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4. HYPOTHÈSES RELATIVES À LA PLAUSIBILITÉ QUE LA MALADIE DE LYME SOIT À

4.2.3. Infection par les bactéries du genre Borrelia, qui n’est pas détectable avec les

O Metabolismo, instituído em 1960 no Congresso Mundial de Design, em Tóquio (Japão), através do manifesto “Metabolismo 1960: Propostas para um novo urbanismo”, também foi um movimento importante no cenário dos anos 1960, e teve sua repercussão no Uruguai. Arquitetos como Kiyonori Kikutaki, Kisho Kurokawa, Fumihiko Maki, Masato Ohtaka, Noboru Kawazoe, sob a liderança de Kenzo Tange, defendiam uma cidade concebida como um elemento vivo e orgânico, em eterno crescimento e mudança, utilizando-se de metáforas biológicas, como indicava o próprio nome do movimento.

Nesse contexto, Kenzo Tange propõe ‒ em um de seus textos, originalmente publicado 1961 ‒,uma cidade composta de “infraestrutura”, os equipamentos de transporte e comunicação ‒ o tronco de uma árvore ‒ e elementos da “estrutura”, as obras arquitetônicas ‒ as folhas da árvore. A estrutura teria um ciclo metabólico mais curto, se comparado com o ciclo da infraestrutura. Isto significava planejar as cidades dividindo-as em elementos de caráter permanente e em elementos transitórios, que estariam em constante relação (TANGE, 1970a). Tange vai aplicar essas ideias em seu projeto para a Baía de Tóquio (1960) (Figura 24), que vai se tornar projeto símbolo do metabolismo e exemplo fundamental da ideia de “megaestrutura”.

Figura 24: Projeto para a baía de Tóquio. Disponível em: https://en.tangeweb.com/works/works_no-22/. Acesso em: 14 fev. 2019.

Além desse conhecido projeto de Kenzo Tange, outra proposta emblemática, e que expressa certa analogia orgânica, é a Cidade Oceânica (Figura 25), de 1962, projeto de Kurokawa:

imensas torres cilíndricas que se constituem de ‘árvores’ das quais brotam e caem, como folhas, as habitações individuais, seguindo a escala de tempo natural para o seu próprio metabolismo e todas elas assentadas em ilhas flutuantes de concreto, para mitigar o esgotamento de terras urbanas no Japão42 (BANHAM, 2001, p. 46, tradução nossa).

Figura 25: Cidade oceânica. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/transphormetic/231450732/. Acesso em: 22 jan. 2019.

Kenzo Tange também propõe a criação de ligações tridimensionais em obras arquitetônicas de grande porte, criando conexões entre, por exemplo, os vigésimos andares de dois edifícios distintos (TANGE, 1970a). Nesse sentido destaca: “algumas pessoas consideram seriamente a construção de cidades espaciais. Tudo isso significa que somos confrontados com a necessidade de criar relações inteiramente novas entre

42 […] descomunales torres cilíndricas que constituyen los ‘arboles’ de los que brotan y caen, cual estalaciones

‘hojas’, las viviendas individuales, según la escala de tiempo natural a su propio ‘metabolismo’, y asentadas todas ellas sobre islas flotantes de hormigón, para mitigar la agobiante escasez de solares urbanos en el Japón.

elementos de infraestrutura e estrutura43” (p. 148, tradução nossa). Coincidindo com

princípios do Team 10 e dos Smithson, nessas propostas estavam latentes as ideias de “mobilidade e comunicação”.

Para o arquiteto japonês, seria essencial criar um “nexo orgânico” ‒ como a ideia de lugar intermediário ou de espaço de transição de Van Eyck ‒ entre os elementos da infraestrutura e da estrutura das cidades, cada vez mais afastados entre si ‒ confirmando a preocupação desse período com o “afastamento” entre arquitetura e urbanismo ‒, contemplando a ideia de que a cidade também precisaria de espaços não organizados e mais livres, para serem enriquecidos com o passar do tempo (TANGE, 1970b).

Os metabolistas, de alguma forma, tentaram conectar princípios universais com modelos mais tradicionais. Dentro dessa linha de pensamento, Maki e Ohtaka (1964), em

Collective form ‒ three paradigm (Forma coletiva – três paradigmas), ampliavam as

possibilidades de atuação na cidade contemporânea, apresentando três abordagens de formas coletivas: a “forma composicional”, a “megaestrutura” ou “megaforma” e a “forma de grupo” (Figura 26) – abordagens que poderiam aparecer combinadas ou mescladas.

Figura 26: Três abordagens da forma coletiva. Fonte: Edição de C. Ritter, sobre imagem disponível em: https://archcritik.wordpress.com/2015/05/24/fumihiko-maki-and-collective-form-three-paradigms/. Acesso em:

10 jan. 2019.

A primeira estratégia de agrupamento, a forma composicional, seria aquela em que os elementos são considerados de modo individualizado, em uma “abordagem estática”. Esse tipo de agrupamento segue um padrão formal já pré-determinado, e cria um modelo de espaço urbano como o proposto pelo urbanismo moderno: espaço público amorfo e sem gradação entre público/ privado. Segundo os autores, a cidade de Brasília representaria esse tipo de agrupamento espacial. Os dois outros tipos de agrupamento se constituiriam em “novas” abordagens, que refletiam a procura de relações espaciais que atendessem a possibilidade de crescimento e mudança (MAKI; OHTAKA, 1964).

43 Algunas personas consideran seriamente la construcción de ciudades espaciales. Todo esto significa que

nos enfrentamos con la necesidad de crear relaciones enteramente nuevas entre la infraestructura y los elementos de estructura.

A megaestrutura é definida como “uma grande estrutura, na qual todas as funções de uma cidade, ou parte de uma cidade, estão abrigadas44” (MAKI, OHTAKA, 1964, p. 8,

tradução nossa). A megaestrutura ideal seria aquela que possuísse mais elementos independentes entre si, e mesmo assim, mantivesse sua ordem visual com a modificação (acréscimo ou subtração) desses elementos. Nesse sentido, a megaestrutura/ megaforma deveria ser então flexível e aberta, com muitas possibilidades de conexão entre as partes, plural, aberta à mobilidade, configurando “sistemas funcionais independentes adequados e lhes dando uma interdependência ideal através da provisão de juntas físicas em pontos críticos45” (MAKI; OHTAKA, 1964, p. 12, tradução nossa). Como também diz Tange (1970a,

p. 148, tradução nossa), em conexão com as ideias de sua geração, a real natureza do urbano “implica diversidade, intercâmbio, flexibilidade, escolha de contatos46”.

É evidente a semelhança desse esquema de megaestrutura aberta com a proposta de cidade como “semitrama”47 de Christopher Alexander. A semitrama também se constitui

de uma estrutura complexa e com os elementos em constante interconexão. Já a megaestrutura, com uma estrutura hierárquica, possui mais relação com a cidade como “árvore” de Alexander ‒ uma cidade com conexões mais limitadas (Figura 27).

Figura 27: a) Tipos de megaforma (MAKI; OHTAKA, 1964); b) Esquemas de cidade de Christopher Alexander (ALEXANDER, 1968). Fonte: Edição e redesenho de C. Ritter, 2018.

Para Maki e Ohtaka (1964), o que une os elementos da forma de grupo é intrínseco à própria forma. O elemento individual é o que sugere a maneira como o todo irá crescer. A forma “cresce” e se “modifica”, não possui uma simples adição de elementos. Desse modo, a formação do agrupamento se dá de maneira mais semelhante “a padrões de formações cristalinas ou divisões biológicas do que à rigidez estatística de uma grade estrutural48” (p. 21, tradução nossa). Os autores usam, como exemplo de forma de grupo,

44 [...] a large frame in which all the functions of a city or part of a city are housed.

45 […] functional systems and to give them optimum interdependency through the provision of physical joints at

critical points.

46 […] implica diversidad, intercambio, flexibilidad, elección de contactos.

47 A cidade como uma “semitrama” e como uma “árvore” foram apresentadas nas páginas 26 e 27.

villages japonesas, onde, “a unidade da casa é geradora da forma de aldeia, e vice-versa.

Uma unidade pode ser adicionada sem alterar a estrutura básica da aldeia49” (p. 18,

tradução nossa).

Maki e Ohtaka (1964), ao apresentarem as diversas definições para sua ideia de forma de grupo, criticam a arquitetura e o funcionalismo de Le Corbusier:

Se a função do design urbano é o padrão das atividades humanas, pois elas expressam estar vivas nas cidades, então os padrões funcionais são padrões de atividade cristalizados. Le Corbusier limita as qualidades humanas generativas na arquitetura urbana ao ‘ar’, ‘verde’ e ‘sol’, enquanto expoentes da forma de grupo encontram uma miríade de atividades sugestivas para adicionar essa lista50 (p. 21, grifos

nossos, tradução nossa).

Ainda no contexto das investigações referentes à forma coletiva, Fumihiko Maki, e agora Jerry Goldeberg, apresentam e definem em seu texto cinco maneiras básicas de vinculação entre os elementos da cidade: mediar, definir, repetir, fazer um caminho funcional e selecionar (MAKI; GOLDEBERG, 1964). Destaca-se aqui a ideia da repetição, onde se introduz “um fator comum em cada uma das partes dispersas de um projeto ou de uma situação existente51” (p. 39, tradução nossa), fazendo com que esse elemento comum

passe a ser sempre identificado como pertencente de determinado projeto. De maneira semelhante, a repetição pode também ser explicada a partir da ideia de “grão” de Kevin Lynch: quando o tamanho e a forma dos espaços de um determinado projeto se repetem, esse aglomerado se torna identificável a partir dessa sua particularidade (MAKI; GOLDEBERG, 1964).

49 [...] the house unit is generator of the village form and vice versa.

50 If the function of urban design is the pattern of human activities as they express being alive in cities, then the

functional patterns are crystallized activity patterns. Le Corbusier limits generative human qualities in urban architecture to ‘air’, ‘green’ and ‘sun’ while exponents of group form find a myriad of suggestive activities to add do that list.

2

Contexto das cooperativas habitacionais uruguaias dos anos

1970

Na América Latina, na segunda metade do século XX, verifica-se um crescente inchaço populacional, resultando no aumento da demanda por habitações nas cidades, culminando em um quadro de discussões de estratégias que buscavam suprir esse déficit. Nesse contexto, por volta dos anos 1960, em vários países como Uruguai, Peru e Colômbia1, observa-se a repercussão do cenário de mudança de paradigmas internacional

‒ disseminado por pensadores desse momento, principalmente através dos arquitetos do Team 10 ‒ adaptado à realidade dos seus países.

Por exemplo, as cooperativas habitacionais uruguaias surgiram contemporaneamente a outro projeto de destaque da habitação social na América Latina, o Projeto Experimental de Vivenda (PREVI), em Lima, Peru. O PREVI foi realizado a partir de um concurso de projetos, no qual participaram importantes nomes do contexto internacional e também envolvidos com a crítica à cidade funcionalista. Merecem destaque alguns participantes: Aldo van Eyck, Alexis Josic, Christopher Alexander, James Stirling, Georgis Candilis, e Shadrach Woods ‒ Team 10; Fumihiko Maki, Kisho Kurokawa e Kiyonori Kikutake – metabolistas.

O PREVI começou a ser idealizado em 1966 e trazia em sua essência certas características diferenciadas ‒ em relação ao que foi disseminado pelo Movimento Moderno em seus primeiros anos ‒ para o campo arquitetônico e urbanístico da habitação social. Dentre as inovações estavam: baixa altura e alta densidade (BAAD); módulos habitacionais projetados para comportar intervenções futuras; casas aglomeradas na forma de clusters; etc. O projeto buscou seguir também a tradição peruana (CORREA, 2008; LAND, 2008).