UNE INTÉGRATION DU RAP DANS LA SOCIÉTÉ : LA RÉCUPÉRATION DE SES MYTHES ET STÉRÉOTYPES PAR LES
B. UNE RÉCUPÉRATION EFFECTIVE
2. Le « brand content »
3.3. Le partenariat rap
O mediador é a terceira pessoa da estratégia. Não é menos importante que as partes. É este terceiro membro que acolhe e sugere as regras básicas, delimitando as necessárias ao desenvolvimento do processo mediático. Organiza as sessões, define agenda e facilita a comunicação. Não impõe solução, mas conduz o desenvolvimento da estratégia no sentido de transformar a situação e se possível produzir um acordo, que pode por fim ao conflito, ou ao menos produzir regras para controlá-lo.
Alcaro (2009) sustenta que a atividade do mediador requer o desenvolvimento de atitudes e habilidades específicas por meio de capacitação e lembra que a criatividade é uma dessas habilidades. Nesta perspectiva, o mediador deve ser imparcial e neutro, no entanto, colabora por meio de atitudes flexíveis, porém, firmes para alcançar um resultado que seja viável e que satisfaça os interesses das partes.
Chrispino e Chrispino (2002) alertam que o mediador não é juiz nem árbitro, não lhe incumbindo impor nem tampouco sugerir soluções. Sua função é ouvir e esclarecer as partes, auxiliando-as na busca de uma solução. Portanto, quem vai encontrar a solução para colocar fim no conflito são as partes. O diálogo é um dos elementos importantes na estratégia mediação de conflitos.
A função do mediador é ser instrumento de intermediação – ponte. O ponto chave do desenvolvimento do seu trabalho é a facilitação para o surgimento de propostas que terão origem nas pessoas cuja comunicação, por algum motivo, não flui. Alcaro (2009) lembra que o mediador facilita o diálogo, controlando o processo e equilibrando o poder das partes.
Jares (2011) pontua que independente do tipo de processo mediático, todo indivíduo que se propõe a conduzir uma sessão de mediação observará uma série de habilidades e princípios, tais como coragem, tolerância, dinamismo, responsabilidade, cautela, discrição, confiança, autonomia, imparcialidade e voluntariedade.
Para Blin e Deulofeu (2005), é o mediador quem abre espaço para o diálogo. E a escuta ativa, para esses autores, é condição imprescindível no desenvolvimento da estratégia mediação de conflitos. Acrescenta que uma das habilidades que favorece a escuta ativa é repetir de forma resumida e interpretativa o que as partes declararam a fim de verificar a compreensão da mensagem.
E como exigência para a existência humana, o diálogo é fundamental para a elucidação de fatos, de mal entendidos, para o encontro dos saberes. Na compreensão de Gontijo e Vieira (2008), o diálogo é o ato que constrói identidades. O mediador é a ponte entre emissor e receptor na relação conflituosa. Ele ouve, resume, parafraseia, repete, sem impor sua opinião.
2.2.2.3 TIPOS DE MEDIAÇÃO
A mediação de conflitos no âmbito escolar pode ser desenvolvida de diversas formas. Chrispino e Chrispino (2002) enumeram quatro: mediação por pares, programas curriculares, enfoque na aula pacífica, e enfoque na escola pacífica.
A mediação por pares começou a ser desenvolvida na segunda metade do século passado em Nova York. É realizada por um colega ou um adulto, e, segundo o autor, é a mais utilizada e mais documentada. É um processo que consiste em capacitar alunos, educadores e membros da comunidade escolar como mediadores e tem sido considerado um instrumento valioso no auxílio para que os atores educacionais passem a dominar seus comportamentos frente aos membros da comunidade escolar. Esse tipo de mediação se materializa em uma dimensão horizontal.
O objetivo da estratégia de mediação entre pares é que as partes cedam e ambas ganhem. Daí a necessidade de diálogo, da escuta atenta por cada parte – mediador e partes. As partes é que suscitam ideias de alternativas e propõem soluções para resolver o problema. Chrispino e Chrispino (2002) afirmam que a mediação feita por um dos seus pares é a estratégia mais comum, mais extensa e a mais encontrada. Nessa estratégia, de acordo com os autores, o mediador será um adulto – colega, professor, diretor, orientador educacional, membro da comunidade, entre outros. Esse adulto incentiva e proporciona condições aos envolvidos no conflito para que encontrem uma alternativa e firmem um acordo com vistas à administração do conflito. A estratégia de mediação de conflitos é considerada a mais simples das formas de alternativas de resolução de conflitos e pode ser aplicada para administração de conflitos, surgidos em sala de aula, que envolvam desrespeito, indisciplina, entre alunos e alunos, alunos e professor, alunos e direção, professor e professor, professor e direção, entre outros.
Acrescentam os autores (CHRISPINO; CHRISPINO, 2002) que a mediação de conflitos escolares por meio de programas curriculares consiste no desenvolvimento de atividades, conhecimentos, habilidades e atitudes, objetivando mudanças de comportamento com relação ao conflito. Neste tipo de programa possibilita-se uma maior compreensão e uma nova postura interpessoal, culminando em maiores esforços para empregar a comunicação.
Também o enfoque da aula pacífica é exemplo trazido pelos autores supracitados e tem como fundamento a elaboração e a prática de um conjunto de procedimentos que dá ênfase a dinâmicas cooperativas, que envolvam comunicação, respeito à diversidade, exposição positiva das emoções e estratégia de mediação de conflitos. A meta é o desenvolvimento das habilidades de responder, criativa e criticamente, aos conflitos que surgem no cotidiano. Fundamenta-se em um conjunto de procedimentos e dinâmicas que privilegia as relações cooperativas. Heredia (2009) enumera cinco princípios desta forma de mediação: I – cooperação: os estudantes aprendem a estudar e fazer tarefas em equipe e desenvolvem o espírito de confiança; II – comunicação: os alunos aprendem a perceber detalhes, a esclarecer dúvidas e desenvolver a escuta atenta; III – respeito à diversidade: desenvolvem a capacidade de respeitar e apreciar as diferenças, tornando-se imunes ao preconceito; IV – exposição positiva das emoções: os alunos desenvolvem o autocontrole e conseguem expressar seus sentimentos, suas emoções; IV – mediação de conflitos: aquisição de habilidades e construção de competências para responder criticamente aos conflitos de forma geral. Neste tipo de mediação, a controvérsia e as diferenças, segundo Chrispino e Chrispino (2002), constituem fontes motivacionais para o trabalho didático- pedagógico.
Blin e Deulofeu (2005 p. 107) ressaltam que “se a classe é um lugar de aprendizagens de saberes, é também um espaço onde se instauram relações e onde os alunos aprendem a integrar uma coletividade, isto é, socializar-se.” Socialização, nos termos desses autores, é interiorizar regras e comportamentos relativos à composição de um grupo.
O indivíduo necessita de um ambiente que proporcione múltiplas experiências para se desenvolver. Para Boato (2006), toda experiência, seja positiva ou negativa, interferirá no desenvolvimento da pessoa e na sua formação. Portanto, a qualidade e a quantidade das experiências vão influenciar no futuro do adolescente. A sala de
aula é um ambiente propício à construção de conhecimento, ao enriquecimento do saber e à prática da cidadania. Esse espaço – sala de aula – caracteriza-se como bom ambiente, segundo Philibert e Wiel (1995apud BLIN; DEULOFEU, 2005, p. 107), quando apresenta situações de relações assertivas e de sentimentos positivos: por relações de aceitação, de solidariedade, de respeito mútuo
entre os colegas;
pelo envolvimento de cada um no trabalho escolar;
por relações de confiança e de respeito entre a turma e seus professores.
E acrescentam que o ambiente de aula fica melhor ainda se:
se desenvolve um sentimento de reconhecimento no nível do grupo (imagem positiva);
o grupo se estrutura em seus comportamentos coletivos e individuais a partir de valores que o habilitam e regras que ele mesmo estabelece;
a comunicação se desenvolve no centro da turma;
se vive um agir comum e pessoal por meio dos projetos coletivos.
Os autores citados acima lembram que as relações de classe se consolidam quando se desenvolve em nível de grupo a imagem positiva, a coletividade respeitando o individual e construindo valores compartilhados. Assim, permite-se que cada aluno seja reconhecido por seus pares, com seus valores e costumes, possibilitando as relações de convívio.
O professor em sala de aula, além de mediar os saberes necessários à construção do conhecimento, age também como aquele que colabora com os alunos a se comportarem e procederem de maneira pacífica tanto na classe, quanto em extensão a todo o ambiente escolar.Blin e Deulofeu (2005) afirmam que um bom ambiente se faz com respeito recíproco, constância na maneira de agir, imparcialidade e referência. Referência significa, como instrui Jean Jaurès1, que “não se ensina aquilo que se quer; ensina-se e só se pode ensinar aquilo que se é."
Mas o ensinar não é singular do professor, assim como o aprender não é restrito ao aluno. A comunidade educativa é ampla e o ensino é via de mão dupla, quem ensina aprende e quem é aprendente também ensina. Essa comunidade educativa é ampla: são gestores, professores, orientadores, alunos, pais, mães,
1 Filósofo e político francês do século XIX. Disponível em:
avós, colaboradores: da limpeza, da cantina, da segurança, da secretaria, de parcerias, amigos da escola, das associações de pais e mestres.
Na estratégia mediação com enfoque na escola pacífica, segundo Chrispino e Chrispino (2002), o foco não recai na simples técnica; ela faz parte da cultura escolar. Os efeitos dessa mediação refletem nos resultados deste tipo de estratégia. É um somatório em que todos os atores da comunidade escolar se engajam para diagnosticar os antagonismos e os resolvem evitando que se manifestem de maneira violenta.
2.2.2.4 IMPLANTAÇÃO DE PROGRAMAS
Programas de mediação de conflitos tendem a ser ampliados em todo o mundo. Aos poucos sua utilização se disseminou e o modelo foi rapidamente adaptado às instituições educativas. Ao se pensar no desenvolvimento de um programa de mediação de conflitos envolvendo instituições escolares, deve-se ser cuidadoso e não pensar um só modelo de intervenção. Pessoas são únicas, alunos são indivíduos.
É importante olhar com olhar diferenciado a situação de conflito e as partes. Segundo Chrispino e Chrispino (2002), o programa será planejado na forma de um grande e delicado tecido que, jogado sobre um conjunto de peças com contornos distintos, permite perceber o contorno de cada uma. O tecido é o mesmo, mas quando cobre a peça, toma a forma desta. Ele se amolda a cada realidade.
O ser humano é único. No período escolar, os atores da educação permanecem juntos por longo tempo e precisam experimentar situações que reflitam confiança nos colegas e nas instituições. A mediação é uma estratégia que facilita as relações e o restabelecimento de laços.
Ressalta Heredia (2009) que a implantação de projetos de mediação de conflitos nas escolas tem o escopo de auxiliar os alunos a solucionar seus próprios problemas e assessorá-los com recursos para enfrentar as situações de conflitos que porventura ocorrerem no decorrer da vida, pois, no entender do autor,
pedir aos estudantes disciplina, sem provê-los das habilidades requeridas, é como pedir a um transeunte que encontre Topeka, Kansas, sem fazer uso de uma bússola [...]. Não podemos esperar que os estudantes se comportem de um modo disciplinado se não possuem as habilidades para fazê-lo. (HEREDIA 2009, p. 57-58).
O primeiro programa planejado (HEREDIA, 2009) para mediar conflitos escolares, na cidade de Nova Iorque, tinha os seguintes objetivos: desenvolver uma comunidade em que os alunos desejassem e fossem capazes de realizar uma comunicação de forma aberta; auxiliar os alunos a obter uma melhor compreensão dos sentimentos, competências e habilidades humanas e a compartilhar seus sentimentos, tornando-se conscientes de suas próprias qualidades; ajudar os alunos a valorizar suas habilidades e desenvolver a autoconfiança; pensar criativamente sobre seus problemas e começar a prevenir e solucionar os conflitos. Ensina, ainda, o autor que os passos em um projeto de mediação de conflitos são muitos e vão desde a tomada de consciência de atitudes pessoais e sociais até o ensino de habilidades necessárias para lidar de forma proativa em situações de conflito.
Para Jares (2008), pode-se iniciar o planejamento de um curso de formação do futuro mediador com um questionário em que conste sua concepção de conflito; tipos de conflitos; violência; tipos de respostas violentas ao conflito; diferença entre violência e conflito; quais as consequências das respostas violentas aos conflitos; tipos de intervenção. Segundo o autor, conhecer o que o futuro mediador pensa a respeito destes assuntos é importante para desenvolver a boa formação e prepará- los para realizar a estratégia mediação obtendo resultados mais eficazes.
Importante frisar que a implantação desse tipo de estratégia na escola implica a inclusão de conteúdos e conceitos necessários ao desenvolvimento de habilidades para atuar na administração de conflitos e pode ser aplicada em casos de desentendimentos, de ameaças ou disputas, entre outros. Dentre os conteúdos, é importante trabalhar a noção de conflito e a diferença entre conflito e violência, bem como as alternativas diante de uma situação de conflito. Outro ponto que pode constar do programa são as funções do mediador: escutar atentamente, promover o diálogo, acalmar as partes, guardar sigilo, ser discreto.
Os alunos cursistas podem ser voluntários ou indicados pelos professores, colegas, diretores, pais. Não é necessário fazer seleção, a não ser que exista número excedente ao que comporta a turma. Também não se recomenda a vedação de alunos para participar por algum motivo, haja vista o curso de formação também objetivar a mudança de comportamento. A simulação de sessões de mediação nas quais dois indivíduos atuam como mediadores e dois como partes em conflito, enquanto os demais cursandos observam o processo, é uma experiência
necessária. É importante que todos vivenciem a simulação, sempre trocando os papéis.
Segundo Schvarstein (1998 apud CHRISPINO; CHRISPINO, 2002), os programas de mediação de conflitos podem ter caráter obrigatório ou voluntário. Quanto ao alcance, pode-se pensar em abranger todos os conflitos entre todos os segmentos escolares ou limitar o atendimento. A ênfase pode ser dada no produto ou no processo; pode-se envolver ou não a família e a comunidade escolar.
O programa ainda pode estabelecer se terá relações com as regras de disciplina e com a avaliação escolar; onde será desenvolvido, qual o tempo ou horário destinado ao programa; qual o tipo; quem serão os mediadores, qual o processo de escolha ou voluntarismo; como serão capacitados; quem supervisionará os mediadores e acompanhará o programa; se as partes serão encaminhadas e solicitarão ajuda; se comportará consequências ou descumprimento dos acordos ou não.
Para Heredia (2009), o processo de mediação precisa ser abrangente, para contemplar todas as áreas que envolvem a comunidade escolar. As relações professor-direção, professor-professor, professor-aluno, aluno-aluno, aluno-direção, aluno-professor, e estes com pais ou responsáveis merecem atenção quando se pensa em implantar um projeto de mediação escolar. Esse entendimento tem fundamento na observação do autor de que todos os segmentos da comunidade escolar podem promover uma mudança de cultura e de hábitos com apoio em um processo de mediação. No referido contexto, esse autor contempla o sistema disciplinar, o currículo, a pedagogia, a cultura escolar, o lar e a comunidade.
2.2.2.5 VANTAGENS E SUGESTÕES
Entre as vantagens desta estratégia está a relação paritária das partes e a intimidade do mediador com o conflito, no sentido de conhecer melhor o problema, bem como o fato de que, após firmarem um acordo os alunos, em geral, mantêm as relações de amizade, sendo que ambas as partes envolvidas no conflito ganham.
Segundo Philibert e Wiel (1997apud PERRENOUD, 2000), a cooperação é uma habilidade construída com atitudes como: respeitar as regras do jogo; exercer uma cultura de solidariedade, da tolerância; ser recíproco; e atuar efetivamente no conselho de classe. Isto permite que o aluno perceba que existe mais de uma opção
para cada situação. A interação é necessária quando se pensa em ambiente escolar. O desafio é desenvolver nos alunos o espírito solidário, fraterno, um clima cooperativo.
Com a participação dos alunos na mediação, eles conseguem perceber que não são só eles que sentem tristeza, alegria, raiva, saudade. Quando atua como mediador, o aluno pode participar como observador do problema do outro e expressar sobre um conflito que já teve ou que poderá vir a ter, descobrindo, neste contexto, várias maneiras de administrá-lo.
Torrego (2001 apud CHRISPINO; CHRISPINO, 2002) sinaliza que a grande vantagem da mediação escolar é a mutação da concepção que se tem de que para que um ganhe, alguém tem que perder; para uma concepção moderna, evolutiva, democrática de que todos os envolvidos ganham juntos. Isso se sintetiza em uma mudança de atitude das partes. O desenvolvimento da estratégia mediação de conflitos melhora a qualidade das relações e, consequentemente, o ambiente escolar, resultando na redução dos índices de violência, no aumento da participação dos alunos nas aulas, no desenvolvimento do pensamento crítico e no autoconhecimento. Também consolida a boa convivência, dado o exercício de tolerância.
Marpegán, Marticorena e Huarte (2009) lembram que a estratégia de mediação de conflitos constitui, tanto para os mediadores como para os mediados, uma oportunidade de experiência que proporciona crescimento pessoal, reconhecimento, valorização, autoconhecimento e o exercício do pensamento crítico. Já Chrispino (2007) cita sete importantes vantagens pra implantar e desenvolver a estratégia mediática no âmbito escolar: a valorização de tempo, com a utilização da técnica adequada; a aquisição de técnicas e estratégias em resolver conflitos; o aprendizado pelos alunos quanto ao respeito e à consideração pelos próximos; a capacitação em resolver conflitos reduz o estresse; possibilidade de aplicar as novas técnicas em casa, com familiares e amigos; a capacitação em resolver conflitos que podem contribuir para a prevenção do uso do álcool e de drogas; e a possibilidade de sentir a satisfação de estar contribuindo com a paz do mundo.
Para desenvolver a ideia de conflito, Jares (2008) sugere o desenvolvimento de atividades com base no livro Os dois monstros, de David McKee, que narra a história do monstro azul, que vive do lado oeste da montanha, e do monstro
vermelho, que mora no lado leste. Eles utilizam um buraco da montanha para se comunicar e em tudo eles discordam. Ao final da pequena história, eles conseguem ter o mesmo ponto de vista. Outra sugestão é que contenha no curso estudos de casos reais para que os futuros mediadores façam a análise.
Chrispino e Chrispino (2002) apresentam um quadro-resumo com uma pesquisa realizada em 10 programas que foram implantados entre 1989 e 1995 nos quais foram realizadas 2.803 mediações. Obteve-se como resultado a média de 88,5% de sucesso, podendo-se dizer os programas obtiveram êxito. Tendo o diálogo e a autonomia da vontade como características precípuas, o processo de mediação desenvolvido no âmbito escolar tende a produzir resultados que promovem maior democratização da escola; melhoria das relações sociais na escola e na comunidade dos participantes do projeto; surgimento de liderança positiva; abertura de canais de diálogo e participação na escola e na comunidade; melhor compreensão dos conceitos de direitos humanos, justiça e cidadania; diminuição da violência entre os atores da comunidade escolar.
Portanto, a mediação escolar é uma ferramenta importante para ser utilizada em situações escolares, segundo os autores que apresentam uma visão construtiva do conflito, superando a visão tradicional de que o conflito é sempre negativo. Além disso, o processo mediático promove a construção de sentimentos de cooperação e fraternidade.
A implantação de projetos que incluam estratégias de mediação de conflitos no ambiente escolar e que promovam o autoconceito, a visão crítica, a flexibilidade de pensamento, a criatividade, a iniciativa de ações, a reversão de sentimentos ruins em proativos, corrobora a necessidade de libertação do ser humano na busca por uma sociedade mais justa, solidária e democrática. Para prevenir, controlar ou solucionar uma situação conflituosa, faz-se necessário o uso do diálogo crítico. Praticar o diálogo crítico é importante para o desenvolvimento de algumas habilidades, como a de realizar a escuta atenta, desenvolver a assertividade, fazer o
feedback, ser altero e saber argumentar, valorizando a opinião do outro, sem, no
3 METODOLOGIA
A metodologia é a ferramenta utilizada para a explicação precisa dos métodos, materiais, técnicas e instrumentos utilizados em todas as ações praticadas no decorrer da pesquisa. Segundo Severino (2006, p. 162), “métodos são
procedimentos mais amplos de raciocínio, enquanto técnicas são procedimentos mais restritos que operacionalizam os métodos, mediante emprego de instrumentos adequados.”
A pesquisa foi realizada em uma escola pública que desenvolve a estratégia de mediação de conflitos desde 2009.A investigação insere-se na abordagem do método qualitativo, uma vez que foi desenvolvida em uma escola – ambiente natural – por meio de entrevistas semiestruturadas, com quatorze atores da educação dessa instituição.
Bogdan e Biklen (2010) enumeram algumas características básicas da pesquisa qualitativa. Citam o ambiente natural como fonte direta dos dados e reconhecem que o principal instrumento da pesquisa é o próprio investigador. Sua forma é predominantemente descritiva e o processo constitui a razão da investigação. São os processos os privilegiados pelo pesquisador e não os resultados. A análise dos dados tende a ser feita de forma indutiva e o investigador