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CHAPITRE 5. LES RÉSULTATS SUR LA FRÉQUENCE DES PRATIQUES

5.3 LES AUTRES FACTEURS D’INFLUENCE

5.3.3 La fréquence de la consultation et de la collaboration

Nas Representações Sociais, dentre os elementos que precisam ser destacados e que atuam, dialeticamente, na sua formação, estão a objetivação e a ancoragem.

Para Moscovici (1978), “a representação tem, em sua estrutura, duas faces tão pouco dissociáveis como as de uma folha de papel: a face figurativa e a face simbólica” (MOSCOVICI, 1978, p.63). Seu aspecto figurativo é concebido pelas imagens, ícones ou figuras tangíveis que vêm à cabeça logo que somos questionados sobre o objeto da representação. No aspecto simbólico, nos referimos ao pensamento conceitual, o sentido, o significado dado ao objeto de representação. Isso significa que a cada figura corresponde um sentido e a cada sentido, uma figura. Os processos envolvidos na atividade representativa têm por função destacar uma figura e, ao mesmo tempo, atribuir-lhe um sentido, integrando-o ao nosso universo.

Moscovici (1978) introduz, assim, os processos de objetivação e ancoragem, que dão origem às representações sociais.

O processo da objetivação consiste na operação que permite tornar concretos os conceitos abstratos, ao materializar abstrações em imagens. “A objetivação é caracterizada como passagem de conceitos ou ideias para esquemas ou imagens concretas, os quais, pela generalidade de seu emprego, se transformam em supostos reflexos do real" (MOSCOVICI, 1978, p.289).

A objetivação pode ser definida como a transformação de uma ideia, de um conceito, ou de uma opinião em algo concreto. Cristaliza-se a partir de um processo figurativo e social e passa a constituir um núcleo figurativo de uma determinada representação seguidamente evocada, concretizada e disseminada como se fosse o real daqueles que a expressam.

O outro processo trata da Ancoragem, ou seja, da inserção do novo objeto no acervo de conhecimentos já existentes. Constitui-se como uma rede de significações em torno do objeto, relacionando-o a valores e práticas sociais.

A representação sempre se constrói sobre um já pensado, manifesto ou latente. A familiarização com o estranho pode, com a ancoragem, fazer prevalecer quadros de pensamento antigos, posições preestabelecidas, utilizando mecanismos como a classificação, a categorização e a rotulação. E classificar, comparar, rotular, supõe sempre um julgamento que revela algo da teoria que temos sobre o objeto classificado.

Ao procurar compreender o novo, o não familiar, dialogamos com nossos conhecimentos e experiências anteriores, preexistentes, e, assim, ancoramos o novo em um enquadramento de saberes (valores, cognições, afetividades) já vivenciado.

É nesse sentido que afirmamos haver um contínuo processo dialético de construção de conhecimento pelo qual aderimos, integralmente ou não, às novidades, ao que nos é proposto, de acordo com o conhecimento e valores que já tínhamos.

Para Arruda (2002, p.76), a ancoragem dá significado ao objeto desconhecido, o “não familiar torna-se familiar”. O indivíduo recorre ao que é familiar para fazer uma espécie de modificação da novidade: traz ao terreno conhecido, ancora o desconhecido neste lugar, retirando-o, assim, do território não familiar.

O processo de ancoragem estabelece alternativa para lidar com o novo, com o desconhecido, com as coisas que não fazem parte do nosso conhecimento e, por isso, são recebidas com certa resistência, sendo necessário superar esse distanciamento e classificar o novo dentro de alguma categoria. Quando podemos falar algo sobre ele, avaliá-lo e comunicá-lo, quando podemos familiarizar e reproduzir o novo em algo que já é de nosso conhecimento, entende-se, então, a ocorrência do processo de ancoragem.

Para Jodelet (2001), no processo de formação das representações,

[...] a ancoragem intervém assegurando sua incorporação ao social, [...] enraíza a representação e seu objeto numa rede de significações que permite situá-los em relação aos valores sociais e dar-lhes coerência. [...] A ancoragem serve para a instrumentalização do saber, conferindo-lhe um valor funcional para a interpretação e a gestão do ambiente (JODELET, 2001, p. 38-39).

Concordando com esse conceito, Jovchelovitch (1999) explica que, ao pegar uma coisa antiga para ancorar uma nova em busca de compreensão, podemos perceber que a primeira ganha uma nova propriedade e se modifica. Assim, o saber vai se transformando, o que faz da ancoragem um processo fundamental para se compreenderem as transformações das representações sociais.

Na formação das Representações Sociais, a ancoragem desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do conhecimento, uma vez que é através dela que se concretiza a parte operacional do núcleo central.

Abric (2002, p.22) destaca cinco funções da ancoragem ou do sistema periférico no funcionamento e na dinâmica das representações:

a concretização do núcleo central em termos ancorados na realidade, imediatamente compreensíveis e transmissíveis;

a regulação, que consiste na adaptação da representação às transformações do contexto, integrando novos elementos ou modificando outros em função de situações concretas com as quais o grupo é confrontado;

a prescrição de comportamentos, ou seja, os elementos do sistema periférico funcionam como esquemas organizados pelo núcleo central, garantindo o funcionamento instantâneo da representação com grade de

leitura de uma dada situação e, consequentemente, orientando tomada de posições;

a proteção do núcleo central, em que o sistema periférico é um elemento essencial nos mecanismos de defesa que visam proteger a significação central da representação, absorvendo as informações novas suscetíveis de pôr em questão o núcleo central;

as modulações individualizadas, em que o sistema periférico permite a elaboração de representações relacionadas à história e às experiências pessoais do sujeito.

No processo de formação das Representações Sociais, Moscovici (1978) nos informa, que objetivar é reabsorver um excesso de significações, materializando o objeto desconhecido em algo efetivamente objetivo e concreto, enquanto a ancoragem refere-se à inclusão do que é desconhecido, fornecendo um sentido compreensível ao objeto dentro de um contexto.

A ancoragem está dialeticamente articulada à objetivação, para assegurar as três funções fundamentais da representação: incorporação do estranho ou do novo, interpretação da realidade e orientação de comportamentos. (NÓBREGA, 2001, p.77).

Conforme Moscovici (1978), objetivação e ancoragem são processos que se desenvolvem conjuntamente como páginas de uma mesma folha de papel, ou como duas faces da mesma moeda e, portanto, se desenvolvem dialogando com a realidade preexistente, procurando ora aderir, ora rejeitar um novo conhecimento, ou imagem, em um processo contínuo de construção, modificação e metamorfose.

No exercício de objetivar-ancorar, os sujeitos definem as representações compartilhadas pelo grupo de pertença. Essas representações do grupo são determinantes da sua identidade e orientadoras da sua ação. Ao compreender as representações, suas formas e funcionamento, poderemos revelar aspectos da identidade social de um grupo, compreendendo sua postura frente aos objetos.

Nas palavras de Moscovici, “se a objetivação explica como os elementos representados de uma teoria se integram enquanto termos da realidade social, a ancoragem permite compreender a maneira como eles contribuem para exprimir e construir as relações sociais”. (MOSCOVICI, 1978, p. 318).