UNE INTÉGRATION DU RAP DANS LA SOCIÉTÉ : LA RÉCUPÉRATION DE SES MYTHES ET STÉRÉOTYPES PAR LES
B. UNE RÉCUPÉRATION EFFECTIVE
2. Le « brand content »
3.2. L’endossement du rap
A mediação é uma estratégia informal e, segundo Chrispino e Chrispino (2002), sua aplicação no campo educacional surgiu na década de 80 do século passado, em resposta aos anseios da comunidade americana, que notava uma crescente onda de violência nos estabelecimentos escolares. Teve origem nos grandes problemas que envolveram discussões em nível mundial, na primeira metade do século passado.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, surgiu a necessidade de estudos sobre o conflito com visão da antropologia, sociologia, economia, psicologia e direito. Em 1970, apareceram, nos EUA, estudos sobre as Técnicas Alternativas de Resolução de Conflitos (TARC), envolvendo terapia de famílias, briga de vizinhos e conflitos políticos. Naquela década houve também preocupação com os conflitos escolares. Esta modalidade de intervenção nos conflitos no interior da escola desponta com o objetivo de prevenir a violência.
A escola pode ser vista como espaço de encantamento, onde se adquire e constrói conhecimentos de forma prazerosa. Espaço coletivo – onde se constrói a socialização e se pratica a sociabilidade. Lugar onde é possível tratar o erro como uma opção errada, mas que se pode optar, mesmo depois de se ter errado, por outro caminho. A escola não é por si só a instituição responsável pela coerção das pessoas. É lugar de aprendizagem e de desenvolvimento saudável.
Alcaro (2009) salienta que a mediação é uma forma de proporcionar condições às partes envolvidas para uma administração construtiva do conflito, almejando mudança de comportamento frente ao problema. Maturana (2001) chama de comportamento as mudanças ou posições tais como as ações ou movimentos dos indivíduos perante um determinado ambiente. Ortega et al. (2002)observa que a mediação é uma forma de intervenção de um terceiro no conflito entre duas partes, com vistas a um acordo. Essa intervenção requer o reconhecimento da responsabilidade de cada um no conflito, resultando em uma aliança sobre como agir para elidir a situação de crise, evitando maiores prejuízos para as partes e terceiros envolvidos.
Jares (2011) concebe a mediação como um meio de intervenção no qual é necessário que as partes envolvidas aceitem o processo para refletirem sobre o conflito. Este procedimento não comporta poder de decisão do mediador, que é alheio e imparcial ao conflito. Tem o escopo de facilitar que as partes cheguem a um acordo por meio do diálogo. Ressalta o autor que a relação que era binária na sua origem, com a participação do mediador – o qual tem o papel de coordenar e controlar o processo – transforma-se em uma relação tríade. O caráter educativo desse processo, segundo o autor, está no fato de as partes manterem sua capacidade de ação e aprendizagem para chegar a um acordo. Assim, pode-se dizer que é um processo ativo tanto para as partes como para o mediador.
Esta estratégia tem como escopo que as partes conversem e reflitam sobre os conflitos, clarificando as ideias e desmistificando os fatos. Segundo Chrispino e Chrispino (2002, p. 42),a mediação “é uma forma de resolução de conflitos que consiste basicamente na busca de um acordo pelo diálogo, com o auxílio de terceiro imparcial – o mediador.” Para Oyahanarte (1996 apud CHRISPINO; CHRISPINO, 2002), é um tipo de intervenção direta que visa estabelecer significados aos atos de terceiros, auxiliando-os na solução de conflitos. Já Alcaro (2009) define a mediação como um processo colaborativo, de auto composição do conflito de caráter sigiloso, voluntário, consensual, confidencial e informal, que economiza tempo, energia e dinheiro. Acrescenta que a prática da estratégia mediática requer – em uma abordagem terapêutica – capacidade de ouvir, bem como registro e manejo dos problemas emocionais, que porventura ocorrerem no decorrer do processo.
Uma das principais funções da estratégia de mediação de conflitos consiste em promover o diálogo. O processo dialogal é realizado pela fala e pela escuta. Berti (2011) pontua que a escuta é uma maneira de fazer o outro se sentir bem, é uma forma de acolher e ajudar a reencontrar o caminho. A escuta é uma das formas de ajudar o outro a buscar no seu interior a solução dos conflitos. Para realizar a escuta, são necessários os olhos e o coração. Acrescenta que escutar atentamente é dispensar atenção especial à pessoa que precisa ser ouvida. Na concepção do autor, para realizar bem o exercício da escuta é preciso ser empático – colocar-se no lugar do outro, sentir o que o outro sente e mergulhar no seu pensamento, interpretando suas opiniões. É não emitir julgamentos e não falar de si mesmo durante a escuta. Não impor sua opinião ou dar conselho. É simplesmente ouvir. Quando se escuta verdadeiramente o outro, ele próprio se escuta; e quando ele se escuta, se liberta.
Jares (2008) corrobora o ato de escutar ativamente como condição imprescindível ao processo de resolução de conflitos e sugere que a habilidade de parafrasear favorece o diálogo. Explica o autor que parafrasear é o ato de repetir ou sintetizar ao emissor o que ele disse, a fim de que assimile o que declarou e confirme ou esclareça a mensagem emitida. O diálogo possui a capacidade de transformar situações difíceis em novas possibilidades, conforme afirmativa abaixo:
Quando alguém nos escuta com atenção, abstendo-se de julgamentos, críticas e opiniões, pode despertar em nós algo surpreendentemente novo, capaz de transformar uma situação aparentemente impossível numa nova
possibilidade, despertando nossa disposição e coragem de negociar possíveis interesses e necessidades. (MUSZKAT, 2005, p. 93).
É possível realizar a escuta de várias formas. Na mediação de conflitos escolares, o ideal é que seja realizada uma escuta atenta, demonstrando compreensão. Maria de Montessori (apud BERTI, 2011) alerta que, na educação, é importante antes de gritar, emitir uma palavra, e antes da palavra é importante fazer um gesto e antes do gesto, produzir um olhar. O diálogo não se efetiva apenas com palavras. O ser humano se entende e compreende por gestos, olhares, afetos. Weil e Tompakow (2001) afirmam que o corpo fala, e o gesto corporal significa muito mais do que determinadas palavras ditas, gerando exemplos perceptíveis em uma linguagem universal capaz de gerar a paz e a solução de conflitos. Gadotti (1996) enfatiza a prática do diálogo como forma de horizontalizar as relações entre as pessoas em relação, e relembra quando Freire (2011) declara que os homens se educam juntos na transformação do mundo.
Na compreensão de Jares (2011), o desenvolvimento do processo de mediação apresenta a função de: promover o controle das interações negativas, propiciando a fluidez da comunicação; conduzir as partes à compreensão do conflito de forma global, não permitindo sua concepção de forma parcial; favorecer a visão desconectada dos interesses e sentimentos; estimular e valorizar as diferenças como fatores de enriquecimento de opções para controlar ou resolver os conflitos; e restabelecer as relações violadas em situações de conflito. Aréchaga e Brandoni (2009) referem-se à mediação como um processo, uma ferramenta de socialização, capaz de promover a pacificação na escola. Um instrumento para desenvolver nos atores da educação, habilidades para enfrentar positivamente os conflitos.
Para Gadotti, o diálogo, por possibilitar a comunicação, é uma exigência existencial:
Para pôr o diálogo em prática, o educador não pode colocar-se na posição ingênua de quem se pretende detentor de todo o saber, deve, antes, colocar-se na posição humilde de quem sabe que não sabe tudo, reconhecendo que o analfabeto não é um homem perdido, fora da realidade, mas alguém que tem toda uma experiência de vida e por isso também é portador de um saber. (GADOTTI, 1996, p. 86).
Nesta esteira, a mediação no âmbito escolar é uma estratégia informal alternativa de prevenção, controle e resolução de conflitos que pode ser desenvolvida por qualquer pessoa que demonstre interesse e se disponha a
capacitar-se por meio do curso de formação específico. É aconselhável que haja a supervisão e acompanhamento do processo por parte dos responsáveis pelo programa.
A função da mediação no âmbito escolar é administrar os conflitos escolares, garantindo o direito dos atores educacionais ao saber e preservando-os em relação ao bullying e a outros preconceitos, estigmas. Porém, nem sempre a mediação porá fim ao conflito. Os conflitos resultantes do dia a dia nas escolas que podem gerar violências requerem diferentes estratégias de intervenção: preventiva, que envolve a cooperação dos agentes envolvidos seja direta ou indiretamente; a educação para o controle das emoções, abrangendo a autoconfiança, a confiança no outro, a aceitação de brincadeiras saudáveis ou a sua recusa sem violências e constrangimentos; a intervenção direta, que visa o controle e a administração dos conflitos, no caso a mediação.
Chrispino e Chrispino (2002, p. 46) sinalizam que “iniciar a mediação de conflitos na escola é introduzir outra maneira de ver e de ser, mais aberta e verdadeira.” De acordo com os autores, é possível que a mediação resulte na contenção das manifestações violentas estabilizando as relações e desenvolvendo atitudes não violentas. Ressalta o autor que esta estratégia quando atinge o objetivo induz o desenvolvimento de tolerância, responsabilidade e iniciativa individual, resultando na capacidade das partes de conviverem no mesmo espaço. A mediação impede, na maioria dos casos, a ruptura das relações. E, mesmo que não ponha fim ao conflito, mostra-se eficaz na sua administração. Para ele, quando o aluno é chamado a participar e a buscar soluções para o conflito, seja como parte ou mediador, despontam a tomada de consciência e o pensamento crítico.
O processo de mediação comporta a aquisição de novos comportamentos, de uma visão diferente dos problemas, bem como a sensibilização para conviver com a diversidade. Blin e Deulofeu (2005) alertam para o significado de aprender: em sentido amplo, pode ser adaptar, adquirir novo comportamento depois de uma experiência. A finalidade da aprendizagem, além da aquisição de conhecimentos, pode abranger a assimilação de habilidades e de atitudes, as quais desencadearão em uma intervenção consciente do aprendiz, que elabora uma nova representação mental da realidade, quando essa aquisição não é um condicionamento.
O objetivo da mediação no âmbito escolar é colaborar com as partes para que entendam e reflitam sobre o conflito. No processo de mediação em termos gerais, o
mediador ajuda as partes a traçar objetivos e descobrir opções para celebrar um acordo que as satisfaça mutuamente. Demonstra-se, assim, que não é um procedimento impositivo. Nesta situação, as partes decidirão, com a orientação do mediador, preservando a autonomia e a vontade quanto ao acordo resultante do procedimento. Seu papel é promover condições para as partes encontrarem propostas e formas para prevenir, controlar ou resolver o conflito, evitando os confrontos violentos e a necessidade de decisões extremas de pessoas dotadas de poder para determinar o ganho de uma parte em detrimento de perda da outra.
Para a mediação de conflitos, são necessárias uma ou duas pessoas – mediador e co mediador. Geralmente nas escolas existe o orientador educacional que desenvolve seu trabalho com técnicas que desembocam na mediação. No entanto, outros atores escolares podem contribuir neste sentido, sendo necessário participar de um curso de formação. A técnica de mediação requer treino, curso, formação. Exige que o mediador seja capacitado para prevenir, solucionar ou controlar as situações de conflitos que afloram no cotidiano das escolas e que podem se transformar em ótimas oportunidades de aprendizagem e de trocas de experiências. No Brasil, escolas de vários estados vêm desenvolvendo essa prática com sucesso, como é o caso da instituição objeto deste estudo.
Segundo Confessor (2012), a estratégia mediação de conflitos no âmbito escolar não se limita à técnica de mediar conflitos entre duas partes ou dois grupos. A estratégia pode abranger palestras para prevenir e esclarecer o coletivo da escola sobre fatos atuais, como homofobia, uso indevido de drogas, bullying, gravidez precoce, alimentação adequada. Algumas ações desse conjunto visam à prevenção, como é o caso de palestras e reuniões. A técnica em si tem o objetivo de controlar, resolver ou transformar os conflitos.
Uma das principais características da estratégia mediação de conflitos é a voluntariedade. Para intervir em um conflito, é importante que a pessoa se sinta preparada e segura quanto a sua atuação diante da situação e das partes. Também são características da mediação a informalidade, a autonomia da vontade das partes, a flexibilidade, a simplicidade, a confidencialidade e a efetividade. A autonomia da vontade das partes é destacada, visto que elas conhecem o conflito, o que permite levantar soluções adequadas e possíveis de realização para a efetivação do acordo não formal.