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Mod` ele ´ elastique pr´ e-calcul´ e

Partie II Interaction entre mod` eles biom´ ecanique, ´ electrom´ eca-

8.3 Calcul de l’´ energie interne

8.3.1 Mod` ele ´ elastique pr´ e-calcul´ e

Quando estruturava e tratava os dados coletados neste estudo, não fazia ideia o quanto seria significativo o título desta seção, pois realmente a avaliação da aprendizagem online vivencia um momento de transição entre o permanecer e o mudar. As práticas avaliativas online convivem ao mesmo tempo com características que refletem a concepção tradicional da avaliação e iniciativas inovadoras possibilitadas, sobretudo pelas tecnologias digitais.

Esta posição dicotômica e contraditória da avaliação, obrigatoriamente não tem prazo definido para mudar. Ainda que as tecnologias digitais da internet favoreçam esta mudança, não bastam; pois é a mediação e o posicionamento dos sujeitos envolvidos no processo avaliativo que determinam suas escolhas e por conseqüência, suas práticas para além dos discursos.

Para mudar a avaliação não basta articular um discurso novo; não adianta ter uma nova concepção e continuar com práticas arcaicas. O que altera a realidade é a ação e não as elucubrações mentais; é através de sua prática que o sujeito deixa sua marca no mundo. Isto é claro e até relativamente bem aceito entre os educadores. No entanto a recíproca também é verdadeira: não adianta ter uma prática nova marcada pelo espírito velho; assim, por exemplo, de que vale trabalhar com parecer descritivo ao invés de nota, se o parecer também é usado para classificar o aluno? É preciso mudar a postura, o que implica a alteração tanto da concepção quanto da prática (VASCONCELLOS, 2010, p. 25).

Quando falamos em mudanças de concepção e de postura, não vinculamos unicamente ao professor e instituição, mas como já mencionamos em outros momentos, o aluno também é sujeito envolvido na prática avaliativa e muitas vezes trazem uma cultura avaliativa tradicional que interrompe os caminhos de ações inovadoras na avaliação da aprendizagem.

A cultura avaliativa tradicional é fruto das culturas que regem todo o fazer educativo como: a cultura da subordinação; da competitividade; do resultado; da segurança; da objetividade; do êxito; do evidente; da imediatividade; da astúcia ou do artifício; da homogeneidade e do individualismo (GUERRA, 2007).

Guerra (2007) lembra que para enfrentar esta cultura avaliativa tradicional é preciso em primeiro lugar analisar o modo como os traços da cultura gerados pela avaliação se formam, se desenvolvem e se mantêm; questionando e investigando as práticas profissionais. Em segundo lugar, “é preciso enfrentar as características que têm de ser atenuadas com uma visão crítica dos interessados” (GUERRA, 2007, p. 53). Em terceiro lugar, é preciso modificar as situações de aprendizagem que dão lugar aos traços negativos que encontramos na própria cultura escola.

Segundo Moran (2010)

“as mudanças na educação dependem também dos alunos. alunos curiosos e motivados facilitam enormemente o processo, estimulam as melhores qualidades do professor, tornam-se interlocutores lúcidos e parceiros de caminhada do professor-educador” (p.17).

Neste sentido, questionamos os alunos sobre um dos aspectos considerados fundamentais da Educação Online, que podem trazer indícios de inovação nas relações de aprendizagem e de avaliação: a interação. Assim, questionamos aos alunos: “Nas disciplinas do curso, as atividades proporcionam interações online?”.

De acordo com a devolutiva dos alunos, 74 dos alunos apontaram que as atividades realizadas no ambiente virtual de ensino e aprendizagem proporcionam interações online, isso corresponde a 94% do grupo de respondentes. Apenas (4%) afirmam que estas atividades não proporcionam interações online e 2 alunos não responderam a este questionamento.

Segundo Kratochwill (2006)

As tantas formas possíveis de interação são possíveis e pertinentes no ambiente digital, enfatizando-se uma de suas especificidades: a interatividade, pois na educação on-line pode-se considerar que as interfaces, as ferramentas, o hipertexto e tantos outros recursos disponíveis podem proporcionar um fazer pedagógico mais interativo, tanto no âmbito da interação quanto da interatividade, mediatizado pelo mundo, pelo ciberespaço e pelo educador. [...] Desta forma, a dialógica e a interatividade são conceitos pertinentes ao AVA e não podem ser desconsiderados nos processos de ensinar, aprender e avaliar em educação on-line (p. 18).

Para identificarmos quais atividades proporcionam este tipo de interação, seguimos com um segundo questionamento, indicando várias opções de resposta, onde os alunos poderiam assinalar mais de uma opção, como: fichas individuais, testes objetivos, provas, relatório, portfólio digital, auto-avaliação, entrevistas, fórum, pesquisas, chats, blogs, videochats, trabalho em equipe enviado por correio eletrônico, mapas conceituais, wiki, Google docs, podcasts, Quis e ainda a opção outros.

O Gráfico 7 reflete o resultado das respostas dos alunos do CSTGP, indicando o fórum como a principal atividade que proporciona interações online, com 78 escolhas, o que representa 95% das opções. Vejamos o gráfico:

Gráfico 7 - Atividades que proporcionam interação online

Fonte: Dados primários (questionário, 2011)

Assim, observamos que o fórum ocupa duas posições importantes no processo de ensino e de aprendizagem dos alunos do curso: o instrumento mais utilizado nas avaliações online e a atividade mais freqüente nas interações online.

No entanto, “o poder da interação não está fundamentalmente nas tecnologias mas nas nossas mentes” (MORAN, 2010, p.63). É o uso crítico, construtivo, dialógico e mediador que oportuniza a interação online, não a ferramenta pela ferramenta.

Faremos com as tecnologias mais avançadas o mesmo que fazemos conosco, com os outros, com a vida. Se somos pessoas abertas, iremos utilizá-las para nos comunicarmos mais, para interagirmos melhor. Se somos pessoas fechadas, desconfiadas, utilizaremos as tecnologias de forma defensiva, superficial. Se somos pessoas autoritárias, utilizaremos as tecnologias para controlar, para aumentar o nosso poder (MORAN, 2010, p.63).

Na sequência do gráfico 7, outras atividades também ocupam significativa importância nas interações online dos alunos, como o “trabalho em equipe enviado por correio eletrônico” com 56 escolhas e as pesquisas com 39 escolhas. Segundo

Vasconcellos (2010) estas atividades proporcionam além da interação coletiva, permite: a comunicação, a expressão daquilo que foi pensado e realizado, confronto de pontos de vista diferentes, a aprendizagem colaborativa, o tempo para refletir, pesquisar e elaborar as hipóteses.

É possível observar ainda, que entre as atividades mais apontadas pelos alunos estão as “provas” e “testes objetivos” com 29 escolhas, ocupando o terceiro lugar no gráfico. Ao considerar o caráter estático e tradicional destas duas atividades, fica claro que as permanências sobrevivem no ambiente virtual. Porém, também nos indica a possibilidade de os alunos realizarem discussões online a respeito de suas respostas às questões das provas e testes. Dessa maneira, esta interação se daria fora do ambiente virtual de ensino e aprendizagem, fora do controle e dos olhos do professor, ou seja, em chats ou redes sociais.

As atividades menos apontadas pelos alunos foram entrevistas e portfólio digital com 6 escolhas, Blogs 5, Google Docs 4, Quis 3 e mapas conceituais 2. De acordo com os pressupostos teóricos apresentados neste estudo, é interessante que tanto a avaliação quanto as atividades utilizem-se de recursos diversos para que, dessa forma, a visão do processo de ensino e de aprendizagem seja mais completa. Corrobora Hoffmann (2008)

Propor tarefas que suscitem diversas formas de representação do conhecimento também contribui para a maior tomada de consciência pelo aprendiz das ideias em construção, porque exige novas possibilidades de reorganização de conhecimentos internalizados [...] Para além das atividades diversificadas, a avaliação mediadora exige a organização de experiências educativas diferenciadas. O que significa fazer propostas diferentes aos alunos, articuladas às suas necessidades e possibilidades individuais (p. 101).

Pelas respostas dadas ao questionário, verifica-se a presença de testes objetivos e provas como instrumentos utilizados tanto na avaliação presencial quanto na avaliação online, conforme já mencionamos anteriormente. Sendo assim, as perguntas números 20 e 22 poderiam esclarecer melhor esta questão. Perguntamos aos alunos: “Você considera que há diferenças entre a avaliação presencial e avaliação a distância?”. Diferentemente daquilo que constatamos em relação a utilização dos mesmos instrumentos para avaliação, seja ela presencial ou online; 70% dos alunos responderam que há sim diferenças entre estas avaliações.

Questionamos ainda: “Caso responda sim na pergunta anterior, poderia citar quais seriam na sua opinião essas diferenças?” As opções de respostas eram as seguintes: o grau de dificuldade das questões, o tipo de questões, o tipo de

instrumentos, a relevância das questões em relação ao conteúdo, as finalidades e outros. Vale destacar que os alunos poderiam assinalar mais de uma opção, e neste caso a soma das percentagens pode ultrapassar 100%. Vejamos as respostas obtidas na ilustração do Gráfico 8:

Gráfico 8 – Diferenças entre as avaliações online e as avaliações presenciais apontadas pelos alunos do CSTGP

Fonte: Dados primários (questionário, 2011)

De acordo com o gráfico observa-se que as diferenças mais significativas segundo a percepção dos alunos estão em relação ao “grau de dificuldade das questões” e o “tipo de instrumento”, respectivamente com 30 e 21 escolhas. No entanto, as diferenças parecem estar de forma mais distribuída, uma vez que seguimos com 18 escolhas para “a relevância das questões em relação ao conteúdo”, 17 escolhas sobre “o tipo de questões” utilizadas e 14 quanto à “finalidades” da avaliação.

Na opção “outros” com 7 escolhas, o aluno poderia descrever que outras diferenças ele considerava entre as avaliações online e presenciais. Ainda que ocupe um número nem tão expressivo diante dos alunos pesquisados, seus depoimentos oferecem subsídios interessantes para nossa análise: a referência a nota, ao tempo para realização, a cola e a não presença do professor para sanar dúvidas no momento da avaliação.

Aluno 7: “Ao menos no meu curso o conceito de avaliação a distância, entendo que são as atividades, questionários que compõem a nota do aluno. A principal diferença está no tempo para resolução e discussão da mesma”. Aluno 34: “A possibilidade de "cola" que há na avaliação a distância”.

Aluno 72: “O professor não está presente para tirar as dúvidas que surgem na hora de execução da atividade”.

A partir destes relatos, mais uma vez evidenciamos elementos que condizem com as permanências da concepção tradicional da avaliação, como a preocupação com a nota, o rito do tempo para realização da avaliação e o rito da cola, agora também de forma digital, mais conhecido pelos professores e tutores como plágio. A respeito da cola ou plágio, trata-se de um dos aspectos da cultura avaliativa tradicional que também coabitam sobre os alunos; a cultura da astúcia e do artifício (GUERRA, 2007) para se chegar ao foco da aprovação a qualquer custo. Quanto a referência as notas, Hoffmann (2008) afirma que estas são classificatórias, padronizam, superficializam, são muitas vezes arbitrárias e privilegiam a competição. Notas e conceitos são superficiais e genéricos em relação à qualidade das tarefas e manifestações dos alunos. Embora considerados mais precisos e menos arbitrários pela maioria dos educadores e leigos, que pressionam no sentido da conservação dessa forma de expressão do desempenho dos aluno, eles representam um forte entrave ao entendimento dos percursos individuais de aprendizagem, porque generalizam e padronizam aspectos muito diferentes de tais percursos, reforçando, justamente o poder arbitrário das decisões em avaliação e incorreto em prejuízos sérios quanto à intervenção do professor (HOFFMANN, 2008,p 49).

A não presença do professor realmente difere a avaliação presencial da avaliação online, pois esta segunda o aluno tem a facilidade de dialogar, estabelecer uma interação com o seu professor, através das ferramentas disponíveis no ambiente virtual de ensino e de aprendizagem, e então sanar suas dúvidas para a realização da atividade avaliativa proposta. Quanto à avaliação presencial, trata-se de uma grande dificuldade da Educação Online a não presença do professor nestes momentos, pois o aluno realiza sua avaliação no pólo presencial e só poderá estabelecer uma interação com o seu professor depois de realizar a atividade.

Após evidenciarmos que em alguns aspectos da prática avaliativa já avançamos, mas que estamos ainda na convivência entre o permanecer e o mudar buscamos possibilidades para uma avaliação mediadora e dialógica, que contribua muito mais para as mudanças que para as permanências tradicionais da educação. Para tanto, a última pergunta de nosso questionário pode elucidar elementos mais claros a respeito da percepção dos alunos sobre a avaliação da aprendizagem online. Vejamos na seção seguinte.