Avoid using null passwords whenever possible
Chapter 7. System Auditing
7.5. Defining Audit Rules
No decorrer do século XX a humanidade presenciou o surgimento de várias invenções: o rádio, a televisão, o cinema, o computador e, recentemente, a Internet. Cada uma dessas mídias teve grande impacto em seu surgimento e continua a exercer forte papel na vida das pessoas. MAZZILLI (2004), em seu artigo “La tecnofobia, de Gutemberg a la Internet”, faz uma excelente análise de tais inventos e da impressão que estes causaram nas pessoas. Ao contrário do que muitos pensavam, nenhum suplantou totalmente o outro e, pelo visto, a Internet com certeza não será exceção à regra.
Sabemos que a Revolução Industrial foi um grande acontecimento na História. Ela acarretou inúmeras mudanças econômicas, políticas e sociais, que repercutiram sobremaneira nos rumos que o planeta tomou. Naquela época a capacidade de uma máquina fazer o trabalho de mais de 30 homens já assustava, agora imaginemos hoje, em que um simples clique pode realizar o de mais de mil.
54 Aportados na era digital, convivemos com uma infinidade de termos que de certa forma nos conectam ao virtual: “nick”, “link”, “ID” são alguns que já fazem parte do vocabulário de muitos adolescentes, jovens, adultos e até idosos. A Internet tomou conta da cabeça de muitas pessoas e estas, por sua vez, entraram em seu “barquinho” e estão navegando a todo vapor. Vale, no entanto, lembrar que nem todos têm o acesso e usufruem essas possibilidades.
Não só no Brasil mas também em muitos outros países a inclusão digital ainda não é realidade. Nesse contexto é que surgiu o termo “infoexclusão”, o qual é definido por alguns como a exclusão informacional, ou seja, a falta de oportunidades de acesso às novas tecnologias da informação e comunicação. Já outros o tornam bem mais amplo e o definem como todo e qualquer tipo de exclusão informacional. Dentro da primeira vertente temos como sinônimo a expressão “apartheid digital”.
Se de um lado o advento dessas novas tecnologias pode propiciar um grande desenvolvimento, por outro pode também vir a contribuir para aumentar o índice de exclusão social no país. É óbvio que as NTIC não são as únicas responsáveis pelo aumento da exclusão social. Mas, ao mesmo tempo em que se constituem como ferramentas potenciais para a inclusão social, podem também vir a contribuir para que o contrário ocorra. Isso porque o mercado fica cada vez mais restrito e aquele que não tiver o mínimo domínio da utilização dos programas de computação ou dos novos meios eletrônicos pode ser descartado.
Parece exagero mas não é. Vejamos o caso dos office-boys, os quais até algum tempo atrás, nas grandes empresas, eram responsáveis por diversas transações bancárias como pagamentos, transferências de dinheiro, saques, entre outras. Com a automatização e a oferta dos serviços de auto-atendimento, seja em caixas eletrônicos
55 ou on-line via Internet, ou eles se adaptam ou perdem o emprego. Isso porque, com tais “facilidades”, o tempo para a realização dessas tarefas é bem menor, o que faz as empresas utilizarem a mão-de-obra desse empregado para algumas outras funções, as quais eram talvez exercidas por outro empregado, o qual hipoteticamente pode não ter conseguido se adaptar e foi demitido.
Uma verdadeira febre acometeu o mundo, e este passou a girar em torno da ânsia, da angústia fatídica e da busca desenfreada por informação, tida como passaporte para a inclusão do indivíduo em determinados grupos sociais, embora muitas vezes esta não leve ao tão almejado conhecimento. Aquilo que lemos, o que sabemos, a notícia da última hora, aquilo que rapidamente conseguimos absorver, é que determinará nossa posição na sociedade, no mercado de trabalho, junto dos colegas do curso (...). (MOTA e SANTOS, 2002, p. 1)
Informação é a palavra-chave do momento. A educação continuada coloca-se como indispensável a todos, do faxineiro ao presidente da empresa, pois um dos fatores predominantes da infoexclusão é o de ordem econômica. Mas, sem dúvida, não podemos deixar de lado o social. Infelizmente não existem até o momento políticas públicas suficientemente fortes e estruturadas para propiciar o acesso às condições que levariam à infoinclusão de milhões de pessoas.
Outro importante ponto é a questão cultural. Visto que, em muitos casos, uma pessoa pode até ser rica ou pelo menos ter condições de acesso à Internet e às demais tecnologias como telefone celular, máquinas fotográficas digitais etc., mas não consegue absorvê-las e incorporá-las em seu cotidiano, vindo a sofrer de tecnofobia24
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56 Tarefas profissionais que requeiram a redação de documentos, operações bancárias informatizadas, comunicação a distância, até mesmo o desfrute de filmes nas já tradicionais fitas de vídeo, ou agora também nos recentemente lançados aparelhos de “DVD”, exigem das pessoas uma familiaridade e, por que não dizer, uma certa afinidade emocional com toda essa aparelhagem adequada e necessária para o êxito na execução das mais simples tarefas do dia-a-dia.... É um distúrbio ou tipo de dificuldade que deve ser objeto de maiores estudos, pois provoca sofrimento e sentimentos de incapacidade em quem o experimenta, uma vez que hoje em dia é praticamente impossível deixar de conviver com os computadores e outros produtos inteligentes, que incluem processadores em seus circuitos. (VEIGA NETO, 2004, p. 2) A abordagem acima é importante, pois abre espaço para uma reflexão que não é considerada pela maioria das pessoas. Muitas vezes um funcionário acaba sendo demitido por conta do seu medo de aprender a lidar com determinado equipamento; por isso também algumas pessoas se auto-excluem de um grupo de amigos, entre outras dificuldades. Enfim, o ser humano acaba perdendo um certo espaço no mundo e, quando isso lhe é cobrado, cresce ainda mais o repúdio, o receio e, conseqüentemente, há um rebaixamento da auto-estima, levando às vezes a um mal- estar psicológico ou mesmo físico.
Todas essas questões e os fatores ora mencionados são necessários à reflexão que deve ser desenvolvida sobre o processo de exclusão digital. Há uma necessidade emergente de formação política e educacional para que as pessoas comecem a fazer uso das tecnologias e mídias tecnológicas, com vistas a lutarem pela seguridade de seus direitos como cidadãos.
Uma cidadania digital deve ser um reflexo dessa cidadania constituída ao longo dos séculos, mas que valorize o espaço público virtual como espaço para o seu exercício. É uma busca pelo não-alargamento dos preconceitos e das desigualdades existentes.
57 Entender, contudo, a participação apenas como uma questão de acesso físico individual à tecnologia é equivocado. O problema da participação traz à tona o complexo problema relacionado à formação discursiva da vontade, que diz respeito, também, a uma cultura política favorável ao desenvolvimento do potencial discursivo. Garantir que o maior número de pontos de vista esteja presente em um debate público e eficaz requer que um alto nível de participação seja mantido. Isso não significa necessariamente um alto nível de ativismo político, mas de interesse político. (MAIA, 2003)
Diante do cenário que se apresenta à Internet brasileira, a constituição da cidadania digital é a instauração de um movimento que vem ganhando força tanto na sociedade civil como no governo.
O debate tomou impulso nos últimos cinco anos, ao demonstrar a fragilidade do uso das TIC no país, revelando o atraso tecnológico existente e a falta de investimento na área, além da visível e triste realidade de milhões de brasileiros que, excluídos socialmente, não têmacesso a direitos básicos como alimentação, moradia, saúde e educação, mesmo sabendo que esses direitos são garantidos pela Constituição.
O desafio colocado é pensar os infoexcluídos, ou os excluídos on-line, na perspectiva daqueles que estão conectados mas que não têm condições de dispor dos conteúdos veiculados. Uma alternativa poderia ser a criação de um conjunto de instrumentos, por exemplo por meio de portais os quais tenham os requisitos mínimos para que as pessoas as quais acessem o conteúdo on-line possam dele fazer uso. Isso significa a possibilidade de fazer um boletim de ocorrência no site da Secretaria de Segurança Pública, de acessar as obras integrais da literatura brasileira
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da Escola do Futuro da USP, ou a literatura de cordel disponível em sites das universidades do Nordeste, além de toda a gama de informações disponíveis e o manuseio desses conteúdos.
A apropriação desses instrumentos e saberes leva o debate a outras variáveis, como os desafios éticos. Preocupada em discutir estas questões, a Unesco lançou em 2003 o Observatório da Sociedade da Informação26
, uma versão brasileira de um projeto que monitora as políticas públicas e iniciativas no campo da “sociedade da informação”. WERTHEIN (2003) sugere cinco dimensões para a discussão da ética na “sociedade da informação”:
Múltipla perda: perda da qualificação profissional, associada à automação e ao desemprego estrutural, que na realidade é mais um reflexo da nossa sociedade consumista, a qual valoriza por medida o profissional que está à frente de seu tempo, sem ao menos levar em conta que essa falta de qualificação é gerada justamente por esse movimento. A falta de oportunidades e de uma educação digna faz com que as perdas sejam maiores.
Comunicação: a comunicação interpessoal e a grupal são transformadas e reduzidas pela SI. Isso se dá pelo fato de o campo da comunicação ter um papel fundamental na divulgação e ampliação da SI. Mas ao mesmo tempo reduzem-se as possibilidades de uma ampliação e difusão do meio, pois, de maneira reducionista,
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Biblioteca virtual é um serviço que reúne informações antes dispersas, que são capturadas, organizadas, sistematizadas, integradas e ofertadas em rede. Consiste de dados e metadados relativos a documentos, pessoas, instituições, serviços e objetos, existentes nas mais diversas formas. As informações podem ser apresentadas mesclando texto e multimídia (imagem, som e vídeo).
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59 faz com que as pessoas se fechem em grupos e em comunidades, não as deixando livres para escolherem seus próprios caminhos.
Invasão: o espaço individual é constantemente invadido pela violência visual e pela poluição acústica.
Controle: amplia-se o controle sobre a vida pessoal e tudo o mais no seu entorno.
Identidade: há alteração do sentido da identidade do cidadão em decorrência da intimidação ante a complexidade técnica das atividades na SI.
Essas questões colocadas por WERTHEIN (2003) nos demonstram o quanto a “sociedade da informação” ainda deve ser debatida, questionada e estudada para que possa chegar a um patamar que atenda as necessidades dos cidadãos e, principalmente, dos infoexcluídos.
Conseguir explorar essa complexidade que a rede mundial de computadores possui talvez nos dê a condição de começar a entender que se pode pensar um novo tipo de cidadania. Um aprendizado, uma prática social, uma relação social que leve a essa cidadania, a qual podemos considerar uma cidadania por expansão da cidadania “convencional”, social, política, civil etc. Os direitos civis, políticos e sociais também poderiam ser os direitos do cidadão virtual, que poderemos chamar de cidadania on-
line ou, mesmo, virtual.
A cidadania digital deve ser vista como a extensão da cidadania constituída ao longo da História, da cidadania convencional. O que muda na verdade é o espaço e a forma de exercê-la. A utilização do espaço público virtual dá uma nova conotação à cidadania, fazendo com que o cidadão passe a ser parte fundamental do processo de construção de um espaço virtual.
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