LE DECOLLAGE ECONOMIQUE
B- L E MAÏS GRAIN : PRODUCTION , PRIX ET IMPORTATIONS
Figura 35
Maimuna Adam
Vive e trabalha em Maputo, Moçambique
Miriam Maimuna Einarsen Adam concluiu a Licenciatura120 na Faculdade de Humanas, departamento de Artes Visuais, na Universidade de Pretória na África do Sul, em 2008.
Atua como artista plástica e como professora do Instituto Superior de Artes e Cultura, ISArC, onde lecionou em 2010 Desenho de Artes Visuais e Introdução a Fotografia no curso de Design e em 2011, para a mesma turma do 1º Ano, as disciplinas de Desenho e de Introdução ao Design.
Integrou as Bienais Expo-Arte Contemporânea, organizadas pelo Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique, MUVART, nas edições de 2008 e 2010.
Sendo uma das primeiras artistas moçambicanas a trabalhar com o vídeo, o seu trabalho traz uma abordagem relacionada à perspectiva da história individual. Em entrevista concedida em julho de 2010, em Maputo, a artista fala da sua trajetória, de seus planos futuros e da importância de trabalhar no Museu Nacional de Arte, MUSART, quando da primeira bienal organizada pelo MUVART, em 2004.
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Monografia apresentada “Between Diaspora and Globalisation: An interpretation of artworks by The Contemporary Art Movement of Mozambique”, Faculty of Humanities, University of Pretoria, 2008.
Posteriormente, ADAM participa já como artista na Expo-Arte
Contemporânea121 que se realizou no Museu Nacional de Arte, MUSART, em Maputo, em 2008. Com o trabalho intitulado 100% Moçambicana, uma instalação, a artista estampa sua própria imagem em três camisetas brancas (Fig. 36).
Figura 36 100% Moçambicana Acervo da Artista
A exposição nomeada Toca do Rato, subtítulo da Bienal Expo-Arte
Contemporânea, 2008, contou com a participação, além de Maimuna Adam, dos
artistas Amaral, Anésia Manjate, César Torres, David Mbonzo, Gemuce, Geremias, Gonçalo Mabunda, Jorge Dias, Madoricane, Marcos Muthewuye, Miguel Valingue, Naguib, Sílvia Bragança e Ulisses representando Moçambique. Da Itália Emma Vitti e Marilena Sassi; e do Brasil o artista Genivaldo Amorim, contabilizando 18 artistas expositores.
Maimuna Adam trabalha com diferentes temas, porém entre eles notam-se algumas características comuns, tais como questões: identidade, gênero, ausência, tradição.
Sobre o seu trabalho a artista comenta:
100% Moçambicana” começou como uma série de fotografias feitas com a técnica 'pinhole' mas digital, onde vesti-me de capulana e usei uma máscara Mapiko. Decidi usar as imagens nesta série de 't-shirts' para 'brincar' um pouco com a idéia das 't-shirts' vendidas na Marginal de Maputo (e em outros sítios), em que a identidade Moçambicana é 'exposta' para ser vendida e consumida (figuras históricas, o emblema da república, lemas como “Moçambique é fixe” e outras imagens). O título do trabalho também ganha significado porque foi feito na África do Sul, e enviado ao Museu Nacional de Arte para a Bienal do MUVART (2008), enquanto eu acabava os estudos em Pretória.122
A identidade relacionada à comunidade e ao individual é um caminho explorado neste trabalho; outro aspecto abordado é a ideia de nacionalidade relacionada à tradição com a alusão à Máscara Mapiko; também interagem com as questões de gênero da obra de Maimuna Adam.
A Expo-Arte Contemporânea, 2010, realizou-se no Museu Nacional de Arte, MUSART, em Maputo. Maimuna Adam participa com o trabalho intitulado O
Lar/Home Vídeo, 2010 (Fig. 37).
122 E-mail, 18.maio. 2011.
Figura 37 - Maimuna Adam
O Lar/Home Vídeo, 4 min 18 sec (stills)
MUVART EXPO’10 Rotura e Desconversão, Museu Nacional de Arte, Maputo, 2010.
A inclusão do vídeo, e especificamente da artista Maimuna Adam, como uma modalidade da linguagem artística contemporânea vai ao encontro da proposta desta Bienal, como podemos ver no texto assinado pelo Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique, MUVART e na apreciação do seu trabalho cuja temática se encontra alinhada ao propósito:
Através de alguns artistas aqui apresentados, a exposição vem dar a conhecer o contorno que a arte contemporânea em Moçambique está a tomar. Estes trabalhos estão virados para uma arte transnacional, que dialogam com universos multiculturais. Os artistas tem vindo a abrir mão de programas estéticos, matrizes nacionalistas e narrativas sócio/político/culturais, por um percurso individual e subjetivo na produção das Artes Visuais nos dias de hoje. Os mesmos encontram seus pares em outras geografias de matriz cultural diferente. 123
Percebe-se a tentativa do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique, MUVART, de apresentar em cada edição um diálogo entre a produção local e a global. Especificamente sobre a linguagem do vídeo diz RUSH:
Seja por meio de narrativas, experimentações formais, teipes humorísticos curtos ou mediações em grande escala, a videoarte, no final do século XX, assumiu uma posição de legitimidade, até mesmo de proeminência, no mundo da arte, que pouquíssimos consideravam possível mesmo nos anos 80. Suas possibilidades aparentemente infinitas e sua relativa acessibilidade tornaram-na cada vez mais atraente para jovens artistas que cresceram em uma era de saturação dos meios de comunicação de massa. O vídeo é uma maneira de participar de, e reagir ao exagero dos meios de comunicação de massa; além disso, é um meio acessível para a transmissão de mensagens pessoais. 124
A pertinência do trabalho de Maimuna Adam insere-se nesta definição de RUSH; é um percurso coerente na trajetória da artista, e o uso desta linguagem, o vídeo, tem auxiliado a artista nas discussões que vem propondo, como podemos notar no trabalho O Lar/ Home, 2010 (Fig. 37). No cenário moçambicano, as linguagens que demandam tecnologia não são usuais por uma razão: não são acessíveis, isto tornando restrita a sua adoção.
A principal característica na obra em progresso da artista é trazer junto a temática de cunho pessoal; entre outras, a crítica sobre a noção de cultura como podemos observar no trabalho 100% Moçambicana, 2007. Uma cultura que massifica valores e que destitui o indivíduo de sua história.