Chapitre II : Le SCEQE – nouvelle contrainte pour les investissements
2.2 Les risques introduits par le prix du carbone
a) A pesquisa de Snyder e seus colegas
Sempre que agimos automaticamente, sem reflectirmos, as nossas atitudes são "postas em espera". De facto, nós agimos algumas vezes segundo "cenários" aprendidos previamente, sem pararmos para reflectir naquilo que fazemos. Pelo contrário, o nosso comportamento é menos automático em situações novas; sem um "cenário" previamente aprendido, nós pensamos habitualmente antes de agir. Snyder e Swann (1976) pretenderam mostrar que os indivíduos são mais consistentes se são incitados a reflectir nas suas atitudes antes de agir. Snyder e Swann realizaram um estudo no qual convidaram 120 estudantes masculinos a agir como jurados num processo de discriminação sexual na contratação, duas semanas após estes estudantes terem indicado as suas atitudes em relação às políticas de contratação. Verificaram que as atitudes só prediziam o veredicto dos estudantes quando
estes eram incitados a se lembrarem dessas atitudes. Concluíram que as atitudes ditam melhor o comportamento quando vêm ao espírito.
Este estudo conduziu Snyder (1982) a elaborar um princípio que permite uma melhor predição dos comportamentos pelas atitudes: o princípio de pertinência. Este princípio considera que as atitudes devem ser encaradas como «guias apropriados» às escolhas comportamentais do indivíduo para que uma vez activadas afectem o comportamento. Assim, uma atitude não afecta necessariamente um comportamento se o indivíduo não percebe a pertinência dessa atitude para aquele comportamento. O ter um comportamento coerente com as atitudes depende do modo como é percebido o grau de pertinência das atitudes subjacentes em relação aos comportamentos.
Tendo em consideração este princípio de pertinência, uma manipulação da situação de pertinência atitudinal deverá então melhorar a relação atitudes- comportamentos. Snyder verifica esta hipótese num estudo que realizou com
Kendzierski (Snyder e Kendzierski, 1982). Tratou-se de uma experiência na qual foi manipulada a auto-percepção dos sujeitos quanto à pertinência de uma dada atitude em relação a um comportamento esperado. Os experimentadores levaram os sujeitos a pensar que uma certa atitude é pertinente e apropriada em relação ao comportamento requerido. A hipótese era a de que agir deste modo aumenta a probabilidade de os sujeitos se conduzirem de forma coerente com a sua atitude. Os resultados obtidos validaram esta hipótese. A pesquisa de Snyder e Kendzierski (1982) sugere assim que quando uma atitude é observada pelos sujeitos como tendo implicações para o comportamento, essa atitude irá mais facilmente influenciar esse comportamento. Perante tais
resultados, pode-se concluir que se pretendemos persuadir alguém a se comportar de determinado modo, uma estratégia possível pode ser a de focalizar a sua atenção na pertinência de certas atitudes e na sua coerência com o comportamento que é esperado.
b) Os trabalhos de Wilson
Uma outra corrente de pesquisa, sob a direcção de Wilson, interessou-se igualmente pela introspecção a propósito das atitudes em relação aos alvos como um determinante da consistência atitudes-comportamentos. Assim, nas experiências efectuadas por Wilson e seus colegas (Wilson e Dunn, 1986; Wilson, Dunn, Kraft e Lisle, 1989; Wilson, Kraft e Dunn, 1989), é pedido aos sujeitos para reflectirem nas razões pelas quais têm determinadas atitudes, antes mesmo de terem oportunidade de exprimir as suas atitudes. Wilson sugere que esta manipulação das razões analisadas, através de um processo a que ele chama «cognitivização» (Wilson, Dunn, Kraft e Lisle, 1989), activa um conjunto de cognições diferentes das que estão normalmente acessíveis ao indivíduo, ou seja, diferentes daquelas que estão verdadeiramente em relação com a sua atitude e que, ordinariamente, guiam o seu comportamento em relação ao alvo. Wilson coloca então a hipótese de, no seguimento deste processo de cognitivização, a correspondência entre atitudes avaliadas e comportamento ser fraca.
Wilson e Dunn (1986) validaram esta hipótese. Estes autores realizaram um inquérito sobre as preferências de estudantes em matéria de bebidas. Um pouco antes de serem medidas as suas atitudes em relação a seis bebidas sem álcool, alguns sujeitos tiveram as suas atitudes solicitadas por uma questão sobre as razões pelas quais gostavam ou não de cada uma das bebidas. A outros sujeitos não foi solicitado que respondessem a esta questão. O consumo de cada um dos seis tipos de bebidas foi então medido. Os resultados obtidos revelaram que, para os sujeitos que tinham analisado as razões das suas atitudes (condição experimental), as correlações entre as suas atitudes em relação às bebidas e o seu comportamento são mais fracas que para os sujeitos do grupo de controle. Wilson e Dunn explicam este resultado pelo facto de as atitudes exprimidas após a cognitivização não fazerem parte das atitudes que influenciam o comportamento.
Os resultados de Wilson e seus colegas vêm assim contradizer os obtidos por outros investigadores que demonstraram que a tomada de consciência das
atitudes aumenta a importância das correlações entre atitudes e comportamentos (Snyder e Swann, 1976). Millar e Tesser (1986) acrescentam alguns elementos que permitem explicar estes resultados contraditórios.
c) Os processos em jogo segundo Millar e Tesser (1986)
Millar e Tesser (1986) conceberam uma experiência com o objectivo de resolver o paradoxo dos resultados contraditórios. Estes autores sustentam que as manipulações que induzem uma reflexão dos sujeitos a propósito das suas atitudes podem ser diferentes ao activarem os aspectos cognitivos ou os aspectos afectivos da estrutura atitudinal. Mais precisamente, Millar e Tesser colocam a hipótese de o processo de «cognitivização» (activação das cognições, segundo Wilson) e o processo de «focalização» (análise dos sentimentos que os sujeitos têm em relação ao objecto, segundo Snyder e Swann) activarem de modo diferencial os componentes cognitivos e afectivos da atitude. Segundo os resultados obtidos por Millar e Tesser, a natureza do comportamento pode igualmente influenciar a consistência entre atitude e comportamento. Assim, a activação de um processo de «cognitivização» melhora a relação atitudes-comportamentos quando o comportamento solicitado visa atingir um objectivo mais «cognitivo»; pelo contrário, a activação de um processo de «focalização» melhora a relação atitudes-comportamentos quando o comportamento solicitado é mais «afectivo». Estes resultados vêm deste modo mostrar que a introspecção dos sujeitos aumenta a correspondência atitude-comportamento quando o aspecto da atitude que se torna saliente pela manipulação da introspecção é o mesmo que conduz o comportamento no contexto.
Concluímos este capítulo salientando que as pesquisas efectuadas numa
perspectiva processual permitem, como vimos, melhor compreender os
processos psicológicos que podem intervir quando os comportamentos dos indivíduos são determinados pelas suas atitudes. Ainda que o nosso estudo não se situe nesta corrente de pesquisa, mas sim na corrente preditiva, baseamo-nos nos modelos processuais para o estudo de alguns aspectos que
influenciam a consistência da relação entre atitudes e comportamentos ambientalmente responsáveis, nomeadamente o modo como as atitudes são adquiridas (experiência directa ou indirecta com o objecto de atitude), de acordo com a proposta de Fazio e seus colegas.