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“Neste momento, a minha dificuldade encontra-se na organização dos momentos da aula, uma vez que sinto necessidade de estar em todo o lado ao mesmo tempo a controlar cada passo dado, porém, na impossibilidade de suprimir todos os erros que me atormentam a visão, devo definir prioridades que me possibilitem realizar um controlo mais geral da turma, bem como aproveitar o auxilio dos alunos que apresentam um melhor nível de desempenho na tarefa, ganhando assim espaço de intervenção durante as aulas.”

Ginástica Acrobática. Reflexão. 16 de Fevereiro de 2017 Os momentos instrucionais requerem, por si só, uma gestão eficaz da sua utilização, de modo a que possam revelar o verdadeiro sentido da informação que pretende ser transmitida. Deste modo, foi, ao longo do processo ensino- aprendizagem, realizada uma estrutura de intervenção a realizar ao longo das aulas, porém, sempre susceptível a sofrer alterações de enquadramento contextual. “Nas situações de instrução, a informação é emitida usualmente em referência a três momentos: (1) antes da prática, recorrendo a preleções, apresentação de tarefas, explicações e demonstrações; (2) durante a prática, através da emissão de feedbacks; (3) após a prática, pela análise referenciada à prática desenvolvida” (Siedentop, 1991, cit. por Rosado &Mesquita, 2011, p. 74). Estes momentos foram, igualmente, divididos e estruturados na realização dos PDA, onde organizei a aula em três momentos: parte inicial, fundamental e final. Assumo então que, a minha

preparação para intervir ao nível da instrução era, particularmente associada aos objetivos de cada parte da aula. Na parte inicial optava por apresentar a estrutura da aula, os objetivos e, na grande maioria dos casos, preparar a dinâmica da turma, como que de uma previsão daquilo que deveria acontecer se tratasse. “Estudando de forma multidimensional a informação fornecida no inicio da sessão, concluem que os professores apresentam informação com o fim de apresentar os objetivos, o contexto, os conteúdos, as tarefas, e de verificar os conhecimentos.” (Rosado et. al, 2008, cit. por Rosado &Mesquita, 2011, p. 77). Deste modo, projetava à turma uma imagem do produto final que pretendia que atingissem, permitindo que ao longo da sessão realizassem as tarefas à luz da atribuição de um sentido e significado. Na parte fundamental, despendia bastante tempo em atribuições individuais de feedback, de modo a apoiar todos os alunos na tarefa, uma vez que os problemas apresentados eram, geralmente todos distintos. Porém, também ocorria inúmeras situações onde o erro na tarefa era comum a praticamente toda a turma, pelo que optava por realizar uma instrução geral, preferindo congelar a tarefa, de modo a focar a atenção de todos nas novas diretrizes. Rosado e Mesquita (2011, p. 90) referem que “os feedbacks dirigidos ao grupo constituem, também, uma forma de modelação de comportamentos, isto é, de utilizar o comportamento de um indivíduo como exemplo para outros imitarem”.

A grande maioria destes casos ocorreram no ensino dos JDC, onde o congelamento do jogo era um recurso constante, uma vez que me permitia identificar no real momento da ocorrência quais os problemas presentes, aproveitando para realizar questionamento e chegar a uma conclusão da solução da situação de forma refletida com toda a turma. A parte final, geralmente organizada da mesma forma que a inicial, dirigida a toda a turma, era utilizada para estabelecer uma linha de pensamento global acerca dos conteúdos ensinados na aula, realizando uma revisão dos mesmos.

“No final da aula reuni a turma e tivemos uma conversa acerca destes aspetos, que julgo serem preponderantes para a evolução dos meus alunos, não só nas aulas de Educação Física, mas em todos os contextos da sua

vida, uma vez que considero importante optar por estratégias inclusivas e positivas, através de palavras ou gestos que consciencializem os alunos sobre os seus comportamentos.”

Voleibol. Reflexão. 15 de Novembro de 2016 Este momento, permitia-me compreender em que medida ou alunos tinham ou não assimilado informações cruciais acerca da tarefa e, sobretudo, se as noções cognitivas e psicossociais tinham acompanhado a prática motora. “Arends (1995), [...] menciona a importância de adoptar estratégias e atividades de conclusão, subordinando-as ao objetivo didático de consolidação e revisão do aprendido, de integração do aprendido num âmbito mais geral e de motivação.”, por seu turno, “Siedentop (1991) refere, [...], a necessidade de rever os aspetos de maior importância, de reformular aspetos essenciais, de fornecer feedback coletivo e de motivar para a próxima sessão.” (Rosado &Mesquita, 2011, p. 92).

“A meio do exercicio a outra metade do pavilhão G4 ficou vazia e tive a oportunidade de colocar toda a turma em exercitação, porém todas estas trocas, alterações no planeamento e mudanças de espaço, fizeram com que eu me sentisse pouco à vontade na aula, tendo tido dificuldade em centrar- me no feedback a atribuir aos meus alunos.”

Futsal. Reflexão. 7 de Fevereiro de 2017 A gestão dos momentos instrucionais permite ao professor adequar as suas intervenções e torná-las efetivas, de modo a que os alunos realmente cumpram os objetivos propostos para a aula, sem desviar o seu foco das premissas enunciadas. “A forma como a instrução é realizada interfere na interpretação que os alunos fazem das tarefas, o que influencia a realização das mesmas. Muitas vezes, a configuração que as tarefas assumem afasta- se, apreciavelmente, dos propósitos iniciais e do conteúdo informativo veiculado no momento da sua apresentação” (Mesquita, 1998, cit. por Rosado &Mesquita, 2011, p. 80). Esta estruturação e especial cuidado organizacional, tornam-se cruciais na ação do professor ao longo da aula, pelo que deve ser pautado por um planeamento e respetiva adequação ao

longo da aula. Ao longo do meu EP, apercebi-me que a organização dos momentos de instrução me permitia, igualmente criar algumas rotinas com os meus alunos, como os congelamentos, as disposições em círculo para uma instrução geral, o tempo de iniciar tarefa e o tempo de reunir para nova instrução. Toda esta organização faz com que muitas outras variáveis da aula se encontrem asseguradas, sobretudo a gestão temporal das tarefas, tornando-se esta tarefa mais uma entre o leque de ações encadeadas que o professor realiza, organiza e constrói ao longo de cada aula.