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objectifs de la thèse

3.3. Les influences sociales du tabagisme

O delineamento de uma pesquisa refere-se aos procedimentos metodológicos adotados, orientadores na busca de respostas para o problema estudado. Essas respostas, porém, são sempre comprováveis se repetidamente sob as mesmas condições, como diz a ciência? Não necessariamente quando se trata de ciência social, porque, como anota Pedro Goergen (apud RICHARDSON, 1999, p. 16): “[...] a pesquisa nas Ciências Sociais não pode excluir de seu trabalho a reflexão sobre o contexto conceitual histórico e social que forma o horizonte mais amplo, dentro do qual as pesquisas isoladas obtêm o seu sentido”.

Esses estudos empíricos ou teóricos podem mudar de sentido com sustentação na consciência dos pressupostos sociais, culturais, políticos ou mesmo individuais que se escondem sob a enganadora aparência dos fatos objetivos. Consoante Gil (1999), há dificuldade de se obter argumentos gerais cuja veracidade não pode ser posta em dúvida. Assim, o que se buscou neste trabalho foi descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos sem a pretensão de considerá-las como verdades absolutas, verificáveis em quaisquer circunstâncias. Afinal, na perspectiva de Richardson (1999, p. 18), “[...] a ciência não é 'dona' da verdade; toda 'verdade' científica tem caráter probabilístico”.

No mundo científico, há várias taxionomias de tipos de pesquisa. Neste trabalho, utilizou-se dos fundamentos de Raupp e Beuren (2003) para o delineamento da investigação, que a caracterizam quanto aos objetivos, aos procedimentos e à abordagem.

Quanto aos objetivos, a pesquisa é exploratória e descritiva. Exploratória porque, embora as temáticas valores pessoais e participação sejam algo com diversos estudos, a relação entre esses dois temas é algo a ser mais bem explorado, pois, conforme Gil (1999), a pesquisa exploratória é desenvolvida no sentido de proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato, sendo, sobretudo, realizada quando o tema escolhido é pouco explorado e difícil de formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. E “[...] habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas e estudos de caso”. (GIL, 1999, p 43). É descritiva, pois por meio dela se procurou constatar a relação entre os valores pessoais e a participação em projetos sociais, o que atende à característica de uma pesquisa descritiva, pois, de acordo com Gil (1999), a pesquisa descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis.

Quanto aos procedimentos, ou maneira pela qual se conduz o estudo e, portanto, se obtêm os dados, esta pesquisa enquadra-se nas tipologias de estudo de caso, pesquisa bibliográfica e documental.

Como estratégia de pesquisa, o estudo de caso foi considerado, por muito tempo, como procedimento pouco rigoroso, que serviria apenas para estudos exploratórios. Hoje, cada vez mais utilizado como ferramenta de pesquisa, é encarado como “delineamento mais adequado para a investigação de um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, onde os limites de um fenômeno

contemporâneo não são claramente percebidos” (YIN, 2001, p. 21). Ainda na lição de Yin (2001), o estudo de caso, além de compreender fenômenos sociais complexos, permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas da vida real. Desde a perspectiva de Yin (2001), desenvolveu-se o estudo de caso da empresa Via Urbana, que é analisada especialmente sob o aspecto da responsabilidade social com o objetivo de descobrir a relação dos valores pessoais de seus colaboradores com a participação em projetos sociais.

Ainda com relação aos procedimentos da pesquisa, esta traz a característica bibliográfica, que conforme Gil (1999, p. 44), é “desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Por ser de natureza teórica, a pesquisa bibliográfica é obrigatória, uma vez que é por meio dela que se toma conhecimento sobre a produção científica acerca do tema focalizado. A pesquisa documental, muitas vezes confundida com a bibliográfica, diferencia-se desta por “basear-se em materiais que ainda não receberam um tratamento analítico ou que podem ser reelaborados com os objetivos da pesquisa”. (RAUPP; BEUREN, 2003, p. 89). De acordo com Marconi e Lakatos (1986), na pesquisa documental, as informações são provenientes dos próprios órgãos que as realizam e englobam todos os materiais escritos ou não que podem servir como fonte de informação para a pesquisa científica e podem ser encontrados em arquivos públicos e particulares, assim como em fontes estatísticas compiladas por órgãos oficiais e particulares. Incluem-se como fontes não escritas as fotografias, gravações, desenhos etc. A coleta documental consiste, portanto, de fontes de dados coletados por outras pessoas, podendo constituir-se de material já elaborado ou não.

Embora Raupp e Beuren (2003) não façam referência à pesquisa de campo em sua tipologia, ressalta-se que este trabalho se caracteriza, também, como pesquisa de campo, porque a coleta dos dados foi efetuada no ambiente próprio da empresa pesquisada. Os estudos de campo são desenvolvidos, principalmente, nas ciências sociais, em que se insere o comportamento organizacional (ANDRADE, 2002).

Esta pesquisa, quanto à abordagem do problema, define-se como quantitativa e qualitativa. De acordo com Richardson (1999, p. 70), a abordagem quantitativa “[...] caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de informação, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas”. E, “representa a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análises e interpretação e

poder possibilitar uma margem de segurança quanto às inferências” (RICHARDSON, 1999, p. 71). Aplica-se a estudos descritivos, que procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, bem como nos que investigam a relação de causalidade entre fenômenos. Embora tenha tal aplicabilidade e procure margem de segurança quanto às inferências, vale ressaltar que muitos autores criticam o fato de se abordar um procedimento predominantemente quantitativo para explicar fenômenos psicológicos e sociais complexos.

A abordagem qualitativa justifica-se, segundo Richardson (1999), por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social.

Definida a tipologia da pesquisa quanto aos objetivos, aos procedimentos e à abordagem, é importante, ainda, conhecer um pouco mais sobre o seu delineamento que, conforme assinala Gil (1999, p. 64), “[...] refere-se ao planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla, envolvendo tanto a sua diagramação quanto a previsão de análise e interpretação dos dados [...]”.