3.3 Perspectives et enjeux de l’Internet des Objets
4.1.1 Modèles existants de l’Internet des Objets
A educação é parte integrante e essencial da vida do homem, existindo desde que houve seres humanos na face da terra. Possui diferentes representações ou funções no contexto da sociedade, notadamente como meio para o desenvolvimento humano, pois somente nas sociedades humanas existe um processo intencional educativo que corresponde à formação de identidades pessoais (educação dos filhos), à reprodução cultural (apropriação de saberes) e à integração social (cooperação). Entretanto, a aspiração generalizada por
educação, aponta também para a sua compreensão como um bem de consumo, um meio para a sobrevivência financeira e social.
Assim, por uma ou outra compreensão, pode-se afirmar que a sociedade em geral considera a educação como necessária e importante, reconhecendo-a como condição coadjuvante e fundamental para maior igualdade social, para o desenvolvimento econômico, científico, humano, cultural, político e tecnológico. Na visão de Pimenta e Anastasiou (2002, p.97), a educação é um processo de humanização, pelo qual se possibilita que os seres humanos se insiram na sociedade humana, historicamente construída e em construção, rica em avanços civilizatórios e, conseqüentemente, com imensos problemas de desigualdade social, econômica e cultural, de valores e de finalidade.
Severino (2001) destaca a educação como “práxis fecundada pela significação simbólica, resultante da atuação subjetiva”.
De acordo com Libâneo (2002, p.64),
educação compreende o conjunto dos processos, influências, estruturas, ações, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e de grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais, visando à formação do ser humano. A educação é assim uma prática humana, uma prática social, que modifica os seres humanos nos seus estados físicos, mentais, espirituais, culturais, que dá uma configuração à nossa existência humana individual e grupal.
Luzuriaga (1963, p.1) afirma que, por educação, se pode entender a
influência intencional e sistemática sobre o ser juvenil com o propósito de formá-lo e desenvolvê-lo. Mas significa também a ação genérica, ampla, de uma sociedade sobre as gerações jovens, com o fim de conservar e transmitir a existência coletiva.
De acordo com Larroyo (1970, p.13) a palavra educação, do latim educare e no grego paidagogein, tem sentido humano e social. Caracteriza-se como um processo por obra do qual as gerações jovens vão adquirindo os usos e costumes, as práticas e hábitos, as idéias e crenças, ou seja, a forma de vida das gerações adultas. A educação alimenta-se da tradição cultural, porém cuida de refletir sobre esta a fim de superar o estado de cultura já alcançado.
A tarefa da educação é, portanto, garantir que os jovens se apropriem da riqueza da civilização, do instrumental científico, tecnológico e econômico, mas também do pensamento político, social e de desenvolvimento cultural, e dos problemas que essa mesma civilização
produziu. A educação retrata e reproduz a sociedade, mas também projeta a sociedade que se quer.
Pode-se então afirmar que a educação é um processo natural que ocorre na sociedade humana pela ação de seus agentes sociais como um todo, configurando uma sociedade pedagógica. Diversas situações podem exemplificar a presença do pedagógico na sociedade contemporânea, nas empresas e organizações públicas e notadamente nos instrumentos utilizados na mídia – rádio, televisão, jornais, revistas, vídeos - por intermédio dos quais podem ocorrer mudanças nos estados mentais e afetivos das pessoas, bem como no seu modo de pensar, disseminando saberes e modos de agir e de sentir (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p.64-65).
Apesar de a ação educativa encontrar-se disseminada na sociedade como um todo, isso não significa que os participantes desse processo tenham se apropriado dos estudos sistemáticos sobre educação realizados pela Pedagogia, que, na visão de Pimenta e Anastasiou (2002, p.65) tem por objeto de estudo a educação enquanto prática social.
De acordo com Therrien (2006c, p.298), educar, como processo intencional sistemático, implica tanto instrução, ou seja, propiciar o acesso ao domínio de conhecimentos teóricos e práticos, incluindo os simbólicos que a humanidade já produziu, bem como formação, que é criar condições para o emergir do sujeito cidadão, social, cultural, sob os aspectos político e profissional. Entretanto, a formação, dimensão mais complexa do ato de educar, é muitas vezes relegada a um segundo plano pelos educadores. O ato de instruir e educar envolve elementos que modelam e dirigem a prática docente, as suas intervenções interativas com o outro sujeito aprendiz. Esse núcleo constitui a dimensão pedagógica, sempre presente na prática educativa e que se encontra e se manifesta na postura do educador em relação à sua intervenção.
Conforme Libâneo (1998, p.22), Pedagogia é um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. O pedagógico refere-se às finalidades da ação educativa, implicando objetivos sociopolíticos a partir dos quais se estabelecem formas organizativas e metodológicas da ação educativa. O autor afirma (LIBÂNEO, 2002, p.59) que, em vários países europeus, a Pedagogia é reconhecida como ciência, mas em outros é substituída por “ciências da educação” ou tem seu conteúdo identificado com a didática.
a Pedagogia lida com o fenômeno educativo como expressão de interesses sociais em conflito na sociedade em que vivemos. É por isso que a Pedagogia expressa finalidades sociopolíticas, ou seja, uma direção explícita da ação educativa relacionada com um projeto de gestão social e política da sociedade. Dizer do caráter pedagógico da prática educativa é dizer que a Pedagogia, a par de sua caracerística de cuidar dos objetivos e formas metodológicas e organizativas de transmissão de saberes e modos de ação em função da construção humana, refere-se, explicitamente, a objetivos éticos e a projetos políticos de gestão social.
Libâneo e Pimenta (2002, p.29), afirmam ainda que a Pedagogia é uma reflexão teórica a partir e sobre as práticas educativas, que investiga os objetivos sociopolíticos e os meios organizativos e metodológicos de viabilizar os processos formativos em contextos socioculturais específicos. A Pedagogia é mais ampla que a docência, pois educação abrange outras instâncias além da sala de aula.
Luzuriaga (1963, p.2) conceitua Pedagogia como “reflexão sistemática sobre educação.” Para o autor, Pedagogia é a ciência da educação e por meio dela a ação educativa adquire unidade e deixa de ser um ato mecânico e rotineiro.
Schimied-Kowarzik (1983, apud LIBÂNEO, 2002, p.63), denomina a Pedagogia de
ciência da e para a educação, portanto, é a teoria e prática da educação. Tem um caráter ao mesmo tempo explicativo, praxiológico e normativo da realidade educativa, pois investiga teoricamente o fenômeno educativo, formula orientações para a prática a partir da própria ação prática e propõe princípios e normas relacionados aos fins e meios da educação.
Pode-se compreender que a Pedagogia, enquanto campo teórico da prática educacional, trata da teoria e ciência da educação e do ensino. A Pedagogia é formada por um conjunto de doutrinas, princípios e métodos de educação e instrução que tendem a um objetivo prático. Ou, ainda, Pedagogia é aquilo que se refere ao estudo dos ideais de educação, segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios (processos e técnicas) mais eficientes para efetivar estes ideais.
A Pedagogia postula o educativo propriamente dito, embora a educação enquanto prática social constitua-se num fenômeno complexo, histórico, situado, que expressa as múltiplas e conflituosas determinações das sociedades humanas nas quais se realiza, necessitando, portanto, do aporte de outras ciências, como Sociologia, Psicologia, Filosofia, dentre outras que também se debruçam sobre a educação.
O campo da Pedagogia compreende as ações educativas e seus agentes contextualizados, tais como: o aluno como sujeito do processo de socialização e
aprendizagem; os agentes de formação, dentre estes a família, a mídia, a escola e os professores; as situações concretas em que ocorrem os processos educativos (entre estes o ensino); o saber, como objeto de produção e constituição do humano; o contexto sócio- constitucional das instituições, incluindo os sistemas de ensino, as políticas governamentais, as escolas e a sala de aula. Em síntese, o objetivo do pedagógico se configura na relação entre os elementos da prática educativa: o sujeito que se educa, o educador, o saber e os contextos em que ocorre (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p.68).
Entende-se por pedagógico aquilo que se origina da Pedagogia. Pode-se então afirmar que projeto pedagógico constitui-se num conjunto de diretrizes e intencionalidades que possuem um objetivo de formação fundamentada por uma determinada concepção de educação, de vida ou de sociedade.
Instituições como escolas, institutos, universidades etc. assumiram a responsabilidade de desenvolver a educação de forma sistemática e intencional, tendo em vista determinadas finalidades. Nesse processo, é necessário que se compreenda que a educação é muito mais do que informação, que hoje tem sido colocada como palavra de ordem na sociedade, dita sociedade da informação. A informação chega em grande quantidade e velocidade a qualquer ponto do planeta, então pode-se afirmar que sob esse prisma a educação nessas instituições deixaria muito a desejar, e tenderia a desaparecer, uma vez que uma Universidade, por exemplo, não têm a mesma capacidade e eficácia dos meios de comunicação para atingir o objetivo de transmissão de informações.
A educação, notadamente em uma Universidade, deve ter o sentido de formação e não somente de informação, buscando formar por meio de um projeto pedagógico, de modo intencional e sistemático, profissionais preparados científica, técnica, tecnológica, pedagógica, cultural e humanamente, capazes de refletir sobre o seu fazer, pesquisando-o nos contextos em que ocorre.
Nesse contexto, uma instituição educativa como uma universidade, necessita de diretrizes orientadoras do seu processo educativo, compreendido como um processo de formação humana, que não se propõe, segundo Pimenta (1998), a proceder à mediação entre a sociedade da informação e os alunos, mas possibilitando que, pelo exercício da reflexão adquiram a sabedoria necessária à permanente construção do humano. Entretanto, de acordo com Therrien (2006c, p.301), é preciso compreender qual a racionalidade que organiza tais diretrizes e dá sentido a ação, entendendo racionalidade como a maneira como os sujeitos falantes e atuantes adquirem e usam o conhecimento.
Essas diretrizes deverão ser refletidas no Projeto Político Pedagógico, que numa Universidade é o produto de seu processo de planejamento institucional, desvelando sua intencionalidade, numa perspectiva de emancipação do sujeito para a autonomia de uma consciência social. De acordo com Therrien (2006c, p.303-304), a abordagem da teoria crítica da Escola de Frankfurt aponta que a função precípua da educação, nesse sentido, é formar “uma consciência crítica e reflexiva, capaz de permitir aos indivíduos desvendar contradições da vida social”, enquanto a emancipação docente é “a procura incessante da clareza sobre a própria profissão e da humanização da docência”.
Ainda de acordo com Therrien (2006c, p.305),
o desenvolvimento da competência emancipadora, ou seja, do entendimento intersubjetivo (ou racionalidade pedagógica) do profissional de ensino, tem raízes na formação inicial e floresce na formação continuada como expressão da práxis geradora de saberes experienciais, críticos e transformadores situados na complexidade da sociedade contemporânea.
Assim, o projeto pedagógico como instrumento de ação educativa – instrução, formação, emancipação – deve estar sintonizado com uma nova visão de mundo, expressa no paradigma da comunicação ou da linguagem, do qual emerge uma nova concepção de ciência e de educação, garantindo uma formação crítica para os alunos, como forma de capacitá-los para o exercício da cidadania, da formação profissional e do pleno desenvolvimento pessoal.