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Le Grand Cataclysme

Dans le document Gimli, Hervé THRO (Page 129-133)

10 - Construire son nid

42. Le Grand Cataclysme

Segundo diretrizes apresentadas nos Parâmetros Curriculares Na- cionais (1998), a escola possui importante papel como agente social na construção da cidadania, sendo responsável pela formação do cidadão crítico que atua ativamente em diversos segmentos da sociedade.

A sobrevivência na sociedade depende cada vez mais de conhecimento, pois diante da complexidade da organi- zação social, a falta de recursos para obter e interpretar informações, impede a participação efetiva e a tomada de decisões em relação aos problemas sociais. Impede, ain- da, o acesso ao conhecimento mais elaborado e dificulta o acesso às posições de trabalho (BRASIL, 1998, p. 26).

Assim, algumas condições e situações similares às da sociedade pre- cisam ser reproduzidas no ambiente escolar permitindo aos alunos que desenvolvam atitudes críticas e participem ativamente dos processos nos quais estão inseridos. Dentro do ambiente escolar, a Matemática possui um papel específico na formação do cidadão. A importância da Matemá- tica na construção da cidadania é ressaltada nos PCN da seguinte forma:

A Matemática pode dar sua contribuição à formação do cidadão ao desenvolver metodologias que enfatizem a construção de estratégias, a comprovação e justificativa de resultados, a criatividade, a iniciativa pessoal, o trabalho coletivo e a autonomia advinda da confiança na própria capacidade para enfrentar desafios. (BRASIL, 1998, p. 27)

Entretanto, alguns pesquisadores afirmam que, muitas vezes, a Ma- temática pode produzir formas de exclusão social, não só pelo cenário desfavorável do sistema ensino, mencionado anteriormente, mas tam- bém pela forma como os conteúdos são abordados.

Em particular, educadores e pesquisadores fazem referência ao avanço da tecnologia no processo de globalização. Ela tem permeado a sociedade, trazendo reflexos no meio escolar. Como parte desse processo, o processo

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de ensino-aprendizagem da Matemática pode aportar aspectos positivos e negativos para os alunos.

Segundo o sociólogo polonês Bauman (1998, apud SKOVSMOSE, 2007, p. 243), a globalização “divide tanto quanto une; divide como une – as causas da divisão sendo idênticas àquelas que promovem a uni- formidade do globo”. Analisando essa dicotomia, resulta como aspectos positivos: a distribuição de serviços de telefonia; acesso a hospitais e es- colas; bens como carros, computadores e aparelhos eletrônicos. Dentre os aspectos negativos, é citada a exclusão social, econômica e política constituída pelo que o sociólogo espanhol Manuel Castells define como Quarto Mundo (1998, apud SKOVSMOSE, 2008, p. 107).

O Quarto Mundo contém boa parte do que tradicional- mente é chamado de Terceiro Mundo. Contudo, o Quarto Mundo não é definido simplesmente em termos geográfi- cos, pois ele se espalha pelo mundo. Está presente nas me- trópoles de todos os países. Ele é constituído por aqueles que não encontram uma “função” na economia globaliza- da. (SKOVSMOSE, 2008, p. 107)

Skovsmose (2007) também defende que a globalização tanto divide quanto unifica. O autor afirma que ligados aos processos de globalização e da formação de guetos (o Quarto Mundo), estão os processos de distri- buição de coisas boas e coisas ruins por todo o mundo, por exemplo: mé- dicos; aparelhos tecnológicos; carros; indústrias; poluição; insegurança. A distribuição de coisas boas e ruins provoca desigualdades não só entre as nações, mas também dentro da mesma escola e da mesma sala de aula. Considerando a Educação Matemática, Skovsmose (2007) diz que:

A educação matemática é parte da distribuição dessas “coisas boas” e “coisas ruins” pelo mundo. Distribui competências e oportunidades. Também parece distribuir obstáculos. Para encaminhar o papel crítico que a educa- ção matemática poderia estar desempenhando, é impor- tante considerar o papel e o funcionamento da educação matemática “a partir de baixo”, também. (SKOVSMOSE, 2007, p. 244)

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Segundo Skovsmose (2008), essa participação da Educação Mate- mática nas coisas ruins muitas vezes não é evidente nas pesquisas pela prioridade dada ao que ele denomina salas de aula modelo, em que se reúnem condições ideais no que diz respeito à estrutura, aos professo- res e aos alunos. No entanto, apesar da presença significativa no nosso Sistema de Ensino e sobretudo no Sistema Público, a sala de aula real do Quarto Mundo não opera como um parâmetro nas pesquisas em Edu- cação Matemática. Consequentemente, situações recorrentes, que evi- denciam a exclusão social por meio da Matemática, ficam omitidas. E, assim, minimizam as possibilidades de efetivamente transformar a Edu- cação em agente social na construção da cidadania.

A exclusão social ocorre também por meio das tecnologias. O termo tecnologia é habitualmente associado a computadores ou equipamentos eletrônicos; entretanto, o conceito de tecnologia proposto aqui possui significado mais amplo. Tecnologia trata do envolvimento da Matemá- tica com megaestruturas tecnológicas da sociedade, como imposto de renda, bolsa de valores, índices da economia, codificações, overbooking, etc. Dessa forma, atribui-se um status de poder àquele que domina o co- nhecimento matemático envolvido nessas megaestruturas tecnológicas, ao mesmo tempo que mantém à margem da sociedade aquele que não as domina, expandindo a exclusão social por meio da Matemática.

Ellul (1964, apud SKOVSMOSE, 2001, p. 97) também amplia essa perspectiva, vendo a tecnologia como um princípio fundamental da estru- turação social que se relaciona a todos os aspectos da vida social. A Mate- mática tem papel associado diretamente ao desenvolvimento tecnológico, sendo esse desenvolvimento de fundamental importância na sociedade. Skovsmose (2001) corrobora com essa afirmação ao expor que:

Obviamente, enfocar o papel da Matemática como parte de um desenvolvimento tecnológico pressupõe que a Ma- temática esteja “fazendo algo” pela sociedade. Usarei a for- mulação de que a Matemática está formatando a sociedade, ou que a Matemática tem um poder de formatação. (SKO- VSMOSE, 2001, p. 98)

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Então, conclui-se que a Matemática é também responsável por promover a inclusão e a exclusão social. A exclusão social por meio da Matemática é uma consequência da situação atual no Sistema de Ensino e tem reflexos na sociedade.

Na presente pesquisa, considera-se que o ensino de Matemática tem a função social de agir como uma ferramenta que pode contribuir para reduzir as disparidades sociais, particularmente em relação às ações tec- nológicas da sociedade, e com a formação de cidadãos capazes de produ- zir atitudes e pensamentos críticos e reflexivos.

Será discutida a seguir uma possibilidade de transformar a atual perspectiva insuficiente da Matemática em uma perspectiva ideal, con- forme pressupõem os PCN para a educação básica.

Dans le document Gimli, Hervé THRO (Page 129-133)