SECTION I : UN CHAMP D’APPLICATION AUX CONTOURS FLOUS
D- L’EXISTENCE DE CRITERES NON DEFINIS DE DECLENCHEMENT DES ACTIONS INTERROGATOIRES
A tuberculose bovina é uma das zoonoses mais importantes. Aproximadamente 10% de sua incidência na espécie humana, se deve a bacilos procedentes de bovinos. O M.bovis é tão patogênico para o homem quanto o
M.tuberculosis236, 237, 281.
A tuberculose pulmonar devida ao M.bovis é transmissível do gado para humanos diretamente pela via aerógena, mediante a inalação do M.bovis e indiretamente, pelo consumo de leite e produtos lácteos não fervidos ou pasteurizados 42, 48, 57, 91, 93, 104, 127, 148, 160, 175, 196, 201, 217, 228, 237, 259, 295, 296. A carne bovina, a rigor, não pode ser apontada como fonte de infecção para a tuberculose humana, pelo menos nos países onde é submetida à cocção, porque é raro o encontro do bacilo na musculatura. Por prudência, entretanto, a inspeção sanitária faz a condenação parcial ou total das carcaças, conforme o caso 204.
A infecção pelo M.bovis era o principal problema de saúde pública quando os bacilos eram transmitidos ao homem pelo leite de vacas infectadas 127, 216, 236. A tuberculose bovina era considerada uma doença de crianças, que envolvia linfonodos cervicais, o trato intestinal ou as meninges, resultando em formas extrapulmonares. Por isso, as formas de tuberculose mais freqüentes, eram a ganglionar, ósteo-articular e meningite. A entidade clínica caracterizada pelo inchaço e alastramento dos linfonodos tuberculosos no pescoço, era denominada escrófula127,160,196,201,216,236,282.
Como já foi dito anteriormente, o bovino elimina o bacilo da tuberculose no leite, no ar expirado, no corrimento nasal, nas fezes, urina, nas secreções vaginais e uterinas, e pelo sêmen 48, 240, 241, 281, 282. A aquisição da infecção devida ao M.bovis, por meio da inalação de aerossóis contendo o bacilo, proveniente de reses infectadas ou mortas (manuseio das carcaças), ocorre com menor freqüência 42, 92, 148, 163, entretanto sua incidência não é desprezível, sobretudo em grupos ocupacionais de maior exposição à doença, como tratadores de rebanhos, ordenhadores e seus familiares, trabalhadores da indústria de carne (açougueiros, pessoal de matadouros e frigoríficos) e veterinários, além de membros da comunidade rural, que vivem em íntimo contato com seus animais 4, 48, 57, 74, 92, 129, 142, 148, 160, 163, 196, 201, 228, 237, 259.
Uma rota de infecção menos comum pelo M.bovis é a via cutânea, por contato direto com material contaminado, através de feridas e abrasões na pele, principalmente em açougueiros, trabalhadores de matadouros, veterinários e patologistas que manuseiam carnes e animais tuberculosos, muitas vezes resultando em verrugas nas mãos e braços desses profissionais 110, 127, 228.
Geralmente, o contato entre animais e homens, ocorre em condições ambientais desfavoráveis, tais como, umidade excessiva, estábulos sem insolação e sem ventilação, acúmulo de fezes e moscas, ou seja, sem condições higiênicas adequadas 116.
A exploração leiteira é o setor rural de maior risco para o homem, devido ao estreito contato do ordenhador e seus familiares com os animais, em repetidas ocasiões durante todos os dias de trabalho, e ao fato de que as vacas leiteiras apresentam uma maior susceptibilidade à tuberculose bovina. As principais causas dessa susceptibilidade maior são o stress e a manutenção de animais de maior idade para a produção láctea. Este fato não ocorre no gado de corte, que se mantém por menos tempo em criações extensivas, sendo menor o contato entre animais e homens74. Uma vaca tuberculosa pode excretar um número gigantesco de bacilos. Uma só vaca pode excretar bacilos viáveis suficientes para contaminar todo o leite misturado, proveniente de 100 vacas 160. A aerolização do M.bovis no momento da ordenha, pode causar conjuntivite e infecções orais nos ordenhadores 228.
A usual fonte de M.bovis no leite é a infecção do úbere da vaca, mas também pode ocorrer pela contaminação com fezes, secreções de abcessos uterinos e pelo ar ou poeira com bacilos 196, 228, 281. Diferenças culturais na preparação e uso do leite afetam profundamente a transmissão da tuberculose bovina. Em muitas culturas, apesar do leite para o consumo ser usualmente fervido, manteigas e cremes de leite são produzidos com leites não fervidos, tornando-se uma fonte de M.bovis. No mundo todo, a prática de se beber leite cru está associada com o hábito e o modo de vida da população rural e aumenta o risco de infecção, principalmente em crianças228.
A tuberculose pode ser transmitida ainda pelo contato com alimentos, produtos de carne, ou água, contaminados com o bacilo 102, 196, 237. A detecção da tuberculose humana por M.bovis reveste-se de importância, pois revela focos de infecção nos países onde o bacilo bovino não tem sido encontrado 4.
A proporção de casos de tuberculose humana causada por M.bovis apresenta uma considerável variação regional, dependendo da presença e extensão da doença na população bovina local, da situação social e econômica da região, dos padrões de higiene alimentar e da aplicação de medidas preventivas 196.
Em 1928, na Europa, era freqüente que o primeiro contato de crianças com o antígeno bacilar ocorresse através do bacilo bovino contido no leite (via oral), o que originava altas cifras de tuberculoses primárias, extrapulmonares ou generalizadas154. Dos 877 casos de tuberculose em menores de 16 anos de idade, ocorridos na época, 787 (89,7%) eram infecções extrapulmonares ou generalizadas, e em 24,5% delas, o agente causal era o bacilo bovino. Na tuberculose pulmonar, por via aerógena, apenas 2% dos casos eram de origem bovina 154, 272.
É interessante observar que a primeira pasteurização compulsória do leite, foi introduzida em 1898 não para proteger a saúde humana, mas para prevenir que porcos e bezerros fossem infectados pelo M.bovis, com o leite proveniente de leiterias da Dinamarca 216, 228.
O Reino Unido foi o mais resistente entre muitos países, em admitir o problema do leite como uma fonte de infecção de M.bovis, ocorrendo durante a
década de 30, cerca de 2.500 mortes e pelo menos 4.000 novos casos de tuberculose humana por este agente, a cada ano 154, 216. Em 1945, as cepas bovinas eram responsáveis por 5% de todos os casos fatais de tuberculose, e 30% dos casos em crianças menores que 5 anos de idade 68.
Além do hábito da população de consumir leite cru, foi realizado um estudo em 24 municípios da Suécia em 1935, no qual se encontrou que o nível de risco da infecção por M.bovis no homem, estava relacionado com a prevalência da infecção tuberculosa nos rebanhos bovinos, variando desde 3,4% em municípios com menos de 2% de gado infectado, até 5,8% em condados com 20% ou mais de bovinos infectados 251.
Em 1936, ocorreu um surto de tuberculose bovina transmitida pelo leite, em escolares residentes em uma pequena vila na Suécia, cujo leite provinha de um rebanho de 22 vacas. Uma dessas vacas tinha mastite tuberculosa e um grande número de bacilos estava presente no leite. Dos 32 escolares que beberam o leite, 29 eram positivos ao teste tuberculínico, e entre 18 pré-escolares que beberam o leite, 16 estavam positivos 216.
Na Suécia, em 1938, Törnell relatou que no distrito dispensarial de Alvsborgs Län, 4 surtos epidêmicos de tuberculose por M.bovis haviam sido observados, desde 1935. O primeiro referia-se a 13 crianças em férias, procedentes de Göteborg. Não reagiram a princípio à tuberculina, mas durante sua permanência na casa de férias, adoeceram com manifestações de primo-infecção, algumas com eritema nodoso, outras com sintomas abdominais, tornando-se sensíveis à tuberculina. Não tendo sido encontrado o foco de contágio entre as pessoas em contato com as crianças, recomendou-se ao proprietário da casa o exame das vacas que possuía, tendo o veterinário verificado que uma delas sofria de mastite tuberculosa. Além disto, verificou-se a presença do bacilo de Koch no leite do animal 110.
O segundo surto acometeu 13 operárias em uma fábrica, nas proximidades de Boros, e não se encontrando um foco de contágio humano comum, porque as moças trabalhavam em seções afastadas uma das outras, verificou-se que o leite que lhes era fornecido pela fábrica estava contaminado pelo bacilo de Koch. No terceiro surto