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La maturation spermatique épididymaire

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I. L’organisation de la chromatine spermatique

3. La maturation spermatique épididymaire

Até a segunda edição de GE (1904) o dever (Sollen) é a resposta última de Rickert para o que seria o objeto do conhecimento. O ato cognitivo é sempre um juízo, sendo este composto de processos psíquicos, dentre os quais atos passivos de representação, e por um ato prático de tomada de posição em função do dever, que se constitui, ou como aprovação, ou como desaprovação. Por exemplo, na pergunta “o sol brilha?” e na resposta “o sol brilha” têm-se exatamente as mesmas representações e relações entre representações: “sol” e “brilha”. O que distingue uma da outra é apenas a aprovação que foi adjudicada à primeira: “(sim) o sol brilha”. Essa aprovação não é uma nova representação que corresponderia a algo ou a um estado de coisas além de “sol brilha”, tanto é assim que os conteúdos representados continuam os mesmos. A aprovação é o comportamento prático de reconhecimento do dever, que é o objeto do conhecimento. No caso da afirmação “o sol brilha”, o dever, aquilo que exige um posicionamento, é o valor de verdade. Já no caso da pergunta “o sol brilha?” não há um posicionamento em função do valor de verdade, logo, a pergunta não é nem verdadeira nem falsa.158

A evidência (Evidenz) é outro importante elemento nesse esquema, pois é ela que estabelece a ponte entre os processos psíquicos reais, em sua singularidade e contingência, com a universalidade e necessidade transcendental do dever. Nas duas primeiras edições de GE (1892 e 1904) a evidência é descrita como um sentimento de prazer ou desprazer, como uma entidade psíquica a partir da qual se posiciona o ato prático de tomada de posição.

A evidência, considerada psicologicamente, é um sentimento de prazer que possui a propriedade de conferir a um juízo uma validade intemporal e de lhe dar assim um valor que não poderia ser dado por nenhum outro sentimento de prazer. 159

158 GE, 1892, p. 53; GE, 1904, p. 98.

159 GE, 1892, p. 61: “Die Evidenz also ist psychologisch betrachtet ein Lustgefühl, verbunden mit der

Eigenthümlichkeit, dass sie einem Urtheil eine zeitlose Geltung verleiht und ihm damit einen Werth giebt, wie er durch kein Lustgefühl sonst hervorgebracht wird.” Na segunda edição essa passagem é modificada,

A evidência seria a manifestação psíquica do dever, um sentimento que me indica, no caso dos juízos teóricos, que devo afirmar ou negar um conjunto de representações para que se tenha uma proposição verdadeira. “Um juízo verdadeiro é aquele juízo que sentimos que deve ser”.160 O principal exemplo que Rickert usa para ilustrar esse fenômeno é o da audição

de um som: quando percebo um som e procuro fazer um juízo disso, sou constrangido por um sentimento de prazer a afirmar que “sim, ouço um som”.161 Ou seja, para que eu tenha

conhecimento da minha vivência perceptiva do som é preciso formular um juízo, o qual não é uma representação conceitual da realidade vivida, mas uma tomada de posição em função do dever implicado no sentimento de evidência. Como se viu no tópico anterior, não se trata de derivar o dever do ser do sentimento, pois o ser do sentimento já pressupõe o dever. A simples constatação do sentimento já implica a afirmação de seu ser (sua efetividade), em função da exigência do dever.

Questionando-se sobre o que diferencia o sentimento de evidência de outros tipos de sentimento, como por exemplo, o sentimento de dor ou o prazer sexual, Rickert observa que a evidência é um tipo especial de sentimento que se manifesta nos processos psíquicos judicativos e se caracteriza pela exigência de um valor incondicional. No sentimento de evidência há um caráter de necessidade que ultrapassa o indivíduo que julga e que não se encontra em outros sentimentos.162 A exigência de qualquer outro sentimento que possamos

experimentar na vida é sempre particular e limitada. Num juízo hedonista, por exemplo, quando Sócrates no Fedon fala do prazer causado pela retirada dos grilhões que o prendiam, tem-se uma validade particular, uma exigência que só vale para o indivíduo que julga naquele ponto específico do tempo e do espaço.163

Essa caracterização da evidência pelo caráter de exigência de um valor incondicional permitirá a Rickert, mais tarde, em ZWE (1909), tratar mais adequadamente do problema do erro. Se o sentimento de evidência remete ao dever transcendente, como é possível errar? Como é possível que a tomada de posição do juízo seja de aprovação quando deveria ser de desaprovação, ou vice-versa? Como é possível que mesmo na presença do sentimento de

mas apenas formalmente, restando seu conteúdo o mesmo, GE, 1904, p. 112: “Die Evidenz also ist zwar, psychologisch betrachtet, ein Lustgefühl, aber sie ist zugleich verbunden mit der Eigentümlichkeit, die andern Gefühlen fehlt, dass sie einem Urteil zeitlose Geltung verbürgt und ihm damit für uns einen Wert gibt, wie er durch kein Lustgefühl sonst hervorgebracht wird”.

160 GE, 1892, p. 64: “Das wahre Urteil ist das Urtheil, welches gefällt werden soll”. 161 GE, 1892, p. 61; GE, 1904, p. 113; GE, 1915, p. 206.

162

GE, 1892, p. 61.

evidência seja possível julgar erroneamente? Segundo Rickert isso acontece quando se aprova um dever que não é um dever transcendente, mas apenas um dever imanente, ou melhor, uma necessidade posta por um ser.164 O erro acontece quando se confunde a exigência lógica do

dever (Sollen) com a necessidade causal real (Müssen). Enquanto a necessidade causal do ser psíquico do sentimento se aplica apenas ao sujeito empírico que sente, a exigência lógica do dever é incondicionada e ultrapassa a contingência do sujeito empírico. Como coloca Rickert, o erro sempre pode acontecer, pois a evidência não fornece o critério para se diferenciar uma necessidade imanente de uma exigência transcendente.165

Além dos juízos teóricos, haveria também sentimento de evidência em relação a juízos éticos e estéticos, pois que nestes também está presente a exigência de se reconhecer valores universalmente válidos (o bem e o belo). A evidência não está restrita ao âmbito teórico, mas se estende a todos os domínios axiológicos, em todo caso, a preocupação de Rickert em GE é apenas como o conhecimento, com os juízos de valor de verdade.166

Resumindo a posição de Rickert até aqui, pode-se considerar a estrutura do ato cognitivo em três partes: a) representações e suas conexões sintéticas, b) sentimento de evidência, c) ato prático de tomada de posição. As duas primeiras partes são processos psíquicos e a terceira é de ordem prática. Essa decomposição demonstraria que todo juízo é acompanhado da consciência de um dever, que se manifestaria no sujeito através do sentimento de evidência. Esse dever está intrinsecamente ligado ao ato judicativo, mas não se reduz, nem é posto por ele, de modo que não pode ser considerado como um quarto elemento do ato cognitivo. Ao mesmo tempo em que o dever só aparece para o juízo, a sua validade ideal independe e transcende a contingência do juízo. O dever não é alguma coisa, não existe, não tem efetividade (Wirklichkeit), não pertence a um reino platônico transcendente e nem a um reino aristotélico de formas imanentes. Quando se diz que o dever é transcendente, isso quer dizer apenas que ele transcende a contingência dos processos psíquicos reais, valendo de modo incondicional para qualquer indivíduo capaz de julgar. O dever não é, apenas vale. O modo de ser, ou melhor, o modo de não ser do dever é a validade. Toda a obscuridade e dificuldade para se compreender a natureza da validade do dever decorreria de deficiências linguísticas; a linguagem humana é limitada e pobre em termos capazes de tratar do modo de não ser da validade, o que seria responsável pelos pseudoproblemas que acabam descambando

164 ZWE, 1909, p. 188. 165

idem.

para posições céticas ou metafísicas.

Observe-se que até este ponto, ou seja, até 1904, Rickert identifica o dever com o valor. O objeto do conhecimento é o dever e a validade é simplesmente o modo de não-ser do dever. Esta será a resposta de Rickert até 1909.

Entre 1904 e 1909 Rickert se manterá em silêncio em matéria de teoria do conhecimento. Com a publicação ZWE (1909) ele passa a considerar que suas análises, até então realizadas, são unilaterais. Todos os resultados alcançados, o que inclui a descrição da estrutura do ato judicativo e o dever como objeto do conhecimento, precisam ser reformulados. Além disso, é preciso desenvolver a via objetiva da teoria do conhecimento.

No prefácio da terceira edição de GE (1915) Rickert escreve que ZWE é o texto no qual ele descobre a necessidade de desenvolver a via objetiva e de reformular a via subjetiva. Afirma ainda que a terceira edição de GE, reescrita do princípio ao fim, deve ser considerada sob vários aspectos como uma nova obra, o que torna as duas primeiras edições obsoletas.167

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