• Aucun résultat trouvé

Indentation de l’assemblage Coarse

2.4 R´ esultat de l’indentation d’assemblages de blocs ost´ eomorphes en polym` ere

2.4.3 Indentation de l’assemblage Coarse

A partir do início do século XX, o mundo assistiu a uma pro- funda concentração de capitais. A fase da livre concorrência foi excedida pela fase do capital monopolista com a formação de grandes corporações.

O período foi estudado em detalhes por um autor pouco visita- do pela academia atualmente, mas que traz compreensões funda- mentais para a formação do capitalismo monopolista, em especial na análise desse período histórico. Refiro-me a Vladmir I. Lênin, em Imperialismo, etapa superior do capitalismo (2011). Com base

em vastos estudos de diferentes autores, Lênin demonstra que o cenário mundial do capitalismo no início do século XX era perme- ado de monopólios, cartéis e trustes que impediam a realização do principal ideário do sistema: a livre concorrência.

O autor recorre à obra do economista inglês J. A. Hobson, O

Imperialismo, (1901), para apresentar os pormenores deste sis-

tema em âmbito internacional e realizar uma avaliação rica em dados, com as particularidades econômicas e políticas fundamen- tais do imperialismo no período.14 Apresenta também as reflexões do marxista Rudolf Hilferding, em O Capital Financeiro (1963), para tratar da fusão do capital industrial com o capital bancário, no início do século XX.

Lênin demonstra que os monopólios criados nesse período passaram a controlar as matérias-primas mais importantes e tor- naram ainda mais fortes as contradições entre os cartéis e os não cartéis, esmagando os segundos. Tal concentração da produção levou à fusão do capital bancário com o capital industrial, num cenário em que os bancos se tornavam cada vez mais importan- tes e tinham o controle sobre todas as atividades, financeiras ou não, das companhias. Com isso, determinavam as condições de empréstimo, financiamentos e benefícios, de acordo com seus in- teresses e suas opiniões (LÊNIN, 2011, p. 138-159).

As operações financeiras cresceram, o número de bancos di- minuiu e eles passaram a transformar grandes volumes de capital em mais capital. O aumento deste valor só foi possível porque o capital bancário se associou ao capital produtivo e à produção de mercadoria. Assim, o lucro total era recebido na forma de juros como recompensa ao capitalista pela simples propriedade do ca- pital. É o dinheiro que gera dinheiro portador de juros.15 Quando o lucro assume puramente a forma de juros, empresas tornam-se viáveis apenas ao proporcioná-lo. 16

Para Karl Marx, no volume 3 de O Capital (1985b), tal pro- cesso se dá pela necessidade de formação de crédito que garanta a taxa de lucro do capitalista, diminua os seus custos, crie as 14. Para Lênin, Hobson tinha a vantagem de conhecer com intimidade as particularidades deste sistema porque, ao defender o ponto de vista do social-reformismo e do pacifismo burguês, o autor estaria isento de qualquer viés anticapitalista.

15. Esta operação foi ilustrada por Marx como D-D’. 16. Ver Marx, 1985b.

sociedades por ações e gere a centralização de capitais. Quan- do a propriedade existe em forma de ações, seu movimento e sua transferência tornam-se o resultado puro do jogo da Bolsa de Valores.17 Assim, o sistema de crédito aparece como alavanca da superprodução e da superespeculação no comércio e acelera tanto o desenvolvimento material das forças produtivas quanto a formação do mercado mundial mas, ao mesmo tempo, estimula também a erupção das crises.

A “Grande Depressão” de 1929, por exemplo, foi resultado desse processo. O momento teve como marca o dia 24 de outu- bro de 1929, quando as ações da Bolsa de Nova York caíram de maneira drástica e desencadearam “dias negros”, iniciados pela “Quinta-Feira Negra”. Milhares de rentistas perderam grandes so- mas de dinheiro, a recessão já existente foi intensificada e diver- sas empresas quebraram ou se fundiram.18

A crise contribuiu para concentrar ainda mais o capital, mas desde o início do século XX as associações capitalistas mono- polistas, como cartéis, trustes e mesmo sindicatos patronais, já dividiam entre si o mercado mundial e investiam na exportação de capitais. Realizavam acordos para garantir lucros seguros e se tornar menos vulneráveis às oscilações do mercado, às compe- tições e a qualquer outro tipo de dificuldades.19 Tal cenário foi observado por Lênin (2011) também na indústria naval.

Segundo o autor, no início de 1903 uma gigante alemã e um truste anglo-americano concluíram um acordo para dividir o mer- cado de construção naval e seus lucros. A concentração desta indústria se manteve por décadas nos grupos compostos pela Hamburg-Amerika e a Norddeutscher Lloyd (alemã) e a Interna- tional Mercantile Marine Co., ou como ficou conhecido, o truste Morgan, formado pela união de nove companhias americanas e britânicas. Não por acaso foram estes os países líderes na indús- tria de construção naval até a metade do século XX.

17. Nas palavras de Marx, “os pequenos peixes são devorados pelos tubarões e as ovelhas, pelos lobos da bolsa” (1985b, p. 334).

18. Os efeitos foram sentidos durante toda a década de 1930. A crise só foi atenuada a partir da Segunda Guerra Mundial.

19. Como as dificuldades exteriores ao mercado, como qualidade das safras, bruscas variações climáticas, tragédias ambientais, entre outras.

Em 1956, a Alemanha Ocidental e o Reino Unido concentra- vam juntos 47,5% do total da produção naval mundial, sendo a Alemanha Ocidental responsável por 17,3% e o Reino Unido por 23,1%.20 Os Estados Unidos, que possuem grande parte de sua in- dústria naval conectada à defesa nacional e à indústria de guerra, também lideravam a produção naval mundial do setor.