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cellules : projet PROTELL

1. C ONTEXTE SCIENTIFIQUE

1.2. Méthode de préparation de type « tube-gel »

Embora o esforço de recolha e sistematização de estudos desenvolvidos no âmbito das competências transversais tenha sido feito de forma criteriosa e exaustiva, com recurso a diferentes termos de pesquisa e documentação – não apenas produção científica, mas estudos contextuais de Instituições de Ensino Superior e empresas, sobretudo na área da consultoria, bem como de outputs sistemáticos provindos de consórcios e projetos nacionais e internacionais sobre o tema – é possível identificar algumas limitações. Uma delas prende-se com o facto de esta ser uma temática estudada por diferentes áreas de saber que não só a psicologia, a gestão e o

comportamento organizacional, estando a informação dispersa por muitos meios – periódicos científicos, papers de conferências e simpósios orientados para áreas profissionais específicas, projetos financiados pelo Lifelong Learning Programme –, e que, por vezes, não são disponibilizados na web, dificultando o acesso direto à informação, não se tornando possível uma identificação total das fontes. Revelou-se, também, consideravelmente difícil lidar com a diversidade associada à nomenclatura do conceito chave da investigação – as competências transversais – que podem ser igualmente designadas por skills ou competences e depois derivar ainda em soft skills, employability skills, core competencies/skills, key skills, common skills, transferable skills, generic skills, work skills, basic skills, competências transferíveis, competências comportamentais, competências pessoais, entre outras. Ainda que se tenha feito um esforço para identificar nos campos de pesquisa todas estas designações, não existe garantia relativamente à cobertura total de publicações sobre o tema até à data.

Algumas limitações situam-se no plano metodológico. Em relação às entrevistas, convém sinalizar que o número de participantes ficou abaixo das expetativas iniciais em quase todos os grupos, à exceção dos representantes de empresas, não permitindo verificar de forma cabal a saturação dos conteúdos para as categorias definidas a priori. Também o facto de todos os antigos alunos entrevistados serem de formação base em Gestão poderá trazer algum viés, considerando-se importante ter, neste grupo, expressão de alunos com formação base em Economia, de modo a que ambas as formações estivessem representadas, à semelhança do que acontece no grupo de atuais alunos. No entanto, estas foram as condições possíveis tendo em conta os constrangimentos de tempo associados a esta fase de recolha, para que a segunda fase do estudo (construção do guião de entrevista e respetivo preenchimento) não ficasse comprometida.

Em termos de validade de construto, também não é seguro que o instrumento aborde todos os aspetos mais relevantes a considerar sobre o tema em discussão. No entanto foi dada a oportunidade aos participantes de, no final da entrevista, relevarem informação que considerassem pertinente para a investigação, independentemente de ter sido ou não questionado sobre essa dimensão, sendo-lhes dada igualmente a oportunidade de identificar questões que pudesse ser melhoradas e pedidas sugestões. Embora não se tenha identificado temas emergentes nesta fase da entrevista, não pode excluir-se a possibilidade de os participantes não se terem pronunciado mais por fadiga associada ao número de questões e à duração da mesma. Formatos alternativos de recolha de autorrelato poderão ser considerados em estudos subsequentes, no sentido de controlar esta variável, como por exemplo grupos de discussão focalizada, que

tendem a envolver bastante os intervenientes na discussão, ainda que o período de tempo seja mais longo do que o habitual numa entrevista individual.

No que respeita ao questionário, considera-se que a extensão do mesmo poderá ter limitado o processo de recolha de dados tal como o parece revelar o elevado número de drop outs, sendo que dos questionários que foram considerados válidos nem todos foram integralmente preenchidos. Também a forma como o instrumento avalia determinados constructos, nomeadamente diferenças nas competências transversais requeridas por profissionais com muita versus pouca experiência, poderá não ser suficientemente clara, sugerindo-se a revisão deste item no questionário, eventualmente avaliando esta dimensão através de uma escala de likert que permita conduzir uma análise inferencial destas diferenças a posteriori.

Por, devido aos aspetos agora mencionados, se encontrar substancialmente reduzido, também o efetivo da amostra total não permitiu:

(1) segmentar melhor os profissionais das empresas de acordo com o setor de atividade em que se inserem, permitindo análises interessantes do ponto de vista dos requisitos específicos para determinadas realidades organizacionais em contextos setoriais distintos;

(2) elencar as competências transversais mais importantes para cada área funcional identificada (e não apenas para a Comercial e Recursos Humanos), e

(3) identificar clusters de competências de acordo com a natureza das competências transversais, aspeto que agilizaria a criação de um referencial teórico por macrodimensões relativamente às áreas de Economia e Gestão em particular.

Entre as eventuais dimensões que poderiam ter sido estudadas em maior profundidade – como é o caso das atividades extracurriculares que permitem o desenvolvimento mais efetivo de determinadas competências transversais, pela sua natureza – optou-se por não explorar esta dimensão na medida em que a introdução de questões mais específicas tornaria o questionário ainda mais extenso e poderia não representar uma mais-valia tendo em conta os objetivos específicos do estudo, distanciando-se um pouco do âmbito core da investigação proposta inicialmente.

Para além das limitações identificadas nos instrumentos, também o processo de divulgação do estudo com o objetivo de convidar os profissionais ao preenchimento do questionário foi objeto de reflexão. Embora tivessem sido utilizados diversos meios e canais de divulgação de forma intencional e estruturada – via plataforma, redes sociais,

mailing lists, contactos pessoais – e se tivesse procurado agilizar contactos institucionais que facilitassem a publicitação em alguns media por meio de agências de comunicação – estratégias às quais se acrescentaram abordagens menos estruturadas (via ativação de contactos pessoais e redes informais) – não se obteve a adesão e colaboração esperada, ou seja, uma participação mais massiva dos representantes do tecido empresarial nacional, ainda que se tenha alargado o tempo de preenchimento do questionário em dois meses (período compreendido entre final de outubro e final de dezembro de 2014).