• Aucun résultat trouvé

UNE INTÉGRATION DU RAP DANS LA SOCIÉTÉ : LA RÉCUPÉRATION DE SES MYTHES ET STÉRÉOTYPES PAR LES

A. UNE RÉCUPÉRATION RELATIVE

2. Causes et effets de la récupération pour les marques

O ato de decidir se faz ou deixa de fazer alguma coisa pode resultar em um conflito interno. Desde sua origem, o homem vive e convive com o conflito, seja intra ou interpessoal. É comum a sociedade possuir uma visão negativa do conflito, muitas vezes se confundindo com violência, indisciplina. Por perceber o conflito como um fenômeno negativo, acredita que evitá-lo é a melhor forma de administrar a situação.

O dicionário Michaelis online (2012) apresenta várias definições para conflito e, na grande maioria, com tendências à concepção de conflito negativo:

conflito con.fli.to

sm (lat conflictu) 1 Embate de pessoas que lutam. 2 Altercação. 3 Barulho,

desordem, tumulto. 4 Conjuntura, momento crítico. 5 Pendência. 6 Luta, oposição. 7 Pleito. 8 Dissídio entre nações. 9 Psicol Tensão produzida pela presença simultânea de motivos contraditórios; segundo a psicanálise, há em todo conflito um desejo reprimido, inconsciente. 10 Social Competição consciente entre indivíduos ou grupos que visam a sujeição ou destruição do rival. C. cultural, Social: incompatibilidade entre valores culturais cujos portadores humanos estabelecem contato. C. de atribuições, Dir: fato que ocorre entre autoridades judiciárias e administrativas, quando cada uma

delas se julga, ao mesmo tempo, competente para deliberar sobre determinado caso. C. de jurisdição, Dir: questão sobre competência entre juízes ou tribunais da mesma jurisdição. C. de leis: a) divergência entre as leis de diferentes estados ou jurisdições, quanto aos direitos do mesmo indivíduo; b) divergência entre as leis atuais de um país e as que anteriormente regiam a mesma matéria. (MICHAELIS ONLINE).

A instituição que não desenvolve uma visão diferente da ideia do conflito negativo promove, por meio do currículo oculto, essa visão tradicional. Jares (2011, p. 24) ensina que “el currículo oculto de la escuela sirve de refuerzo de las normas básicas que rodean a la naturaliza del conflicto y sus usos.”É possível perceber a compreensão de conflito como comportamentos negativos, indesejáveis, de conteúdo agressivo, que prejudica as relações. Mas esta é uma concepção equivocada, pois, segundo Hammes (apud ALBUQUERQUE, 2011), os conflitos são da natureza humana. O importante é mudar a maneira de olhá-los e buscar formas diferentes de resolvê-los.

Chrispino e Chrispino (2002, p.29) alertam que “o conflito é parte integrante da vida e da atividade social, quer contemporânea, quer antiga.” Heredia (2009, p. 45) lembra que, na atualidade, “o conflito é algo inevitável nos relacionamentos sociais.” Mas também pode ser concebido como fator que irradia ideias, busca consenso sobre determinado assunto, valor ou interesse.

Redorta (2007) lembra que, no decorrer da história e nos diversos campos das interações humanas, os conflitos foram explicados de maneiras distintas: na interpretação de Freud, é uma luta pelo poder; em Darwin, é a luta pelo existir; Marx dá ênfase na luta pela igualdade; e Piaget compreende o conflito como a luta para ser, relacionada à aprendizagem. A escola atual comporta todas essas explicações. As interações educacionais estão permeadas pelo desejo de poder, de existir, de ser e de aprender. Das relações entre alunos, entre alunos e professores, entre professores, entre professores e pais, ou entre professores e direção, é possível que surjam ideias antagônicas, que podem ser motivadas por diversas causas e resultar em conflitos.

Segundo Heredia (2009), para enfrentar um conflito pode-se adotar um curso construtivo ou destrutivo. Ressalta o autor que o conflito provoca ansiedade que pode levar à busca de resolução rápida e prematura. Ele acredita que os conflitos têm muitas funções e valores positivos, e que permitir o enfrentamento das opiniões contrárias com controle e sem violência estimula o interesse e a curiosidade, bem como ajuda a estabelecer as identidades tanto pessoais como grupais.

Como adverte Chrispino e Chrispino, (2002, p. 56), “diferenças podem se transformar em antagonismos e que, se estes não forem entendidos, evoluem para o conflito, que deságua na violência.” No entanto, para Chrispino (2007), seus motivos não devem ser sufocados, porque o conflito ajuda a equilibrar as relações sociais; permite a percepção de que o outro tem uma posição diferente e que isto constituiu fonte de crescimento e amadurecimento social.

No entendimento do autor a respeito das consequências do conflito, é possível identificar pontos positivos e negativos a depender da escolha de como enfrentar o conflito. Corrobora esse entendimento Heredia (2009, p. 58), quando escreve que “o conflito é um elemento natural que acompanha as mudanças nas

instituições e no crescimento pessoal. É melhor enfrentá-lo com habilidade pessoal do que evitá-lo.” Também Galtung (1978 apud JARES, 2011) pensa o conflito em uma perspectiva positiva, como uma incompatibilidade de metas que se configura em um grande desafio, tanto intelectual como emocional, para as partes envolvidas. E acrescenta que é um elemento necessário para a vida social, assim como o ar é para a vida.

Os conflitos podem se apresentar sob vários aspectos: intrapessoal; interpessoal; intragrupo; intergrupo; entre pessoas e instituições. Segundo Moore (1998), os conflitos se classificam em latentes, quando não foram desvelados; emergentes, quando já se instalaram e é possível identificar suas partes e seu objeto: e manifestos, quando as partes tomam consciência de sua existência. Eles estão presentes nas instituições escolares e se não houver o desenvolvimento de estratégias podem culminar em violência.

Nos relacionamentos sociais entre os atores educacionais, como acontece nas relações intrafamiliar ou trabalhista, é possível observar a presença de ideias divergentes. Essas divergências emergem por vários motivos: história de vida, costumes, valores e até por torcer por um ou outro time de futebol. São exemplos simples, mas que ao desencadearem em uma discussão desmedida pode resultar em um conflito manifesto. O diálogo constituído de respeito à ideia do outro e da escuta atenta é, indubitavelmente, a ferramenta recomendada para ser aplicada.

O conflito surge da divergência de ideias, de concepções sobre um ato ou um fato, mas o ideal é que sejam identificados e, por meio do diálogo, evite que se desdobrem em violências. No entanto, muitas vezes, quando se identifica sua existência, ele já está produzindo manifestações violentas. Segundo renomados

estudiosos sobre o assunto – Chrispino (2007), Heredia (2009) e Jares (2011) –,o conflito é saudável, quando não resulta em violência.

De acordo com estudo da Organização das Nações Unidas (2002), a baixa capacidade de comunicação oral – falta de clareza e coesão nas palavras – leva a entendimentos diferentes pelo receptor.O baixo desempenho escolar, a impulsividade, os exemplos de violência em família, o não reconhecimento de qualidades pelos pares, indisciplina em aula, também integram o rol de fatores que podem desencadear um conflito.

Os atores da educação não estão livres das influências negativas provenientes da intolerância às regras estabelecidas, fato que se denomina indisciplina, que Estrela (2002, p.23) define como “acto de rebelião contra a regra da vida coletiva e contra o grupo.” Para essa autora, a manutenção da disciplina em uma escola reflete a produção coletiva de organização do trabalho e das relações humanas, por meio do diálogo em que cada um pode expressar sua opinião e ouvir a do outro, em uma troca de conhecimentos e de percepção do objeto em discussão.

Ressalte-se que disciplina não é representada pelo silêncio ou pela inércia. Ao contrário, disciplina é movimento planejado, conversas em equipes visando o alcance de um objetivo. É compreender o outro sem se anular. Enfim, é planejamento, organização e associação em busca da construção do conhecimento. Estrela (2002) ensina que é função da escola colaborar com os alunos na escolha de valores. E acrescenta que um indivíduo que não tem valores definidos sobre todo tipo de influência, torna-se uma pessoa dividida e, na escola, essa indefinição de valores pode resultar em conflitos.

Contudo, nas organizações escolares precisa ser considerada uma exceção à regra em que a cooperação e a solidariedade entre os indivíduos são a forma de interação, e, nesse processo, segundo Caliman (2008, p 165), “o sujeito confronta as suas próprias atitudes, opiniões e comportamentos, com as opiniões e comportamentos dos outros; e percebe a reação dos outros e redimensiona as próprias opiniões.”

Para Gontijo e Vieira (2008), a pedagogia – ciência educativa – se localiza em uma área de fronteira entre o conflito e o diálogo. Se o primeiro encaminha-se para o diálogo, a fronteira se transforma em local de riqueza, diversidade, respeito e acolhimento do diferente. Ao contrário, se o conflito permanece, ele gera aversão,

negação do outro e amplia distâncias. Em muitos casos, por imaturidade ou outros fatores pessoais, ou, até mesmo, pelo pensamento de que quem ganha é quem tem mais poder, mais força ou argumentos, as pessoas que se deparam com situações de ideias divergentes, buscam todas as formas para saírem vencedoras daquela situação. E quando ganham, percebem que, na verdade, o objeto da vitória não é útil para eles.

A título de ilustração, cito a passagem dos filmes Madagascar 2 e 3 (2008; 2012) na qual os animais adquiriram certa quantidade de ouro. Quando o pinguim chefe pensou em utilizar a sua parte, logo entrou em conflito intrapessoal: primeiro quis fazer um avião, porém, descobriu que o avião construído com o ouro não conseguia voar. Então fez uma dentadura com os dentes em ouro para conseguir comer maçã, entretanto, ao experimentar não gostou da fruta. Após um tempo, os animais descobriram que poderiam usar o ouro para melhorar suas apresentações no circo – o ouro já não estava disponível. Da mesma forma, o ser humano quando não esclarece as dúvidas e não reflete antes de agir ou se expressar pode praticar ações imaturas.

Salienta Heredia (2009, p. 51) que “o comportamento que se adota em uma situação de conflito é fruto de um processo de análise da situação e de avaliação das próprias habilidades e expectativas, influenciada por condições socioculturais e psicológicas.” E assim como os demais estudiosos sobre o assunto, Warat concebe o conflito como um fenômeno inerente ao ser humano, acrescentando:

Os conflitos nunca desaparecem, se transformam; isso porque, geralmente, tentamos intervir sobre o conflito e não sobre o sentimento das pessoas. Por isso, é recomendável, na presença de um conflito pessoal, intervir sobre si mesmo, transformar-se internamente, então, o conflito se dissolverá (se todas as partes comprometidas fizerem a mesma coisa). (WARAT, 2004, p. 26).

Na visão do autor, é essencial a transformação da pessoa em relação à situação de conflito, para que esse desapareça. Se as ações se limitarem a intervenções na situação de conflito, ela não desaparecerá, mas tende a se transformar.