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Le recours devant la juridiction européenne

Dans le document Sécurité privée et Libertés (Page 124-127)

Chapitre 2. La moralisation de la sécurité privée comme facteur de fragilité pour les libertés

B. Le recours devant la juridiction européenne

Para quê nomear? A quem se comunica o homem? - Mas será essa questão, no caso do homem, diversa da de outras formas de comunicação (linguagem)? A quem se comunica a lâmpada? A quem, a montanha? E a raposa? - Aqui a resposta é: ao homem. Não se trata de antropomorfismo. A verdade dessa resposta se deixar ver no conhecimento e, talvez também, na arte.39

Ainda fazendo referências a contextos teológicos, a leitura benjaminiana do Gênese toma a noção de linguagem adâmica como correspondente do verbo criador divino, a partir do ato de dar nomes à natureza, sendo este ato o reconhecimento do objeto como algo criado, provindo de Deus. Nesta atividade nomeadora da linguagem de Adão há o conhecimento imediato da essência das coisas, e por tal razão os nomes adâmicos fazem tão somente referência de sí próprios, referência do objeto nomeado em plenitude. Já com o acontecimento da “queda” ( da primazia comunicativa da linguagem como transportadora de signos) há a perda ou despontencialização desta imeaticidade entre linguagem e ação.

Nas palavras de Jeanne Marie Gagnebin:

A queda é a perda dolorosa desta imediaticidade, perda que se manifesta, no plano linguístico, por uma espécie de “sobredonominação” (Überbenennung), uma mediação infinita do conhecimento que nunca chega ao seu fim. Desde então, a linguagem humana se perde nos meandros de uma significação infinita, pois tributária de signos arbitrários. As diferentes línguas são outras tantas tentativas que, cada um à sua maneira, procuram reencontrar, ao mesmo tempo através e apesar do peso da significação, essa nomeação originária que as fundamenta e que elas visam.40

A língua adâmica não representa, portanto, uma instância primordial e essencial à qual a atividade da tradução, por exemplo, teria como intenção um resgate de tal dimensão nomeadora da linguagem, mas antes, essa língua adâmica possui a

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BENJAMIN, Walter. Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem do homem. In: Escritos sobre mito e linguagem., pg. 55.

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significação precisa de que a linguagem humana antes de se tornar discurso e ser comunicação, é, por sua própria constituição, nomeação da natureza, o que para o contexto do Gênese é a relação imediata com o verbo criador de Deus.

[...] no nome a essência espiritual do homem se comunica a Deus. No âmbito da linguagem, o nome possui somente esse sentido e essa significação, de um nível incomparavelmente alto: ser a essência mais íntima da própria língua. O nome é aquilo através do qual nada mais se comunica, e em que a própria lìngua se comuncia a si mesma, e de modo absoluto. No nome, a essência espiritual que se comunica é a língua. Somente onde a essência espiritual em sua comunicação for a própria língua em sua absoluta totalidade, somente ali estará o nome e lá estará o nome somente.41

A diferenciação dos níveis na linguagem do nome e da comunicação é fulcral para a compreensão da filosofia linguística de Walter Benjamin que visava por meio desta demonstrar as profundas afinidades entre crítica filosófica e linguagem, a saber, o caráter spräliche da verdade, portanto entre História e linguagem. Jeanne Marie Gagnebin, na sua excelente obra “História e Narração em Walter Benjamin” chega a utilizar um trecho de artigo pertencente a Giorgio Agamben que esclarece em pormenores essa questão:

Como o homem só pode receber os nomes, que sempre o procedem, através de uma transmissão, por isso a história mediatiza e condiciona o acesso a esta esfera fundamental da linguagem [...]. Pouco importa aqui os nomes sejam uma dádiva de Deus ou uma invenção humana: o importante é que, de qualquer modo, sua origem escapa ao sujeito falante [...]. A razão não pode encontrar o fundo dos nomes [...], ela não consegue rematá-los, pois como vimos, eles lhe chegam historicamente, “descendo”. Esta “descida” infinita dos nomes é a história.42

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BENJAMIN, Walter. Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem do homem. pg. 55-56. 42

AGAMBEN, Giorgio. ― Langue et Historie, Catégories historiques et Catègories linguistiques dans la pensée de

O fato de pertencer à história, implica que, para Benjamin, a linguagem faz, também, referência à sua forma escrita, não como consciência sua de ser instrumento para obter efeitos morais e políticos como ele mesmo alertara em seu texto de 1916, mas pela razão de conhecimento de sua própria força criadora. Por considerar a linguagem em uma dimensão caracterizada por ele como mágica, essa dimensão da concretude da palavra certamente faz referência a uma noção essencialista da própria linguagem, ou seja, afirmação do ser essencial da escrita e da linguagem mesmas.

Porém, percebe-se que a contraposição desta dimensão entre linguagem como instrumento de comunicação de conteúdos e linguagem como essência se estabelece em uma oposição-ligação que remete à consideração por parte de W. Benjamin entre significação e morte, a saber,um impulso melancólico, exposta mais claramente em seu livro sobre o barroco. Alia-se a isso ainda a perspectiva messiância, o desejo de afirmação, que paira sobre a escrita deste autor, mediante a tentativa de fundamentação da essência da linguagem que esbarra em uma impossibilidade de conciliação das duas visões acerca da mesma, o que só nos leva a perceber um certo impulso niilista com relação à linguagem na obra benjaminiana.

Assim, a teoria da linguagem de Benjamin contém mais do que a asserção da instabilidade e mesmo a impotência da linguagem. Ela solicita, em sua equação entre significação e morte, uma atitude fundamentalmente niilista em relação à linguagem. O niilismo evidente no livro sobre o Trauerspiel está de fato implícito no ensaio de 1916.43

Não obstante a isto, em clara oposição à linguística e teorias semiológicas de sua época, o método da linguagem performativa benjaminiana fundamenta-se como base e princípio construtivo da imagem,( talvez esta perspectiva possa superar as aporias que orbitam sobre as duas concepções linguíticas aqui expostas) ou imagem dialética; conceito radical deste pensador que sintetiza em um plano imantado de significações as teorias da linguagem e a crítica da história universal fomentada pelo historicismo no intuito de estabelecer uma outra relação temporal, que aqui evidenciamos via análise pormenorizada da filosofia da linguagem no sentido de que a linguagem não

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M. Jennings, Dialectical Images. Walter Benjamin’s Theory of Literature, p. 111.Apud Lages, Susana Kampff in: Walter Benjamin: Tradução e Melancolia, 2007, pg. 149.

simplesmente se estabelece como escopo da semiótica, mas, sim, que seu caráter essencial leva sempre em consideração os elementos fortuitos e e fugazes que configuram e constituem as experiências de sentido imanentes às injuções da vida histórico-linguística enquanto tal.

Assim essas construções de imagens linguísticas que a teoria benjaminiana nos permite realizar, ocorre na dimensão de rememoração do caráter expositivo da língua para despertar o potencial contido nela mesma numa construção consciente da escrita filosófica, função esta que o ato linguístico da nomeação é capaz, pois na nomeação as coisas são desvinculadas do contexto do destino uma vez que “[...] o nome é objeto de uma mímeses. De fato faz parte de sua natureza singular não se mostrar no que virá, e sim somente no ocorrido, o que quer dizer: no que foi vivido. O hábito de uma vida vivida: é isso o que o nome preserva e também prestabelece”44

Tomando como ponto de partida a interpretação do mito do Gênesis sobre a influência de autores do romantismo, principalmente Friedrich Schlegel, o ensaio de 1916, se não inaugura, revitaliza uma reflexão sobre o caráter metafísico de uma linguagem pura radicalmente expressiva e sua própria natureza constituinte e fundadora, tornando-a o medium da verdade45. É necessário, portanto, com fins de um maior esclarecimento desta questão, uma explanação das afinidades do pensamento de W. Benjamin com o romantismo de Iena.

2.2 MÍMESES E RESSONÂNCIA DO ROMANTISMO NO PENSAMENTO

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