3. Segmentation du cerveau antérieur
3.2. Le diencéphale
Nos países de grande dimensão territorial, como o Brasil, o avião desempenha um papel fundamental por representar o único meio de transporte capaz de interligá-los de ponta a ponta no mesmo dia. Transportam passageiros, cargas, mala postal, órgãos para transplante, vacinas, pacientes para tratamento nos centros mais equipados e permitem o desenvolvimento de inúmeras cadeias produtivas que seriam inviabilizadas se não fosse a agilidade proporcionada pelo seu serviço.
Na maior parte dos países em desenvolvimento, onde os transportes de superfície com freqüência são insuficientes ou precários, a aviação civil permite a criação de uma infra- estrutura de transporte a um custo infinitamente inferior ao custo de outras modalidades. Esse fato ocorre em vários países em desenvolvimento, os quais, limitados em seus esforços de crescimento em função da insuficiência de transportes de superfície, lançam mão da aviação como elemento-chave de integração, assistência e segurança (Silva, 1991).
Segundo Teixeira e Amorim (2005):
"A história dos aeroportos está amplamente ligada à própria história da aviação, uma vez que a decolagem e a aterrissagem das máquinas voadoras necessitavam de um lugar específico, de onde receberiam propulsão e manutenção".
De acordo com as autoras, o crescimento do tráfego aéreo, primeiro de cargas e depois de passageiros, criou a necessidade de uma infra-estrutura que desse apoio às atividades e aos funcionários e usuários das aeronaves. A partir daí surgiram as construções dos hangares com maior capacidade, escritórios, correios, depósitos, alfândega e salas de espera para os passageiros, além de outras facilidades. E se os aeroportos acompanhavam a precariedade dos tempos idos, geralmente restritos a uma pequena pista de terra batida e um terminal de madeira; evoluíram junto com o aperfeiçoamento tecnológico das aeronaves e com o seu alcance cada vez maior, aumentando o contato entre regiões remotas e criando novas necessidades nascidas dessas interações.
Então, como os aviões tornavam-se cada vez maiores, comportando mais assentos, os terminais deveriam crescer para comportar a maior quantidade de pessoas que por ali transitavam. Da mesma forma, se os porões se expandiam e os motores se tornavam mais potentes, a carga transportada possuía maior volume e peso, necessitando de maiores galpões de armazenagem e veículos para o seu transporte de um ponto a outro do aeroporto.
Se os vôos tornaram-se mais longos devido ao seu maior alcance, as pessoas passaram a necessitar de determinados serviços antes e depois da viagem, como restaurantes, livrarias,
postos médicos, hotéis, carregadores de bagagem, etc. Além disso, a concepção dos terminais de passageiros que antes induzia à menor permanência possível dos usuários em seu interior, busca atualmente reter as pessoas (passageiros ou não) ao máximo, a partir de uma atmosfera confortável obtida com arquitetura de alta qualidade, visando estimular o consumo de bens e serviços nas suas dependências.
Nesse crescente de demandas (de serviços, de destinos, etc.) por parte dos usuários e de ofertas (de assentos, de espaço para carga, de agilidade, etc.) por parte das companhias aéreas, os aeroportos como intermediadores desse processo evoluíram e se tornaram mais sofisticados, adquirindo um grau de complexidade tal que reproduzem em maior ou menor grau a dinâmica e os equipamentos urbanos, assemelhando-se a uma cidade de fato.
Esse processo e o seu resultado são denominados por vários autores, entre eles Kasarda (2006) como city-airports ou cidades-aeroporto. O termo Cidade-Aeroporto surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos, nos anos setenta, porém com um significado diferente do que é hoje adotado. Naquela época, o termo se referia aos parques tecnológicos e empresariais situados juntos a um campo de aviação. Eventualmente era usado para designar o município onde se situava o aeroporto de um grande centro (Teixeira e Amorim, 2005). No próximo capítulo o conceito será melhor explicado, bastando no momento como referência sobre o que se tornaram os aeroportos no Brasil e no mundo ao longo do século XX.
Dessa forma, de campos improvisados para pouso a investimentos estratégicos planejados especialmente durante os governos militares (1964-1985), muito mudou na administração, nas técnicas de implantação e construção e na interação dos aeroportos com os seus usuários e com as regiões sob sua influência.
Como dito anteriormente, se antes significavam a ligação de localidades remotas com cidades maiores, hoje são portas de entrada para o turismo de negócios e lazer, são “fiéis- da-balança” no comércio entre países, interferindo diretamente na balança comercial e no lucro das empresas exportadoras e importadoras de acordo com o grau de eficiência da sua estrutura e da logística de carga que suporta. Conseqüentemente são importantes para viabilizar a arrecadação de taxas e tributos para os governos em todas as suas esferas.
Além de grandes contribuintes dos tesouros locais e nacionais, os aeroportos participam de outras formas do desenvolvimento econômico nas regiões onde estão inseridos. Graham (2001) apud Kuhn (2003) admite dois tipos de impactos econômicos provocados pelos aeroportos em suas hinterlândias1:
a) Impactos diretos: renda, emprego, investimento de capital, receitas de taxas geradas pela significativa atividade econômica do aeroporto;
b) Impactos indiretos: desenvolvimento do turismo (lazer e negócios), investimentos em infra-estrutura remota (armazéns, filiais de grandes empresas, melhorias na estética e na estrutura urbana).
Palhares e Espírito Santo Jr. (2001) apud Kuhn (2003) também classificam dois tipos de
impactos econômicos gerados pelos aeroportos, em escala regional e nacional, considerando também que o aeroporto pode interferir diretamente (pelos mesmos mecanismos de receitas, impostos e geração de renda) e indiretamente (como facilitadores de outras atividades econômicas) no desenvolvimento da região.
Também é grande a preocupação atual com o impacto ambiental gerado pelos aeroportos. Têm sido criados ou adotados programas ambientais para atuação em variadas frentes, tais como o licenciamento ambiental, tratamento de resíduos, ruído, eficiência energética, controle de poluição, dentre outros voltados para as especificidades de suas atividades.
Soma-se a isto a importância da busca pela sustentabilidade urbana que, segundo Romero (2004) apud Teixeira & Amorim (2005), se volta para as relações entre espaço, economia e sociedade de forma integrada, as quais podem ser aplicadas às edificações aeroportuárias ao se considerar que, mais que espaços públicos ou semi-privados, eles passam a ser entendidos como cidades - as cidades-aeroporto - e até mesmo administrados com instrumentos utilizados no planejamento e gestão urbana (Teixeira & Amorim, 2005).
Além disso, os aeroportos passam a espelhar as regiões sob sua influência espacial (ou seja, o raio no qual estão contidas as pessoas e empresas dispostas a usar os serviços
1
daquele aeroporto), funcionando como porta de entrada para a localidade e de certa forma espelhando o seu grau de evolução socioeconômica.
Apesar disso, o marketing em torno dos aeroportos brasileiros, por exemplo, e das regiões por eles atendidas ainda é incipiente, talvez como conseqüência da não incorporação dos novos paradigmas analisados neste trabalho e de ainda não serem considerados como atores relevantes para o desenvolvimento das regiões, salvo algumas raras exceções. A divulgação dos serviços e das vantagens competitivas locais é uma das tarefas do aeroporto moderno, que detém responsabilidades em relação à região que o abriga.
Um resumo do novo papel do aeroporto na lógica socioeconômica das regiões é elaborado por Güller e Güller (2002):
"A situação do aeroporto dentro da área metropolitana torna indispensável o desenho de planos estratégicos integrais, que compreendam tanto a ordenação territorial, como o planejamento de transportes. A criação de infra-estruturas de transportes e o desenvolvimento imobiliário na área aeroportuária já não podem ser considerados de forma separada".
No capítulo seguinte, pretende-se expor os novos conceitos de concepção e gestão dos aeroportos, mais propriamente em relação ao uso e transformação de seu espaço físico, como resultado das profundas mudanças na economia mundial e no estado-da-arte do planejamento regional.