que, no momento que ele coloca [no projeto a ser enviado], é o livro como material de consumo mesmo. Ele não vai dizer no projeto dele que aquela quantidade de livros é para o acervo da escola. É para uso em sala de aula, para desenvolver o projeto sei lá, “XYZ”, que ele vai fazer com as turmas de 7os, 8os, coisa assim, sempre nesse caminho.
Mais uma vez, fica clara, na fala de Rozeli, a falta de integração entre as equipes que compõem a SEE: equipe curricular / gabinete / equipe que cuida distribuição dos livros (“parte logística”). Falta integração também entre os projetos, a disciplina LPT e o projeto Apoio ao Saber foram criados concomitantemente, no mesmo ano (em 2009), mas de forma independente.