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L’affectation de la promotion 2017 des élèves (concours 2016) (AAH)

Dans le document RAPPORT D’ACTIVITE 2017 Tome I (Page 86-90)

à des enjeux démographiques majeurs

2/ Le concours interne sur épreuves est ouvert aux membres du corps des cadres de santé régi par le décret n°2001-1375 du 31 décembre 2001 portant statut particulier du corps des cadres de

3.4. Les Attachés d’administration hospitalière (AAH)

3.4.1. L’affectation de la promotion 2017 des élèves (concours 2016) (AAH)

Não ter coragem de olhar nos olhos dos sujeitos sociais das CIS da cidade do Recife, não ter coragem de ir à comunidade entender seu cotidiano, mas saber que seu projeto vai ter consequências diretas nestes grupos, representa algo que poderíamos chamar de desvio de olhar (virar ao rosto). Deixar de reagir ao Outro,

recusar compreendê-lo, ser insensível, evitar o olhar ético e o reconhecimento da alteridade é o que nomeamos aqui de cegueira.

Um projetista motivado pelo amor ao seu projeto, às causas que ele acha que está defendendo, ao desenvolvê-lo ou mesmo pelo senso de dever, pode destruir “inflexivelmente a vida de um homem ou de uma mulher comum apenas porque talvez não houvesse outro jeito, ou por estar no lugar errado no momento errado.” Bauman e Donskis (2013, p.17). De tal modo, o projetista deixa de reconhecer a alteridade e desvia seu olhar por lealdade e dedicação às causas que acredita que seu projeto defende (preservação ambiental; transporte ‘ecologicamente correto’; beleza paisagística; parquização etc.); por lealdade às suas paixões. Ou seja, se seu projeto e suas causas estão sendo alcançadas, a possível destruição da vida de um estranho, não afeta seus questionamentos de se é uma pessoa moral, nem mesmo se é um projeto moral.

Como alerta Bauman e Donskis (2013), a verdade mais desagradável de hoje é que o mal é invisível. Invisível, pois os sujeitos perdem a capacidade de ver. Perdem a capacidade de se posicionar na realidade. O projetista não se questiona se o contratante – a PCR – está apenas se utilizando de suas vozes e de seus argumentos para legitimar um projeto de intenções duvidosas. O projetista, ainda que acredite está apenas defendendo suas causas e paixões, está sujeitado à lógica e às intenções do contratante.

A sujeição significa que o sujeito sujeitado sempre julga que trabalha para seus próprios fins, desconhecendo que, na realidade, trabalha para os fins daquele que o sujeita. Assim, efetivamente, o carneiro- chefe do rebanho julga que continua a comandar seu rebanho, quando, na realidade, obedece ao pastor, e finalmente, à lógica do

matadouro. (MORIN, 2001, p. 109)

Por outro lado, exatamente onde reside um paradoxo, ao mesmo tempo que é invisível é fruto de uma escolha. Ao passo que se assume o PPC, o sujeito projetista recusa propositalmente em reconhecer e admitir os sujeitos das culturas não hegemônicas; opta por um esquecimento e uma esquiva à alteridade. Trata-se de uma alienação voluntariamente escolhida, pois se descarta o outro vivo e real por um projeto de parque virtual. Se não uma alienação voluntária, uma autoilusão.

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Assim, pode-se dizer que ‘Felizes eram os tempos em que havia formas evidentes de mal’ (BAUMAN & DONSKIS, 2013, p.18) atuando no Recife, pois os movimentos de resistência intelectual e territorial eram mais efetivos, na medida em que as reconheciam mais facilmente e as combatiam; reivindicava-se e lutava-se pelo reconhecimento (HONNETH, 2011).

Os projetistas sabem que seu projeto tem riscos à diversidade cultural presente nas CIS? Sim, mas deliberam por não encará-la de frente. Não encaram o rosto das comunidades pobres que representam boa parte da área de atuação do PPC. Uma cegueira moral sem precedentes, uma ‘insensibilidade’ assumida em relação aos ‘problemas’ existentes (as CIS) para a reconstituição da virtual ‘Veneza Americana’ presente do imaginário das elites.

Tomemos a ‘insensibilidade’ como uma metáfora, como propusera Bauman e Donskis (2013, p.20-21):

[...] sua localização básica é na esfera dos fenômenos anatômicos e

fisiológicos dos quais é extraída – seu significado fundamental é a

disfunção de alguns órgãos dos sentidos, seja ela ótica, auditiva, olfativa ou tátil, resultando na incapacidade de perceber estímulos que em condições “normais” evocariam imagens, sons ou outras impressões. [...] essa insensibilidade orgânica, corpórea, é [...] artificialmente induzida ou autoadministrada com a ajuda de analgésicos, e saudada como medida temporária durante uma cirurgia ou um ataque, transitório ou terminal, de uma ordem orgânica dolorosa [...].

Neste sentido, as paixões dos projetistas servem de analgésico para a constituição do PPC. Por outro lado, a dor é uma arma crucial em defesa às ameaças mortais. Portanto, ser sensível, buscar uma transferência de sentido ético para com o Outro, buscar entender suas dores, será fundamental para que o PPC não tenha o efeito desmantelador nos territórios vividos presentes nas margens do Capibaribe. Porém, infelizmente quando transferimos a noção de ‘insensibilidade’ orgânica para o universo das relações inter-humanas, como adverte Bauman e Donskis (2013), a dor enquanto alerta de defesa, advertência e fiscalização, tende a ser esquecida.

Podemos considerar como intenção universal de um projeto, o processo de transformação de um estado inicial em um estado melhor. Essa transformação, como afirma Lassance (2003), consiste em um ato intelectual que introduz o projetista em relações imaginárias influenciando sua interpretação das situações de projeto.

A organização intencional que o projetista opera sobre seu imaginário e que é decorrente deste momento de interpretação do contexto é parcialmente determinada por suas orientações ideológicas e doutrinárias assim como pelos métodos gerados por sua prática (experiência pessoal) (LASSANCE, 2003, p.3).

Acredita-se que no momento de interpretação do contexto do PPC, os projetistas vestiram um filtro que torna ‘invisível’ a diversidade. Suas paixões os tornam míopes para os riscos existentes se da concretização do PPC sem uma estrutura legislativa de defesa dos territórios. Os riscos parecem cair na zona da retina do projetista de onde sai o nervo óptico, que, portanto, não tem sensibilidade à luz – o chamado ponto cego. Deste modo, muitos não percebem que de fato há uma descontinuidade que deveria aparecer, uma alteridade tornada invisível que deveria ser considerada no ato de projetar o Parque. O pior dos fatos é que muitos não enxergam que não enxergam. Por conseguinte, a transformação do estado inicial em um estado melhor não será alcançada – melhor dito, será alcançada apenas para os grupos hegemônicos.

Destarte, no sentido de evitar que caiamos numa espécie de humanismo reduzido que não extrapole a dimensão das letras e dos bons intentos inerentes à realidade rígida e complexa das relações humano-humano e humano-não humano, esta crítica chama a atenção, especialmente, para a necessidade de uma superação do Eu mesmo (nossas paixões) em direção ao Outro. O que só se alcançará na medida em que o sujeito projetista for, efetivamente, re-educado no sentido de comover-se com e pelo Outro. Reconhecer a alteridade existente na área prevista para intervenção do projeto. Neste sentido, reiteramos que emerge a necessidade de que o sujeito projetista tenha a ética como filosofia primeira, sobre a qual poderá erguer-se uma nova filosofia como filosofia do Outro, como alertara Lévinas (2000).

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Neste sentido, tem-se como imperativo a superação do Eu mesmo; o Outro, enquanto imperativo, poderia, então, restabelecer a plenitude do sujeito, como propusera Bakhtin (2010).

Em sendo assim, reivindicam-se sujeitos projetistas que estejam na intercessão entre os contornos da sensibilidade e da razão; uma nova ética e uma estética que associem, em seu conjunto, as potencialidades humanas, na direção do resgate da unicidade do humano. Unicidade aqui aberta à medida do infinito. Unicidade, porém, não como apresentada na unidade (totalidade) da ontologia heideggeriana, que ao identificar pensamento e ser, tornou o pensar incapaz de abrir-se para a alteridade. Mas, como lócus originário da busca da inteligibilidade e do sentido. Aqui, o humano torna-se lócus de uma relação intersubjetiva edificada no diálogo aberto e no respeito incondicional à diferença do Outro, como alerta Souza (2009).

Com isso, decerto, o projetista interpelado pela alteridade, procurará, permanentemente, pressionar de maneira mais efetiva os gestores públicos locais, no sentido de fazê-los enxergar, pela escuta das alteridades envolvidas, a complexidade do ato projetista inerente dos respectivos territórios. Sem tal consideração, não se conseguirá um projeto de parque inclusivo.

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