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Formatting Access Rules

Dans le document Red Hat Enterprise Linux 6 Security Guide (Page 82-85)

Avoid using null passwords whenever possible

2.6. TCP Wrappers and xinetd

2.6.2. TCP Wrappers Configuration Files

2.6.2.1. Formatting Access Rules

O aparecimento da Internet como um novo instrumento de comunicação e o seu acesso cada vez mais presente em todas as classes sociais faz surgir relatos de comportamentos patológicos de dependência à Internet constituindo temas da literatura médica e psicológica atual e também da mídia popular. Segundo TERÊNCIO; SOARES (2003), o distúrbio do século XXI diz respeito à confusão de identidades, surgida da dificuldade em integrar a vida real à vida na Rede.

Segundo BALLONE (2001), ainda que não se saiba, até o momento, e com certeza, se os problemas relacionados à Internet serão clinicamente significativos no futuro ou se serão irrelevantes, o que se tem constatado é que seu uso pode estar presente em diversas patologias psíquicas, ora aparecendo como condição secundária a essas patologias, ora constituindo-se numa condição primária da própria patologia. No primeiro caso, teríamos a manifestação de alguns transtornos através da Internet; no segundo caso, a nova descrição psicopatológica da Adicção à Internet.

A partir daí, formam-se associações e grupos de ajuda, os chamados netalcoholics,

webalcoholics termos utilizados por, PRADO (1998), para designar a pessoa “viciada” em

Internet.

Segundo RAZZOUK (1998), o conceito de dependência começou a ser delineado como patologia no século XIX. Anteriormente, o uso exagerado de algo não estava associado a uma perda de controle, a um desejo compulsivo de seu uso ou de um desvio patológico, mas como uma opção do indivíduo.

Somente no século passado a dependência começou a ser associada a um transtorno da mente. De acordo com a autora, apenas mais tarde, foi adicionado a este conceito de dependência a presença de um transtorno na vontade do indivíduo.

Até então, o conceito de dependência ou vício era bastante subjetivo. Por exemplo: segundo Kleber, citado por RAZZOUK (1998), no início do século XX, o uso de cocaína e de estimulantes, por pessoas pertencentes às altas camadas da sociedade, devia-se à obtenção de prazer, maior disposição física (em festas, reuniões, ou para estudar durante à noite).

No final da segunda guerra, eram oferecidas aos soldados para que suportassem com maior vigor o cansaço, a frustração da derrota e o desânimo. E só a partir de 1960-70, o uso destas drogas passa a ser reconhecido como um problema devido ao efeito da dependência e adverso à saúde.

O desenvolvimento de classificações para patologias, como o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-IV (Associação Psiquiátrica Americana, 1995), auxiliou na categorização da dependência a substâncias, classificando-a como um transtorno psicológico, definindo diagnósticos relacionados a um comportamento com problemas de adaptação em que o indivíduo expressa, sem controle voluntário, distúrbios no plano social, psicológico e físico.

Um dos critérios diagnósticos desta categoria de dependência é a presença dos chamados sintomas de abstinência, o desenvolvimento da tolerância, a necessidade de consumir uma quantidade cada vez maior da droga para se obter o mesmo efeito, anteriormente alcançado.

Ainda que no DSM IV não se observe, ainda, uma categoria isolada para o uso patológico da Internet, a formulação de novas categorias diagnósticas, associadas a “novos” comportamentos patológicos e seus sintomas já exigem atenção.

BALLONE (2001) coloca que vários estudos sustentam que o uso da Internet poderia causar um impacto negativo nas relações sociais habituais, no espaço cotidiano, levando as pessoas a perderem parte do círculo social, a diminuir o tempo de comunicação familiar ou a incrementar o sentimento de solidão.

Neste sentido, como coloca VIÑAS et all (2002), alguns autores utilizam termos como compulsivo, ao uso patológico da Internet, quando se referem aos sintomas e alterações no comportamento.

Ainda o autor explica que, dentre as várias atividades, existentes na Rede, consideradas “viciantes”, está justamente o chat, que permite a interação do usuário com outras pessoas tornando-se, então, altamente atrativo.

De acordo com NUNES (2000), assim como as drogas químicas, a compulsão no uso da Internet também está relacionada à sensação de prazer físico que ela produz.

A cada interatividade num chat, no momento de abrir um e-mail esperado, no jogo virtual ou mesmo no barulho da conexão à Internet, são produzidas, no cérebro, descargas elétricas entre os neurônios, induzidas por um neurotransmissor chamado dopamina.

A dopamina, como mostra a autora, é uma substância que o cérebro libera normalmente quando uma pessoa faz sexo, come ou bebe. Quanto maior dopamina, maior a sensação de prazer.

A dependência à Internet mantém esse mesmo padrão fisiológico, criando uma dependência naqueles pequenos momentos de prazer. O problema é que a Internet propicia rapidez nas atividades interativas, aumentando as chances de dependência.

Mas nem tudo é fisiológico. Existem fatores motivacionais que pulsionam essa descarga de prazer por meio da Internet. Um fator só existe se o outro componente for potencialmente determinante. BRIGGS, (1998) caracterizou a dependência à Internet como análoga à Dependência de substâncias, descrevendo sintomas como a tolerância, síndrome de abstinência e falta de controle para interromper o uso da Internet.

Dentro desse contexto, na concepção de BALLONE, não é de se estranhar que tenham surgido diversas hipóteses sustentando existir um uso patológico da Internet, e que tal uso tem como resultado o desenvolvimento de transtornos emocionais, ainda não classificados nos manuais diagnósticos.

Assim sendo, alguns autores têm postulado a existência de um Transtorno de Adicção à Internet, representado pela sigla TAI em português, ou IAD, de Internet Addictiom Disorder. Essa nova nosografia alcançou status científico a partir de um trabalho de YOUNG em 1996, que será comentado mais adiante.

De acordo com RAZZOUK (1998), o primeiro a usar o termo “dependência de Internet” foi GOLDBERG, em 1995, que a classificou como uma categoria diagnóstica caracterizada por compulsivo e patológico propondo, como categoria diagnóstica, o transtorno do uso patológico de computador para aqueles em que a utilização excessiva cause um prejuízo em seu funcionamento físico, psicológico, interpessoal, conjugal, econômico e social. De acordo com BALLONE (2001), GOLDBERG propõe, em seu trabalho, um conjunto de critérios para o diagnóstico de Transtorno de Adicção à Internet, baseados nos mesmos critérios diagnósticos do abuso de substâncias:

Quadro 1 – Critérios para o Diagnóstico do Transtorno de Adicção à Internet (TAI)

(A) Um padrão desadaptativo de uso da Internet capaz de levar a mal estar significativo, expressado por três ou mais dos itens seguintes:

1) Tolerância, definida:

Necessidade de aumentar a quantidade de tempo em Internet para conseguir satisfação Diminuição da ansiedade com o uso continuado da mesma quantidade de tempo em Internet. 2) Abstinência, manifestado por qualquer dos seguintes:

a) Agitação psicomotora

c) Pensamentos obsessivos acerca do que pode estar acontecendo em Internet d) Fantasias ou sonhos sobre a Internet

e) Movimentos voluntários ou involuntários no teclado

Esses sintomas causam mal estar ou prejuízo na área social, ocupacional ou outra, de funcionamento importante.

(B) O uso de Internet ou um serviço similar está dirigido a aliviar ou evitar os sintomas da abstinência.

3) Se acessa a Internet com mais freqüência ou por períodos mais largos do que inicialmente se pretendia.

4) Desejo persistente ou esforços infrutíferos de interromper o uso de Internet.

5) Emprego intenso e por muito tempo de atividades relacionadas ao uso de Internet, como por exemplo, comprando livros sobre Internet, provando novos navegadores, indagando

provedores, organizando arquivos ou descarregando materiais.

6) Atividades sociais, ocupacionais ou recreativas reduzidas por causa do uso de Internet. 7) Continua usando Internet apesar de saber que tem um persistente ou recorrente problema físico, social, ocupacional ou psicológico que parece ser causad o ou exacerbado por esse uso da Internet (privação de sono, dificuldades conjugais, chegar atrasado à compromissos, prejuízo dos deveres profissionais).

Segundo GOLDBER (apud BALLONE, 2001), os critérios diagnósticos propostos estão relacionados, portanto, a um comprometimento no plano social familiar e profissional por um uso preferencial e exclusivo da Internet sobre as outras atividades e uma incapacidade de controlar o número de horas de uso de Internet, com uma tendência a ter sensação de tristeza, ansiedade e mal-estar quando não está online, ou seja, conectado à Internet.

YOUNG (1996) realizou um estudo para caracterizar o uso patológico da Internet ,utilizando os critérios diagnósticos para jogo patológico do DSM IV como se fosse um transtorno patológico do impulso.

Neste estudo, YOUNG (1996) identificou entre os “dependentes de Internet” as seguintes características: um início recente de utilização da Internet (menos do que seis meses), com uma carga horária média de trinta e oito horas em uma semana, com padrão de aumento rápido do número de horas online (conectadas à Rede) enquanto que, entre os “não- dependentes”, o uso da Internet era superior a um ano, não apresentando padrão de aumento rápido do número de horas e uma carga média de cinco horas por semana.

Entretanto, o número de horas não é uma variável adequada para se determinar a presença ou não da dependência, na medida em que o relato é obtido a partir do próprio usuário; pessoas com padrão de uso patológico podem utilizar menos horas do que o acima mencionado, e ainda apresentarem as conseqüências negativas deste uso.

O padrão de uso de Internet também difere quanto ao tipo de recursos utilizados. No estudo conduzido por YOUNG (1996), os dependentes apresentaram preferências pelos chats enquanto que os “não-dependentes” utilizaram mais a web para buscar informações técnicas, profissionais. Os dependentes referiram comprometimento em seus relacionamentos, com grande juízo global em suas vidas.

Esse tipo de atitude do internauta, tal como preferir as salas de bate-papo, para VIÑAS

et all (2002) se explica pelo fato de que a sensação de pertencer a uma comunidade virtual

transmite ao sujeito uma segurança não encontrada no mundo real. O que implica na criação de novos hábitos como a necessidade de conectar-se todos os dias.

Esta postura, segundo o autor, pode gerar um isolamento do contato social e familiar real e o conseqüente surgimento de alterações emocionais e comportamentais, associadas a esta atividade.

Outro aspecto negativo desta atividade, na concepção de LANZARIM (2000), seria o anonimato e a acorporeidade das relações virtuais que terão possibilidade de sobrevivência, enquanto o encontro presencial for impossível.

Além disso, as comunicações interpessoais virtuais, para LÉVY (2000), dão margem a uma relação de desvinculação com a verdade, ou mesmo de alienação social e cultural. O ciberespaço, para o autor, é um universo lúdico e mágico e, por isso, mesmo um jovem que participa de um chat na Internet, por exemplo, pode ocultar ou fantasiar sua identidade, desvinculando-se da realidade e alienando-se de sua situação como indivíduo que desempenha um importante papel sócio- virtual.

Todas estas perdas decorrentes do uso da CMC devem ser considerados pelo internauta, porque podem causar algumas conseqüências para sua vida se não forem controladas, havendo a possibilidade de tornar-se inclusive um dependente desta atividade. As perdas normalmente são a perda de emprego, mau desempenho escolar, divórcios ou rupturas de relacionamentos afetivos e familiares, isolamento social, gasto excessivo de dinheiro com Internet, levando a dívidas expressivas, descuido com a própria aparência e saúde física, como afirma YOUNG, 1996.

King (1996), citado por PRADO (1998), descreve como os ambientes virtua is dos tipos chat, favorecem o mecanismo de dependência, pois proporcionam a gratificação de

necessidades mais sofisticadas (necessidades de relacionamentos interpessoais, reconhecimento social, etc.). Em tal caso, o tratamento deveria ser enfocado nesses fatores predisponentes e, para que isso tenha o status de doença, seria de esperar que uma vez tratados, a adicção desapareça.

Mas, segundo BALLONE (2001), apesar das evidências sobre conseqüências negativas relacionadas com o uso de Internet, as adicções não químicas apresentam certa controvérsia e a inclusão da adicção à Internet, dentro dessa categoria, é também discutível.

Para os críticos da tendência classificatória da adicção à Internet, corre-se o risco de tornar patológicas as condutas habituais das pessoas. No caso do TAI (Transtorno de Adicção a Internet), como em outros tipos de adicção, o essencial a ser considerado é se a conduta adictiva é o problema em si e isoladamente ou, por outro lado, se existem fatores predisponentes de personalidade que explicariam a aquisição e a manutenção da adicção. Em tal caso, o tratamento deveria ser enfocado nesses fatores predisponentes e, para que isso tenha o status de doença, seria esperando que, uma vez tratados, a adicção desapareça.

Saindo do plano da saúde mental e partindo para a ótica social, Nie (apud NICOLACI- DA-COSTA, 2000), cientista político da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, identificou, em suas pesquisas, uma onda de isolamento social causada pela Internet. Segundo ele, os usuários estariam trocando os relacionamentos reais pelos eletrônicos, portanto, abrindo mão do contato humano direto, o que considera não muito bom.

Apresentando um panorama sobre os estudos realizados sobre as perdas decorrentes do uso da Rede, LEITÃO; NICOLACI DA COSTA (2003) mostra que além de novos comportamentos, os analistas da nova ordem digital abordam, também, novos problemas e conflitos psicológicos. O vício na Internet é, como visto acima, estudado por YOUNG. O estresse tecnológico é o tema do livro TechnoStress, de WEIL e ROSEN (1997). O excesso de informação é examinado por Schenk em Data smog: surviving the information glut (1997). O sexo virtual é apontado por VIRILIO (1999) como uma conseqüência do atual desregramento social. O isolamento e a depressão são objetos de investigação de uma pesquisa de KRAUT e colaboradores (2001). Os conflitos entre o prazer gerado pela vida online e a produtividade que dela se espera, bem como a emergência de novas formas de defesa da intimidade, são analisados por NICOLACI-DA-COSTA (2002 e 2000).

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