aprendizagem não atinge o seu expoente máximo de eficácia, tendo sido, devido a este entendimento, que adquiri um vasto leque de conhecimento, estratégias, formas de atuar e de compreender determinadas situações que, podendo à primeira vista parecer inofensivas, podem ser o bater das asas de uma borboleta que causa um tsunami no outro lado do planeta. O meu papel enquanto EE e, profissional docente, foi permanecer na busca incessante de novas formas de manter uma estrutura coerente, organizada e agradável à prática pedagógica, em conformidade com as alterações constantes do contexto.
Este aprimoramento a nível de gestão e controlo permitiu-me desenvolver capacidades e percepções extraordinárias, que me permitem hoje em dia, sentir-me preparada para atuar em qualquer contexto a nível educativo, uma vez que não aprendi a resposta para tudo, mas sim a forma de encontrar respostas.
Cena II – Instrução
O momento de conexão entre professor e os seus alunos surge quando ocorre qualquer tipo de via comunicativa entre as duas partes, com o intuito final de transmitir uma informação que estabeleça uma intenção, geralmente carregada de sentido educativo e pedagógico. “Não é, no entanto, fácil destacar as variáveis que afetam o processamento de informação, tendo em conta as diferentes situações de comunicação. Por exemplo, não se sabe, exatamente, que informação é mais facilmente retida e compreendida, mais facilmente esquecida, ou não adequadamente interpretada, e quais os fatores que determinam essa retenção” (Mesquita et al., 2008 cit. por Rosado &Mesquita, 2011, p. 71).
Apesar deste constrangimento, nos contextos de ensino o termo “instrução” é atribuído à comunicação realizada entre os intervenientes do processo. “A instrução refere-se a comportamentos de ensino que fazem parte do repertório do professor para transmitir informação diretamente relacionada com os objetivos e os conteúdos do ensino (Siedentop, 1991), sendo,
usualmente, referida como a “chave” da estruturação e modificação das situações de aprendizagem, no sentido de proporcionar a própria
aprendizagem (Silverman, 1994). Dela fazem parte todos os
comportamentos, verbais ou não-verbais (e.g., exposição, explicação, demonstração, feedback, entre outras formas de comunicação, nomeadamente não-verbal) que estão intimamente ligados aos objetivos da aprendizagem.” (Rosado &Mesquita, 2011, p. 73).
As ferramentas associadas à instrução foram um autêntico crescendo na minha bagagem ao longo do EP, tendo em conta a ingenuidade relativa à minha forma de comunicar no início do processo. A necessidade de ajustar as formas de transmissão de informação foi surgindo à medida que os constrangimentos da prática iam aumentando, como o caso de partilhar o pavilhão com mais três turma, o facto de ter 28 alunos ou até mesmo a distância a que me encontrava deles, tendo compreendido que a receita para esta tarefa não tinha medidas para os seus ingredientes.
Deste modo, processo de instrução foi sendo estruturado através de uma adaptação constante, de modo a dar resposta às necessidades apresentadas pelo contexto, pelo conteúdo e pelos objetivos de cada aula. Na minha formação inicial, tive a oportunidade de perceber o quão certeiras deveriam ser as minhas intervenções para que fossem realmente efetivas, uma vez que a quantidade de informação contida nos estímulos é, geralmente, superior à que o aluno pode efetivamente tratar (Arnold, 1985; Famose, 1983 cit. por Rosado &Mesquita, 2011, p. 71), ou pelo menos a grande maioria dos alunos de uma turma, sendo imperativo adequar a forma de realização desse estímulo. Deste modo, “a eficácia do processo de ensino-aprendizagem depende da capacidade de conciliar o conhecimento específico com as estratégias de ensino e o recurso a técnicas específicas de apresentação dos conteúdos.” (Harari et al., 1995 cit. por Rosado &Mesquita, 2011, pp. 74, 75). “Em relação às dinâmicas de instrução da aula, opto sempre por informar os alunos, através de uma instrução geral à turma, de qual figura vamos realizar, demonstrar, caracterizar as suas componentes criticas e, por fim, mas mais importante que tudo, explicar a ajuda a realizar. Posteriormente, passo por
todos os grupos, de modo a observar a execução do elemento, imprimindo o meu feedback corretivo ou apreciativo conforme cada caso. Para além disto, reforço alguns aspetos, como a manutenção da dinâmica de trabalho pretendida na aula, incentivo os grupos a cumprirem a realização das figuras e realizo um grande jogo de cintura no controlo dos comportamentos fora da tarefa.”
Ginástica Acrobática. Reflexão. 14 de Março de 2017 Na verdade, senti que por mais planeado que este processo fosse, nunca poderia ser aplicado de forma imutável, tendo em conta a dimensão da variedade de opressões que poderiam ocorrer. Ainda assim, utilizei, ao longo do processo, algum do meu tempo correspondente ao planeamento para estruturar as minhas intervenções instrucionais, o que acabou por se tornar, em grande medida, um suporte, que me permitia estar mais preparada no momento da sua ocorrência.
“Segundo Rink (1993), no decorrer da organização e materialização do processo de instrução, existe necessidade de concretizar determinadas funções: a identificação dos objetivos a atingir; a planificação das tarefas, consentânea com os objetivos considerados; a apresentação eficaz das tarefas, que forneça ao aluno uma ideia clara sobre o que deve fazer, alicerçada na motivação necessária para tal; a organização e gestão do envolvimento de aprendizagens concorrentes do incremento da motivação dos alunos para a prática das tarefas; a monitorização do envolvimento de forma a proporcionar ao aluno ou atleta feedback relacionado com a sua performance no cumprimento de tarefas; o desenvolvimento do conteúdo, através da modificação da estrutura da tarefa, baseado na resposta do aluno durante a sua realização e a avaliação da eficácia do processo de instrução.” (Rosado &Mesquita, 2011, pp. 75, 76).
Esta estruturação do processo, deve, por isso, ser concretizada em conformidade com o planeamento de cada aula, onde se encontram definidos os objetivos da mesma, tanto gerais como específicos. Os objetivos gerais permitem realizar a exposição geral da tarefa, enquanto os específicos serão
o mote para a construção de componentes criticas e critérios de êxito que serão aplicados aquando a realização, onde o professor tem a possibilidade de recorrer aos mesmos para demonstrar, questionar ou atribuir feedback pedagógico. Todas as intervenções devem ser acompanhadas por uma dose de estímulo motivacional, que acaba por se tornar a principal corrente de dinâmica da sessão. Todo este processo deve ser ajustado à medida em que vai ocorrendo, de maneira a que o aluno seja dirigido para a tarefa reestruturada ou avaliado na execução da mesma.
O sucesso do processo de instrução depende de todos os intervenientes envolvidos no mesmo, ou seja, não basta que o professor consiga estruturar e organizar a sua intervenção da melhor forma, que a saiba ajustar e dinamizar, sendo perspicaz, persuasivo e efetivo. É necessário que os alunos estejam disponíveis a abrir o seu canal comunicativo e que se tornem receptores ativos da informação, caso contrário, torna-se uma via de apenas um sentido.
“...não importa apenas que o aluno ou atleta esteja atento e receba informação em boas condições; não importa, também, unicamente, que compreenda a informação e a retenha; é preciso que a aceite, que seja persuadido, que adira efetivamente às atividades propostas.” (Rosado &Mesquita, 2011, p. 73).
Cabe ao professor, encontrar formas de ser atrativo quando dirige este processo. Inúmeras vezes ajustei a minha instrução no sentido de captar a atenção dos meus alunos, sendo através de simples alterações do tom de voz, volume, recurso a algumas expressões mais engraçadas ou metáforas com conceitos que fazem partes dos seus quotidianos. Apesar desta variedade, toda a tarefa instrucional deve andar de mãos dadas com a relação pedagógica que vai sendo estruturada ao longo do ciclo de ensino, permitindo que ambas evoluam no sentido de adequar cada intervenção a cada momento, cada estado de espírito e a cada contexto, uma vez que “...a clareza da informação e o fornecimento de feedback apropriado foram descritos como essenciais na eficácia do ensino” (Werner e Rink, 1987, cit. por Rosado &Mesquita, 2011, p. 74).
A instrução é, sem dúvida, um momento de destaque na intervenção do professor, uma ferramenta imprescindível que requer aprimoramento. Após o término do EP, sinto que este processo será sempre aquele que mais formas irá representar, tornando-se infinitas as suas expressões nos palcos do ensino, pelo que será sempre uma via de aprendizagem e de melhoria pessoal enquanto profissional docente.