Conforme Brainer (2019), no manifesto da campanha publicado em 2015 e de autoria da própria jornalista,
Jogamos pra elas porque um dia, em algum lugar, um “não” foi dito a uma menina que quis jogar uma partida de futebol na rua. Porque na seleção dos times, há uma menina que não tem chance ou é a última a ser escolhida. Porque há comunidades, bairros e escolas em que as meninas sequer são consideradas para ocupar um campinho. Porque pouco se sabe sobre a história do futebol feminino (ou sobre o presente, muitas vezes). Porque há lugares, como o Zanzibar, em que muitas mulheres são julgadas como “imorais” por jogar futebol. Porque há quem diga que “futebol não é coisa de mulher”. Porque em algum momento, o direito de jogar e se divertir com o futebol foi (ou é) negado a meninas e mulheres. [...] #JogaPraElas foi para as jogadoras das seleções na Copa do Mundo de Futebol Feminino. Para que, em campo, elas jogassem pensando nessas meninas, nas meninas que um dia elas foram, nas meninas que elas inspiram e vão inspirar, no futuro (Manifesto Por que jogamos pra elas? BRAINER, 2015, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA apud BRAINER, 2019, p.189-190).
Figura 11 – Divulgação do manifesto no vídeo da campanha
Fonte: love.fútbol (2015, informação eletrônica)
A partir disso podemos entender o propósito da campanha. O ativismo foi muito além da hashtag em prol de divulgar a Copa do Mundo de Futebol Feminino. O manifesto é bastante claro e dialoga diretamente com o que vimos nos capítulos anteriores. A invisibilidade do futebol feminino não está ligada apenas à mídia, é uma questão histórica, pois, além de as mulheres terem sido proibidas de praticar o esporte, historicamente, não são incluídas na modalidade esportiva do Brasil por autores como DaMatta (2004) e Gutterman (2009) apud Santos (2019), que discutem a formação da sociedade e identidade brasileiras pelo futebol.
Em paralelo, levando em conta o futebol como campo e a noção de habitus (BOURDIEU, 2007 apud CEDRO, 2017), as mulheres não são entendidas, muitas vezes, como jogadoras, árbitras, técnicas, auxiliares, jornalistas, torcedoras, que de fato conhecem e entendem de futebol. Muitas vezes, como vimos em Santos (2019), as mulheres têm seu papel reduzido ora à acompanhante do marido, namorado, pai, entre outros, ora à musa do time.
Somado a isso, as crianças crescem com a ideia equivocada de que há cores, brinquedos, brincadeiras e esportes “de meninos e de meninas”, como é o caso do futebol. Os valores da sociedade patriarcal e da visão androcêntrica, ainda dominantes, entendem que as meninas e as mulheres não têm capacidade de competir com a força biológica, própria do sexo masculino, de modo tal que o futebol não é para o sexo frágil ou, como Goellner (2005) mostra, prejudica o que significa ser mulher. Dessa forma, os habitus direcionados às mulheres nesta sociedade patriarcal são reiterados no campo futebolístico, de maneira que quanto mais a mulher se insere na prática esportiva, mais tensiona o sistema como um todo.
Ainda levando em conta Goellner (2005), o futebol põe em cheque as diferenças sociais. Mesmo que ao longo da história do futebol do Brasil às mulheres
foram destinados os lugares de atração circense, arquibancadas e de invisibilidade enquanto jogadoras, qualquer tipo de participação com menor ou maior incidência, representava e ainda representa uma transgressão à hegemonia masculina dentro ou fora do campo. Daí o porquê dos argumentos de masculinização, de incapacidade física e, sobretudo, técnica. Não por acaso que Mendonça (2019, INFORMÇÃO ELETRÔNICA) apresenta comentários de homens em um post sobre futebol de mulheres no portal Dibradoras:
"Elas só não perceberam que futebol feminino mesmo de graça não lota estádio. Futebol masculino tem estádio lotado até na 3ª divisão. Vão catar coquinho…jogo de mulher não dá…" [...]. Teve esse também: "Qualquer 'corrida' de lesmas tem mais emoção que o futebol feminino." E esse: "Futebol feminino é muito chato, não tem interesse do público, parem de querer forçar a barra... (MENDONÇA, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Com efeito, campanhas de ativismo online, como a #JogaPraElas e campanhas publicitárias como a do Guaraná Antarctica, da Vivo e do Corinthians são importantes para a representatividade do futebol feminino no Brasil, conseguindo quebrar estereótipos e promover uma prática esportiva ainda considerada “menor”, simplesmente porque são mulheres que jogam. Nesta mesma perspectiva, é fundamental entender que mais do que campanhas de ativismo e/ou publicitárias devem ser adotadas como projetos, estratégias e filosofia. A respeito disso, segundo Brainer (2019), #JogaPraElas se tornou uma parte integrante da love.fútbol de maneira que todas as partidas de inauguração da quadra/campo criado e/ou recuperado, devem ser jogadas por meninas tendo em vista a reafirmação do caráter inclusivo do futebol e da comunidade. Até porque, como sinaliza Brainer (2019) em alguns lugares de atuação da ONG, na vila rural em San António Palopó (Guatemala), a prática do futebol era proibida e inacessível às meninas e com o projeto da ONG, as meninas passaram a jogar futebol, muitas pela primeira vez na vida (BRAINER, 2019).
Ao mesmo tempo, em 2014, em outra localidade de atuação da love.fútbol, na comunidade de Penedo de Cima, em São Lourenço da Mata (PE), 98% dos pais, mães e moradores(as) perceberam um aumento na participação das meninas na prática do futebol. Por essa razão, em 2014, a ONG começou a executar o Jogada
do Futuro, um projeto que inclui aulas de futebol não só para meninos, mas também para meninas. Neste mesmo ano, toda segunda-feira a love.fútbol promovia o LF Street Soccer, partidas de futebol jogadas por homens e mulheres em times mistos. Além disso, em 2015, antes do lançamento da #JogaPraElas, 40 meninas de São Lourenço da Mata (PE) atendidas pelos projetos Jogada do Futuro6 e Sensação FC7 jogaram a primeira partida de futebol feminino em um dos estádios construídos para a Copa do Mundo de Futebol Masculino, em 2014, a Arena Pernambuco (BRAINER, 2019).
Figura 12 - Time no jogo da Arena Pernambuco
Fonte: love.fútbol (2015, informação eletrônica)
Após o fim da Copa do Mundo de Futebol Feminino, com a incorporação da campanha Joga pra elas definitivamente na love.fútbol, algumas ações, para Brainer (2019) merecem ser destacadas. Como exemplos, a produção e divulgação de conteúdos relacionados à seleção brasileira feminina nos Jogos Olímpicos de 2016 e realização da primeira edição do Jogo do Bem, partida beneficente sob a promoção do embaixador da love.fútbol, o jogador Hernanes, com a presença da goleira da seleção brasileira de futebol feminino, Bárbara. Em 2017, a edição do
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Projeto que visa usar o esporte como plataforma para abordar temáticas sociais (LOVE,FÚTBOL, S/A, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
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Projeto com a metodologia Futebol Três Tempos (Fut3), que tem prática do futebol dividida em três tempos: discussão pré-jogo, a partida de futebol em si e uma discussão pós-jogo. Os times são mistos, os jogadores coletivamente decidem as regras antes da partida. Após a partida, eles refletem sobre o seu comportamento em campo e sobre o comportamento dos adversários, ganhando pontos pelos gols realizados e pontos de fair play. Não há árbitro. Tudo é resolvido na base da conversa (CAVALCANTE, 2015, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Jogo do Bem, além de Bárbara, contou com uma das alunas do Sensação FC, Esterfany, de 14 anos na época, dividindo o campo com jogadores profissionais (BRAINER, 2019).
Outro exemplo de continuidade da campanha Joga pra elas, mas como parte integrante da love.fútbol, foi o evento gratuito, realizado em 2017, voltado para debater gênero e futebol, o LFTalks#JogaPraElas. Neste evento, homens e mulheres do Movimento de torcedoras do Santa Cruz Coralinas, jogadores(as) de futebol amador, professores(as) universitários(as), estudantes dos cursos de Educação Física e de Comunicação, debateram sobre os desafios e os possíveis caminhos que meninas e mulheres enfrentam e devem percorrer na tentativa de superar os preconceitos contra a inserção das mulheres no futebol (BRAINER, 2019).
Em 2018, antes do primeiro jogo da seleção brasileira de futebol masculino, na Copa, foi lançada uma camisa da love.fútbol, nos modelos verde e amarelo, na frente, com o texto #JogaPraElas e a logo da ONG, e atrás, com o texto “Diga sim ao futebol feminino”. A ideia da camisa era aproveitar a visibilidade da Copa do Mundo FIFA para promover a prática esportiva pelas mulheres. Também em 2019, Larissa Brainer, coordenadora da #JogaPraElas, foi convidada para o 2º Encontro Internacional da Rede de Pesquisas obre Futebol e Mulheres da América Latina, que aconteceu em Buenos Aires (Argentina) e reuniu mulheres líderes de campanhas de ativismo em prol da representatividade da mulher no futebol e da visibilidade da modalidade esportiva (BRAINER, 2019).
A questão é que iniciativas como a da lov.fútbol têm uma grande importância no cenário atual de inclusão da mulher no futebol. Dar visibilidade à modalidade vai além de apoiar os times e seleções femininas, e as próprias jogadoras que já conquistaram espaço no mundo do futebol. É abrir oportunidades para que jogadoras ganhem espaços na sociedade e na mídia, permitindo que meninas de diferentes idades e classes tenham alguém em quem se espelhar. No cenário que tínhamos há poucos anos, e que ainda engatinha na busca de um acesso mais igualitário, a admiração era restrita aos jogadores. Aumentar a visibilidade dada às jogadoras é fazer com que elas se tornem também protagonistas dessa admiração, e com isso, mostrar que futebol é “coisa de mulher, sim”.
No entanto, apesar das condições, infelizmente, ainda não serem as mais favoráveis, é possível sim seguir uma carreira no futebol sendo mulher. Ou seja, se
trata também de apoiar sonhos e de não desacreditar possíveis jogadoras. Fazendo, assim, as jovens perceberem que podem praticar futebol nos seus bairros e escolas, de igual para igual com os meninos, seja de forma recreativa ou competitiva, e que o seu gênero não deve ser colocado como empecilho ou desvantagem para que ela pratique o esporte que quiser, inclusive o futebol.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Refletir sobre o futebol feminino no Brasil, depois da Copa do Mundo de Futebol de 2019, é pensar em um contexto de avanço. Em primeiro lugar porque a CBF contratou a sueca Pia Sundhage como técnica da seleção brasileira feminina de futebol, em 2019, mostrando que a Confederação Brasileira de Futebol finalmente está enxergando a importância da modalidade esportiva para o país do futebol. Afinal, Pia é uma técnica bastante premiada, como por exemplo, ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008 e 2012, com a seleção feminina dos EUA e a medalha de prata, nas Olimpíadas de 2016, com a seleção sueca.
No entanto, o avanço ainda caminha lentamente. Isso porque o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino ganhou espaço com o acordo entre a CBF e a Band para a transmissão dos jogos aos domingos (14h). A última vez que o Brasileirão Feminino (como o campeonato é conhecido) foi exibido pela TV, foi em 2017, mas pelo SporTV, canal de TV por assinatura. Até então, os jogos eram transmitidos pelo Twitter, que selecionava um partida por rodada e a exibia ao vivo. No entanto, assim como acontecia com o SporTV, os jogos não eram exibidos em sua totalidade na Band. O acordo é que a emissora pode escolher entre as partidas da primeira divisão e da segunda divisão para transmitir. Além disso, a Band determinou a jornalista Paloma Tocci como narradora e a ex-jogadora Alline Calandrini, como comentarista das partidas (SACCHITIELLO, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Qual o problema desse acordo de transmissão da CBF com a Band? O Brasileirão feminino tem duas séries: uma formada por 16 times que obtiveram melhor desempenho em relação ao campeonato anterior, chamada de série A1 (primeira divisão) e outra, formada por 36 times com pior desempenho em relação ao Brasileirão Feminino 2018, campeões estaduais e Ranking de Nacional de Clubes de Feminino (sistema de classificação para preencher vagas do campeonato), chamada de série A2 (segunda divisão). Considerando só a série A1 e a tabela do Brasileirão Feminino 2019, os jogos aconteceram nas terças, quartas, sábados e domingos, geralmente à tarde (terças e quartas) e à tarde e noite (sábados e domingos). O campeonato é dividido em quatro fases (grupos, oitavas, semifinal e final), no esquema de pontos corridos na primeira fase e jogos de ida e volta, nas outras (CBF, 2019).
O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino A1, em 2019, teve 134 partidas, sendo 120 só na primeira fase. Destas, apenas três foram transmitidas
pelas Band e três pelo Twitter. Já a segunda fase (oitavas), contou com oito jogos e a terceira fase (semifinal), quatro. O Twitter transmitiu dois jogos da segunda e todos os jogos da terceira fase, enquanto que a Band só transmitiu dois jogos da terceira fase. A quarta fase (final) por sua vez, composta por dois jogos, foi transmitida por ambas as empresas. Somado a isso, tomando como base a tabela do Brasileirão Feminino A1 - 2019, dois jogos da semifinal e os dois jogos da final tiveram transmissão simultânea na Band e no Twitter (CBF, 2019).
A partir de tudo isso, observa-se que, depois de dois anos, o futebol feminino no Brasil, levando em conta apenas o Brasileirão, volta a ter transmissão televisiva e finalmente por uma emissora de TV aberta. Contudo, será que depois do explicitado sobre a estrutura e o funcionamento do Campeonato é possível falar em um espaço midiático? Em nossa opinião, embora a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019, tenha dado uma projeção maior em relação à modalidade esportiva no Brasil, bem como a jogadora Marta, a maior premiada com bolas de ouro da FIFA na história do futebol mundial (feminino e masculino) com seu reconhecimento, não podemos falar de uma real representatividade do futebol feminino na mídia, especialmente no que diz respeito à televisão, o meio de comunicação com maior penetração no Brasil já que, conforme o IBGE (2018), apenas 2,8% dos lares brasileiros não possuem TV (GANDRA, 2018, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Tudo isso significa dizer que o espaço para o futebol feminino na televisão brasileira é um grande desafio. Até porque conforme Sacchitiello (2019, informação eletrônica), o futebol masculino é considerado o produto midiático mais valorizado da TV aberta. Para se ter uma ideia, “a temporada 2019 do Futebol da Globo, que engloba as transmissões dos campeonatos estaduais, nacionais e internacionais, além das partidas da seleção brasileira, teve cada uma de suas seis cotas de patrocínio comercializada pelo valor de R$ 310 milhões” (SACCHITIELLO, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Além do mais, os horários dos jogos dos campeonatos nacionais, durante a semana, são depois da telenovela III, produto midiático, geralmente com os maiores índices de audiência do horário nobre8. Acrescenta-se aí o Premiere pay-per-view
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Para alguns autores é o horário das 18h às 22h, para outros das 18h às 00h, de segunda a sexta, na televisão, correspondendo ao período com os maiores índices de audiência da programação televisiva. Na Globo, é um horário formado, majoritariamente, por três telenovelas, dois jornais (um local e outro nacional, o Jornal Nacional). Dependendo do dia da semana, tem-se também um filme, uma série, um programa de entretenimento ou um jogo de futebol, como é o caso das quartas-feiras.
da Globo, o qual exibe todos os jogos de futebol masculino no Brasileirão, contemplando as séries A (primeira divisão) e B (segunda divisão), os canais SporTV (1, 2 e 3) que apresentam vários programas de discussão sobre futebol, com narradores, jornalistas, comentaristas e dentre eles, a presença do futebol feminino e de mulheres jornalistas esportivas é bem menor que a dos homens, e inexistência de mulheres narradoras dos jogos, inclusive quando a emissora transmite jogos de futebol feminino.
Todo esse contexto novamente nos faz questionar qual tipo de representatividade o futebol feminino tem na mídia? Afinal, considerar o futebol como um campo social e os habitus, a partir do que vimos, é levar em conta a presença de atletas, dirigentes, torcida, equipe técnica, jornalistas, comentaristas, narradoras, também. E a partir da perspectiva midiática, a mulheres ainda são submissas à dominação masculina de maneira que o futebol como um todo não é espaço para a mulher.
No entanto, em relação às marcas e investimentos publicitários, é inegável o desenvolvimento de campanhas e ações como pontuadas neste trabalho. Dentre as marcas, o Guaraná Antarctica, patrocinadora oficial da seleção brasileira de futebol masculino há 18 anos, em 2019, resolveu direcionar investimentos, de fato, para a feminina. Isso sem falar do shampoo Clear que tem Marta como garota-propaganda, do Torneio Uber Internacional Feminino de Seleções, financiado pela Lei de Incentivo ao Esporte e com patrocínio de diversas marcas como Uber, Fini, Colgate, Kaluga e Maratá, dentre outras. Vale destacar que este torneio, realizado em 2019, foi o primeiro da seleção brasileira feminina de futebol após a Copa do Mundo, atraiu um bom público (a final teve 16mil pessoas) e foi transmitido pelo SporTV e Cultura, registrando bons índices de audiência de acordo com o Kantar IBOPE Media (MÁQUINA DO ESPORTE, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Diante disso, o ativismo em prol do futebol feminino não é à toa. Ações como a das torcedoras do Corinthians e como a campanha #JoguePraElas são importantes para a quebra de estereótipos em relação ao futebol e ao mesmo tempo, para dar visibilidade à modalidade esportiva não só na mídia, embora seja no ambiente digital o que muitas vezes repercute na mídia hegemônica, como a televisão, mas na sociedade como um todo. É válido que assim como a love.fútbol inseriu a #JoguePraElas como posicionamento na atuação da ONG, clubes, marcas de esporte e instituições que têm futebol como negócio, modalidade esportiva
devem entender que futebol não tem gênero e pode sim, funcionar como um mecanismo de representatividade.
Por essa razão, consideramos que todas as abordagens presentes neste trabalho permitem mostrar que há uma invisibilidade da mulher no futebol em todas as instâncias do esporte, seja como uma modalidade, como um espetáculo midiático ou como um produto rentável para marcas, emissoras e clubes. Ao mesmo tempo, ao exemplificarmos as ações e campanhas ativistas, esperamos ter conseguido mostrar o potencial que tais manifestações possuem diante do cenário de redes e de possibilidade de articulação e mobilização dinâmica e sem limites geográficos.
Esperamos que este trabalho tenha contribuído para mostrar que, apesar dos avanços a partir da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, a invisibilidade da mulher no futebol existe e que é necessário discutir mais sobre isso. Em contrapartida, esperamos também que o trabalho tenha, de alguma forma, visibilizado as mulheres dentro do campo futebolístico não só por contar a história do futebol feminino no Brasil, mostrar jogadoras muitas vezes esquecidas, como Sissi, e apontar como a mídia é misógina, mas principalmente por trazer exemplos de manifestações de ativismo em prol do futebol feminino, organizadas por mulheres para mulheres.
REFERÊNCIAS
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ALMEIDA, Caroline Soares. O Clube da Rua Mascarenhas de Morais: memórias do futebol de mulheres em Copacabana. Ponto Urbe [Online], v. 14, 31 de julho de 2014.
AMORIM, Paulo Henrique. O quarto poder: uma outra história. São Paulo: Editora Hedra, 2014.
BATISTA, Jandré. Apropriações ativistas em sites de redes sociais: cartografia das ações coletivas no Twitter. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
BETTI, Mauro. As janelas de vidro: esporte, mídia e educação física. 291p. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1997.
BRAINER, Larissa. #JogaPraElas – ativismo e paixão. In: LIMA, Cecília Almeida Rodrigues; BRAINER, Larissa; BARRETO JANUÁRIO, Soraya (orgs.). Elas e o futebol. João Pessoa: Xeroca!, 2019.
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http://www.dedihc.pr.gov.br/arquivos/File/ConquistaVotoFemininoBrasil.pdf Acesso em 10 de novembro de 2019.
CAVALCANTE, Marcelo. ONG lança projeto Sensação FC para fortalecer a coletividade através do futebol. Arquibancada, Globo Esporte, 16 de outubro de 2015. Disponível em:< http://globoesporte.globo.com/pe/blogs/especial- blog/arquibancada/post/ong-lanca-projeto-sensacao-fc-para-fortalecer-coletividade- atraves-do-futebol.html>. Acesso em: 28 de outubro de 2019.
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CBF. Campeonato Brasileiro Feminino A-1 Tabela Detalhada, 2019. CBF.
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CEDRO, Marcelo. Bourdieu entra em “campo”: o futebol como espaço autônomo de interações, disputas, posições e consagrações. Tempos Gerais - Revista de Ciências Sociais e História, n. 6, UFSJ, 2014, p. 10 – 26.
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