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Mécanismes moléculaires de déstabilisation et de dégradation des ARNm

3. Les protéines de la famille TIS11 et la protéine TIS11b

3.3. Mécanismes de déstabilisation des ARNm

3.3.2. Mécanismes moléculaires de déstabilisation et de dégradation des ARNm

Nosso trabalho está inserido nos pressupostos da pesquisa de viés qualitativo, uma vez que nossa maior preocupação é com o processo de investigação e não com o produto resultante dela. Compõe-se, por um lado, de pesquisa bibliográfica com aprofundamento nas obras já mencionadas e a busca por bibliografia complementar, e, por outro, consiste em estudo de caso de cunho etnográfico. Dado que um de nossos objetivos específicos é analisar

alguns livros infanto-juvenis, observando em que medida texto verbal e não verbal se complementam na construção da história, valer-nos-emos de dados numéricos, cabendo dizer que nossa pesquisa também apresenta alguns aspectos quantitativos.

Ao caracterizarmos a presente investigação como uma pesquisa bibliográfica, a leitura se apresenta como a nossa principal técnica, pois é através dela que nos colocamos em contato com nosso material de estudo, podendo, portanto, identificar as informações e os dados que nele se apresentam. Nesse sentido, Salvador (1986 apud LIMA; MIOTO, 2007) sugere que, para que obtenhamos as informações e/ou dados necessários, o material investigado deve ser lido frequentemente; de acordo com o autor, tais leituras representam diferentes momentos da pesquisa e podem ser caracterizadas como:

a) Leitura de reconhecimento do material bibliográfico – consiste em uma leitura rápida que objetiva localizar e selecionar o material que pode apresentar informações e/ou dados referentes ao tema. (...)

b) Leitura exploratória – também se constitui em uma leitura rápida cujo objetivo é verificar se as informações e/ou dados selecionados interessam de fato para o estudo; (...)

c) Leitura seletiva – procura determinar o material que de fato interessa, relacionando-o diretamente aos objetivos da pesquisa. (...)

d) Leitura reflexiva ou crítica – estudo crítico do material (...)

e) Leitura interpretativa – é o momento mais complexo e tem por objetivo relacionar as idéias expressas na obra com o problema para o qual se busca resposta (...). (LIMA & MIOTO, 2007, p. 41, grifos das autoras)

As leituras anteriormente mencionadas fazem-nos lembrar das três fases do estudo de caso definidas por Nisbet e Watt (1978 apud LÜDKE; ANDRÉ, 2012, p. 21); são elas: fase

exploratória, delimitação do estudo e análise sistemática. De acordo com os autores, a fase

exploratória consiste na definição do objeto de estudo, compreendendo também o momento em que são estabelecidos os contatos iniciais para a entrada em campo; já a delimitação do

estudo refere-se à fase em que o pesquisador delimita o foco da investigação delineando os contornos do estudo, visto que não é possível explorar todos os ângulos de seu objeto; por fim, a análise sistemática, que já aparece na fase exploratória do estudo, é quando o pesquisador junta as informações obtidas e as analisa, podendo também disponibilizá-las aos informantes, para que eles manifestem suas reações sobre a relevância e a acuidade do que é relatado (cf. LÜDKE; ANDRÉ, 2012).

Segundo Merriam (1998 apud BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 89), “O estudo de caso consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico”. No entanto, Lüdke e André (2012) alertam- nos para o fato de que apesar de o caso estudado ser sempre bem delimitado, uma vez que

seus contornos são cada vez mais bem definidos à medida que o estudo se desenvolve, ele pode se assemelhar a outros estudos sem deixar de ser, ao mesmo tempo, singular. Nesse sentido, os autores afirmam que o caso se destaca por se constituir numa unidade dentro de um sistema mais amplo (GOODE; HATT, 1968 apud LÜDKE; ANDRÉ, 2012, p. 17), de modo que o interesse do pesquisador incide naquilo que ele tem de único, particular.

A seleção de uma amostra do acervo analisado, por sua vez, envolveu o paradigma indiciário que, segundo Ginzburg (1989 apud SANTOS, 2012, p. 67), “tem por base a análise de dados marginais, pistas, traços ou indícios, para os quais ordinariamente não se costuma atribuir tanta importância, mas que revelam a ligação entre o todo e suas partes”. Este método é semelhante ao trabalho de um médico, cujo diagnóstico toma como base os sintomas descritos pelo paciente, ou seja, busca-se compreender/decifrar um fenômeno a partir de seus indícios. Assim sendo, selecionamos algumas obras que chamaram a nossa atenção por parecerem representativas do acervo e que, portanto, acreditamos que nos permitiriam ter uma visão geral do acervo como um todo. É válido destacar, ainda, que o paradigma indiciário não deve ser associado a uma tentativa de adivinhação, pois, conforme Ginzburg (1989 apud SANTOS, 2012) esclarece, o adivinhar se volta para o futuro e o movimento empreendido por este método é o de decifrar, o qual converge para o passado.

Já o cunho etnográfico de nossa pesquisa justifica-se, pois parte da geração dos dados deste estudo se deu a partir do acompanhamento de uma sala de aula de escola da rede pública de ensino. Originada na antropologia, a etnografia é etimologicamente caracterizada como a “escrita de uma etnia outra”, estendendo-se, assim, a tradições, crenças e culturas distantes, tanto física quanto ideologicamente, do modelo ocidental de viver em sociedade (TADDEI, 2012). Ocorre que, atualmente, o termo vem sendo incorporado a outras áreas do conhecimento, fazendo com que o “outro” que está contido em sua caracterização etimológica já não seja necessariamente o estranho, diferente, longínquo; por exemplo: no caso da etnografia em pesquisas educacionais, a investigação geralmente se desenvolve em sala de aula, ambiente bastante familiar para o pesquisador.

De acordo com André (1995, p. 28), um trabalho pode ser caracterizado como do tipo etnográfico em pesquisas educacionais “quando ele faz uso das técnicas que tradicionalmente são associadas à etnografia, ou seja, a observação participante, a entrevista intensiva e a análise de documentos”, das quais a observação participante concerne à interação do pesquisador com a situação estudada, as entrevistas visam aprofundar questões específicas, bem como esclarecer eventuais problemas observados, e os documentos ajudam a completar as informações coletadas através de outras fontes. A fim de demonstrar quando e para que

usar o estudo de caso etnográfico, a autora cita autores como Stake (1995, 1988), Kenny e Grotelueschen (1980) e Merriam (1980), cujas ideias sintetiza concluindo que:

o estudo de caso etnográfico deve ser usado: (1) quando se está interessado numa instância em particular, isto é, numa determinada instituição, numa pessoa ou num específico programa ou currículo; (2) quando se deseja conhecer profundamente essa instância particular em sua complexidade e em sua totalidade; (3) quando se estiver mais interessado naquilo que está ocorrendo e no como está ocorrendo do que nos seus resultados; (4) quando se busca descobrir novas hipóteses teóricas, novas relações, novos conceitos sobre um determinado fenômeno; e (5) quando se quer retratar o dinamismo de uma situação numa forma muito próxima do seu acontecer natural (ANDRÉ, 1995, p. 51-52)

Acreditamos que estes aspectos pontuados pela autora legitimam a caracterização metodológica de nossa pesquisa como um estudo de caso de cunho etnográfico, uma vez que debruçamo-nos sobre uma instância particular – a sala de aula de uma escola municipal do interior paulista – com atenção especial para os livros infanto-juvenis utilizados no âmbito de um programa específico – o PNAIC –, visando observar como estes materiais vêm sendo utilizados, sem a pretensão de julgar em que medida esta forma de utilização tem influenciado ou não na alfabetização das crianças.