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Méthodes

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2. Méthodologie

2.3 Méthodes

A investigação tem vindo a evidenciar os efeitos positivos da aprendizagem cooperativa na aquisição de competências cognitivas, na autoestima38 e Locus de control (Slavin, 1995), na autodeterminação (Deci &

Ryan, 2008; Kagan, 1994; Slavin, 1995; Wilson et al., 2008) e no desenvolvimento de competências socias (e.g. Bayraktar, 2011; Dyson, 2001, 2002; Dyson et al., 2010; Johnson & Johnson, 1999; Johnson & Ward, 2001; Polvi & Telama, 2000; Prieto Saborit & Nistal Hernández, 2009), como a capacidade para se relacionar com os pares, para criar relações de amizade, para cooperar, para ter comportamentos altruístas e para aceitar a perspetiva dos outros (Slavin, 1995).

A aprendizagem cooperativa promove a compreensão e o desenvolvimento de relações de compromisso entre os alunos (Bayraktar, 2011; Dyson, 2001; Johnson & Johnson, 1999), ajudando-os a estabelecer e a manter relações de amizade (Prieto Saborit & Nistal Hernández, 2009), o que se repercute numa diminuição do absentismo e do risco de comportamentos violentos e destrutivos (Johnson & Johnson, 1999).

“Cooperative learning promotes de development of caring and committed relationships for every student. (…) help students establish and maintain friendships with peers. (…) Absenteeism and turnover of membership decreases. Students who are isolated or alienated from their peers and who do not friends are more likely to do at risk for violent and destructive behavior than students who experience social support and sense of belonging” (Johnson & Johnson, 1999, pp. 72-73).

Deutsch (2006), Johnson et al. (1981), Johnson e Johnson (1999), Johnson e Johnson (1983), Johnson et al. (1978), Prieto Saborit e Nistal Hernández (2009) e Slavin (1995) consideram que trabalhar em conjunto para alcançar um objetivo comum produz melhores resultados ao nível da realização

38 “Perhaps the most important psychological outcome of cooperative learning methods is their

effect on student self-esteem. Students’ beliefs that they are valuable and important individuals are of critical importance for their ability to withstand the disappointments of life, to be confident

e da produtividade do que quando se trabalha isoladamente ou de uma forma exclusivamente competitiva. Através das interações que se estabelecem durante a aprendizagem cooperativa os alunos desenvolvem competências que facilitam a resolução de problemas, aprendem a transferir as aprendizagens para novas situações e envolvem-se durante mais tempo nas tarefas, em relação às aprendizagens feitas de forma individual ou competitiva (Johnson & Johnson, 1999). Também Bayraktar (2011) e Slavin (1995) são de opinião de que a aprendizagem cooperativa leva a que os alunos se envolvam durante mais tempo nas tarefas de aprendizagem e realizem trabalho conjunto para além do tempo de aula.

Do trabalho colaborativo resultam também ganhos ao nível da rentabilização do tempo de aula (Dyson & Strachan, 2004), da confiança (Bayraktar, 2011; Johnson & Johnson, 1999), autoestima (Prieto Saborit & Nistal Hernández, 2009), independência, autonomia, resiliência, capacidade para lidar com a adversidade e o stresse (Johnson & Johnson, 1999) e capacidade para comunicar de forma eficaz com diferentes colegas (Bayraktar, 2011; Dyson, 2002; Dyson & Strachan, 2004; Johnson & Johnson, 1999; Polvi & Telama, 2000), ajudar o grupo a tomar decisões, respeitar os outros (Dyson, 2002), construir a confiança e compreender as perspetivas dos colegas (Johnson & Johnson, 1999) pela assunção de complementaridade “em vez de rivalidade” (Bayraktar, 2011, p. 69).

No âmbito do desporto, para além do estudo sobre o desempenho da condição física (e.g. Dyson, 2001; Dyson & Strachan, 2004; Grineski, 1993) e o desenvolvimento das competências sociais (Dyson & Strachan, 2004; Goudas & Magotsiou, 2009; Polvi & Telama, 2000), tem também sido estudada a ecologia da aprendizagem cooperativa (Dyson & Strachan, 2004), a motivação para a prática desportiva (Gibbons & Black, 1997; Grineski, 1993; Prieto Saborit & Nistal Hernández, 2009) e as perspetivas dos professores e dos alunos acerca da implementação da aprendizagem cooperativa (Bayraktar, 2011; Dyson, 2002).

Polvi e Telama (2000) desenvolveram um estudo sobre os efeitos da aprendizagem cooperativa no desenvolvimento do comportamento social de ajuda e nas relações sociais. Este estudo teve o particular interesse de perceber a importância da mudança sistemática de pares em termos do comportamento de ajuda, em comparação com a escolha do par, por parte dos alunos. Partiram da hipótese de que a mudança sistemática de pares, ao criar oportunidades de contacto e novos desafios que exigem a adaptação a diferentes tipos de pessoas e a aceitação de novos parceiros, consegue melhores resultados ao nível do comportamento de ajuda, quando comparada com outros métodos. Polvi e Telama (2000) verificaram que os alunos que tiveram mais oportunidades para se relacionarem socialmente com colegas diferentes (mais oportunidades para a interação social e para a aprendizagem de comportamentos de ajuda), mostraram mais tendência para ajudar e para se preocupar com os outros (tiveram melhores resultados ao nível da correção de erros, da demonstração e das instruções fornecidas) e mostraram-se menos dependentes do professor. Os autores concluíram que a mudança sistemática de pares, ao criar oportunidades de contacto e novos desafios, que exigem a adaptação a diferentes tipos de pessoas e a aceitação de novos parceiros, parece promover os comportamentos de ajuda e fazer aumentar o número de amigos no grupo. Esta descoberta, leva-nos a deixar duas questões que nos parecem interessantes e para a quais não conseguimos encontrar resposta em nenhum dos estudos a que tivemos acesso: poderá o trabalho desenvolvido ao longo dos anos num grupo constituído por alunos de diferentes idades, que trabalham juntos para atingiram um objetivo comum, contribuir para o desenvolvimento de amizades, comportamentos de ajuda e a aceitação de todos os elementos do grupo? Que papel tem a amizade no apoio que é dado e nas interdependências que se estabelecem num grupo?

Num estudo de Dyson (2002), que decorreu durante um período de dois anos, foi verificado que a professora e os alunos sentiram que o programa fez aumentar a capacidade de comunicação no grupo. A professora sentiu necessidade de ensinar aos alunos, de uma forma explícita, as funções que deviam desenvolver. Ao longo do tempo os alunos foram-se tornando mais

proficientes nas tomadas de decisão e nas tarefas conjuntas, tendo sido considerado que, provavelmente, o aspeto central da aprendizagem cooperativa foi o desenvolvimento da capacidade de respeitar as ideias de todos os elementos do grupo.

Através de um estudo ecológico, que decorreu durante um curto espaço de tempo39, Dyson e Strachan (2004) verificaram que a aprendizagem cooperativa parece facilitar o desenvolvimento de estratégias e o desenvolvimento das competências motoras dos alunos do ensino básico e do ensino secundário e parece levar os alunos a participarem ativamente no trabalho do grupo, a respeitam-se entre si e a aceitarem a responsabilidade. Verificaram também que o uso da aprendizagem cooperativa permite reduzir o tempo necessário às tarefas de gestão, leva ao aumento do tempo útil de aula e promove o envolvimento dos alunos, as oportunidades de resposta e o refinamento das tarefas.

Prieto Saborit e Nistal Hernández (2009) acompanharam uma turma do ensino secundário em aulas de Educação Física durante um ano letivo. Os autores verificaram que a aprendizagem cooperativa influencia positivamente a capacidade de os jovens se relacionarem mais entre si e promove a motivação para o trabalho realizado na aula de Educação Física. Relativamente ao desenvolvimento das capacidades condicionais, foi assumido pelos autores que os alunos menos capazes se envolvem mais nas tarefas quando realizam um trabalho em cooperação com os colegas do que quando trabalham de forma individual ou competitiva: “los alumnos se dan antes por vencidos” (p. 6) quando se comparam com os colegas que têm uma melhor condição física. Concluíram que a aprendizagem cooperativa “influye de manera muy positiva en la aceptación e interrelación social, la competencia física o motriz y la motivación por la asignatura y la actividad física en general” (p. 7).

Como Dyson e Strachan (2004), Goudas e Magotsiou (2009) também estudaram os efeitos da aprendizagem cooperativa durante um curto período de tempo40. O estudo recaiu sobre a influência da aprendizagem cooperativa

39 Durante 10 aulas.

no desenvolvimento de cinco competências sociais41, em alunos de 6º ano. Os

autores encontram melhorias ao nível das competências sociais e atitudes em relação ao trabalho do grupo: os alunos melhoraram a empatia e a capacidade de trabalhar em cooperação e diminuíram a tendência para a irritabilidade e para comportamentos disruptivos.

Os resultados que se obtêm através da aprendizagem cooperativa não dependem apenas da capacidade que os membros de um grupo têm para cooperar e das autoaprendizagens que realizam, e pelas quais são responsáveis, mas também do esforço que desenvolvem para ensinar os colegas do grupo, esforço este que se traduz numa aprendizagem mais eficaz para quem ensina (Bayraktar, 2011). No estudo desenvolvido por este autor (Bayraktar, 2011) os alunos revelaram satisfação por ensinarem aos colegas e entreajudaram-se com vontade. Na opinião dos alunos, o método de aprendizagem cooperativa ajuda a que aprendam mais rápido, torna a aula mais agradável, fomenta a cooperação entre os colegas, faz manter os alunos ativos e leva a que pesquisem e a que procurem informação, o que poderá ser justificado pelo aumento da autoconfiança, como resultado do sucesso obtido através da aprendizagem cooperativa, e pelo aumento das relações de amizade por não considerarem os colegas como rivais. De acordo com o autor, o modelo de aprendizagem cooperativa tem um efeito positivo mas aprendizagens dos alunos, nas aulas de ginástica, tendo-se revelado um modelo de ensino mais eficaz do que o modelo tradicional (centrado no professor) em relação ao apoio, cooperação, partilha, relações interpessoais e desenvolvimento das competências gímnicas e conhecimentos teóricos. Tendo em conta os resultados obtidos, Bayraktar (2011) considera que “the cooperative learning method is the most appropriate method, since it makes sports teaching more enjoyable and attractive and … it is imperative to apply cooperative learning method in P.E lessons...” (p. 69).

Este estudo de Bayraktar (2011) decorreu durante dois anos letivos e foi aplicado a 50 alunos universitários (duas turmas), na disciplina de Ginástica

41 Interação com os colegas, resolução de problemas de forma cooperativa, ajudar os colegas

Geral. As respostas que os alunos deram às questões colocadas (“What are the advantages of this method for you? …What are the disadvantages of this method for you? …Is there any change in your approach to learn information? (pp. 67-68)) não deixam dúvidas de que este modelo foi muito valorizado pela maioria dos estudantes.

E no ensino secundário, terão os alunos capacidade para aproveitar do mesmo modo um modelo que, segundo os resultados indicados por Bayraktar (2011) é tão eficaz? E num grupo com alunos de diferentes idades? Terão eles capacidade para aproveitar as potencialidades do modelo? Serão também eles capazes de procurarem apoio na internet e em outros meios disponíveis para a resolução dos problemas que se lhes deparam? Poderão os alunos produzir o seu próprio conhecimento?

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