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Annexe aux comptes consolidés

Note 2 Principes comptables

2.2 FONDS PROPRES .1 Capitaux propres

Os acidentes de trabalho não geram apenas lesões físicas, como atinge também a integridade psíquica do trabalhador, tal situação é denominada de estresse pós-traumático (TEPT), que é definido como sendo uma perturbação psíquica desencadeada pela exposição a um evento traumático e ameaçador. Desta forma, podemos entender que os acidentes de trabalho possuem algumas características que permitem o desenvolvimento de perturbações que podem implicar grandes modificações na vida dos envolvidos (Ex: vítima, colegas e família), já que os problemas relacionados ao pós-acidente não possuem caráter individual, mas sim sócio familiar, com repercussões financeiras e emocionais. (OLIVEIRA, 2014).

No que diz respeito à saúde mental, os acidentes de trabalho podem provocar sintomas de estresse, depressão, transtornos pós-traumático, fobias, ansiedade que são agravados pela insuficiência de suporte assistencial (psicológico, social e afetivo) pelo empregador e pelas instituições de saúde (Seligmann-Silva, 2004).Conforme podemos observar na figura 08.

Figura 8: Modelo internacional de impactos psicológicos

Os fatores psicossociais do trabalho referem-se às interações entre meio ambiente e condições de trabalho, condições organizacionais, funções e conteúdo do trabalho, esforços, características individuais e familiares dos trabalhadores. De acordo com a teoria apresentada pelo psicanalista Erik Erikson (1902-1994), o desenvolvimento psicológico do indivíduo depende da interação que mantêm com outras pessoas num ambiente social. Portanto, a natureza dos fatores psicossociais é complexa, abrangendo questões associadas aos trabalhadores, meio ambiente geral e do trabalho. Desde aquela época até os dias atuais, houve significativo avanço no conhecimento científico sobre a influência das interações entre esses elementos e os efeitos na saúde. As demandas psicológicas e suas associações com o controle no trabalho são variáveis de natureza psicossocial e têm sido intensamente investigadas (Karasek6,7 1979; Theorell & Karasek13 1996; Bourbonnais et al2 1999; Araújo et al1 2003; Fernandes et al3 2009). O conforme Souza (2005) os acidentes de trabalho resultam em muita dor e sofrimento por serem traumáticos, fazendo por muitas vezes com que as vítimas revivam o acontecimento, tendo flashbacks do sucedido, chegando por vezes a um quadro de stress pós-traumático, que pode atingir quer a vítima quer os colegas que assistiram ao acidente. A dor e o choque levam também à insónia e fadiga que têm implicações no estado de humor das vítimas, ficando estas com maior irritabilidade.

Muitas vítimas após o acidente ou lesão, ao deparar-se com limitações, acaba por gerar a perda da autoconfiança e, o fato de deixarem de poder continuar com os seus hobbies acaba por lhes retirar a satisfação, podendo levar à depressão e ao isolamento. Muitos familiares das vítimas relatam mudanças significativas no modo de funcionamento psicológico das mesmas, relatando que estas passaram a ser mais introvertidas. A dificuldade, por exemplo, em lidar com uma nova aparência dificulta os relacionamentos interpessoais. Muitas vezes esta má aceitação do corpo pode levar à perda de intimidade entre os parceiros, o que pode provocar frustração e insatisfação conjugal.( SOUZA, 2005)

Todos aqueles que de alguma forma, convivem com um trabalhador acidentado no trabalho, acabam por sofrer alguma consequência direta ou indireta. Isso significa dizer que a ocorrência de um acidente de trabalho reflete-se sobre toda a sociedade. Obviamente que a família acaba por sofrer prejuízos muito mais significativos, tanto financeiramente quanto em sociabilização. Não podemos nos esquecer que é a família quem, por vezes, precisa se adaptar a

um novo formato de vida, dependendo do grau do impacto ao qual o trabalhador acidentado foi submetido. Segundo Burton (2002), a família começa a sentir-se afetada logo quando recebe a notícia do acidente ou o diagnóstico da doença - a reação inicial seria de choque e de descrença, principalmente quando há lesão física. Problemas na vida sexual do casal, nas finanças da família e na vida social, passam a ser os fatores considerados mais críticos no tocante aos reflexos que os acidentes de trabalho ocasionam na família – salienta-se que quanto maior a gravidade do acidente, maior é o prejuízos familiares.

Uma concepção da psicologia social a respeito dos acidentes de trabalho pode ser encontrada nos estudos de Dela Coleta (1986), para quem a ocorrência de acidentes advém do meio ambiente, de aspectos fisiológicos e de aspectos sensoriais e psicomotores dos envolvidos, podendo aumentar ou diminuir nas seguintes situações: Os acidentes de trabalho aumentam quando há incremento da produção, quando a fadiga se apresenta, quando a iluminação é inadequada, a temperatura é elevada e quando há falha de visão e de percepção.

Outro aspecto psicológico muito abordado é o da predisposição que determinado trabalhador tem para sofrer acidente. Isto é, diferentemente da probabilidade de ocorrência de acidentes que engloba também as variáveis de condições ambientais, a predisposição volta-se às características individuais de certas pessoas e que são responsáveis pela ocorrência dos acidentes. Dentre essas particularidades, as mais destacadas são tendências autopunitivas, revolta contra autoridade, inadaptação psicológica ao trabalho e submissão, sentimento de falta de sorte, alto nível de ambição, medo, ansiedade, distração, confiança em si exagerada, atitude social agressiva e pouco integrada e a impulsividade. Esta perspectiva psicológica aborda os acidentes de trabalho como sendo resultantes não apenas da predisposição do trabalhador para sofrê-los e, além disso, estabelece relações de causa e efeito entre a psicologia dos envolvidos no campo do trabalho e os acidentes que provocam cometendo atos falhos. (Dela Coleta, 1986).

Conclui-se que, para a psicopatologia, interessa o coletivo e não o individual, explicando os acidentes de trabalho não como decorrentes de atos falhos, mas sim como resultantes da resistência dos trabalhadores a imposições diferentes dos seus hábitos diante de condições de trabalho e da organização do trabalho vivenciado.

Dwyer (1989) afirma que os acidentes de trabalho não ocorrem, simplesmente. E sim produzidos no local de trabalho, isto é, eles acontecem onde as pessoas agem, em função de suas

capacidades física e intelectual, sobre máquinas, materiais, idéias, a natureza, etc., de modo a transformá-los. E, em face do domínio do empregador sobre o trabalhador (grupo dominado), pode-se analisar a ocorrência de acidentes de trabalho industrial em três níveis de realidade.

O primeiro nível trata da recompensa, que se refere à reprodução das forças produtivas (trabalho e capital) a um custo abaixo do preço recebido pelo produto dessas forças, gerando excesso de horas extras. Já o segundo nível trata do controle direto, que se refere à tomada de controle ativo, por parte do grupo dominante, das ações do grupo dominado, impedindo que o trabalhador conheça seus companheiros de trabalho, afetando a execução de suas atividades.

Por fim o terceiro nível, a organização. Esta se refere à situação em que o grupo

dominante assume o conhecimento e a coordenação das relações sociais transformadas, gerando baixa capacitação e qualificação dos trabalhadores e desorganização no trabalho. Além desses três níveis, construídos socialmente, o autor indica um quarto nível que representa a parte do indivíduo que não é recompensada, controlada ou organizada, ao qual chama de nível do indivíduo-membro. Destaca, no entanto, existirem instrumentos, tais como regras burocráticas, disciplina e psicologia social, que são usadas para subordinar essa autonomia de ação do trabalhador remanescente no contexto da dominação social.

O modelo proposto por Dwyer baseia-se num tipo ideal e, segundo suas próprias palavras, é raro encontrar um local de trabalho onde um nível de relação social exerça

predominância total em relação aos outros, assim como é raro encontrar uma relação social particular em sua forma pura, extrema.

A perspectiva sociológica, que se baseia nas relações sociais transformadas de Dwyer, considera que os acidentes de trabalho são decorrentes das relações que presidem o universo empregador/empregado, independente do grau de complexidade do trabalho por eles desenvolvido. Da mesma forma, a eficácia do processo de reabilitação do acidentado é resultante dos relacionamentos sociais, tanto no âmbito da empresa quanto no da família. Ela não aceita a consideração do tipo de lesão ser fator básico que impede o processo de reabilitação (ótica da medicina), nem a consideração de que é do indivíduo a responsabilidade pela reabilitação (ótica psicológica). Da mesma forma, não aceita a visão economista (que se volta para os ganhos financeiros das seguradoras com a volta do acidentado ao trabalho), nem mesmo a visão da sociologia tradicional, que se baseia nos aspectos ideológicos do problema.

Conforme ressalta Souza (2005) Um aspecto que pode diminuir o impacto psicológico e moral é o grau de compreensão das suas condições médicas e relativas ao tratamento/reabilitação. Estudos têm demonstrado que o grau de conhecimento que os trabalhadores têm relativamente ao diagnóstico e ao tratamento influencia o processo de recuperação.Dessa forma, e considerando-se que o trabalho do indivíduo normalmente está ligado a uma empresa, é importante destacar o entendimento da cultura nesse contexto, ou seja, uma cultura organizacional que pode ser compreendida como sendo o conjunto de conhecimentos importantes (normas, valores, atitudes e crenças) compartilhados pelos membros de uma organização (Schein, 1986).

Neste contexto podemos concluir que não há como se falar de qualidade de vida com acidente de trabalho, desta forma, para que as empresas possam prover qualidade de vida a seus trabalhadores, não podem deixar de observar e colocar em práticas posturas positivas e prevencionistas com relação a saúde e segurança. Deste modo podemos resumir os impactos sofrido pela vitima de acidente de trabalho conforme o autor Souza (2005), pela figura 09 abaixo:

Figura 9: Modelo de impactos

3 METODOLOGIA