4.3 Procédés microbiologiques
4.3.1 Les Photobioprocédés
A AD de linha francesa surge na França, nos anos 60 do século XX, voltada para o discurso que é visto como uma prática social, convencionada na e pela sociedade. A AD relaciona Discurso, Sociedade e História, para tratar da ideologia como um conjunto de valores impostos pelas classes de poder. Tal tratamento envolve as noções de formação discursiva, ou seja, o que se pode e
se deve dizer, a partir de uma dada formação discursiva. Cada formação
discursiva compreende várias formações ideológicas, presentes em interdiscursos e intertextos que dialogam entre si.
A AD privilegia o discurso para dar conta da língua em seu uso efetivo. Nesta investigação, a AD orienta o exame relativo ao tratamento da Identidade Lingüística, devido às especificidades da formação lingüística e dos usos lexicais do brasileiro, apontados no/pelo discurso da literatura nacional do século XIX, em intertextualidade e interdiscursividade com o discurso da História-Oficial.
Salienta-se que a AD realiza-se como um novo paradigma e decorre de mudanças teóricas e metodológicas, nos estudos da linguagem. Seu principal articulador é Michel Pêcheux, em uma época que coincide com o auge do estruturalismo, um paradigma de formatação do mundo, da idéias e das coisas para a intelectualidade francesa. A base desse novo paradigma é o estruturalismo lingüístico, em que a Lingüística ocupa o papel de ciência-piloto das ciências humanas, fornecendo novas condições e ferramentas essenciais para o exame da língua, entendida como estrutura formal e submetida a um método rigoroso e às ordens das Ciências Sociais. Assim,
a AD está delimitada ao tipo de discurso escrito, em um quadro institucional doutrinário, cujos objetivos são determinados como propósitos textuais: explicação e forma, pela construção do objeto. A sua metodologia corresponde à lingüística e à história e tem por origem a própria lingüística. (Cf. Maingueneau,1987, p. 16)
Convém esclarecer que, na AD, a linguagem é examinada pela ótica discursiva e com isso ganha um traço fundacional na constituição do sujeito e do sentido, distinguindo-se da condição a ela conferida pela psicanálise. Desde o início, a AD caracteriza-se pelo viés da ruptura, visando tematizar o objeto discursivo que trabalha nos limites com outras áreas das ciências humanas: a lingüística, o materialismo histórico e a psicanálise. O discurso é o seu objeto teórico, razão pela qual é constituído de uma materialidade lingüística e de uma materialidade histórica, simultaneamente.
As Ciências da Cognição orientam a Análise Crítica do Discurso (ACD), que tem por objeto de estudo o oral, nas práticas sociais discursivas como formas de conhecimentos construídos na memória, por meio de armazenamentos que estão em constante conflito e interação. Nesse sentido, para tratar da análise da formação discursiva do texto literário, no desenvolvimento desta investigação, a AD francesa será utilizada, considerando-se o texto, como uma unidade lingüística e histórica, buscando-se reconhecer os processos de formação da Identidade Lingüística, subjacentes aos textos, primeiramente da História-Oficial, devido à sua responsabilidade pelos registros e documentação dos feitos de um povo, em dada época e, posteriormente, da Literatura. Ambos são responsáveis pelo registro lingüístico da Memória Social do povo brasileiro.
Para Pêcheux (1969), a linguagem deve ser entendida como produção de um sujeito livre de condicionamentos histórico-sociais e não pelo caráter universal do sistema ou caráter individual da fala. Para o autor, há uma particularidade do discurso, enunciado em condições de produção correspondentes a formações sociais específicas por um sujeito que se constitui, em uma resposta a determinações ideologias especiais. Por essa razão, um discurso sempre está relacionado ao lugar que o enunciador ocupa, ou de qualquer outro lugar e sempre mantém relações semânticas com outros discursos já pronunciados.
Pode-se, assim, afirmar que o processo discursivo não tem início, uma vez que um discurso sempre evoca outros.
Esse autor salienta que em um dado estado específico de condições de produção, sempre há uma estrutura definida, pelo processo de produção do discurso a partir da língua. Isto significa que:
se o estado das condições é fixado, o conjunto de discursos suscetíveis de serem engendrados nessas condições manifesta invariantes semântico-retóricas estáveis no conjunto considerado e características do processo de produção colocado em jogo. (Pêcheux, 1969, p.16)
Um discurso é examinado, a partir de um estado definido das condições de produção, e remetido a um conjunto de discursos possíveis. A proposta central de Pêcheux é que se proceda sistematicamente a apresentação das condições da produção do discurso. Assim, para o autor, o conceito de diálogo conduz às condições de produção, lugar, em que se encontram inscritos os princípios que regem os interlocutores, e sobre os quais se afirma a não-subjetividade, em contradição ao afirmado por Bakhtin (1981), uma vez que o conceito de diálogo deve ser repensado, devido às diferentes naturezas dos diversos interlocutores.
Cumpre acrescentar que Pêcheux entende a relação discursiva como um diálogo, resultado da interação eu e tu mesmo que se apresentem como anti- sujeitos, ou como imagens de lugares sociais constituídos em formações discursivas prévias. Porém, deve-se afirmar o contrário, se o diálogo for considerado como uma relação lingüística intersubjetiva, na qual o eu é assim constituído pela autoconsciência, numa relação de intersubjetividade.
Bakhtin entende que os interlocutores se constituem numa relação de intersubjetividade lingüística, ou seja, o eu se constitui sujeito pela tomada de consciência frente ao outro, mas se o discurso é ideológico e social, essa consciência é de natureza discursiva e não se atém a circunstâncias históricas e sociais. Por isso, Pêcheux define a constituição de sujeito como vinculada a uma formação discursiva específica.
Nesta investigação, a relação entre objetividade e subjetividade estará consubstanciada por modelos teóricos do discurso científico, de sorte a garantir a transmutação do sujeito que se coloca estrategicamente entre o sujeito da ideologia, por meio da noção de assujeitamento, e o sujeito da psicanálise, ambos constituídos materialmente pela linguagem. A AD constrói assim, a categoria teórica do sujeito que exerce o papel de interventor da linguagem, sob o ponto de vista da materialidade lingüística e histórica, em um movimento de produção de sentidos, orientados pelo domínio de compreensão e interpretação da materialidade escrita.