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PROCESSUS D’INTÉGRATION DIFFÉRENCIATION

IMPLICATIONS À L ’ INTERFACE DES ENTITÉS

1.1. VERS UNE DÉFINITION DE L’INTERFACE ORGANISATIONNELLE

1.1.3. L' INTERFACE SOCIALE : ORGANISATION DE RELATIONS ET LIEU DE CONFLITS

A prestação de cuidados de enfermagem de excelência foi e, será sempre, um desafio, interligado ao saber, saber fazer e saber ser. É uma tarefa árdua, mas gratificante, em que a enfermagem, como diz Benner (2001, p.18) “é praticada em contextos reais, com dificuldades, possibilidades e recursos reais (…) é socialmente construída e colectivamente concretizada”.

Ao EEESCJ, em qualquer que seja o contexto que a criança/adolescente e a família/pessoa significativa se encontrem, compete dar resposta nas situações de especial complexidade e vulnerabilidade. Para tal detém conhecimentos e habilidades que lhe permitem antecipar e responder a diversas situações específicas de saúde, nomeadamente em situações de emergência (OE, 2010b).

A OE descreve que compete ao EEESCJ prestar cuidados específicos em resposta às necessidades da criança/jovem e família e nesse sentido deve procurar conhecer essas mesmas necessidades. Assim sendo, e associando as competências comuns do EE, este deve assumir um papel importante neste âmbito, de forma a criar, gerir, supervisionar e promover projetos e programas de saúde que possam ir, particularmente, ao encontro das necessidades dos adolescentes (OE, 2010a, 2010b).

Ao longo do estágio, o “cuidado transicional” (Zagonel, 1999, p.25), incluiu as questões do crescimento e do desenvolvimento, a promoção da saúde, o lidar com a doença e a sua recuperação. Pela sua especificidade, o atendimento ao adolescente exigiu especial atenção, com o aprofundamento dos conhecimentos relativos ao desenvolvimento nesta fase da adolescência, no sentido de responder atempada e adequadamente às suas necessidades de atendimento, de saúde e de educação.

O adolescente é um cidadão pleno de direitos e o principal ator na promoção e construção da sua saúde, pelo que os serviços de saúde devem dar enfoque a um atendimento específico que abarque todas as mudanças e necessidades específicas

Esta experiência permitiu igualmente cimentar as competências relacionais previamente existentes, e explorar o desenvolvimento de competências de atendimento, comunicação e disponibilidade em situações particulares de transição com todos os receios e medos que lhe são inerentes.

Pessoalmente, desenvolvi a capacidade de organização e gestão dos cuidados de maior especificidade ao adolescente, ou de maior complexidade ao RN internado, assim como no desenvolvimento e suporte de iniciativas de melhoria da qualidade dentro da equipa de saúde, como por exemplo os folhetos sobre diversificação alimentar para a USF e a proposta de instrução de trabalho no âmbito da dor no RN para a Neonatologia.

Identifiquei oportunidades de melhoria da qualidade dos cuidados no atendimento ao adolescente no SUPed-x, tendo auscultado a equipa de saúde durante os turnos, efetuado entrevistas aos adolescentes, questionários aos enfermeiros do serviço, e solicitado a participação da equipa de saúde com ideias via e-mail, após o qual, integrando as suas sugestões, planeei e implementei algumas ações para melhoria do atendimento ao adolescente, salientando-se a reorganização dos espaços e funcionamento do serviço de modo a aumentar a privacidade do adolescente e sua família.

Foi feita a proposta de utilização de um gabinete de observação específico para o adolescente, sugerida por alguns membros da equipa de saúde, e a proposta de introdução de alguns meios lúdicos destinados aos adolescentes no internamento (eg. televisão e wireless), sugeridos pelos adolescentes, que ficam pendentes de autorização do diretor do serviço.

Através dos questionários aos enfermeiros, foram identificadas algumas das suas necessidades de formação, tendo intervido através da formação em serviço sobre o atendimento ao adolescente (via e-mail e em sessão presencial), contribuindo para uma maior sensibilização, conhecimento, e coesão da equipa de saúde no que diz respeito ao atendimento do adolescente.

Perspetiva-se a continuidade das sessões de formação, nomeadamente sobre a comunicação com o adolescente e a entrevista ao adolescente; a

organização de umas jornadas de enfermagem no âmbito dos cuidados ao adolescente particularmente com problemas do foro psicossomático e psiquiátrico, em complementaridade com enfermeiros especialistas em saúde mental (possivelmente no final do ano corrente); a elaboração de uma instrução de trabalho no âmbito da continuidade dos cuidados ao adolescente e referenciação adequada para os cuidados de saúde primários; e a constituição de um grupo de trabalho com enfermeiros e médicos (com formação específica na área da adolescência), psicóloga e assistente social, dinamizador da qualidade de atendimento ao adolescente no serviço de pediatria.

Com responsabilidade profissional, ética e legal acrescida de EE (estudante), desenvolvi a minha capacidade de decisão, liderança, proatividade e de ação enquanto modelo de referência, onde a minha participação foi valorizada pelos colegas, para a prática de atendimento ao adolescente no SUPed. Foram enriquecedores os momentos de reflexão entre a equipa de saúde, bem como as minhas observações face aos cuidados prestados aos adolescentes, contribuindo especificamente para o desenvolvimento profissional dos enfermeiros.

Inserida na visão do atual PNS, de “maximizar os ganhos em saúde através do alinhamento e da integração de esforços sustentados de todos os sectores da sociedade e da utilização de estratégias assentes na cidadania, na equidade e no acesso, na qualidade e nas políticas saudáveis”, contribuí para aumentar da qualidade do atendimento ao adolescente e família no SUPed (DGS, 2013a, p.18).

Segundo a OE (2006) o conhecimento adquirido pela investigação em enfermagem permite melhorar a qualidade dos cuidados e otimizar os resultados em saúde. Assim sendo, a divulgação dos resultados dos estudos que realizei, ainda que incluam amostras de dimensão reduzida, poderão contribuir para o aumento do conhecimento sobre as necessidades dos adolescentes e as preocupações e/ou dificuldades dos enfermeiros no atendimento aos adolescentes em alguns serviços de saúde, contribuindo para a motivação das equipas de saúde para aumentarem a qualidade dos cuidados prestados aos jovens com base em resultados que evidenciam a necessidade de mudanças nas práticas dos profissionais.

uma prioridade pela OMS (2002) seja no sentido de acrescentar conhecimento relativo aos cuidados específicos de enfermagem dirigidos às necessidades reais do adolescente que aumentam, segundo Zagonel (1998) as suas capacidades para lidar e adaptar-se à(s) transição(ões).

Face aos resultados dos estudos, com a maior importância atribuída pelos enfermeiros à privacidade, e igualmente valorizada pelos adolescentes portugueses, quando recorrem aos serviços de saúde, considero pertinente a realização de outro estudo que identifique e analise as várias dimensões da privacidade no atendimento. As dificuldades encontradas ao longo do estágio prenderam-se, sobretudo com as limitações temporais de trabalhador-estudante, e com o tempo de resposta institucional aos pedidos de autorização necessários à realização de trabalhos nos respetivos contextos. No entanto, distinguem-se como pontos fortes a possibilidade de escolha dos locais de estágio, a motivação pessoal durante o percurso nos mesmos, as oportunidades de realização de atividades específicas de formação e de iniciar estudos de investigação, especificamente no contexto onde exerço atualmente a minha atividade profissional.

Para Le Boterf (2005), a competência situa-se no centro da interação entre três eixos: a pessoa (definindo uma dimensão de pessoalidade), a sua formação (no sentido mais académico) e a sua experiência profissional. O profissional competente não é aquele que tem os recursos, mas aquele que, em contexto profissional, articulando os seus vários domínios, consegue mobilizar esses recursos.

O desenvolver do referido percurso formativo, que partiu da reflexão sobre as minhas competências e necessidades de aprendizagem, permitiu-me percorrer um caminho potenciador de crescimento e de desenvolvimento de competências no âmbito do EEESCJ, nos cuidados à criança/jovem e família, procurando resultados positivos para a enfermagem e, para o serviço onde exerço funções, muito especialmente para a qualidade de cuidados disponibilizados ao adolescente e família que a ele se dirigem.

A análise do percurso formativo tornou oportuna a reflexão no campo das competências desenvolvidas, demonstrando a articulação dos saberes em múltiplas vertentes e, a aquisição de atributos que considero essenciais para alcançar a excelência dos cuidados enquanto potencial EEESCJ.